2008-12-30

Uma questão de diálogos


Vincent: You know what they put on French fries in Holland instead of ketchup?
Jules: What?
Vincent: Mayonnaise.
Jules: Goddamn.
Vincent: I've seen 'em do it, man. They fuckin' drown 'em in that shit.

the other side...

"What began yesterday in Gaza is a war crime and the foolishness of a country. History’s bitter irony: A government that went to a futile war two months after its establishment - today nearly everyone acknowledges as much - embarks on another doomed war two months before the end of its term. (…)"

Algum excerto de artigo de algum "opinion-maker" europeu com sentimento anti-americano?

Não, apenas a opinião veiculada por um "opinion maker"...israelita.

De fazer corar (face à completa ausência de contraditório e à visão muito parcial como são referidas as notícias) algumas redacções de televisões portuguesas e alguns fazedores de opinião cá do burgo...

excerto via Arrastão

2008-12-24

Atitudes sociais dos Madeirenses perante o Ambiente


Hoje à noite irei para a minha ilha natal. Entre as naturais saudades de familiares e amigos, ou a natural ligação que todo o ilhéu tem à sua terra (ainda que muitos o neguem esta existe), há sempre uma dúvida - comum a muitos aqui neste espaço - que me assalta sempre que vou: que alterações físicas encontrarei no espaço quando chegar lá?

Esta pergunta não é em vão. Lembro-me de há poucos anos, sempre que regressava (e ao contrário de muitos só ia em alturas ditas "essenciais") encontrava sempre grandes alterações. Reduzindo a análise à minha zona, era sintomático a quantidade de prédios, casas e apartamentos construídos. O aparecimento de estruturas em tudo o que era espaço, inclusivé por cima de pequenos cursos de água...Esta explosão de betão, em conjunto com o assassinato (autêntico genocídio ambiental em algumas zonas) perpetuado em algumas zonas da costa madeirense (ajuda não ter POOC definido), sempre me pareceram erradas e excessivas, isto olhando ao frágil ecossistema existente.

Mas já se perguntaram sobre o porquê de tanta permissividade dos madeirenses para com tal situação. Lembro-me de um estudo que li há alguns meses, de um sociólogo madeirense André Freitas*, que na sua tese de licenciatura, abordou "Desenvolvimento e Mudança Paradigmática na Madeira - Atitudes Sociais sobre o Ambiente", depois publicado na revista Sociologia, Problemas e Práticas [editada pelo CIES-ISCTE, Celta Editora, n.º 54, pp.101-125 - clicar para baixar respectivo pdf] ajuda a explicar em parte o porquê de tanta apetência por cimento - ou a noção que desenvolvimento apenas se consegue com isso.

O estudo é um pouco longo e resumi-lo aqui de forma exaustiva e minuciosa, poria em causa o seu alcance [deixo à vossa consideração lê-lo dado que é interessante e ajuda a explicar e a confirmar certas premissas que são muito veiculadas, mas quase nunca são validadas]. No entanto deixo umas ideias e conclusões que me farão ir ao cerne de uma questão - a persistência neste modelo de desenvolvimento.
Refira-se que o investigador começa por expôr os três paradigmas de percepção ambiental existentes: Dominant Western Paradigm (DWW) - uma visão muito antropocêntrica, centrada no domínio do Homem sobre a natureza, na percepção de um mundo vasto com possibilidades ilimitadas, onde o Homem pode pôr e dispor, considerando este que a história da humanidade é uma história de progresso: para cada problema há uma solução e o progresso ultrapassará isso. Muito comum até inícios da década de 70. Acrescento que este paradigma acaba por estar muito associado ao mito do economicismo - percepção e redução do desenvolvimento à lógica meramente económica, muito em voga nesta altura.

O segundo paradigma existente é o Human Exemptionalism Paradigm (HEP). É mais uma vez um visão antropocêntrica, focando-se nas interacções entre os homens e as diferentes culturas, considerando o ambiente biofísico algo irrelevante para o contexto das interacções humanas, sendo que a acumulação de conhecimento técnico e social acaba por fazer ultrapassar os problemas e desigualdades existentes. Muitas vezes associado ao primeiro paradigma, acaba por vingar nas décadas de 70 e 80, como resposta ao aparecimento de um terceiro paradigma.

Este - New Ecological Paradigm (NEP) - assenta numa matriz completamente diferente dos outros dois. Têm uma visão já ecocêntrica do Homem ou seja, este tem de interagir com todo o meio envolvente. Há uma noção claras dos limites da natureza, havendo um cuidado por preservar a simbiose existente - a inventidade e criatividade podem ultrapassar certos aspectos, mas as consequências disso poderão ser bem nefastas. Decorrem daqui as noção de sustentabilidade (tão em voga em tudo o que é mensagem e discursos nos dias que correm), ganhando esta visão muitos adeptos a partir da década de 70, havendo um reconhecimento para a pertinência do problema e para as consequências advindas para a as gerações vindouras, no célebre relatório Brundtland "Our Common Future" - com a celébre definição de desenvolvimento sustentável - que preenche as nossas necessidades, salvaguardando as necessidades das gerações futuras (havendo depois muitas modificações consoante os objectivos de cada um - em 1994 a a cimeira de Davos citou uma noção de sustentabilidade muito própria, salvaguardando na básica as prácticas insustentáveis dos países presentes...)

Como já aqui disse, os ilhéus, devido às contigências naturais e limitadas em termos de espaço e grande exposição à força dos elementos, têm uma grande sensibilidade para as limitações da Natureza. Este estudo [baseado em entrevistas de um inquérito que versava várias áreas] vem comprovar isso mesmo, sendo esta preocupação transversal aos demais extractos sociais ou habilitações literárias dos inquiridos. Friso este último aspecto, porque é aqui que se revela a grande fractura na sociedade madeirense. Nota-se que a esmagadora maioria das pessoas inquiridas que não possuía habilitações escolares ou possuía apenas o nível básico ou de ciclo (até ao 9º ano), tinha uma visão muito utilitarista da Natureza, muito coincidente com o paradigma DPP (o primeiro que referi). Pelo contrário, quem possuía habilitações ao nível do secundário ou superior, possuía um grande pendor NEP - com uma visão muito preocupada com a acção humana sobre a natureza.

Curiosamente, ou tal vez não, tal fracção não era tão visível ao nível de extractos sociais, como uma primeira abordagem poderia supor.

Sabendo-se o baixo nível cultural e escolar da generalidade da população, assim como as graves deficiências existentes na Madeira a nível de sistema de ensino [ao que parece, somos das regiões do país com maiores taxas de reprovação e taxas de absentismo escolar] e a manutenção de um modelo económico (esgotado na minha opinião) centrado na construção [basta ver o ORAM 2009], é fácil descortinar o porquê de propostas algo surreais como a do Rabaçal ou a criação de não sei quantas praias de areia branca, poderem vir a colher no futuro algum entusiasmo por parte de certos sectores da população. Aliás, a aposta em cimento em detrimento de educação e inovação, acaba por criar um ciclo vicioso.

Já aqui escrevi que a generalidade das pessoas, olha a política com uma perspectiva de muito curto-prazo, de satisfação das suas necessidades pessoais. A cultura da fraternidade e a perspectiva e sentido cívico a longo prazo, são difíceis, quando não há as ferramentas nem o estímulo intelectual para se obter tal.

Parece-me a velha história das audiências televisivas. Face à degradação de conteúdos, os canais defendem-se que é isto que a maioria dos telespectadores quer. E caímos assim num ciclo vicioso, sem que haja a tentativa (que é trabalhosa e apenas recompensatória a médio-longo prazo) de elevação de conteúdos. A lógica imediata e insustentável é a que prevalece.

Transpondo para a temática em discussão, compreende-se assim o porquê da manutenção da política do betão. Esta é a mais segura e fiável para a manutenção e perpetuação no poder, para além de manter alimentados alguns interesses que sustentam todo este status quo. E pior é quando aliado a isto, a elite governativa aparenta ter uma visão muito utilitária e imediata sobre o uso do espaço. Só assim se explica certas declarações efectuadas.

A mudança radical de modelo de desenvolvimento - imperativa e necessária face a muitos atropelos que têm vindo a ser feitos - tem de se processar rapidamente, sob pena de virmos a pagar futuramente [bem mais perto do que se crê] uma elevada factura, seja ambiental, seja social, seja económica...

Foto: flirck

*e não é que vim a descobrir através da foto existente no CIES que o conheço...dos tempos de jogador [petiz] de bola no mítico JAC!

Caça ao voto ou simples demonstração das carências sociais existentes?

A última acção do PND-Madeira teve o condão de levantar este pequeno dilema. Será moral e ético distribuir dinheiro assim à população, numa lógica que à primeira vista aparenta ter meros objectivos de índole eleitoral (foi notória nos blocos informativos nacionais, o agradecimento de muitos dos beneficiários, assim como a declaração que iam passar a votar "nestes")?

Uma resposta com uma visão superficial do assunto, poderia indicar que sim, dado que o contexto reveste-se de uma lógica caritativo e assistencialista. No entanto, aqui o contexto é outro. Creio que mais uma vez, o PND-M conseguiu com uma acção de grande mediatismo (e sabendo-se que o pendor cada vez maior que a comunicação assume em política e na visibilidade que o dado partido tem por parte do simples eleitor), mostrar uma outra face da Madeira. Aquela que está seriamente constrangida a nível económico, mostrando-se no entanto aqui, cada vez maior fractura social existente, cada vez mais decorrente do tipo de desenvolvimento que estupidamente continua a ser empregue (ao invés de se apostar no reforço das competências educacionais e cívicas que por sua vez redundaram num maior "empowerment" político da população).

Há diversas condicionantes que convém referir e que na passada segunda feira vieram ao de cima. Em primeiro lugar, nota-se que claramente há imensas franjas da população que porventura não compreendem o carácter fiscalizador que umas eleições podem constituir. Frases como "Votei desde sempre neles, mas agora vou experimentar estes" são sintomáticas desta falta de maturidade do eleitorado (aliás, em abono da verdade não se resume só à região, sendo vísivel em muitos outros pontos do país). E nem arrisco entrar, pela percepção por parte destas franjas de mecanismos de alternância democrática.

Outro aspecto que é realçado é a chamada "gratidão" que muitas franjas atribuem a certas medidas/acções mediáticas que são efectuadas. Escrevo "mediáticas" pelo simples facto do eleitor comum ter uma visão política a curto-prazo muito centrada no seu dia a dia. Assim, o clamar os louros por medidas introduzidas ou o fazer grandes acções mediáticas (mesmo que o alcance destas seja nulo), acaba por premiar e trazer maiores dividendos eleitorais, gerando fenómenos de fidelidade partidária - e num estado mais avançado caindo numa espécie de "clubite partidária", que a adopção de acções mais contidas e pensadas a longo-prazo.

Numa altura em que assistimos a uma explosão dos meios de comunicação, a passagem de mensagem e a "mostra de trabalho feito" torna-se assim muito importantes. Aliás a lógica de aumento de fundos destinada ao Parlamento, tem por detrás esta premissa. No caso do partido no poder, trata-se no fundo de uma forma de financiamento de meios que o permitam perpetuar-se como o mais votado.

Nesta questão em particular, os círculos ligados ao partido de poder rapidamente acusaram o PND-M de populismo e de demagogia. No entanto, lembramos que esta medida não é virgem e a política de pão e circo há muito que é posta em "marcha" nesta região (e isto dito literalmente). Mas nem vou por aqui, nem vou justificar esta acções com muitas acções similares que já aconteceram por parte de outros partidos. Creio que o método usado não é ético - que diferença entre isto e a compra de votos na antiga Roma?

Mas aqui reconheço que o motivo é maior e nobre e aceito que numa situação limite - como a que aparenta estar a acontecer - também se recorra a armas que o adversário usa e abusa. A fractura social na Região é enorme, o imobilismo social ainda é forte e largas camadas da população continuam a passar ao largo do dito desnvolvimento da "Madeira Nova", com todas as limitações que daí advêm. E esta acção do PND-M veio simplesmente por a nú tudo isso.

Constatações

Depois do "pequeno" contratempo de hoje, acabo por chegar à conclusão que não há volta a dar - se não fosse isto, seria qualquer outra coisa...Deixo sempre compras para efectuar para o dia 24 de Dezembro...

Radiografia e BI's

...Que terão em comum? Para além da sua maleabilidade, conseguem forçar a fechadura de uma maneira muito limpa uma porta de apartamento [e assim de repente, este blogue adquiriu por momentos um ar de "Anarchist Cookbook"]...

Hoje registei um upgrade de competências. Tive que arrombar a minha própria casa, com uma radiografia que o São Carregador de Piano me providenciou - as chaves ficaram lá dentro por esquecimento e os colegas com quem partilho o espaço já estavam na ilha... Estou apenas na dúvida se coloco este upgrade na parte das competências técnicas do CV ou se coloco na parte das informações adicionais...

E para celebrar o meu primeiro Break & Enter, nada melhor que recordar esta excelente - e já antiga - música dos britânicos Prodigy (de nome igual), percursores do big beat - aqui num vídeo particular interessante.

post scriptum: a sério, fiquei siderado com a facilidade com que a porta se abriu. Já tinha ouvido falar disto, na mesma lengalenga da história da bola de ténis de mesa e os carros de fecho centralizado. Mas a verdade é que resultou de uma maneira arrepiantemente limpa...e depois, para experiência, até com um BI abriu...

post post scriptum: melhor foi o facto de ter sido alertado para o uso desta solução por parte de um...polícia (ehe)!

2008-12-22

Sugestões de Natal by desbobina II

Atendendo à época e fazendo jus a uma tradição que temos vindo a cultivar neste espaço, o Desbobina apresenta a sua sugestão anual de prenda Natalícia.

"Believe in God instantly! Surrender yourself to a higher power and never feel alone again!"

O verdadeiro 2 em 1. Melhora o hálito e a alma!*

*disponível também em versão spray de defesa!

Zapping Quiz

Conseguem adivinhar que programa não visualizou Vasco Pulido Valente de certeza ontem à noite?

[dica por aqui]

2008-12-17

Aos desbobinadores: Quem se acusa?

Encontrei por mero acaso este post...

A minha pergunta: És um verdadeiro desbobinador?

2008-12-15

Vamos lá ver se desta vez a lei está do lado dos mais fracos

Fisco: Contribuintes a recibos verdes podem fazer requerimento para evitar pagamento de multa

15 de Dezembro de 2008, 14:25

Lisboa, 15 Dez (Lusa) - Os contribuintes a recibos verdes que têm declarações anuais de IVA em falta devem entregar esse documento e fazer um requerimento a pedir a suspensão do pagamento da multa, segundo o fiscalista Rogério Fernandes Ferreira.

Em causa está um decreto-lei de 2007, que teve efeitos retroactivos a 2006, que obriga as pessoas a entregarem anualmente um anexo de informação contabilística e fiscal, além da declaração fiscal que fazem de três em três meses.

O incumprimento desta obrigação tem associada uma coima de 125 euros por ano, pelo que existindo dois anos em falta a multa ascenderá a 250 euros.

O Público noticiou no sábado que o Fisco está a exigir a 200 mil contribuintes a recibos verdes a declaração em falta e o pagamento da respectiva multa, podendo com isso encaixar 50 milhões de euros.

Em declarações à agência Lusa, Rogério Ferreira disse que os contribuintes podem invocar o artigo 32º do Regime Geral Infracções Tributárias (RGIT) para, depois de entregarem a declaração em falta, tentarem não pagar a multa.

O artº 32 do RGIT prevê que pode não ser aplicada a coima desde que se verifiquem ao mesmo tempo três condições: a prática de infracção não gere prejuízo à receita fiscal, esteja regularizada a falta cometida e desde que a falta cometida tenha associado um "diminuto grau de culpa".

"Parece que não se verifica prejuízo porque [o que está em causa] é uma mera declaração obrigatória", não havendo imposto em falta, afirmou Rogério Ferreira, explicando que as pessoas devem primeiro entregar a declaração em falta e depois entregar um requerimento para dispensa da aplicação da coima, não pagando a coima.

A seguir, o contribuinte deve aguardar pela decisão da entidade que decide a aplicação da multa.

O fiscalista Tiago Caiado Guerreiro considera que "não se verificando incumprimento de qualquer imposto e tendo o contribuinte informado [o Fisco] com as outras declarações, não há qualquer cabimento à aplicação desta contra-ordenação".

Esta não é uma "violação da lei com relevância", acrescentou Caido Guerreiro, sublinhando que aquilo que a administração fiscal vem agora reclamar é uma "mera formalidade burocrática", constituindo "abuso de poder" e "terrorismo fiscal", como o director do Público apelida a actuação.

"Por não ser essencial ao cumprimento do pagamento do imposto e dos deveres informativos, as pessoas não a cumpriram", notou ainda Caido Guerreiro.

IRE

In Lusa/Fim


2008-12-13

Entrevistas de emprego...

Para quê cartas de recomendação, experiências no estrangeiro, médias de 16, quando a primeira troca de palavras numa entrevista é a seguinte...

Senhor da Câmara: Bem...Tive a ver a sua candidatura e devo dizer que fiquei logo de pé atrás quando vi aqui no seu BI que reside em Alvalade...mas depois vi que já fez voluntariado no GLORIOSO SPORT LISBOA E BENFICA...e disse logo às minhas colegas, por mim fica este!

Eu: Pois...reconheço...é a principal falha no meu CV...residir em alvalade...mas estou à procura de casa na zona da Luz...

FRANCISCO COELHO: ENVIEM-NO PARA A MADEIRA!!



Francisco Coelho, ex-líder parlamentar da bancada socialista e recém-empossado presidente do parlamento açoriano, estreou-se no cargo adoptando um estilo laranja madeirense...

E que fez ele para merecer tal insulto da minha parte? Ora bem...e não é que se lembrou de declarar como aprovado o programa do governo regional, SEM QUE O PARLAMENTO APROVASSE A PROPOSTA??! Uma aprovação formal à priori... Ora aí está uma novidade (anti)democrática fantástica!

A justificação que dá para tamanha afronta ao bom senso baseia-se no facto de não ter sido apresentada nenhuma moção de aprovação ou de rejeição até ao encerramento do debate. É verdade que tal está previsto no regimento da assembleia mas se esse senhor tivesse um palmo de testa veria que tal formalismo não deve ser seguido à letra. Só encontro explicação no facto de ser notório que Francisco Coelho tem pressa em mostrar serviço, nomeadamente no inteiramento pormenorizado do regimento, mas definitivamente não é com preciosismos idiotas como este que vai lá...
Se o programa do governo não vai a votos, O DEBATE SERVE PARA QUÊ??!

Entretanto, Francisco Coelho recuou, contornando a referida norma do regimento e possibilitando assim a apresentação de moções de recusa, o que permitiu a votação do programa de governo. Menos mal. É preferível este malabarismo do que um atropelo à democracia. Mas o malabarismo poderia ter sido evitado se anteriormente tivesse usado simples bom senso...

Quero crer que este episódio não foi de má fé... Quero crer que o PS/Açores não está a ficar com tiques jardinistas.... Quero crer que Francisco Coelho não encontrou em Miguel Mendonça uma musa inspiradora... Quero crer... Mas não está fácil crer...

P.S.: O bobina e desbobina sabe (desculpem o chavão jornalístico), que o discurso de elogio ao clima de respeito e abertura democráticos açorianos, por parte do mesmo Francisco Coelho, teve por alvo subjacente a Madeira, funcionando como farpa indirecta ao modo de actuar do executivo madeirense... Ora meus senhores, se desprezam e lamentam o regime político da madeira laranja, não os imitem (!!), ainda que apenas com pequenos fait-divers. É que se fait-divers como este se multiplicarem, embora corrigidos prontamente, paulatinamente estaremos a trilhar os mesmos caminhos vergonhosos...
O povo está de olho em vocês... E acho que sabem perfeitamente que ao contrário da maioria dos madeirenses, os açorianos são sensíveis aos tiques do estilo jardinista...

2008-12-12

Maio 68 e Atenas 2008 - pontos de contacto?

Parar um país, queimar carros e atacar as lojas, 'bora' dar cabo da Grécia é capaz de ser uma boa ideia. Conheço pouco do país, só lá estive num momento de festa (Jogos Olímpicos) e não sei se aquilo merece ou não ser derrubado. À partida não me parece. Melhor nível de vida que Portugal, eleições, há décadas, nos prazos previstos, não me parece exactamente o Zimbabwe... Mas posso acreditar que sim, talvez haja um Mugabe em Atenas - é tanta a convicção dos jovens e dos sindicatos nas ruas que só pode. Esse é um pressuposto justo para luta: um tirano, um governo iníquo, muito Esparta e pouco Atenas. Mas se é assim, diga-se. Ninguém o diz. Agora, ver os sindicatos gregos com bandeirolas "contra o assassínio a sangue-frio do jovem Alexander" e daí exigirem o fim dos despedimentos e mais dinheiro do Governo para a Saúde e Educação, dá para perguntar: o que tem o cu a ver com as calças? Um polícia atirou para o ar, a bala fez ricochete e matou um jovem é uma situação que merece que o polícia seja julgado. É o que está acontecer. A justiça grega tranquiliza-me. Assim me tranquilizasse a polícia grega acabando com a bandalheira nas ruas.

Ferreira Fernandes in DN, 11 Dezembro 2008

Chronologiquement, les premiers à s'être mobilisés ont été les "anarchistes". Une heure et demie seulement après la mort d'Alexandre Grigoropoulos, 15 ans, tué par un policier le 6 décembre, ils ont démarré les premières violences. Le drame a eu lieu dans leur fief, le quartier d'Exarchia. Cagoulés, habillés en noir, ce sont eux, pour l'essentiel, chaque jour, les chefs d'État-major de la guérilla urbaine dans les rues de la capitale. Leur QG est à l'université polytechnique (Le Monde du 10 décembre).

Le Monde, 11 Setembro 2008

Mercredi soir à Barcelone, près de 400 jeunes, dont un grand nombre d'origine grecque, ont défilé à partir de 21 heures avec des pancartes afin de protester contre la mort du jeune Grec, certains brûlant du mobilier urbain ou attaquant des agences bancaires. A la suite d'affrontements avec la police, deux manifestants, dont une jeune fille d'origine grecque, ont été arrêtés et deux policiers légèrement blessés. La tension a été plus vive à Madrid, où quelque 200 jeunes ont attaqué un commissariat du centre-ville, près de la Gran Via, brisant les vitres aux cris de "police assassine !", selon le quotidien El Mundo. Plusieurs policiers auraient été blessés. La police anti-émeute est intervenue, arrêtant cinq manifestants, avant de poursuivre les protestataires dans les rues alentour et d'en arrêter quatre autres après que des conteneurs ont été brûlés et une agence bancaire criblée de pierres dans le centre-ville, selon un responsable de la police.

Des incidents similaires se sont par ailleurs produits en Italie, lors de manifestations à Rome et à Bologne. A Sofia, en Bulgarie, des manifestants se sont aussi rassemblés devant l'ambassade de Grèce en signe de protestation. En France, deux véhicules ont été incendiés dans la nuit devant le consulat de Grèce, à Bordeaux, dont la porte a été endommagée. Les inscriptions "soutien aux incendies en Grèce" et "insurrection à venir" ont été retrouvées sur la porte d'un garage attenant.

Le Monde, 11 Dezembro 2008

Haverá mesmo coincidências? No ano em que se comemoram os 40 anos do Maio de 68 eis que surgem dos mais violentos confrontos sociais numa democracia europeia das ultimas décadas. Mais do que isso eles alastraram-se a vários sectores da sociedade e mesmo a outros países contíguos. Será que tal como na Paris de 1968 estaremos perante um novo momento de consciencialização social de jovens e outras franjas da sociedade?
Se fizermos uma análise com maior atenção e pormenor apercebemo-nos desde logo que existem diferentes motivos por detrás destas manifestações e movimentações sociais, e que alguns deles são muito pouco inocentes.
Se por um lado, parece evidente que os jovens atenienses e gregos sofrem o mesmo que portugueses, franceses ou espanhóis... são as já famosas gerações 1000 euros e afins... os que vivem até mais tarde em casa dos pais e sobrevivem com empregos precários em call-centers... Por outro lado, parece mais que óbvio que não serão estes jovens que vão para a rua atacar policias com a cara tapada e armas brancas.
Ou seja, tal como nos encontros dos Fóruns Sociais Mundiais, há um aproveitamento politico de alguns movimentos de extrema esquerda militarizada e anarquistas deste descontentamento para ganharem força e adeptos nas ruas.
A acreditar que a crise mundial na politica, economia e finanças é real e está a mexer com a sociedade, não nos devemos por isso agarrar às manifestações violentas de Atenas mas sim à emergência de movimentos artísticos engajados politicamente, à difusão de blogs e sites com criticas e alternativas politicas, à massiva participação de jovens na eleição do ultimo presidente dos EUA... Porque a politica está aí fora... em todo o lado... nas paredes de Banksy e no teu próprio "jardim".

2008-12-11

MAIS UMA LARANJADA MADEIRENSE


Guilherme Silva, deputado da assembleia da república pelo PSD/M, veio a público defender uma solução a todos níveis brilhante, para livrar a assembleia do flagelo dos deputados gazeteiros. E qual terá sido o resultado de tão esforçado e inteligente raciocínio? Nada mais, nada menos do que...ABOLIR OS TRABALHOS DA ASSEMBLEIA À SEXTA-FEIRA!!! Gazeta autorizada e paga pelos contribuintes...
Mas este homem não tem vergonha na cara??!!
Eu proponho abolir os salários destes salafrários!!
Sintomático (palavra preferida de il_messagero...hehe)...

As memórias que nunca se apagam.

Pois o filme de que já vos falei aqui está em fase de pós-produção áudio. Neste momento a produção está à procura de uma sala onde estrear (e nós sabemos o quão difícil isso deve ser na Madeira). Está já a ser divulgado o videoclip oficial do filme, com música cantada por Vânia Fernandes. Parece-me um bom objecto (excelente se considerarmos o panorama cultural madeirense) , mas deixo à vossa consideração.
Senhoras e Senhores, Tudo me Dobra Pena, tema oficial de As Memórias que Nunca se Apagam:



UM ÁRBITRO DAS ESCOLAS DO FCP...



...e um jogador das escolas do Gilardino??!
Para quem não se lembra do Gilardino, veja aqui
De resto, a escola italiana tem muito que se lhe diga...

2008-12-10

Irracionalidade

Estar à mesa num jantar, num restaurante com os pais da namorada e ao ver a sua equipa predilecta a sofrer algum golo, soltar sem querer um FDX!!! bem sonoro...
Bem vindos ao domínio do irracional!

post scriptum: Vá lá, que apenas comecei a ver o jogo a partir dos 55 minutos de jogo...

Mitos de Sintra...

Chegou ao fim o curso intensivo de pós produção de vídeo dado no IPJ-Lisboa. Valeu pela experiência de operador de câmera, coisa que ainda não tinha noções corretas do mesmo, e também pelo uso de novas ferramentas de edição de video (Final Cut Pro da Apple e Avid. Premiere já conhecia e já trabalhava).

Como trabalho final nada melhor com um documentário sobre os Mitos de Sintra.

Lá fomos nós para Sintra...de dia entrevistar a população local e por fim durante a noite para comprovar se é ou não verdade...(um tanto parecido com o MythBusters... lol...não tem nada a ver...)..3h da manha andávamos nos pela serra de Sintra em busca da Teresa Fidalgo (a rapariga que está a pedir boleia e que tinha falecido na serra de Sintra).

O vídeo não tem efeitos especiais nenhuns... está tudo filmado e tivemos muita sorte em ter recuperado a gravação! .... LOL

Todo este vídeo foi feito pelos quatro elementos do grupo, todos filmamos, entrevistamos, editamos...convertemos...um pouco de tudo a dividir pelos quatros elementos do grupo.

2008-12-08

Marítimo 0 Benfica 6: À meia dúzia é mais barato...



Há dias assim... Mas mesmo nestes dias em que tudo corre mal, convém ter a lucidez necessária para não incorrer em fanatismos ou despropósitos destes.



Sou sportinguista e simpatizante do Marítimo, e por isso insuspeito na minha opinião. Daí advém que agradar-me-ia sobremaneira ver o resultado invertido...mas a realidade não o permite. E agradar-me-ia de duas formas: por um lado uma derrota do Benfica, por outro uma vitória do Marítimo.


Mas descendo agora à terra...o que a maioria das pessoas viu neste jogo foi meia dose de sorte benfiquista e outra meia dose de mérito. Ainda que tenha havido um ou outro erro da arbitragem a favor do Benfica (e houve sim senhor), a expressão do resultado não permite grandes extrapolações nessa área... E ainda foi perdoada uma expulsão ao Olberdam, que seria mais que merecida...



São por isso no mínimo ridículos, os comportamentos como este... Especialmente peculiares são as suas afirmações acerca do SLB, sabendo-se que vem de um adepto confesso do "Futebol Corrupção e Putas"... Mas é verdade que não é nada de novo, trata-se do mesmo tipo de fanatismo cego com que "vê" a política, impregnando-a de óbvia clubite partidária (laranjinha).




Mais grave, bem mais grave, constitui o que escreveu no último parágrafo da caixa de comentários do referido post. E mais uma vez, tem o mesmo método do político...Isto se associarmos ao facto do seu grande líder, do qual é fã e venerador, AJJ, apelar despudorada e abertamente à violência contra todos os que "não lhe agradem"...
Enfim...

2008-12-05

Ai a nossa televisão…




Primeiro queria referir que a programação dos nossos canais nacionais, nomeadamente o público fica cada vez mais a desejar, sem sentido e com prioridades deveras interessantes, novelas, filmes (Daqueles que repetem várias vezes ao ano), um concurso qualquer…digo isto porque são quatro e uns tantos minutos da manhã e acabo de ver um documentário em dois episódios com a temática a história do aparecimento do vírus da imunodeficiência humana, conhecida mais comummente por Sida. É sem dúvida importante a transmissão de informação sobre esta questão e muitos outros que têm um impacto tão colossal no mundo, mas acredito que a esta hora poucos telespectadores assistiram ao programa, talvez até a maior parte preferiu assistir a um daqueles concursos da "concorrência"! Eu até os percebo, as miúdas são giras e com a crise económica sempre dá para ganhar mais uns trocos!? Já agora há que referir que segunda-feira foi o dia mundial de luta contra a sida, mas as prioridades de programação continuam a ser as novelas os concursos e os filmes. Se é necessário passar cada vez mais informação para que possamos fazer escolhas com um melhor discernimento e mais acerto, para que passar um documentário no horário nobre, mais vale por no ar um jogo de futebol, uns concursos, um filme e lá pelas duas, três da manhã então passar um programa sobre uma problemática que até só afecta milhões de seres humanos no mundo. Para variar só um pouquinho vou mais uma vez ser conciliador e perceber que um programa destes a passar no horário nobre teria a concorrência das novelas e outros do tipo. Sida…deve ser coisa de outro mundo e deve só afectar os outros. Para que informar e educar…ninguém quer saber… pode ser que seja falado na novela! Eis porque a televisão está em crise: falta de valores, sujeição a política dos canais da concorrência e o gradual esquecimento da definição de serviço público.

Marionetas e o Arco

Alberto João Jardim numa vez referiu-se ao CDS-PP e ao MPT como as outras forças políticas da região que poderiam constituir o chamado Arco Autonómico e propunha ao seu sucessor o estabelecimento de pontes com estes partidos em caso de necessidade.

Na Rússia, pese a esmagadora maioria obtida pelo partido no poder - Rússia Unida - existem na oposição forças políticas que são pró-governo, não passando de meras marionetas do partido do poder, algo que acaba por em causa a qualidade da já de si "musculada" democracia russa.

Ao olhar à celeuma e aos episódios na qual tem estado envolvido João Isidoro nos últimos dias, não sei porquê este modo de actuação na actual Rússia veio de repente à minha cabeça...

Casa da Madeira em Lisboa...

...deve ser concerteza mito! É que vivo cá e nunca ouvi falar em alguma actividade da dita Casa...

Golegã - uma viagem a outro Portugal

Na sequência de um lembrete que cá deixei a responder a um apelo deixado pelo companheiro nesta estranha viagem, o igualmente desbobinador neste espaço - JJT, venho por este meio finalmente relatar uma estranha, mas interessante viagem do ponto de vista sociológico a um outro Portugal.

Antes de mais, refira-se que a Golegã é um pequeno concelho com 76,49 km² e 5 589 habitantes (segundo INE 2006), implantado em plena lezíria ribatejana, fazendo fronteira com o concelho da Chamusca, Santarém, Vila Nova da Barquinha, Torres Novas e Entrocamento. Visto deste prisma parece um pequeno e pacato concelho ribatejano, mas há um facto que lhe confere uma especificidade: auto-intitula-se a Capital do Cavalo.

E a verdade é que tudo gira em volta do dito animal, como uma verdadeira "Equus Polis". Há vias reservadas aos ditos animais, há imensos dejectos de cavalo pelo chão, há cudelarias e boutiques de roupas do género, toda a sinaléctica da vila tem um cavalo embutido, os mitras [gunas para quem nos ler do Porto e arredores/xavelhas para quem nos ler da Madeira] mesmo tendo as habituais Nike até usam o bonézinho à campino, existem inclusivé uma espécie de "skate park" que aqui adquire o nome de "equus park"...

A vilazinha pese todas estas especificidades, vive na sua pacatez, até meados de Novembro, altura em que se realiza a tradicional Feira de S. Martinho [segundo sítio da câmara local, já se realiza desde o séc. XVI], à qual se juntou nos últimos anos a realização da Feira Nacional do Cavalo Lusitano e a Feira Internacional do Cavalo Lusitano. Por estas alturas, a Golegã enche-se, numa feira onde as ruas ficam pejadas de cavalos, pessoas e bosta...muita bosta!
É uma semana onde só se ouve cascos de cavalo pelas ruas, onde os cavalos entram pelas lojas [p.e. ver cavalos a ter prioridade na entrada de bares em vez de pessoas foi das coisas mais surreais que assisti], onde as pessoas que lá se deslocam vibram mesmo com os cavalos e com o horseball, com muita água-pé a sair dos barris das garagens locais...

Até aqui tudo bem e facilmente digerível por uma pessoa de espírito aberto, como penso ser. O pior são as diferenças existentes entre este Portugal marialva que julgava ser uma caricatura distante e o Portugal das metrópoles ao qual estamos habituados. É que meus amigos, as diferenças são imensas e os códigos também o são.

(to be continued...)

Quiz XXXI

1h da manhã. Olho para a televisão. Faço zapping e deixo-me ficar numa comédia romântica melosa qualquer. Não posso deixar de pensar na seguinte questão: é impressão minha ou o Hugh Grant apenas sabe fazer comédias românticas onde invariavelmente usa a sua cara de cãozinho abandonado?
Será que este é um exemplo do princípio de especialização inerente aos tempos modernos?

2008-12-04

Uma questão de bom senso...

Irá começar em Poznan a discussão do acordo que substituirá Quioto. A administração Bush, que recorde-se meteu no lixo todo o trabalho gizado pela administração Clinton, terá aqui muito provavelmente a sua última acção de relevo a nível internacional, antes da saída de cena em Janeiro próximo.
Para facilitar a transição e de modo a alinhar agulhas com as directrizes emanadas pela próxima administração Obama, a actual administração já veio a terreno referir que não fechará portas a um novo acordo. Olhando à anterior posição, este é um grande passo.

O planeta agradece!

Less Than Jake

Passada sexta, dia 28. No pequeno teatrinho da Sociedade União Musical Paredense, junto à saída da estação da Parede. Noite chuvosa, provavelmente a augurar um mau espectáculo. Puro engano. Sala cheia. Velha guarda juntamente com a nova geração. Simplesmente para ver uma das melhores bandas ska-punk (de 3ªgeração) e provavelmente uma daquelas que mais terá influenciado muito o estilo nas últimas décadas a par de Mighty Mighty Bosstones, Mad Caddies ou Catch 22.

Tenho de referir que Less Than Jake não será certamente uma daquelas bandas que qualquer leitor facilmente identificará. A mim e pessoalmente, apenas os conheci com a minha entrada na faculdade, dado que são uma banda que fora dos grandes centros urbanos, não tem a devida divulgação. Mas rapidamente tornaram-se uma das minhas bandas favoritas. Pessoalmente e fazendo referência ao álbum Borders & Frontiers, é daqueles que me lembram imenso o Verão e as grandes viagem de carro por esse Portugal fora (fosse para a costa alentejana, fosse para a costa da zona Oeste).

Focando temas mundanos de uma forma descontraída, com imensa capacidade de gozar de si próprios e criando melodias simples, directas e positivas, começaram por ser uma simples banda punk formada em Gainsville, Florida em 1992, mas que rapidamente acabam fruto da elevada rotatividade da banda no seu início por se transformar numa banda de ska-punk com a entrada de trompetistas e tocadores de trombones.
Less Than Jake são uma banda que pese a sua diminuta difusão, arrastam atrás de si uma enorme legião de fãs. E isso reflectiu-se imenso no concerto [aliás bem aberto por uns interessantes Fita Cola com o seu punk seguro, assim como precedidos de dos animais de palco californianos Guttermouth, numa actuação que até deu para flexões em palco por parte de alguém do público, para danças de uma jovem rapariga com direito a beijo no final ao vocalista, tudo pontuado pelas piadas sarcásticas do vocalista - que exibia um estilo muito Johnny Rotten].

Até deu para o nosso Carregador de Piano fazer stage diving e andar a surfar pela plateia (ehe). Tocaram imensas músicas dos álbuns antigos, "moshpit" activo mas numa onda positiva [como é norma no género], "circle mosh", muito "stage diving", muito "crowd surfing", (incluindo um velhote que insistia em subir sempre ao palco - vide aqui) muita interacção com o palco, muito suor, muitos saltos, corridas em palco, muita cerveja pelo ar.... Enfim um verdadeiro concerto de ska-punk à moda de Less Than Jake (vide aqui vídeo de Look What Happened).
Highly recommended! Com a chancela do Desbobina!

Fica aqui o último vídeo da banda, numa altura em que se nota uma certa mudança de postura face aos temas tratados nas suas letras...ainda assim, uma boa malha a fazer lembrar os bons velhos tempos!

2008-12-03

Normalidade democrática segundo receita do Chefe Silva

- Coloque-se uma cedência à agenda de visita do Governo Regional e uma ausência em visita oficial à Assembleia Legislativa Regional da Madeira (ALRM);
- Louve-se o tempo metereológico sentido e ignore-se as reacções das forças políticas da oposição;
- Junte-se a manutenção do seu representante à região, pessoa algo manietada e distante do contexto social e político vivido na ilha, não exercendo convenientemente as suas funções;
- Permita-se 3 alterações de regimento na mesma legislatura pela maioria, reduzindo os tempos de intervenção das diferentes forças da oposição para níveis muito abaixo dos mínimos exigidos, pondo em causa a protecção das minoria;
- Deixe fluir a maioria, deixando a mesma mostrar a deriva autoritária de impedir um deputado livremente eleito e mandatado pelo voto popular, de entrar na ALRM;
- Junte-se as declarações desbocadas do "homem do aparelho" da maioria sempre que acusações e discursos mais elaborados são efectuados pela oposição à passividade anormal do supostamente imparcial presidente da ALRM;
- Polvilhe-se com simples apelos à calma e retorno à "normalidade", ao invés da postura alarmista evidenciada com a questão do estatuto açoreana*;
- Confie-se no testemunho do seu representante à Região, isto quando fica demostrado que semana após semana, a ALRM é descredibilizada;
- Finalize com manutenção no Conselho de Estado, dum presidente de Governo Regional que escuda-se na imunidade do cargo, para fugir a uma queixa por difamação.

Deixe marinar durante cerca de 32 anos e finalmente temos uma situação de "normalidade democrática".

Disponível no Palácio de Belém.

*dúvidas com as quais concordo, diga-se de passagem

Post Scriptum: Não basta a palhaçada ocorrida na semana passada aquando das comemorações do 25 de Novembro (uma vez mais...), soube-se hoje que as transmissões das sessões da ALRM são transmitidas com um diferencial de 5 minutos em relação ao tempo real - algo que se comentava que viesse a acontecer. O pior é saber-se que todos os gabientes de apoio da oposição e a sala de apoio à imprensa, têm a ligação cortada, quando as transmissões estão apenas disponíveis para o gabinete do partido da maioria e para o gabinete do presidente da ALRM...É a "normalidade política" do Sr. Silva a funcionar!

Uma questão de paradigmas...

"(...) José Manuel Castanheira da Costa, professor do ainda Departamento de Matemática e Engenharia, já foi reitor da Universidade da Madeira e volta a estar disponível para cargo, embora defenda menos poderes para os reitores. A campanha eleitoral para o conselho geral começa amanhã, mas Castanheira da Costa não esconde que quer uma universidade aberta à sociedade civil.
Quer o sangue novo das pessoas ligadas aos negócios, à economia, que tragam ideias, que façam 'lobby' e possam dar sugestões sobre a organização da universidade. O saber dos académicos é necessário para a estrutura científica, mas Castanheira da Costa lembra que o mito do académico como um homem culto, que domina várias ciências e está informado acabou há muito, o último desta linha talvez tenha sido Kepler no século XVII. "Um académico nem sempre é um homem culto". É uma pessoa especializada, que dedicou e dedica muito tempo a uma determinada área do conhecimento. Por isso, o antigo reitor prefere homens de negócios e políticos no lugar dos seis externos em vez de académicos de outras universidades. Para quebrar o circuito fechado, o isolamento.(...)"


O DN-Madeira trouxe na semana que passou, uma entrevista com Pedro Castanheira, antigo reitor da UMa (Universidade da Madeira) e candidato ao Conselho Geral daquela universidade, juntamente com outras duas candidaturas (na edição de ontem veio uma entrevista com outro candidato - Domingos Rodrigues).
Tem havido nos últimos tempos muita celeuma em volta desta universidade, algo que veio piorar o (já de si mau) nome e reputação da instituição.
O objectivo deste "post" não é discutir a guerra de bastidores que aparenta ocorrer na UMa [aliás nem estou por dentro do móbil em discussão]. Chamou-me a atenção este excerto.

Não deixa de ser interessante que numa altura em que o paradigma científico está a passar dum período em que a especialização se tornou extrema (paradigma moderno) para um período em que o contexto e teorias do caos são tidas em conta (paradigma pós-moderno), este candidato opte por ficar agarrado ao primeiro, optando pela perpetuação do mito economicista (que a economia domina tudo).
Creio que a melhor opção seria uma solução intermédia e creio que a ideia de uma instituição aberta à sociedade civil é um bom passo. No entanto cingir-se apenas a isto e não aproveitar a massa crítica endógena existente dentro da instituição e do sistema académico, creio que é um erro que poderá não trazer grandes frutos e em última instância, poderá facilitar e permeabilizar a universidade face a influências externas, pondo em causa a sua missão e objectivo.

e se eu tivesse um café?


...Raios! É tudo uma cabala! Tudo uma cabala!

Desabafo

Simplesmente adoro, quando ainda antes de ir a uma entrevista de emprego, "descubro" que aparentemente a vaga em concurso já está destinada...Bem haja o BEP e todos os "boys" deste país [seja de que cor partidária forem]!

Desbobina e a Bola de Ouro


Agora que o madeirense Cristiano Ronaldo já tem a Bola de Ouro (que juntou à Bota de Ouro e provavelmente irá juntar ao prémio FIFA para Melhor Jogador em 2008 a atribuir a 12 de Janeiro em Zurique), às tantas é uma boa altura (aproveitando a onda mediática e à boa maneira americana) para um colaborador deste espaço pôr em tribunal uma acção contra o dito por o mesmo ter-lhe partido um braço num treino, isto há mais de 12 anos atrás...Como o desbobinador em questão era Guarda-Redes (e para mal dos pecados no Nacional da Madeira, pese o mesmo seja adepto do rival, tenha sido visto em Valência a apoiar o Maior das Ilhas, tendo sido prendadocomo recompensa pela viagem, pelo capitão Bruno à saída do treino com uma...maçã), quem sabe se o mesmo não viu interrompido o seu sonho de levar um frango em plena final da Champions, naquela fatídica manhã/tarde/noite (Tiago risca o que não interessa, pois não sei em que altura do dia foi e para conferir um "élan" mais dramático à história, esta frase fica bem), que em pleno campo do Pomar, ficou determinado quem seria o elemento bafejado pela sorte e atingiria o topo do Olimpo futebolístico. Ficou escrito nos astros que seria Ronaldo.

Valha a consolação de que, ao invés de ter recebido uma coroa de louro* pelos feitos deportivos, o nosso pequeno "Jorge Campos" madeirense, recebeu uma tala de gesso, o que olhando com mais pormenor, acaba por ter maior valor que a simples coroa de louros.

*Claro que há pequenos detalhes como reconhecimento, um chorudo salário de 200.000€ semanais, royalties de imagem e outras "pequenas coisas anexas". Mas o que é isto comparado a uma tala de gesso e o carinho das enfermeiras...Pensando bem, imagino neste momento a inveja que Cristiano deve estar a sentir.

Post Scriptum: Cristiano Ronaldo foi realmente o melhor jogador da época que findou e merece o prémio. Creio que terá que rever a sua postura fora do campo, mas isso seriam contas para outro rosário (e post). Fica aqui expressa a satisfação e orgulho (como português e madeirense) por vê-lo chegar aonde chegou.

Post Post Scriptum: Nunca pensei vir a dizer isto, mas a partir de hoje, eu e mais alguns aqui já podem referir que numa dada altura, já defrontaram um Bola de Ouro (ok, no meu caso num jogo de infantis em que ele tinha 8 anos (eu 10 anos) e ainda era minorca, corria muito e ainda estava no Andorinha - curiosamente num jogo em que fui capitão do" galáctico" Juventude Atlântico Clube ;)

2008-12-02

Pillow Fight Report


...foi há um mês! Pillow Fight na Alameda em Lisboa. Batalha durou 45 m (bom registo dado que o normal é cerca de 10 a 15 m para situações do género). Com pessoas dos 7 aos 77. Tudo numa "onda" positiva. Desbobina disse presente [Duaa, Ratazana e eu - de amarelo no meio da batalha]! Experiência semelhante a um combate de boxe (penso eu).

There can only be one!

ver ainda: reportagem ImprovLisboa

Couchsurfing


Trata-se de um conceito que não é estranho a alguns desbobinadores [também eles couchsurfers]. Entre 28 e 30 de Novembro, Lisboa recebeu cerca de 300 visitantes num encontro internacional denominado "Lisbon Invites You". Na prática, trata-se de uma forma económica de obter estada ou visita guiada a um dado local, fomentando ao mesmo tempo o intercâmbio de culturas e a troca de experiências, sendo os receptores avaliados pelos visitantes e construindo assim o usuário a sua reputação.

Para mais informações clicar aqui

Coerências...

Nada é imutável e em política o contexto é deveras importante.
No entanto é interessante verificar algumas inversões de opiniões de reputados "opinion-makers" da nossa praça. Então em relação a Manuela Ferreira Leite, é engraçado ver por exemplo, como em apenas poucos meses, esta para Vasco Pulido Valente [ler crónica dominical no Público], passou de "salvadora" a "solução a prazo até aparecer outro melhor"...
Nem um "paineleiro" do irracional mundo do futebol (por norma toldado pelas palas clubísticas) conseguiria melhor!

2008-11-28

Memo interno - na Bobine a Rodar II

Procurando enraizar o hábito e na mesma linha do aqui escrito em Julho último, deixo aqui o convite, mesmo não podendo participar por não estar ainda nesse dia na ilha, para novo jantar de Bloguistas [bloggers para os puristas] madeirenses.

A todos os interessados [temos 12 madeirenses nos nossos "quadros"] consultar mais sobre o jantar via Madeira Minha Vida do nosso amigo BBS.

Memo

Para que fique registado para memória futura, ainda não me esqueci do desafio deixado pelo companheiro desbobinador JJT sobre a viagem e estada (por motivos profissionais) aquele estranho mundo/tradicional/feira de vaidades [riscar o que não interessa] que é a Feira da Golegã...

Fica para breve!

Dica para a próxima semana...



Se estiver por Lisboa, Nicola Conte na Aula Magna dia 5 de Dezembro [dia 6 em Guimarães]. Numa toada dentro do que convencionalmente se designou de nu-jazz, vale bem a pena! Aqui a sua [porventura] música mais conhecida - Bossa Per Due.

Economia de Esforço



...esteticamente dou-lhe um 9,6 por coordenação entre ambas as mãos!

Web 2.0

Se há um facto inegável na espantosa campanha que levou à eleição de Obama como 44ºpresidente dos EUA, foi a forma como o mesmo soube usar a internet para granjear apoio, tendo consolidado através deste meio a sua cada vez maior base de apoio. Isto notou-se no enorme montante monetário recolhido.
Ninguém dúvida que Obama inaugurou uma nova era, em termos de feitura e estrutura de campanha, quer em termos de relação com os próprios eleitores, que de certeza tenderá a ser copiada um pouco por todo o lado.
Aliado ao discurso de confiança [o que numa altura de crise é de louvar e realçar], a atitude e abertura demonstrada por Obama na relação com os eleitores, foi em minha opinião uma das razões para a euforia e dedicação prestada pelos seus ferverosos apoiantes.
Como exemplo, temos a criação [como um comum mortal] de vários álbuns de fotos no sítio Flickr [de onde retirei a foto em cima], onde Obama revelou alguns momentos da campanha. Recordo que outros canais da dita web 2.0 foram fortemente explorados pela sua campanha para fazer passar mensagem, constituindo assim uma forma alternativa de chegar ao eleitorado. Resumindo, tratou-se apenas de seguir as tendências seguidos pelo eleitorado, adaptando-os ao contexto de campanha.
No entanto, dá também azo para ver momentos mais pessoais da vida do candidato [por norma não são revelados] como a pressão vivida na aferição de resultados na grande noite de 4 de Novembro [aceder aqui].
Este Obama sabe!

Post scriptum: é de génio esta foto! O pormenor dos sapatos gastos do candidato ao mesmo tempo que revela trabalho de campanha, revela humildade e aproxima o candidato ao comum dos mortais! Mais que coincidência isto revela muito trabalho de marketing político [digo isto sem qualquer acepção negativa].

2008-11-22

Desenvolvimento não é só Cimento! II [e a importância que petições online podem ter]

Segundo li [via Ultraperiferias] foi hoje entregue, pela Quercus e pela Associação Amigos do Parque Ecológico do Funchal, em Bruxelas as assinaturas da petição (5291 - sendo que ainda está activa e na altura que vos escrevo já tem 5413 assinaturas) contra a construção do teleférico no Rabaçal. O documento foi entregue ao Director Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, e ao Comissário Europeu do Ambiente, Stavros Dimas.

Recorde-se que esta obra, envolta em interesses muito dúbios constituindo um grave atentado paisagístico ao dito local, está prevista numa zona coberta pela Floresta Laurissilva, em pleno sítio da Rede Natura 2000, sendo também considerada uma Reserva Biogenética do Conselho da Europa e Património Mundial Natural da UNESCO.

Pese o perigo não esteja de todo afastado, creio que este foi um passo importante na preservação de um recurso endógeno de valor incalculável e face à sua natureza ímpar no mundo.



Por outro lado, vem demonstrar que estas petições online podem constituir um ponto de partida de incentivo e estímulo à participação cívica, isto quando se sabe que os portugueses por norma são muitos reactivos nesse sentido, não agindo com a proactividade necessária e requerida. Contrariando aqueles que criticavam este tipo de petições (quando difundi esta pela minha rede de contactos, houve quem referisse que a mesma não serviria para nada), este acto vem assim demonstrar que sendo as mesmas bem orientadas e havendo a devida "accountability" isto é demonstração que as mesmas cheguem ao devido sítio, estas poderão se constituir importantes armas.

Post Scriptum: E tu já assinaste esta petição? Clica na respectiva imagem no canto superior direito e dá o teu contributo.

[imagens: via Olhares e Turismo da Madeira]

2008-11-13

REPÚBLICA DAS BANANAS II

Rui Miguel Moura Coelho

Data de Nascimento: 1973/12/10
Habilitações Literárias: 12º Ano
Profissão: Funcionário Público

"Ontem no Par(a)lamento Madeirense passou em branco uma traiçoeira agressão de um deputado do PSD-M ao líder do PND, Baltazar Gonçalves. Quando Baltazar Gonçalves (Deputado com o mandato suspenso e que deu lugar a José Manuel Coelho) estava a sair da zona destinada ao público, escoltado/acompanhado pela PSP, onde dircursou e bem com veemência contra a inconstitucional decisão da ALM de proibir a entrada do Deputado José Manuel Coelho, foi agredido, pelas costas, com um cobarde pontapé pelo Deputado do PSD-M Rui Miguel Moura Coelho, homem de mão de Jaime Ramos e Jaime Filipe Ramos. A RTP-M filmou esta situação e chegou a transmiti-la, mas obviamente que depois a situação foi esquecida e a própria imprensa da Região (jornais e rádios) fizeram de conta que não foi nada, como se fosse normal um Deputado andar a dar pontapés dentro da Assembleia. O Deputado do Bloco de Esquerda, Roberto Almada, já se prontificou para testemunha desta agressão, só que neste caso o PSD-M não vai retirar a imunidade do pontapeador. Agradecia a publicação deste texto pois já chega de branqueamento/esquecimento de 30 e tal anos deste tipo de comportamentos, como se fosse o PND e o Deputado Coelho quem primeiro e durante anos a fio desrespeitassem a Assembleia Legislativa e outros órgãos de soberania, além de adversários políticos.
Emanuel Bento"

Respondendo ao apelo, para que estas situações não passem ao lado e encapotadas: http://acagarra.blogspot.com/2008/11/e-este-senhor-no-expulso-da-alm.html

Se alguém gravou estas cenas na RTP/M... Se alguém possui tais imagens documentadas em vídeo... A "gerência" agradece a publicação do mesmo.

REPÚBLICA DAS BANANAS I


SIMPLESMENTE BRILHANTE!
Na edição de 11 de Novembro do PÚBLICO, no seu espaço de opinião, Vital Moreira critica fortemente (diria mesmo estilhaça) o PSD/Madeira e o seu Führer Alberto João Jardim.
Agora quero ver como descalçam esta bota, dados os anteriores elogios que teceram acerca de Vital Moreira a propósito da opinião/parecer (?) sobre as transferências "congeladas" do governo central para a Madeira...

2008-11-12

Sigur Rós - Concerto Campo Pequeno

Simplesmente:
E
S
P
E
C
T
A
C
U
L
A
R!


2008-11-07



...numa altura em que (finalmente) os alarmes soaram, para descomprimir nada com ver esta actuação ao vivo de Etienne de Crecy. Nome do house francês [nem é género que siga muito], tendo trabalhado com Air e Cassius [em especial este último], vale pelo efeito visual produzido - e já agora pelo som que fica no ouvido.

Deplorável elevado ao quadrado



Se ontem condenei o uso de uma bandeira nazi no plenário da Assembleia Regional, pese concorde com o móbil que levou a tal acto, pior figura fez o grupo parlamentar do PSD-M passando por cima de tudo e todos [inclusivé Estatuto Político-Administrativo da Região] e deixando cair a sua verdadeira máscara.

O ilegal levantamento de imunidade parlamentar e suspensão de mandato, o impedimento de entrada do deputado em questão no Parlamento [passível de crime que poderá ir dos 6 meses aos 3 anos para os perpetuadores] e a suspensão "ad eternum" dos trabalhos da Assembleia até tomada de decisão em tribunal são grandes machadadas anti-democráticas, perpetuadas numa casa que deveria defender os anseios e vontades de TODOS os Madeirenses e Porto-santenses.

Repito: o impedimento de entrada de um deputado sufragado por vontade popular é uma grave ofensa e é um grave atropelo ao sistema democrático. E a suspensão dos trabalhos por tempo indefinido é um reforço a este atropelo, feita por uma bancada muito inebriada pelo (efectivo) poder absoluto que dispõe...

Ontem tinha o receio de que a acção irreflectida do deputado Coelho poderia ser contraproducente, podendo inclusivé branquear anteriores atropelos efectuados pela bancada da maioria (a proposta de alteração de regimento era apenas mais uma - já agora sobre isto vale a pena ler aqui).
Hoje ao ver toda a escalada mediática e as demais repercussões produzidas [por exemplo serão concerteza interessantes as explicações das hierarquias das forças de ordem pública, ao ver o acatamento de ordens por parte das força de segurança presentes, pronunciadas por elementos exteriores a estas - mostrando as interligações menos dúbias que cá ainda subsistem], terei que reconhecer que esta acção [mesmo mantendo a minha discórdia face ao exibido e no sítio onde o mesmo aconteceu] ao menos teve o mérito de dar a conhecer a verdadeira face do clima imperante na Região.

Para o resto do país, a cortina finalmente abriu e poderá assim observar os bastidores para além da habitual peça produzida pelo "partido da liberdade". Assim ao natural.

Post Scriptum: Já agora à semelhança de muitos, questiono-me se o sempre zeloso PR [vide questão dos Açores - pese até compreenda as suas reservas nesta matéria] não deverá actuar face à gravidade da situação?

Post Post Scriptum: Depois desta salgalhada toda, não seria mais conveniente dissolver a ALR? Será que este enxovalhamento todo não basta? Numa primeira instância diria que sim, mas olhando à manipulação que é passível de ser feita ao eleitorado [vide anterior eleição], não sei até que ponto seria indicada...

O discurso que motivou toda esta discórdia

Para melhor entendimento dos factos, vamos recordar o discurso do deputado Coelho, aquando do defraudamento de uma bandeira com uma suástica nazi. Recordo que em causa estava em discussão uma alteração nova alteração ao regimento da Assembleia, limitando na prática os tempos de intervenção e apresentação - para níveis inferiores ao exigível num normal parlamento salutar.

Alguém numa vez usou a expressão défice democrático para caracterizar o clima político vivido na região. Minhas senhores e meus senhores, eis um exemplo do mesmo.

"PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Muito obrigado, Sr. Deputado. Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado José Manuel Coelho.
JOSÉ MANUEL COELHO (PND): Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia, Excelentíssimas Senhoras e Senhores Deputados. Há 34 anos estava eu no Batalhão de Caçadores 5, em Lisboa, a tirar a especialidade de Transmissões de Infantaria e na noite de 24 para 25 de Abril, pela uma hora da madrugada, o corneteiro tocou na caserna os instrumentos de transmissões de infantaria. Estava a nascer o 25 de Abril. Estou a ver esse dia como se fosse hoje. Nós saímos ajudar as tropas operacionais do Batalhão de Caçadores 5 para a revolução do 25 de Abril que estava em marcha.
Burburinho.
Saímos para a rua, ocupámos o Parque Eduardo VII, prendemos a PSP, prendemos a GNR, prendemos os PIDES que a população indicava, que perseguiam a população portuguesa.
Burburinho geral.
Tive esse grande privilégio de assistir ao nascimento da democracia em Portugal. Agora, desta tribuna, eu queria perguntar aos Excelentíssimos Senhores Deputados Coito Pita e Tranquada Gomes onde é que eles estavam quando veio o 25 de Abril? Queria perguntar a Sua Excelência o Senhor Presidente da Assembleia, que toda a vez que eu vou lá falar com ele me diz “porte-se bem, porte-se bem, está continuamente a me dar lições de moral”, eu queria perguntar ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia onde é que ele estava quando se deu o 25 de Abril? Eu vim para a minha terra confiado que ia ser instaurada a verdadeira democracia nesta terra. Assistimos ao nascimento da autonomia, ao Parlamento autonómico, e eu pensava que tínhamos um Parlamento democrático, pensava que o Partido Social Democrata que era um partido democrático…
Burburinho geral.
…mas comecei por verificar que realmente não era bem assim. O Partido Social Democrata tinha alguns que eram verdadeiros sociais democratas, mas os chefes desse partido não eram sociais-democratas, os chefes desse partido eram reaccionários, eram fascistas, nomeadamente o seu chefe mor, o Dr. Alberto João Jardim.
Protestos do PSD.
Burburinho.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Srs. Deputados, eu pedia um pouco mais de silêncio.
José Manuel Coelho: Em 1977, participei nas campanhas da APU e depois verifiquei que havia pessoas dentro do PSD, mandatadas pelo chefe, o chefe fascista, que recebiam ordens para me assassinar. Eu tive três presidentes de câmara do PSD que receberam ordens de Alberto João Jardim para tirar a minha vida, para me matar! Eu uma vez ia às sessões da câmara, no tempo do Paulo Jesus, e as sessões da câmara foram transferidas para a parte da tarde e veio um familiar do Roberto Almada, do Deputado Roberto Almada, falar comigo dizendo assim: “Coelho, você não vá às sessões da câmara na parte da tarde porque eles vão matá-lo, o João da Sorte vai vir e vai-lhe dar um tiro e você vai ser assassinado” e eu deixei de ir às sessões da câmara. Para comprovar aquilo que o familiar ali do meu camarada dizia, em 1980, estávamos numa campanha, pela APU, em Gaula, quando esse famigerado João da Sorte, acompanhado dos capangas do PSD, faz-me um raio para me assassinar. Eu consegui fugir. Eles deram seis tiros num camarada meu, da altura, esse camarada ainda está vivo, o camarada Manuel Teixeira, esse camarada levou seis tiros. Em recompensa por esse serviço prestado ao regime, esse senhor que deu os tiros, o João da Sorte, tem hoje uma rua com o seu nome, no Caniço. Isto não são brincadeiras, não são fait-divers, são verdades! Passou-se comigo. Eu já tive três presidentes de câmara que tentaram me tirar a vida, mandatos pelo chefe fascista, o Alberto João Jardim. Eu actualmente quando vendo o Garajau muitas pessoas dizem-me: “olhe, tome cuidado que o Jaime Ramos pode matá-lo, pode mandar alguém assassiná-lo”.
Sem dúvida que nós não vivemos num regime democrático! Nós vivemos num regime ditatorial que está disfarçado numa social-democracia, porque o Partido Social Democrata daqui da Madeira não é o mesmo Partido Social Democrata do Continente, é um partido que não respeita a democracia, é um partido que se puder, mata os democratas.
Por isso, eu vim a esta Casa para ajudar o combate do Prof. João Carlos Gouveia, que é preciso derrubar o regime, deitar abaixo este regime facínora e reaccionário, porque o maior perigo que há para a democracia é o conformismo, é as pessoas se acomodarem, os democratas se acomodarem, porque as forças reaccionárias comandadas pelo líder fascista desta terra a pouco e pouco vão tirando as liberdades. Só no espaço dum ano e meio já reviram… vão rever… já reviram portanto o Regimento três vezes! Vão tirando as liberdades. A pouco e pouco os democratas vão cedendo, vão cedendo. Só que não se devem esquecer duma coisa: é que as grandes ditaduras da História evoluíram a partir das democracias parlamentares e foi a cedência dos democratas, o conformismo. Os democratas foram cedendo num ponto, foram cedendo noutro até que democracias parlamentares evoluíram para sanguinárias ditaduras. Temos um exemplo disso em Portugal, no Estado Novo, que também evoluiu duma democracia parlamentar e tornou-se uma ditadura sanguinária. Eu lembro-me do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, quando ele dizia, falando sobre o conformismo que se apoderava dos democratas: “a indiferença é o maior perigo, o maior inimigo da democracia” – dizia Bertolt Brecht, em 1933…
Burburinho.
…que… vieram ter junto dum democrata e disseram: “olha, estão prendendo os comunistas”. Eu não me importei, porque eu não era comunista! Depois disseram-me: “oh! estão prendendo os sindicalistas” e eu também não me importei porque não era sindicalista. Depois “estão prendendo os sacerdotes, os padres”, eu também não me importei porque não era padre, mas depois, tempos depois “ah! mas já estão a prender-me, já estão a levar-me” e não havia já nada a fazer, meus amigos!
Portanto, nós temos aqui um Regimento que é atentatório das liberdades democráticas do 25 de Abril, da autonomia, dos ideais de Abril e já é tempo dos democratas desta terra dizerem “basta!”, pôr um travão a esta situação. Não é suficiente ir a Tribunal Constitucional. Está nas nossas mãos hoje, aqui e agora, os democratas, os partidos da oposição desta Casa travar esta ofensiva reaccionária e antidemocrática deste regime jardinista. Basta apoiarem a iniciativa do meu partido, abandonarem este Parlamento, deixarem os parlamentares do PSD falar sozinhos, no seu regime antidemocrático, abandonarem! Não é preciso ir para o Tribunal Constitucional! Nós hoje, se quisermos, podemos fazer o 25 de Abril nesta terra! Podemos boicotar este Parlamento! Podemos sair, abandonar esta Assembleia e fazer trabalho político lá fora.
Burburinho.
Escusa de a gente estar aqui a legitimar esta gente, esta gente que atenta constantemente contra a democracia, contra os direitos de Abril, meus amigos. Os partidos da oposição têm uma palavra a dizer, porque se não tomarem uma atitude firme contra esta gente reaccionária vai acontecer aquilo que aconteceu ao Bertolt Brecht… aquilo que dizia o Bertolt Brecht: a democracia, quando verificarem, já não têm democracia. Nós actualmente já não temos liberdade de expressão…
Protestos do PSD.
Antigamente, um deputado nesta Casa…
Burburinho na bancada do PSD.
…não era julgado por delito de opinião, agora já é!
Protestos do PSD.
Temos um deputado nesta Casa, um grande camarada, um grande lutador que é o Paulo Martins que está a ser julgado nos tribunais por um juiz fascista e vai ser condenado por esse juiz fascista, meus amigos! Não tenham dúvidas!
Burburinho.
Hoje, é o Paulo Martins! Ontem foi o Leonel Nunes que foi condenado por outro juiz fascista. Amanhã será qualquer um de vós. Meus amigos, é preciso combater esta gente reaccionária, esta gente que é contra Abril, esta gente que é contra a autonomia, esta gente quer a ditadura, quer tirar duma vez as liberdades, as poucas liberdades que nós temos neste Parlamento, porque estes senhores do PPD/PSD eles não são sociais democratas, estão travestidos, estão camuflados de sociais democratas, mas eles ao fim ao cabo são da extrema-direita, são fascistas, são pessoas viradas para o 24 de Abril!
Burburinho na bancada do PSD.
Lembrem-se que esta Casa nunca teve a honestidade de celebrar o 25 de Abril. Sempre odiaram o 25 de Abril. Nunca nesta Casa foi celebrado o 25 de Abril, por ordem do chefe fascista supremo que manda nesta terra, que nunca se converteu à democracia. Eu acho que é altura dos democratas dos partidos da oposição perderem a sua passividade e tomarem uma atitude firme. E essa atitude firme, na nossa opinião, não será ir ao Tribunal Constitucional, é fazer o 25 de Abril aqui mesmo, abandonar esta Assembleia, fazer o trabalho político lá fora, deixar eles a falar sozinhos para mostrar ao País inteiro o sistema antidemocrático que se vive aqui nesta Madeira, porque é preciso ver o verdadeiro regime. O verdadeiro regime que governa esta terra não é o regime democrático, é o regime nazi fascista do populista Alberto João Jardim.
Protestos do PSD.
Burburinho geral.
Portanto o regime deles, meus amigos, é este! (Neste momento, o deputado desfralda uma bandeira nazi.) O regime desses amigos, destes amigos do Partido Social Democrata é este…
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Sr. Deputado…
Protestos do PSD.
José Manuel Coelho (PND): É este regime, é o regime do nazi fascismo do Hitler…
Protestos do PSD.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Sr. Deputado, faz favor…
José Manuel Coelho (PND): São eles, são atiradores deste regime…
Protestos do PSD.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Faz favor de retirar a bandeira…
José Manuel Coelho (PND):…eu trouxe esta bandeira para oferecer ao líder do PSD, o Jaime Ramos…
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Estão suspensos os trabalhos.
José Manuel Coelho (PND): …esta bandeira é para oferecer a ele! Esta bandeira é para oferecer a este covarde, este traidor da Madeira, este fascista…
PRESIDENTE (Miguel Mendonça) Eu pedia uma reunião de líderes desde já (...)"



Via PensaMadeira (que por sua vez veio via Ultraperiferias)

2008-11-06

MANIFESTO “ANTI-PRETOS”: BRANCOS PRETOS E PRETOS BRANCOS



Calma, ao contrário do que o título possa indiciar, isto não é uma demonstração de racismo… Bem pelo contrário… Passo a explicar… Tudo começou com Lewis Hamilton (no ano passado e com corolário no presente) e culminando agora com Barack Obama... Ao Tiger Woods não passei muito cartão, talvez pela novidade do fenómeno naquela altura, e por isso ainda não enjoava…
BASTA! Estou farto! Porque é que isto tem que girar em torno da cor da pele??! Ainda que num tom elogioso, a ênfase desta vitória nas eleições presidenciais americanas tem sido a cor da pele de Barack Obama… “Primeiro presidente afro-americano dos EUA”… Bah!! Ignoremos a perspectiva humanista (jamais vista desde JFK); as medidas para transformar a segurança social numa outra digna desse nome, nomeadamente no sector da saúde; a atitude de aproximação/reconciliação em contraste com a anterior atitude de radicalismo/confrontação internos; a redefinição da política externa com afastamento da postura imperialista e de imposição, virando para o internacionalismo; a política económica baseada na criação de valor real e não nas mais valias artificiais (e voláteis) dos mercados financeiros; as preocupações ambientais... Naaaaaão, centremo-nos apenas no facto de Obama ser preto, ou filho de um preto, ou filho de um preto queniano, que isso é que é importante… Esqueçam tudo o que é verdadeiramente importante… Porque o que interessa mesmo é a cor da pele…

Com esta atitude, os media mundiais transformaram e adulteraram o “Yes we can” da mudança/esperança humanista num outro “Yes we can elect a black president”. Ainda que inconscientemente (ou talvez não), este ênfase e distinção de tratamento só contribui para manter um fosso psicológico social entre brancos e pretos. Como se brancos, pretos, amarelos não fossem todos meras pessoas. PESSOAS, ponto final! Foi um preto que ganhou as eleições? Errado! Foi um cidadão americano, no caso um democrata. Não foi uma cor que venceu, foi uma PESSOA!! Se essa pessoa é branca, preta ou amarela isso é apenas um atributo físico e portanto irrelevante… E nesta perspectiva, dar ênfase ao facto de Obama ser o primeiro presidente preto da história dos EUA é tão relevante como alguém ser o primeiro presidente com um sinal no tornozelo, pêlos nas orelhas ou um queixo com 30cm de comprimento (escrevi queixo porque não encontro uma bolinha vermelha para pôr…).
Podem vir com a historicidade em causa para justificar, mas a verdade, e a meu ver, por mais elogioso que seja o tom, e por melhor que sejam as intenções, isso só contribui para chamar à baila, por um lado os discursos de vitimização e por outro os de racismo. O que deveria ser chamado à baila são as atitudes e as ideias e propostas que os candidatos apresentaram.

E há mais para apontar o dedo! O que é que Hamilton e Obama (e já agora, Woods) têm em comum? São todos café com leite! Nem “verdadeiros” pretos são!! Brancos pretos ou pretos brancos, como queiram. Por isso, quanto muito, as manchetes poderiam ser: “Americanos colocam café no leite presidencial”…

Exige-se portanto que retirem de todas as manchetes e conversas de taberna a palavra preto (ou na sua versão politicamente correcta, afro-americano) quando referindo a vitória de Obama! Não porque seja um insulto mas porque diminui o seu valor, desviando a atenção para algo tão irrelevante (e já expliquei porque é que o argumento da historicidade é contraproducente).

Ah como eu gostaria de ver referido o Hamilton campeão mundial como “aquele que foi mais rápido, agressivo e tecnicamente superior, enfim, o melhor!”. Em oposição a “aquele que foi o primeiro campeão mundial negro da história da f1…

VIVA O OBAMA!!