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2009-10-27

Justificar completamente

É notório que desde o 25 de Abril tem havido uma certa cristalização da classe política, isto olhando aos principais intervenientes.

Com a revolução e os respectivos saneamentos ocorridos [algo inerente a todas as revoluções] e a rápida emergência de uma jovem classe de políticos (muitos ainda idealistas) que em condições normais iriam estar em "maturação" durante mais algum tempo, como que se assistiu a um perpetuar de certas figuras durante todo este espaço tempo, dando pouco espaço à renovação de caras e à emergência de novas figuras no panorama político português - se bem que reconheça que esta esteve sempre presente.

Sabendo-se que a construção e consolidação da democracia foi efectuada e gizada num quase monopólio dos partidos políticos - os outros espaços de participação pouca influência tiveram/têm - o carreirismo e a ascensão no aparelho burocrático partidário tornaram-se norma, muito contribuindo para tal noção de cristalização.

Se olharmos para as anteriores legislativas de 2005, notamos que das principais figuras dos 5 partidos mais votados de então, 4 concorreram a estas legislativas.

Por um lado, embora a generalidade da população tenha um discurso que aponta para um certo cansaço da classe política, a verdade é que a pouca memória eleitoral e a constante reinvenção de muitos políticos de cá do burgo, fazem com que aos olhos do eleitorado os mesmos políticos de sempre apareçam com novos discursos e novas roupagens.

Fará quinta feira duas semanas que um novo plenário da Assembleia da República tomou posse. O leitor ao ler esta frase, porventura pensará que falarei dos cerca de 105 novos deputados existentes em relação à anterior legislatura. Em parte estará correcto, mas o que me motiva a escrever estas linhas, foi observar que na maioria dos casos, foram regressos de pessoas que já haviam estado naquela casa ou entanto de pessoas que almejavam conseguir lugares ministeriáveis (o João de Deus Pinheiro foi sintomático).

Se a nível legislativo esta mudança era lenta, então a nível autárquico esta é praticamente nula, criando-se e gerando-se autênticos dinossauros fossilizados em muitos casos há décadas nos seus redutos, algo que a lei de limitação de mandatos veio alterar - algo que obrigará a uma efectiva mudança de presidente em mais de 150 concelhos nas próximas autárquicas.

No entanto, estaria a errar se não apontasse a existência muitas caras novas. E isto porque os sinais de mudança começam a aparecer e lentamente, esta classe política saída da revolução e em seguida das décadas de 80 e 90, começa a dar lugar a outros, abrindo brechas para uma efectiva renovação de caras, o que espero, traga novas formas de aproximação e envolvimento com os eleitores.

post scriptum: É com esse espírito que, concretizando a segunda intenção destas minhas palavras, venho aqui congratular a entrada na Assembleia da ex-colega e amiga de muitos que aqui escrevem [ainda que a grande maioria divirja politicamente da mesma], a nossa cara "camarada" Rita Rato - que tem estado em destaque em muitos meios de comunicação social. Da minha parte e ainda que não concorde com muitas das ideias defendidas e aparte da discussão das mesmas [existem sempre pontos de contacto], apenas desejo as maiores felicidades e desejo que coloque toda a paixão e capacidade de trabalho que lhe são reconhecidas.