2010-02-21

A Impotência



Os ilhéus e em especial os madeirenses estão familiarizados com os aluviões que ciclicamente assolam a ilha. Esta total sensação de desprotecção face à força dos elementos, imiscui-se e é digamos parte intrínseca, para o bem e para o mal, contribuindo na construção da espécie de sentimento a que chamamos o ser ilhéu ou neste caso específico, o ser madeirense.
E com isso, podia discorrer e apontar como uma das razões para o elevado conservadorismo da sociedade ou para o peso que instituições como a Igreja Católica, têm na sociedade madeirense. Mas o objectivo deste meu texto não é esse.

É meramente expressar, num texto que assumo ser pessoal, o sentimento vivido à distância, durante todo o dia de hoje. Impotência. Dura e pura. O tentar contactar os entes queridos e não conseguir. O olhar para notícias cada vez mais alarmantes e imaginar o pior. O imaginar possíveis percursos trilhados por quem nos é querido e esperar que o pior não tivesse acontecido. O imaginar que palavras poderiam nunca vir a ser ditas, palavras que sempre deixamos para uma outra ocasião. O passar de um aparente distanciamento perpétuo, que acaba por acontecer quer se queira quer não, para uma urgente necessidade de querer estar lá e ser parte envolvida.

Há um mês, escrevi aqui sobre o desastre ocorrido no Haiti, mas sendo madeirense (ainda que expatriado no rectângulo) como muitos que aqui escrevem e sentindo-me parte envolvida pelo facto de ter a minha família e muitos amigos na ilha, cometo o sacrilégio de confessar que de repente o Inferno dantesco haitiano parece-me algo menor face ao cataclismo diluviano de características bíblicas que ocorreu hoje na minha terra natal. É tudo uma questão de perspectiva e de proximidade, digo eu com o meu agnosticismo pontuado com uma educação numa sociedade profundamente católica, que em alturas de maior irracionalidade aparenta "sobremergir".

Sobre o desastre, mais que encontrar culpas - que as há entre a Natureza e a acção humana - importa acima de tudo minorar os destroços causados e procurar dar conforto e ajuda a quem mais necessita. O rescaldo e o apuramento de responsabilidades é uma necessidade, mas ainda não é tempo para tal, quando necessidades básicas ainda não estão supridas e o sofrimento é recente. O aproveitamento político do caso - seja a favor ou contra como ouvi e li, mais que despropositado, enoja-me e ultrapassa os limites da ética que deveria existir na "res pública". Por uma questão de respeito. Mas as consequências deverão ser apuradas. Porque nada justifica tão elevado preço a pagar. E para que a impotência face à força dos elementos, ainda que impossível de vir a ser domada, não tenha as trágicas consequências que são hoje notícia.

2010-02-19

Agitando as águas



imagem via retro yakking

Com um pouco de material "X-rated". Nada melhor que um vislumbre a um Bikini. A ver se faço horas extra e retomo a participação cá no espaço depois destes últimos tempos onde pouco ou nada tenho cá parado. Muito havia para desbobinar. Um obrigado aos desbobinadores que cá têm vindo manter os mínimos.


2010-02-10

... Acabou

Partiu-se, quebrou-se, o fio que nos ligava. Foi instantâneo, inesperado, imprevisível, repentino. Ninguém percebe ou se apercebe, simplesmente dá-se, acontece.
Ao princípio nega-se, esconde-se, repele-se. Depois, pouco a pouco, tentamos combater. A sensação entranha-se. A luta dá lugar ao desespero, à impotência. O medo instala-se. É o nunca que acontece, a utopia tornada realidade.
Não foi intencional, premeditado, calculado. Simplesmente aconteceu. Queremos culpar, maltratar, insultar. Mas não vale a pena. ACABOU! Chegou ao fim. Terminou. Deixou simplesmente de existir. O dois tornou-se um… o sonho desapareceu… assim.

C. P. L.

2010-02-03

Compreendido sr. O'Brien!


PROJECTO10 #4 from PROJECTO10 on Vimeo.

Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Áudio: Zé Pedro Alfaiate

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"Só quero dizer aos miúdos que nos estão a ver que podem fazer tudo o que vos apetecer na vida... a não ser que o Jay Leno queira fazer a mesma coisa!"

Conan O'Brien no Tonight Show de 21.01.2010

2010-02-02

O artigo da polémica

Para quem ainda não leu o artigo da nova polémica jornalistica do nosso governo aqui vai:
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O Fim da Linha
Mário Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa.
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Retirado do site do Instituto Francisco Sá Carneiro http://www.institutosacarneiro.pt/?idc=509&idi=2500

O dia D está perto.



PROJECTO10 #3 from PROJECTO10 on Vimeo.

Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Áudio: Zé Pedro Alfaiate



* Leia-se D de DEZ. Na próxima sexta.

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Num filme de viagem típico dos anos 30 - na idade de ouro dos cruzeiros transatlânticos, numa viagem de Gotemburgo a Gotemburgo. Aqui, ao que parece, no excerto final da viagem, na etapa que liga a Madeira a Lisboa. As diferenças são imensas.

via Duarte Gouveia