2009-12-29

web 2.0 suicide machine promotion from moddr_ on Vimeo.



Um conselho com o seu quê de mórbido, mas que certamente faria bem a muitas pessoas.

Brinquinho do Alberto vs Harpa de Nero



imagem D*Face



in publico.pt


Já agora, se porventura não fosse incómodo, que tal procurar um modelo alternativo de desenvolvimento e governação?

Olhando ao recente Orçamento da Região Autónoma da Madeira para 2010, onde mais uma vez as despesas afectas a infraestruturas nada sustentáveis [e na maior parte das vezes com claros propósitos eleitoralistas - nem falo da parte das receitas extraordinárias previstas], são uma parte de leão do mesmo, não sei até que ponto as consequências futuras da prossecução desta autêntica política suicida, não hipotecarão o futuro das gerações vindouras.

O círculo aparenta estar a apertar-se [recorde-se exemplo de notícia da entrega de escolas e equipamentos de saúde como garantias bancárias para conseguir empréstimos para pagar despesas correntes] e as claras insuficiências deste modelo são cada vez mais notórias. Já aqui escrevi que em política, o comum eleitor tende a não ter uma perspectiva a médio-longo prazo, recompensando politicamente muito a existência de obra, ou seja algo em termos palpáveis e visíveis - como o são betão e cimento. Os alertas para as consequências do arrastar deste tipo de modelo, já há muito eram conhecidos [existem estudos efectuados para o GR desde o início da década por parte de consultores], pelo que apenas se pode deduzir que apenas os ganhos políticos e a lógica da auto perpetuação política apenas estarão a justificar a insistência neste modelo.

Tendo em conta isto e prevendo-se o pior, já aqui dei conta que será engraçado saber como será retratado e relembrado este período, pelos próprios madeirenses daqui a 10 anos.

Já agora e em jeito de conclusão, não resisto a arriscar uma profecia qual Nostradamus. Não passarão muitos anos até introduzirem portagens na Via Litoral. Já esteve mais longe.

2009-12-28

A demissão prematura de Mourinho



imagem daqui


"O ano acaba mal: José Mourinho, o meu treinador português preferido, demitiu-se. Não, não se demitiu do Inter, mas da selecção nacional. Ele que dissera que um dia seria seleccionador nacional veio, agora, garantir que não, não quer.

Recusou com a Constituição na mão, como nos tribunais americanos se jura sobre a Bíblia. José Mourinho disse: "Se algum dia for seleccionador direi não aos naturalizados." Lá está, recusou ser seleccionador. Como ele não pode negar a nacionalidade a um cidadão português, como são os naturalizados (portugueses plenos, com a excepção de poderem ser eleitos presidentes da República), Mourinho serviu-se de uma forma floreada (quem não floreia no futebol que deite a primeira pedra) para dizer não à selecção nacional. Disse que não quer naturalizados na selecção, como podia ter dito: "Se algum dia for seleccionador direi não a quem vota no CDS (ou a quem é cristão ortodoxo)"...

Pronto, Mourinho demitiu-se. Tenho pena é que me tenha tirado já a ilusão. Gostava de ficar à espera até que ele viesse para a selecção, como prometeu, "no fim da carreira". Tenho de me contentar com Pepe, o naturalizado, que felizmente não esperou pelo fim da carreira para dar alguma coisa à selecção portuguesa. A dele."

Ferreira Fernandes in DN


"Os árbitros portugueses são os que mostram menos cartões às equipas da casa em jogos de competições europeias. Um estudo publicado na revista "Journal of Economic Psychology" analisou 1717 jogos da antiga Taça UEFA e Liga dos Campeões (épocas 2002/03 e 2006/07) e revela que os juízes portugueses batem os recordes de discrepância entre cartões mostrados a equipas visitantes e visitadas. Os mais prejudicados são os forasteiros. Em média, as equipas da casa levam 1,62 cartões amarelos por jogo; nas equipas de fora a média é 2,57(...)"

in Ionline.pt



Vale a pena ler esta peça do I. Quando às conclusões do estudo, creio que bastaria ir a algum jogo nos regionais/distritais , ver as condições em que se disputam a esmagadora maioria dos jogosm para se perceber o porquê desta tendência [o nosso desbobinador Old Shatterhand que o diga]. E quando assim é...

2009-12-27

O "teste para a democracia"



imagem daqui

"Eleitores do Uzbequistão começaram a votar para eleger o Parlamento, naquilo que o Presidente Islam Karimov considerou "um teste para a democracia" desta antiga república soviética, independente desde 1991.

As mesas de voto abriram às 06:00 locais (01:00 de Lisboa) e mais de 17 milhões de eleitores poderão votar até às 20:00 locais nos 506 candidatos que se afirmam todos defensores da política do governo, na disputa dos 150 lugares no Parlamento.

Segundo a lei uzbeque, 15 lugares estão reservados aos deputados do Movimento Ecológico do Uzbequistão, criado em 2008 e integrado por militantes pró-governamentais."

in DN



Eis mais uma estranha concepção de democracia, isto sob o prisma ocidental, indicada por uma pessoa do antigo aparelho soviético que desde a independência do Uzbequistão em 1991, se tem perpetuado no poder com votações com mais de 90%, quer passando por limitações constitucionais de dois mandatos - 5 anos cada [já agora, diga-se de passagem que é uma prática comum nesta parte do globo e os déspotas vizinhos até conseguem votações mais "retumbantes"].

Isto num país situado no chamado crescente turco, em plena Ásia Central, rico em recursos naturais como ouro e urânio - economia essencialmente recolectora, com especial incidência em culturas intensivas insustentáveis como o algodão (vide desastre ecológico do mar Aral) - recortado e tendo vastas extensões de deserto, com apenas 10% de terra arável.

Fora dos radares mediáticos, eis mais um pequeno exemplo do que acontece num país que figura nos tops de países mais repressivos para com imprensa, liberdade de associação, liberdade religiosa, com constantes violações de direitos humanos, mas que por circunstâncias geopolíticas - apoio na guerra ao Afeganistão e concessão de bases aéreas para apoio de acções militares na região - é tolerado pela comunidade ocidental, fechando assim olhos à grande repressão exercida sobre a população. Uma sociedade onde mais de 45% vive com menos de 2 dólares por dia e onde o Islão radical é uma real ameaça [em parte por via de todas estas circunstâncias] devido a crescimento da corrente wahabita do Islão - fortemente financiada pela Arábia Saudita, em contraponto a uma tradição endógena mais pacífica, mística e menos radical, mais característica da região como a corrente sufista [recordo e recomendo a leitura de "Jihad - Ascensão do Islão Militante na Ásia Central" de Ahmed Rashid para melhor percepção da profundidade das mudanças].

Feito este pequeno retrato, a notícia ilustra um bom exemplo no extremo, de certa "normalidade democrática" muitas vezes prevalecente em sociedades gravemente desiguais, onde a riqueza está concentrada nas mãos de uma pequena elite que insiste em se perpetuar no poder e onde as básicas noções de protecção de opiniões divergentes simplesmente não são consideradas ou tidas em conta em prol de um suposto unamismo agregador. Faz-vos lembrar algo?

Natalíssimo




Vivemos porventura a época que evoca o nosso lado mais emotivo e mnemónico. Natal clama pelos nossos sentimentos mais primitivos de afecto. São os momentos de uma infância perdida, reclamados muitas vezes através do “outro”, especialmente pelas vivências das crianças e nas expectativas depositadas no seu futuro. Por um dia vivemos uma verdadeira comunhão, autêntica simbiose de objectivos. Por fim esta época termina, e lá voltamos para a nossa rotina diária, voltando a recalcar a memória até a um próximo momento.


A Merry Banksy Christmas




imagine if there was a wall of shame between nazareth and bethlehem?


image taken from here


2009-12-26

Universalização do Sistema de Saúde nos EUA e a premência de um novo New Deal


No passado dia 24 de Dezembro, a câmara alta federal dos EUA, aprovou - com maioria qualificada de 3/5 - que segundo a tradição americana, impede o protelar ou inversão de decisão por parte do órgão em questão [filibuster] - o pacote legislativo de reforma do sistema de saúde proposto por Obama.

Na realidade, esta aprovação não significa que a proposta venha já a entrar em vigor - será primeiro condensada com a proposta aprovada pela câmara dos representantes [câmara baixa, onde os democratas também dispõem de maioria], prevendo que a mesma só venha a ser aplicada apenas em 2014. Assim, e sabendo-se que este foi um dos cavalos eleitorais de batalha de Obama, a entrada em vigor de semelhante medida, será sempre vista posteriormente como umas das marcas da sua administração [prevendo-se que venha a vencer em 2012, o que não é certo].

Mas o que constitui ao certo esta reforma? Para nós europeus, pode parecer algo extremamente estranho, mas significa alargar o sistema de saúde para uma escala universal [ainda que tenham sido feitas muitas concessões ao forte lobby das empresas de seguros]. Pode parecer muito estranho, mas no actual sistema, mais de 30 milhões de pessoas viam-se privadas de qualquer tipo de cobertura médica, seja por recusa por parte de seguradoras tendo em base o historial médico, fosse pelos elevados custos que isso comportava.

Daí que esta medida, seja vista por muitos como a mais emblemática, desde o início de cobertura social iniciada e dada por Roosevelt no combate à Grande Depressão da década de 30 - o New Deal e todas as medidas anexas ao mesmo. Ou então como uma extensão do programa Medicare, criado em 1964, que basicamente instituiu protecção e cuidados de saúde a maiores de 65 anos e a pessoas incapacitadas.

Para além de proibir a recusa na atribuição de seguros de saúde, procura instituir uma real cobertura a uma vasta porção de população, que nas condições actuais, se vê privada dos mais elementares cuidados de saúde. Por outro lado, e contrariamente ao que certos detractores têm argumentado, é possível verificar que a médio-longo prazo a adopção de uma cobertura universal de cuidados de saúde, acaba por ser mais barato que a manutenção do actual sistema vigente - vide tabela de Paul Krugman [Nobel em 2008].

Este economista, tem sido aliás, um dos mais veementes defensores da aprovação desta lei, ainda que a forma final não fosse bem a idealizada. No entanto, é no entender deste reputado economista um bom passo para redução das grandes disparidades que coexistem nos EUA.

Vem um pouco na ideia veiculada, pelo mesmo na sua obra "Conscience of a Liberal" [excelente obra - com o nome do seu blog no NYTimes - que presentemente leio após comprar aqui - na Fnac custava mais 5€], onde o mesmo traça um historial económico e político dos EUA desde o fim da Guerra Civil até à actualidade. Segundo o mesmo, há uma óbvia relação entre a desregulamentação levada a cabo em especial depois do fim do período a que chamou da grande compressão [devido aos rendimentos dos mais ricos terem grandemente baixado devido a um aumento súbito de taxação fiscal por parte da entidade fiscal federal entre 40 e 60, quer ao súbito aumento de rendimentos que o americano médio passou a ter nesta época, o que levou à criação de uma grande classe média], período que findou em meados da década de 70, com a vitória da ideologia a que se designa de neoconservadora.

Com a progressiva erosão de direitos sociais, com os cortes impostos a importantes programas federais que combatiam estas desigualdades, o fosso entre os mais ricos e os mais pobres voltou a ficar extremamente grande, voltando novamente a existir os sentimentos de classe e extremando-se cada vez mais a vida política, retornando ao vivido no pré-década de 30. Daí que Krugman clame por uma espécie de novo "New Deal", algo que a crise recente veio comprovar por um lado ser necessária, quer fornecendo o cenário propício a que o mesmo seja aplicado. Segundo ao autor, mais que mera consequência das forças de mercado, foram as medidas de cariz político introduzidas nesse período que motivaram uma maior aproximação e redução do grande fosso existente entre os mais ricos e os mais pobres, contribuindo em última instância, para uma melhor paz social.

Obama, querendo deixar a sua marca e certamente querendo marcar pontos a nível interno, empenhou-se muito nesta lei, que mesmo sendo aprovada mesmo com as condicionantes que foram impostas, olhando ao status quo actual, constituirá um bom passo e uma vitória no grande combate às graves desigualdades ainda existentes.


Them Crooked Vultures



Creio que os senhores John Paul Jones (Led Zeppelin), Josh Homme (Queens of the Stone Age e Kyuss) e Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters), dispensam apresentações e são um triplo selo de qualidade a um projecto, que anunciado em 2005 numa revista da especialidade, apenas viu a luz do dia a 17 de Novembro último.

Muitos torcem o nariz a estas reuniões e à constituição dos chamados "supergrupos", que na maioria das vezes redundam em flop, muitas vezes devido a choque de egos entre as "primas-donas" que os constituem. Tudo isto é verdade e fica frequentemente acima de qualquer valia musical que o projecto possa conter. Mas a verdade, é que de vez em quando, aparecem boas surpresas, redundando em bons álbuns que nos captam logo após uma primeira audição.

Isto tudo sobre o álbum de Them Crooked Vultures. Confesso que pese soubesse da existência do projecto - o que até era previsível dada a colaboração já dada por Grohl ao single "No One Knows" do [para mim] excelente "Songs for the Deaf" dos Queens of the Stone Age - até à passada terça estava na completa escuridão quanto ao resultado desta união de esforços - obrigado Pedro. E a verdade é que rapidamente me captou. Em especial o início desta "Scumbag Blues" [aqui num teaser feito para promoção - recomendo pesquisarem por outros teasers feitos para o efeito], que não parei de cantarolar em casa, fosse nos transportes ou no trabalho - daí a escolha.

Simplesmente viciante. Assim como o restante álbum.


2009-12-25

como uma bola de neve

Temos à nossa volta uma quantidade de pessoas que nós sabemos que têm imenso potencial e que por um motivo ou por outro não têm a oportunidade de demonstrar o que valem. Nem digo que é demonstrar aos outros, mas a eles mesmos. Passamos a acreditar que não damos para mais do que temos neste momento.
Frequentemente olhamos para uma pessoa e dizemos: é perfeita para estar envolvida neste ou naquele projecto, mas... como fazê-la ver isso mesmo?

A vida acomoda-nos a situações que nunca imaginámos aceitar noutros momentos.

É sempre mais fácil dar exemplos. O nosso trabalho. É muito raro estarmos totalmente realizados naquilo que fazemos. Achamos que estamos a ser subvalorizados, que não aproveitam as nossas capacidades, que podíamos fazer outras coisas mais interessantes, mas sabemos que não podemos dar "o grito do Ipiranga" e arriscar nas nossas ideias. A realidade é que temos contas para pagar ou a sensação de estar numa segurança ténue, mas que nos garante algo e não queremos mudar.

"Se ao menos me dessem uma oportunidade".. quantas vezes não pensamos assim? Eu acredito que podemos tentar. Com projectos paralelos, ideias pequeninas e talentos que sabemos que temos e que podem vir a ser um sucesso; uma vez mais não para os outros, mas para nós. Que basta arriscar. E que essas aventuras podem completar os nossos dias, motivar-nos a acreditar que podemos mesmo superar-nos.

Claro que pode correr mal, pode nem ser aquilo que queríamos. Pode. Um risco que se deve correr.

As típicas e americanizadas "resoluções do novo ano" servem, pelo menos, para desejarmos que algo mude, que tenhamos a desculpa perfeita para começar algo de raiz. Porque não?

Um projecto.

Uma motivação.

Uma nova atitude condizente com a juventude e qualidade que a nossa geração tem.

2009-12-22

O Universo Conhecido



"The Known Universe é um pequeno filme de 6 minutos que oferece uma viagem aos confins do universo conhecido. Trata-se de um trabalho produzido pelo American Museum of Natural History que integra a exposição Visions of the Cosmos: From the Milky Ocean to an Evolving Universe, presente no Rubin Museum of Art em Nova Iorque até Maio do próximo ano."

in a barriga de um arquitecto

Em pouco mais de 70 anos [desde a primeira foto tirada do planeta Terra por um satélite em órbita], é impressionante ao nível a que se chegou a nível conhecimento e de capacidade de visualização sobre o lugar do nosso planeta no Universo.Este vídeo é bem elucidativo dos avanços a que se assistiu.

2009-12-18

As linhas de produção do XXI



(...)Segundo Zeinal Bava [CEO da PT], o novo "contact center" será uma boa opção de emprego para jovens licenciados de diversas áreas que pretendam tomar um primeiro contacto com o mercado de trabalho(...)"

in DN-Madeira 01-07-09


"Todas as empresas querem uma reserva fluída de trabalhadores a tempo parcial, temporários e independentes para as ajudarem a manter as despesas baixas e a acompanharem as reviravoltas de mercado (...) os habilidosos patrões das grandes marcas tornaram-se especialistas na arte de evitarem os compromissos para com os empregados, promovendo com mestria a ideia de que os empregados, de certa forma, não são verdadeiros trabalhadores e assim não precisam nem merecem segurança social, salários dignos e outros benefícios. A maioria dos grandes empregadores do sector dos serviços gere a sua força de trabalho como se os empregados não dependessem dos seus cheques de vencimento para coisas essenciais, como a renda ou a alimentação dos filhos. Em vez disso, os patrões do comércio e dos serviços tendem a encarar os seus empregados como crianças: estudantes que procuram um emprego de verão, dinheiro para gastar ou uma breve paragem numa carreira mais satisfatória e rentável(...).

(...)insistindo que continuam a oferecer empregos-passatempo para miúdos. Esquecem que o sector dos serviços está cheio de trabalhadores com múltiplos diplomas universitários, imigrantes que não conseguem encontrar emprego nas fábricas, enfermeiras e professores e gestores de nível médio despedidos (...) Toda a gente sabe que um emprego no sector dos serviços é um passatempo e que o comércio é um sítio onde as pessoas procuram "experiência", não uma forma de ganhar a vida (...) Em nenhum sítio esta mensagem foi tão bem interiorizada como na caixa registradora e no balcão de vendas [nota do autor do post: acrescentaria numa PA de um qualquer contact-center...], onde muitos trabalhadores dizem que se sentem como se estivessem de passagem, mesmo depois de se arrastarem durante uma década no sector do McTrabalho.

(...)[trabalhador da Borders Books and Music em Manhattan]"Ficamos presos nesta dicotomia de "É suposto eu viver melhor, mas não posso porque não encontro outro emprego". por isso dizemos a nós mesmos, "Só estou aqui temporariamente, porque vou encontrar uma coisa melhor". Este estado interiorizado de transitoriedade perpétua tem sido vantajoso para os patrões do sector dos serviços, que tiveram a liberdade de deixarem os salários estagnar e dar pouco espaço às oportunidades de progressão, uma vez que não há a necessidade urgente de melhorar as condições de empregos que, toda a gente concorda, são apenas temporários."


Naomi Klein (2000) "No Logo" p.257 a 259 (excertos)



Só espero que não aumentem o preço das minis...




"(...)2. Grupo Excursionista "Vai Tu"

Na sala de convívio deste grupo excursionista a intensidade com que se vive o futebol é inversamente proporcional ao preço da cerveja. Tem uma televisão grande, área de fumadores (é mesmo uma área, expressa em metros quadrados, sem separação física) e um benfiquista lendário que, quando a sua equipa ganha e o árbitro faz "bem" o seu trabalho, ofende o realizador da transmissão televisiva: "Este plano é uma merda, não se vê nada."

Rua da Bica de Duarte Belo, 6 - 8, Lisboa. Tel. 213 460 848(...)"


in dez cervejarias para ver o Benfica-Porto


Post scriptum: dado que alguns aqui neste espaço são sócios/frequentadores do dito espaço, fica aqui revelado um dos segredos mais guardados de uma Lisboa que muitos não conhecem. Um grupo recreativo de bairro, fundado por veteranos da 1ª Guerra Mundial na década de 40. Um sítio que contrasta com a suposta impessoalidade de Lisboa. Um sítio onde a mini não ultrapassa os 55 cent. Um sítio que pese o Benficavs Porto vá dar num domingo,o que com esta publicidade grátis poderia gerar casa cheia, não vai exibir o jogo e vai manter a habitual noite de fados ao domingo - resta rumar ao Marítimo um pouco mais abaixo. Afinal de contas, há sempre folhas a desfolhar na Grande Alface.





Alguém imagina os últimos 20 anos sem eles?




20 anos depois do primeiro episódio e já como verdadeiros representantes da cultura pop, a família amarela ainda continua aí a dar cartas nos ecrãs com a mesma irreverência.

Pese a pouca idade na altura, segui e registei o impacto inicial que esta família disfuncional de Springfield provocou quando chegou ao nosso país. Da altura, ainda guardo uma caderneta de cromos dos ditos - na única colecção que realmente fiz para além de colecções de competições futebolísticas.

O segredo do tremendo sucesso desta série, foi o carácter disfuncional e os traços exacerbados revelados por cada um dos personagens, algo que ao mesmo tempo, acaba por ser uma tremenda caricatura da própria sociedade americana. Concordo que hoje em dia estejam um pouco mais institucionalizados, mas em meu entender, souberam se adaptar bem às transições operadas, conservando as qualidades que me fizeram ver e ainda captam a minha atenção para a série sempre que é possível.



Portugal tal como o Golden State


fonte: fontstock


Depois de ver tantas peças e reportagens nos media audiovisuais nacionais, depois de ler tantas reportagens nos media online nacionais, depois de ouvir tantas conversas nos cafés e pastelarias, confesso que eu, sou acometido por um sentimento de frustração, por até ter estado acordado na hora, num prédio em tabique (com cruzes pombalinas e tudo), mas nada ter sentido. Nem sequer um tremor. Ou vá lá, um tremelico estilo toque vibrar de telemóvel. Não, nada. E em consequência disso, lá tive eu que me resignar ao meu silêncio, enquanto ouvia histórias sobre o cataclismo e o sofrimento que foram aqueles 10 segundos.

(Adoro estas quase não notícias e o impacto que as mesmas têm em termos de ordem de abertura de telejornais. Faz me sentir na Califórnia!)

2009-12-14

Pilosidade facial



...parece que está definitivamente na moda. Mais ou menos cuidada, de pendor mais conservador ou com irreverência revolucionária, é vê-la alegre e contente, nos rostos dos portugueses a exibir todo o seu fulgor e vigor.



(candidato ao post mais fútil do ano e revelador do deserto de ideias [e vontade confesso] que tem assolado este espaço. A ver se fazemos uma boa ponta final,para acabar o ano em beleza ;)

2009-12-04

A beleza do 28.


imagem: Banksy


Quem viaja/viajou na Carris de há dois anos a esta parte, certamente deve ter reparado no sistema de cores preconizado por essa empresa para segmentar e identificar as carreiras consoante a zona onde as mesmas se destinam a servir.

Embora as mesmas sejam transversais e respeitem essencialmente a critérios geográficos, zonas como a Ajuda/Belém ou Alvalade/Lumiar acabam por representar e respeitar igualmente e à primeira vista a critérios de estratificação social - que nas zonas nobres da Baixa se apresentam sob o neologismo de "gentrificação".

Talvez a contrariar tudo isto, e porque os movimentos pendulares são cada vez mais importantes numa cidade, existem as tais carreiras circulares, que acabam por atravessar em muitos casos múltiplas destas zonas, sendo deveras transversais no tipo de público que transportam.

O que me levam a escrever estas linhas, é precisamente o microcosmos sociológico que pode constituir uma viagem num destes autocarros circulares. Desde o turista que vem de Belém, o yuppie amante de artes e design que entra em Santos, do típico trabalhador suburbano que apanha o autocarro no Cais Sodré, do adolescente que debita chavões e frases do género "ya, woman", como esperar umas centenas de metros, entrar na zona da Expo Sul e de repente conseguir ouvir uma senhora de meia-idade a falar de um PPR que subscreveu a semana passada. Eis parte do encanto da grande alface.




2009-11-30

Quando o sonho torna-se realidade...




"Pintar as paredes da sala com tintas de todas as cores pode passar pela cabeça de qualquer turma de alunos ensonados na aula de Matemática. Pintar os cacifos, o refeitório e o recreio da escola, sem ser expulso, parece daqueles sonhos que só acontecem quando adormecemos na aula mais aborrecida de sempre. Ou então não. A Câmara de Lisboa emprestou as chaves da escola primária abandonada há cinco anos na Rua das Gaivotas a oito dos melhores graffiters portugueses. O resultado é mais do que colorido: a 5ª exposição do colectivo VSP (Visual Street Performance), o maior evento anual de graffiti e street art do país que começou na quinta-feira(...)"

in ionline



2009-11-24

Desbobina em versão "Ostie"



"Quem lá vive, faz a sondagem do coração: Berlim é a cidade da Europa para onde toda a gente quer ir. Por causa da noite, da cena artística, da história. Mas se Berlim é onde se quer ir, Berlim Leste é onde se vai parar"

in Diário Económico


"Berlim é especial. E digo isto como um elogio. Um elogio fácil que muitas vezes faço a esta cidade. Mas é um elogio. Um elogio, apesar do Inverno escuro e frio, do Verão tropical e imprevisível, das elevadas taxas de desemprego, criminalidade e pobreza, das demoradas obras públicas, vítimas de um Senado falido e, claro, da falta de praia… É um elogio que se soma aos comummente feitos à oferta cultural existente a todos os níveis, aos preços baixos, à diversidade étnica, à tolerância, aos diferentes estilos de vida, aos verdes parques e aos apetecíveis lagos, aos constantes tropeços na história da Guerra Fria e à onda cool que atravessa os diferentes bairros da cidade, mantendo cada um a sua originalidade. Mas é principalmente um elogio pelas surpresas que a cidade vai oferecendo a quem tem a sorte de por cá passar. Uma dessas muitas surpresas é a Berlim abandonada. Uma Berlim que se distancia de tudo o resto. São espaços parados no tempo. Locais pelos quais a história passou, ou que por ela passaram e que agora, por uma razão ou por outra, se encontram obsoletos, vazios e desprezados. É uma Berlim que não se encontra nos guias turísticos e cuja existência dificilmente se explica na capital da maior economia europeia (...)"

elogio a Berlim by Carregador de Piano



Post Scriptum: Uma das características mais interessantes que os três anos de existência deste espaço permitem aferir, é precisamente verificar a quantidade de experiências profissionais e académicas vivenciadas por muitos dos nossos (mudos*) desbobinadores, fora do nosso rectângulo à beira mar plantado.

O Carregador de Piano, qual trave mestra numa equipa e encarnando bem o espírito aventureiro e destemido que tão bem nos caracterizou enquanto povo (porventura algo que nos devíamos lembrar mais frequentemente antes de esboçar uma crítica fácil e desmoralizante), é o perfeito exemplo do que falo. E muitos outros desbobinadores aqui poderia citar e muitos outros destinos poderia indicar. Aproveitando a brecha mediática, mostro o mesmo apanhado numa reportagem nas celebrações da queda do Muro. Numa Berlim vibrante que 20 anos depois representa esperança e um forte sinal que as barreiras não são imutáveis ou inquebráveis. Numa Berlim que 20 anos depois representa a esperança de um futuro melhor e o atingir de uma realização pessoal. Tal como o João pretende atingir em Berlim. Tal como muitos de nós o tentamos efectuar seja lá qual seja o nosso paradeiro ou percurso [muitas vezes difuso ou tortuoso].



2009-11-17

A política da Terra Queimada






"Aperta-se o cerco à freguesia de Gaula. Depois da sede da Junta de Freguesia de Gaula ter mudado de instalações dez dias após as eleições autárquicas que colocou o movimento de cidadãos 'Juntos pelo Povo' (JPP) na presidência da Junta de Freguesia local, agora é o Governo Regional que decide cancelar duas obras que estavam previstas para Gaula(...)"

in DN-Madeira


Pese as devidas diferenças, a fazer lembrar o bloqueio de Berlim. A política da terra queimada no seu melhor.






impossible is nothing

Trekking through the dark like a true Lighting Bolt
[somewhere
2000 m above the sea between Pico Ruivo e Pico do Arieiro]

photo taken from here [credits to Jay - a MIUT'09 staff member]



Completing a course length of 105km with a positive climbing around 4.000m in just 14 hours? Myth? Impossible?

Welcome to Madeira Island Ultra Trail 2009.



Divulgação - Lançamento Cine Qua Non


"Uma das principais características da modernidade talvez seja o paradoxo de os projectos e sonhos de uma vida estarem ao alcance de cada um (...)






O lançamento é já no dia 17 de Novembro, pelas 18h30, na sala 2.13 da Faculdade de Letras. Colaborei neste primeiro número. E estarei lá amanhã
[hoje] para dar todo o apoio às responsáveis deste projecto que foi aqui recomendado e reconhecido anteriormente. Teria, por isso, muito gosto em contar com todos.




in Nem Vale a Pena Dizer Mais Nada (cantinho do nosso JJT)



2009-11-16

'We Like Lists Because We Don't Want to Die'






"We have a limit, a very discouraging, humiliating limit: death. That's why we like all the things that we assume have no limits and, therefore, no end. It's a way of escaping thoughts about death."


Umberto Eco interview @ Der Spiegel International [click here]




Os tortuosos caminhos de uma Vendetta







JPP (José Pacheco Pereira), concorde-se ou não , tem reconhecidamente um estilo muito próprio transparecendo muita combatividade e frontalidade na defesa dos seus argumentos. Recentemente passou a dispor de um espaço de opinião na Sic-Notícias - Ponto Contra Ponto - descrito pelo próprio sítio da SIC como "(...)Um programa de opinião sobre aquilo que nos faz ter opinião: a comunicação social. Os media, os jornais, as rádios, os blogues, os livros, a televisão(...)", capitalizando ainda mais a sua já extensa presença mediática.

Ontem, pese os propósitos do programa - sendo de louvar a intenção de dar uma outra perspectiva face à constante uniformização dos conteúdos informativos, foi evidente registar a "vendetta" pessoal que JPP fez, onde num programa de 14 minutos, dedicou o primeiro terço do programa a rebater as críticas e acusações apontadas pelos diversos meios à sua autêntica cruzada. Aliás, é visível que por muito nobres sejam os seus propósitos - pelo menos apregoa os mesmos dessa maneira, JPP acaba por usar o espaço não para essa intenção inicial, mas meramente como extensão para replicar as suas ideias e argumentos e ataques políticos [aliás visíveis noutros canais de exposição de JPP e que lhe granjeiam tantos ódios].

JPP acaba por sim por reproduzir tudo aquilo que critica. A satisfação com que finalizou o programa antevendo semanas interessantes para a comunicação social e a natural relação daí deduzida com todo o "elán" mediático existente nesta altura, é claramente indiciadora disso. Por outro lado, a sua constante presença em diversos meios e em tudo o que é debates, [com grande repercussão mediática] acaba paradoxalmente e em última instância por levar a uma uniformização de opinião, algo que JPP indica querer reverter.

É pena. Esperava um programa que reflectisse sobre o estado da comunicação social e não se limitasse a apontar de um patamar fictício de superioridade moral as falhas, induzindo uma agenda escondida.
Chego à conclusão que talvez isso não seja possível.



2009-11-12

Desbobina no combate ao Dengue

(...)DIÁRIO DE CABO VERDE
POR MARTA GOMES DE ANDRADE, CHEFE DE MISSÃO DA AMI

SALVAR VIDAS

É importante distinguir uma missão de emergência, em que o tempo é fundamental para os resultados a que nos propomos, de uma missão de desenvolvimento, em que a equipa trabalha um projecto com outro tipo de actividades, que não garantir, em primeiro lugar, salvar vidas. Será essa a nossa prioridade absoluta nos próximos dias.E foi isso que justificou tantos dias de stress e de ansiedade a preparar esta missão. Comecei a escrever esta crónica do aeroporto de Lisboa, onde a equipa da AMI foi ajudada em todos os aspectos (a bagagem de mais de 160 quilos foi, realmente, um desafio!) pela companhia aérea de Cabo Verde, TACV, depois de termos feito escala em Las Palmas, Maiorca, e acabei-a, algumas horas depois, na Praia. Tínhamos à nossa espera a enfermeira Isabel Fragoso, chefe da Missão de Desenvolvimento da AMI no Fogo, que nos recebeu e explicou como nos movermos pela cidade e os primeiros contactos com as autoridades. Hoje começa a Missão no Fogo, partindo tambéma enfermeira Ana Rosado para a segunda missão, em ilha ainda a determinar.(...)

in Correio da Manhã


Começou um surto de Dengue em Cabo Verde em 28 deOutubro passado e em resposta ao pedido de ajuda enviado pelas autoridades caboverdianas, a AMI fez destacar uma equipa de emergência dando assim resposta às necessidades prementes de pessoal médico e de material.

Referir que a chefe de missão é uma desbobinadora [black o seu pseudónimo] e contará todas as actualizações diariamente no Correio da Manhã [a infiltração continua ehe]. Um verdadeiro trabalho de super heroí [heroína neste caso]. A maior das sortes e desejos de bom trabalho.

até à Rua Sésamo!




E BUM! De repente já passaram 20 anos [40 da edição original americana]. Na altura, uma verdadeira pedrada no charco nos programas educationais infantis no nosso país. Um programa que foi visto por [e provavelmente influenciou] toda uma geração. Quem não se recorda deste genérico*?



*já com a presença do nosso desbobinador Tiago (aos 42s.), provavelmente já a prever voos futuros. O que confirma a tese que o desbobina é pior que o clube de Bilderberg [ehe]

"From Stettin in the Baltic to Trieste in the Adriatic, an iron curtain has descended across the Continent."








Nada mais corporizou tão fielmente esta divisão como a edificação do Muro do Berlim. Embora só tenha sido erguido em 1961, em plena fase quente da guerra fria, como resposta para suster a enorme saída e migração de alemães da então RDA para a então RFA [as restantes fronteiras terrestres tinham sido fechadas quase uma década antes], a sua queda foi um marco, dado que representou o fim de uma era e ao mesmo tempo permitiu a reunificação alemã ancorada num aprofundamento da integração europeia.
Na altura e face à queda de um bloco e face à supremacia ideológica do outro lado, muitos ousaram vaticinar o Fim da História [como em tantas outras ocasiões],mas a devida distância histórica viria a provar que tal vatícinio estava completamente errado. Aliás o próprio 11 de Setembro demonstrou isso mesmo.

Ainda assim, nada retira importância a este marco, que ao fim ao cabo foi uma vitória não de uma doutrina mas da liberdade. Conforme o João bem escreveu "os jovens berlinenses de vinte anos são hoje filhos de uma Alemanha e uma Berlim diferente. O que é hoje uma referência da Europa e da juventude continua a ter marcas subconscientes do que se viveu ali."

As implicações que a queda do muro produziu foram imensas. Porventura o Gueorgui [old shatterhand] tendo vivido do outro lado da cortina, bem melhor poderia explicar as alterações produzidas - mormente no dia a dia. Eu, na inocência dos meus 6 anos, vendo toda a animação dos meus irmãos mais velhos naquele longuíquo dia de 9 de Novembro de 1989, guardei na memória imagens de uma imensa turba de ambos os lados a derrubar partes do muro celebrando com tal feito com imensos sorrisos e satisfação.

Porventura pode parecer pretencioso, mas a realidade é que fiquei com a sensação que estava a assistir a história a ser feita. O que se comprovou ter vindo a ser verdade.

2009-11-08

Boas Compras e Felizes Endividamentos!



"Porra já começou! Dois meses a levar com a gorda da Popota!"


Comentário ouvido numa tasca algures na Grande Alface. O Natal definitivamente está aí à porta. A Popota faz questão de o anunciar. E vem acompanhada pela Leopoldina. Mal posso esperar pelo Jumbo. Com sorte encontram um azevinho na trombra do elefante.



imagem: Portugal Street Art




Dicas de Natal


photo: gazetta.it

"(...)Geography, history, sectarianism, class, religion and economics each play their part in shaping the unique nature of derby matches(...)"



post scriptum: aproveitando a dica de alguns desbobinadores, já testei o site bookdepository.co.uk com um livro que tinha na minha wishlist do amazon há já muito - não encontrava em Portugal. Já com portes incluídos, IVA pago e em média mais barato 25% que a FNAC [comparando com um álbum de Banksy que vi nesta cadeia] - entrega em 5 dias úteis neste caso. Para quem procura livros específicos em inglês é simplesmente o ideal. Uma dica preciosa [e publicidade não paga ehe] a menos de dois meses do Natal.

2009-11-02

Tony Manero* in a distant galaxy

During the day, just a simple Stormtrooper with a dead-end career. By night, a dance floor king, sexual symbol and a Disco maniac.

Just a regular saturday night, in a far distant galaxy from us!




(Nowadays, taking in consideration that some weird sequels have already been made - by example Alien vs Predator - it would be visionary and funny to see a movie joining Saturday Night Fever and Star Wars [ok, joking... it would be geeky and sad]. Tony Manero as an Imperial Stormtrooper. How about that?)

image taken from here

*click here to see who's Tony Manero





by Jimmy Cauty (taken from here)



2009-10-30

Inglês em sotaque madeirense? Será?...

Uma União de excepções?




A UE aceitou as exigências do governo checo, levantando nova excepção na aplicação da já controversa Carta de Direitos Fundamentais, um documento anexo ao Tratado de Lisboa, á República Checa.

Tendo em conta que já existem diversas excepções negociadas - Reino Unido, Irlanda, Polónia, Dinamarca enumerando meramente algumas - a questão que se levanta é: com a ânsia de atingirmos uma suposta unidade, não estaremos a caminhar para uma autêntica União de excepções?

É que esta decisão, que claramente serve para salvar a face ao eurocéptico presidente checo que assim sai também "vitorioso" perante a sua opinião pública, aparece na senda de outras, onde face a certos percalços que foram aparecendo, efectuaram-se concessões, que em certas alturas desvirtuaram e atrasaram imenso o trilho preconizado - relembremos por exemplo as consequências da cadeira vazia de De Gaulle e as consequências que daí advieram para a então CEE (pensada numa matriz federalista, adquiriu uma componente intergovernamental).

Esta situação vem demonstrar que embora estejamos já num nível muito avançado de integração, a lógica nacional tem ainda imensa preponderância, o que numa Europa (leia-se União) que nos últimos anos registou um crescimento exponencial, pode representar um obstáculo extra, dada a multiplicidade de interesses nacionais divergentes que tornam muito difícil vir a ter um discurso comum.

A aprovação deste tratado [mesmo que muitos não concordem com muita da sua matriz ideológica] é algo que é muito premente e necessário, face à indefinição ainda vivida, numa altura em que as consequências do anterior alargamento ainda se fazem sentir. A governabilidade da União enquanto estrutura e a própria credibilidade enquanto unidade de voz própria no Mundo dependem desta agilização. Mas não deixa de ser um paradoxo, que a mesma esteja a ser conseguida sob um vasto rol de excepcionalidades que são facultadas aos seus Estados-Membros. Não haverá o risco de abertura de nova caixa de Pandora que volte a pôr em risco todo este imenso edifício? Como conter ou compensar os países que já aprovaram o Tratado? Não estará a UE a enviar um mau sinal, persistindo em premiar quem mais entraves põe?

Porventura a beleza desta construção advirá daí, desta capacidade de diálogo e mutação, dirão alguns. Mas não deixam de ser questões que mais cedo ou mais tarde muito provavelmente serão levantadas. As dimensões nacionais existentes certamente não deixarão que isso passe em claro. Parte da resposta passará por uma conveniente pedagogia junto das opiniões públicas. A construção europeia tem de sair dos gabinetes das elites decisoras e tem de descer ao nível do eleitor comum. Este tem de sentir que esta é uma conquista dele. E enquanto este trabalho não for feito, enquanto este trabalho não for sentido como conveniente, muitos destes problemas subsistirão. Essa é a dura realidade.

Terminator IV: O Governador de Neverland.




"Arnold Schwarzenegger ainda não comentou o caso, mas a verdade é que a nota utilizada para exprimir o seu veto político à lei 1176 da assembleia legislativa do estado da Califórnia parece ter uma mensagem oculta pouco delicada: "fuck you".

A "f-bomb", como lhe está a chamar a imprensa norte-americana, foi noticiado pela edição online da edição electrónica do San Francisco Bay Guardian. Na nota, Schwarzenegger lamenta que muitos temas que considera prioritários, como a reforma da água e do sistema prisional, bem como dos cuidados de saúde, fiquem perdidos na assembleia, enquanto outros tópicos menos urgentes passam por ele com frequência.

"Mais uma legislativa passa sem que os californianos recebem as reformas que merecem", escreve. O tom agressivo faz com que a mensagem paralela pareça ter sido pensada de propósito - a primeira letra de cada uma das sete linhas do texto, devidamente alinhadas, forma a palavra "fuck you".

O assessor de imprensa do governador Aaron McLear insistiu já que ter-se-á tratado apenas de uma "estranha coincidência".


Se a moda pegasse por cá, queria ver que tipo de criatividade que seria empregue em acórdãos. No entanto, reconheço que é difícil ser mais pueril que isto [que chega a ser cómico, tão criança que é], com a desculpa esfarrapada que foi coincidência - já calcularam e verificaram que as probabilidades de tal acontecer como aconteceu eram de 1 para 8 mil milhões [fantástico como alguém se deu ao trabalho de calcular estas probabilidades!!!].
Mas vindo do homem que disse que a coisa mais difícil que fez na vida foi depilação total, cujas palavras mais conhecidas são "I'll Be Back" e "Hasta, la Vista Baby!" creio que poderemos esperar tudo.

Notícia original - aqui.

Imagem: schwarzenegger-interactive.com

2009-10-29

Por Toutatis...




...Chegaram aos 50 anos! A par de Lucky Luke, das séries que mais gozo me deu ler (sempre gostei da escola franco-belga). Criados por Uderzo e Goscinny surgiram na revista Pilote a 29 de Outubro de 1959, estando neste momento traduzidos em 83 línguas e 29 dialectos. O paralelismo estabelecido com certas situações históricas (lembro-me do Grande Fosso e a questão do muro de Berlim) e os estereótipos criados são simplesmente geniais e ficarão para para todo o sempre.

O tempo é de festa ( sem o bardo) e honra aos já cinquentões irredutíveis gauleses que ousam resistir ao invasor. E que com a ajuda da poção sempre assim farão. A não ser que o céu um dia lhe caia em cima.


imagem: Visão Júnior

2009-10-27

Banksy vs Bristol Museum




As seen so many times, as time passes, anti-establishment figures sometimes end up becoming part of the Establishment. It's almost a natural law.

Does it apply to Banksy?

The Timbuktu Job by Banksy



Na arte de rua onde o activismo e o anti-establishment proliferam, chamadas de atenção para temas como as disparidades existentes e a falta de atenção que o mundo ocidental presta ao continente africano, são consideradas banais e existentes em qualquer grande urbe ocidental. Mas e se essa chamada de atenção tiver sido feita em África num contexto que não associamos propriamente ao dito conceito artístico?

Foi o que Banksy efectuou. E provavelmente despertou mentes. Por uma coisa é ver numa parede qualquer num contexto urbano familiar, outra será ver num contexto envolvido pela realidade que a mensagem pretende alcançar. Aqui numa missão a Timbuktu, cidade património mundial parcialmente engolida pelo Saara, no Mali.

restantes imagens in Banksy.co.uk
Justificar completamente

É notório que desde o 25 de Abril tem havido uma certa cristalização da classe política, isto olhando aos principais intervenientes.

Com a revolução e os respectivos saneamentos ocorridos [algo inerente a todas as revoluções] e a rápida emergência de uma jovem classe de políticos (muitos ainda idealistas) que em condições normais iriam estar em "maturação" durante mais algum tempo, como que se assistiu a um perpetuar de certas figuras durante todo este espaço tempo, dando pouco espaço à renovação de caras e à emergência de novas figuras no panorama político português - se bem que reconheça que esta esteve sempre presente.

Sabendo-se que a construção e consolidação da democracia foi efectuada e gizada num quase monopólio dos partidos políticos - os outros espaços de participação pouca influência tiveram/têm - o carreirismo e a ascensão no aparelho burocrático partidário tornaram-se norma, muito contribuindo para tal noção de cristalização.

Se olharmos para as anteriores legislativas de 2005, notamos que das principais figuras dos 5 partidos mais votados de então, 4 concorreram a estas legislativas.

Por um lado, embora a generalidade da população tenha um discurso que aponta para um certo cansaço da classe política, a verdade é que a pouca memória eleitoral e a constante reinvenção de muitos políticos de cá do burgo, fazem com que aos olhos do eleitorado os mesmos políticos de sempre apareçam com novos discursos e novas roupagens.

Fará quinta feira duas semanas que um novo plenário da Assembleia da República tomou posse. O leitor ao ler esta frase, porventura pensará que falarei dos cerca de 105 novos deputados existentes em relação à anterior legislatura. Em parte estará correcto, mas o que me motiva a escrever estas linhas, foi observar que na maioria dos casos, foram regressos de pessoas que já haviam estado naquela casa ou entanto de pessoas que almejavam conseguir lugares ministeriáveis (o João de Deus Pinheiro foi sintomático).

Se a nível legislativo esta mudança era lenta, então a nível autárquico esta é praticamente nula, criando-se e gerando-se autênticos dinossauros fossilizados em muitos casos há décadas nos seus redutos, algo que a lei de limitação de mandatos veio alterar - algo que obrigará a uma efectiva mudança de presidente em mais de 150 concelhos nas próximas autárquicas.

No entanto, estaria a errar se não apontasse a existência muitas caras novas. E isto porque os sinais de mudança começam a aparecer e lentamente, esta classe política saída da revolução e em seguida das décadas de 80 e 90, começa a dar lugar a outros, abrindo brechas para uma efectiva renovação de caras, o que espero, traga novas formas de aproximação e envolvimento com os eleitores.

post scriptum: É com esse espírito que, concretizando a segunda intenção destas minhas palavras, venho aqui congratular a entrada na Assembleia da ex-colega e amiga de muitos que aqui escrevem [ainda que a grande maioria divirja politicamente da mesma], a nossa cara "camarada" Rita Rato - que tem estado em destaque em muitos meios de comunicação social. Da minha parte e ainda que não concorde com muitas das ideias defendidas e aparte da discussão das mesmas [existem sempre pontos de contacto], apenas desejo as maiores felicidades e desejo que coloque toda a paixão e capacidade de trabalho que lhe são reconhecidas.


2009-10-26

street wisdom



Marcelo reiterou ontem que não tinha ambições de voltar a liderar o PSD. O que é visível ao comum eleitor é que caso houvesse vaga de fundo, a opinião certamente já seria diferente. No entanto, está correcto quando enuncia a existência de uma profunda balcanização no PSD.

Enquanto não houver uma definitiva definição ideológica do partido, o partido não conseguirá fugir ao actual estado. Estará disposto a efectuar os naturais sacrifícios requeridos para tal?



Alienação ao quadrado


Sábado vi uma mulher com uma tatuagem no ombro com o símbolo da Herbalife!

Se bem que em parte tenha ficado surpreendido pelo facto da tatuagem versar sobre aquele produto em si [se bem que sabendo-se como funciona a dita organização, manifestações como esta não me surpreendam], reconheço que fiquei a pensar sobre a real influência das marcas nos dias de hoje.

Relembrei-me de um livro que li faz uns anos - No Logo de Naomi Klein (para muitos a bíblia do "neoanarquismo"). Aí é demonstrado que desde sempre houve uma tentativa de separação da marca do produto em si. Ou seja, uma marca mais que um produto, sempre pretendeu almejar e atingir um patamar de conceito próprio representando uma dada característica. Ou seja, mais que mera representação iconográfica de uma empresa associada ao fabrico/venda de um produto, o paradigma mudou para um ideia em que essa marca marque as tendências e represente emoções e modelos a seguir por parte da sociedade, procurando esta fidelizar a pessoa.

Daí que as ditas marcas invistam muito mais na criação do dito conceito e na repercussão da sua imagem, que no desenvolvimento dos seus produtos [vide Nike].

Sabendo-se que a sociedade tal como o Estado é uma construção cumulativa de experiências, tradições, normas de uma dada população num dado espaço geográfico, tendo em conta o elevado patamar de trocas e interacções proporcionado pelo actual estado de globalização, desempenhando as grandes marcas um papel fulcral na repercussão de comportamentos cada vez mais homogéneos a nível mundial, não estarão as marcas a ocupar o lugar anteriormente ocupado pelas religiões e instituições semelhantes? Olhando à progressiva ocupação do espaço, ao progressivo bombardeamento de imagens e conceitos olhando a públicos cada vez mais jovens - cativar possíveis consumidores desde tenra idade, provocando uma efectiva redução de escolha e o fechar de hipóteses - a lógica das sinergias em parte visa esta ideia, que consequências provocarão a nível de comportamentos toda esta overdose mercantil?

Não ocorrerá o risco de haver a curto-médio prazo uma alienação de valores ao sabor da lógica perene das marcas - que estão sempre em constante mutação até para efeitos mercantis? Será que assistiremos a uma progressiva homogeneização com a progressiva erosão de lógicas e tradições locais?

Como conter os aspectos negativos da globalização, sabendo-se que a mesma não pode ser contida e é imparável?

Será toda esta subversão tremendamente imparáveis, ou estarei meramente a escrever um post em tom alarmista, quando não há razão para tal?


foto: D*Face



2009-10-24

Amor e Sexo: a irreverência da questão.




Será o amor mais irreverente que o sexo nos dias que correm? Creio que esta questão poderá constituir um bom ponto de partida para estas breves linhas, onde pretenderei discernir um pouco sobre a temática amor vs sexo.

Antes de mais, a opção por este tema não é inocente. Será precisamente o tema que abrirá a 3ª série de programas do "Irreverência" na RTP-Madeira, programa produzido e apresentado pelo Jorge Gabriel cá do burgo, o nosso Desbobinador Tiago. Celebrando tal facto e prestando a minha homenagem ao trabalho produzido - os constrangimentos para levar por diante tal feito porventura serão maiores do que se possa imaginar - venho por este meio escrevinhar meia dúzia de linhas acerca do programa, além de efectuar a devida publicidade ao mesmo [que acontece aos sábados às 19h15, podendo ser acompanhado online ou visualizado depois via sítio da RTP].

Feita esta declaração, confesso que a primeira ideia que me ocorreu acerca do tema, seria considerar que a diferença entre os dois conceitos era a obrigatoriedade entre ter que gastar dinheiro antes num jantar - leia-se amor - ou não efectuar isso e passar logo para a acção - leia-se sexo. Mas mesmo dissecando a graçola [que agora que acabo de a ver escrita nenhuma graça acho], permite-se logo depreender a perspectiva erótica que a palavra amor tem e a sua relação com a libido.

De facto, creio que um bom ponto de partida para analisar esta questão, seria compreender o verdadeiro sentido de ambas as palavras, da qual destaco pela sua complexidade a palavra amor.

De facto, há vários prismas pelo qual é usada a palavra. A própria construção e evolução etimológica da palavra atesta bem toda esta complexidade. Segundo a Wikipédia - que para leigos na matéria é um bom ponto de partida - os gregos separavam o amor e distinguiam-no sob várias perspectivas. Importa realçar aqui a componente "Eros" - desejo sensual/atracção e contemplação física e a componente "Agape" - amor ideal e puro/platónico.

Na Roma Antiga, o termo condensa estas duas perspectivas na palavra "Amare" termo ainda hoje usado seja num sentido afectuoso e romântico, seja num sentido meramente sexual.

Daí que, e tendo em conta as origens e evolução da nossa língua, essa dualidade ainda se reflicta quando pronunciamos a palavra amor.

Feita esta pequena [ok...longa] explicação, como explicar a relação entre amor na sua componente "eros" e sexo? Fará sentido a existência de tais conceitos numa época de plena dessacralização do sexo? Numa época em que os constrangimentos morais voltam a estar a níveis semelhantes aos da Idade Clássica [bem longe de constrangimentos advindo da moral e ética cristã], numa época em que o sexo se banalizou, numa época em que as relações, tais como os bens são cada vez mais curtos e perenes, fará sentido contrapôr os dois conceitos?

Hoje, creio ser seguro dizer que as noções de felicidade e auto-satisfação são objectivos cada vez mais propalados e enraizados na população.
Poderá ser consequência de uma sociedade cada vez mais individualista, que muitas vezes leva a que desagúe na tal perenidade de relações que questionei no parágrafo anterior. Mas sabendo-se [há estudos nesse sentido] que o amor não é mais que uma reacção química que estimula e acelera o organismo, induzindo sensações de bem estar através da libertação de dopamina - sim poderemos em última instância referir que o amor é uma verdadeira droga pesada - mas sabendo-se que é uma reacção que dura algum tempo, não estará face a estes dados e face ao contexto, condenada a existência da noção de amor eterno?

E o que dizer do sexo? Será meramente um reflexo animal que nos impele no sentido de perpetuação e reprodução? Será algo desprovido de carácter e afecto para com o outro? Será menos importante que o amor? Será um mero acto onanista de auto-satisfação? Ou será meramente algo que as pessoas tenderão a valorizar demasiado, face à percentagem de tempo gasto numa vida com o mesmo?

Observando à quantidade de questões levantadas - que espero que sejam úteis para o programa - lanço desde já a minha visão [que será sempre redutora face ao tema complexo e creio à falta de preparação para falar sobre a temática].

Alberoni - proeminente sociólogo que escreve no jornal I à terça [as crónicas valem o jornal ou pelo menos um espreitar de olhos via internet aqui e aqui] - especialista que é no estudo de relações, demonstra que os dois conceitos não estão assim tão separados. De facto, é de senso comum que pode haver sexo no amor. A separação, a fazer-se será sempre pelo factor exclusivo que o amor tende a adquirir. No campo meramente sexual, qualquer interveniente pode ser substituído por outro, mas quando entramos no campo amoroso, a exclusividade e a fidelidade que é devida ao parceiro tendem a ter uma imensa importância. O ciúme apenas nasce da exclusividade, isto porque todos nós apenas nos queremos sentir os mais importantes, únicos ou insubstituíveis para a outra pessoa.

Numa sociedade cada vez mais descomplexada a nível de valores e moral [o que não é necessariamente mau olhando ao passado], a rápida inversão de valores e códigos vivida faz com que hoje em dia estas duas componentes estejam cada vez mais separadas. Correndo o risco de ser apelidado de velho [algo que a minha vintena e meia de anos no BI contraria], creio que é seguro se dizer que hoje em dia, será bem mais irreverente e arriscado amar, do que vir a ter sexo com alguém. As consequências [boas ou más - nem tudo são rosas meus amigos] advindas de tal facto, tornam o amor bem mais complexo que o sexo, se bem que as duas componentes estão devidamente relacionadas e este último é igualmente importante numa relação amorosa.



imagem: Portugal Street Art [graffitti em Lisboa feito por um conhecido de muitos que aqui escrevem que por acaso encontrei nesta galeria de guerrilla art]

2009-10-23

Tristo-Rei



Reacções divinas às palavras de Saramago?




(e eu a pensar que a silly season já tinha acabado. Quer Saramago, quer as reacções despoletadas foram desnecessárias. A alimentação destes temas pelos media foi igualmente patética, numa altura em que importantes acontecimentos ocorrem. No entanto e comentando pessoalmente o caso, vejo que tratou-se meramente de uma boa manobra de marketing por parte de Saramago. O laicismo e o ateísmo, quando levado ao extremo, é igualmente tão ignorante, redutor e intolerante, quanto a religiosidade extrema o pode ser. )

imagem: Portugal Street Art

2009-10-22

Quando os flashes estão off.



"(...)Poucos paparazzi conseguem captar momentos íntimos como Brad Pitt a depilar as pernas de Angelina Jolie com uma gilette, Nicole Kidman ao espelho a usar fio dentário ou a Rainha Isabel II sentada na sanita a ler uma revista. A fotógrafa britânica Alison Jackson consegue tudo isso e muito mais. Pôs George Bush a resolver um cubo mágico, convenceu Madonna a mudar a fralda ao seu bebé adoptado e apanhou Amy Winehouse de garrafa de rum na mão a divertir-se numa ilha das Caraíbas, onde supostamente estaria a passar uma temporada numa clínica de reabilitação.

Alison Jackson não está no sítio certo à hora certa, nem tem uma objectiva que entra sem ser convidada em casa dos famosos, ultrapassando paredes e segurança. O truque para as suas fotografias é contratar sósias ou pessoas que encontra por acaso na rua e lhe lembram alguma estrela, nem que seja vagamente(...)"

Tantas vezes colocadas num pedestal e elevadas a uma condição sobre-humana, não deixa de ser engraçado visualizar estas montagens e situações elaboradas com duplos, sem nos questionarmos e pensarmos que efectivamente, também as estrelas e pessoas com imensa exposição mediática, passam por situações banais e comuns como um de nós, por detrás da imensa capa que muitas vezes têm de exibir. Neste caso em situações bem cómicas, simulando situações que poderiam acontecer no recanto do sua privacidade quando os flashes estão off.

Para visualizar o restante trabalho de Alison Jackson, vide sítio da artista - via I (clicar em 1ºparagráfo para artigo completo.