2010-04-23

Será a ruptura um mero intervalo entre rotinas?

PROJECTO10 #9 from PROJECTO10 on Vimeo.


Desde domingo último nos ecrãs! Espero que gostem!




DEFECAR VIDA

Hoje Contemplo com desdém
esta pária vida.
Pois se sentido existe,
não esperais que seja na prostração!
alma insana,
Guia insaciável da inexistência.

Sobre um manto esconde-se,
o que só por si é, e devia ser,
pois não nos é permitido.

2010-04-22

2010-04-17

Traje de passeio e galochas


...esperemos que estas não venham a ser precisas.

2010-04-16

Sabedoria de Noé.

imagem daqui



Com tanto cataclismo, já começo a pensar em construir uma Arca.




I swear i saw little mermaid just around the corner...

image from here


Pumbaa: Hey, Timon, ever wonder what those sparkly dots are up there?
Timon: Pumbaa, I don't wonder; I know.
Pumbaa: Oh. What are they?
Timon: They're fireflies. Fireflies that, uh... got stuck up on that big bluish-black thing.
Pumbaa: Oh, gee. I always thought they were balls of gas burning billions of miles away.
Timon: Pumbaa, with you, everything's gas.



2010-04-14

Transitoriedade Perpétua

"(...)Um operador de Call Center não luta porque não quer. O emprego é visto como passageiro, uma fase triste da vida profissional que rapidamente passará. Um outro emprego na sua área irá surgir a qualquer altura e, por isso, o facto de o contrato ser de um mês ou de seis até dá força à ideia que o tédio é apenas uma curta fase passageira. Uma boa ilustração deste quadro é a felicitação unânime e efusiva dos colegas quando alguém sai, mesmo que não se saiba para onde: para pior não será, com certeza. Assim, mesmo nas mentes mais combativas, associar-se a um sindicato está fora de questão, na medida em que esse seria o passo determinante para aceitar que este é o seu «ofício». Ninguém quer adoptar essa condição e, por isso, qualquer elo de ligação é sistematicamente combatido. Todos rejeitam a identidade de «call-centristas »: ninguém estudou para isso, é socialmente visto como um dos mais desqualificados empregos dos tempos modernos e portanto humilhante.(...)" in Le Monde Diplomatique - edição portuguesa


Nas linhas de produção do séc. XXI, um estado de transitoriedade perpétua é cultivado e inculcado - os empregos são sempre vendidos como temporários, priva-se toda uma geração de explanar as suas qualificações, desconhecendo-se os efeitos futuros de toda esta situação e de toda esta insegurança vivida. Numa das sociedades mais desiguais da Europa, e tendo o 1º de Maio à porta, vale a pena ler o dossier precariedade do Le Monde Diplomatique.

2010-04-13

Rocky 10?

PROJECTO10 #8 from PROJECTO10 on Vimeo.




...ou o último Tango em Paris?

Lançamento 3# Projecto10 - Jardim do Torel, domingo dia 18 de Abril, pelas 16h.



2010-04-12

Cansado de ser pacífico?



#3 brevemente


Os partidos enquanto espaços de discussão.


quadro via Ultraperiferias



"(...)Um partido que é dialogante, aberto à pluralidade de opiniões, e à sociedade civil, defensor da moderação e da convivência pacífica entre homens de credos e raças diferentes, herdeiro da tradição universalista portuguesa que é estruturalmente avessa a qualquer tipo de xenofobia(...)" in sítio do PSD

Irónico que numas eleições directas quatripartidas, na Madeira em 11 concelhias, Rangel (escolha do Líder Supremo) tenha obtido o pleno em 8 concelhias (!?!). Bem ao estilo disto. É a pluralidade dos partidos políticos no seu melhor.

está a um pequeno caminho de se tornar numa pergunta retórica



Entro num bar no último sábado, olho para a televisão, vejo o resultado 0-1 a favor do Barça. Ingenuamente pergunto "Quem marcou o golo?"...

Para quem esteja por Ankara*...


João Tibério ou JJT cá no blogue, em Ankara a representar o país, numa exposição intercultural.


*Não, não vale o Martim Moniz.


2010-04-10

Ouvi dizer que a música ia ser boa...


...pelo que fica uma dica para esta noite. A olhar à qualidade do blog, creio que musicalmente será uma noite em cheio. Mais info aqui.


Quiz XXXVIII


Não será um paradoxo haver uma cada vez maior desigualdade numa sociedade com cada vez maior acesso à informação?


2010-04-09

Palabras de D10S



"Está num nível muito selecto, sendo o melhor do mundo e a principal figura do Barcelona", disse Maradona. "Encontra-se no caminho certo para se tornar no melhor de todos os tempos, mas essas coisas só se poderão avaliar quando ele terminar a carreira. No entanto, ficaria muito feliz se ele ganhasse o Mundial e se se tornasse o melhor da história" (in Record)


[Nota do editor: a saída de campo de Messi com a bola na mão creio que diz tudo sobre a postura do jogador. Se em criança muitas vezes adormecia com a bola - segundo relatos indicados em entrevistas - aquele abandonar de campo a bater a bola, qual criança, é bem reveladora da felicidade que o jogador sente ao jogar, atitude cada vez mais rara num futebol cada vez mais profissional. Como se de uma peladinha com amigos se tratasse. A escolher um momento da noite, escolheria definitivamente este como revelador do jogador que é, assim como a margem que tem para vir a ser bem mais.]


A descoloração revolucionária


imagem galeria Zé Dos Bois@Bairro Alto, Lisboa


Depois da falência e cisão entre os principais intervenientes da revolução laranja na Ucrânia, dos tiques nada democráticos mostrados pelos vencedores da revolução rosa na Geórgia, uma súbita anomia e anarquia acontece no Quirguistão* depondo a elite instituída pela revolução túlipa em 2005.

Recorde-se que todas estas revoluções foram assim designadas, numa óptica de não violência, como movimentos que espalhariam e trariam liberdade, democratização e efectiva luta contra a corrupção e nepotismos existentes, na senda do acontecido em 1989 com a revolução de veludo, na antiga Checoslováquia.

Ainda que fosse fácil prever este desfecho, olhando ao contexto vizinho onde o país se insere, com a deposição da elite estabelecida pela anterior revolução - devido aos mesmos motivos - pode-se questionar se não houve uma súbita descoloração democrática que afligiu a zona. Mas fará sentido pensarmos em democracia nos moldes ocidentais, quando os valores histórico-culturais do país e na zona tendencialmente os negam? Será a democracia liberal - ou seja que pressupõe um respeito mínimo pelas minorias e oposições - um valor essencialmente ocidental ou fará sentido considerá-lo um valor universal como muitas vezes assim o é retratado? Fará e trará o intrincado mosaico geopolítico alguma estabilidade à zona?


* Curiosamente o nome Quirguistão significa 40 tribos (na sua bandeira o sol representado tem 40 raios), unificadas por Manas na luta contra os calmucos, cuja história é contada no épico de Manas, o poema tradicional quirguize que data do séc. XV e tem mais de 500.000 versos. Dadas as inúmeras facções e grupos étnicos existentes no país - embora a influência turca seja imensa - acaba por ser um interessante paralelismo face à actual situação vivida.

“Stealing things is a glorious occupation, particularly in the art world.”


imagem D*Face



“A goatee-bearded art lecturer said: ‘It is better to be a flamboyant failure than any kind of benign success.’ For me, those words define punk rock.” (Malcolm Mclaren ao Guardian em Agosto passado)


Morreu ontem Malcom McLaren aos 64 anos vítima de cancro.
Provocador controverso e visionário artista ou por outro lado mero empresário manipulador que tentou tirar partido da contracultura que emergiu da década de 60 e 70, aproveitando o choque para instituir novas tendências?
Porventura a resposta certa andará algures entre estes dois conceitos, mas o seu legado é inatacável.
Considerando-se a si próprio como um artista sem portfolio, moldou e deu forma ao que convencionamos chamar Punk nas mais variadas formas, fosse através da música sendo empresário dos Sex Pistols ou no campo da moda abalando os cânones estabelecidos através do da moda pelo traço da sua então companheira Vivienne Westwood. Fiel a si próprio, nos últimos anos, ameaçou concorrer a Mayor de Londres. Uma das suas propostas? Distribuir gratuitamente álcool nas bibliotecas londrinas...



Rio de Lágrimas


foto AP via DailyMail


Depois do 20 de Fevereiro, a equidistância voltou. No entanto, não deixam de ser impressionantes os relatos e as fotos sobre a recente catástrofe que assolou a cidade maravilhosa.



2010-04-03

marco ou areia?


a adoração das marcas by D*Face

"O iPad pode vir a ser tão revolucionário que um dia vamos olhar para trás para o seu lançamento, como um Alexander Graham Bell a falar com Watson", escrevia ontem Howard Kurtz no "Washington Post". "Ou não", acrescentava depois, com uma ponta de ironia(....)".

É hoje lançado o novo gadget da Apple. O iPad, como todos os produtos da marca da maçã, vem rotulado de "next big thing" que revolucionará e ditará as tendências para os próximos anos, envolto claro está, numa imensa campanha de marketing e apoiando-se na ansiedade e na espera da cada vez crescente horda de fãs da marca - muitos dos quais, imbuídos de uma aparente cegueira, não se importarão de gastar € em mais um gadget.

Não querendo suscitar uma fútil guerra - estilo PC e MAC - pessoalmente aparenta-me que este produto, pese toda a expectativa, aparenta-me ser um bluff isto tendo em conta todas as características messiânicas que lhe apontavam. O facto de não ser "multitasking" ou seja, não vir a permitir a realização de várias tarefas ao mesmo tempo é um grande handicap.

Por outro lado, não dispor de câmara e de outras funcionalidades é também lesivo face ao preço dado. Custará sempre mais que um normal Netbook - nicho de mercado que a Apple pretende cobrir. Aceito e acredito nos "macbelievers", que, qual proselitistas me indicam maravilhas acerca dos produtos da marca. Reconheço o melhor design e não tenho dúvidas no melhor desempenho audiovisual e gráfico do produto. Compreendo ainda que a posse dos próprios produtos, possam gerar e facultar a (falsa) noção de pertença a uma comunidade, numa espécie rebuscada de nacionalismo versão 2.0. Como se uma religião se tratasse.

Voltando ao produto, o preço aparenta-me ser excessivo. Assim como o conceito não é propriamente novo - a roupagem sim. E custa-me ver tanta alienação à volta de um produto, que antes mesmo de ser lançado já é um elevado a patamares estratosféricos - vide as previsões de vendas e o "buzz" provocado pelos crentes.

Isso leva-me a concluir que aparentemente areia possa estar a ser atirada à cara do cliente.

Mas como não quero influenciar negativamente ninguém, recupero aqui um texto do guru Paulo Querido sobre o assunto, onde se traça um breve guia do produto.

"throwing down the gauntlet"*



via irmaolucia (via Público 31-03-10 - edição impressa)



E pensar que os duelos eram coisas do passado.


Sobre manoplas - aqui.

em modo copy paste - Desbobina na Turquia

"Cultura Portuguesa em destaque em Ancara

A cultura portuguesa está e estará em destaque em Ancara nos próximos tempos, através de duas iniciativas levadas a cabo pelo leitorado de Ancara do Instituto Camões (IC). A primeira um ciclo de cinema, a segunda uma exposição de fotografia e poesia.
O I Festival de Cinema Português iniciou-se a 29 de Março e termina hoje, nas instalações do Centro Cultural e de Estudos Latino-americanos (LAMER) da Universidade de Ancara.
No primeiro dia estiveram presentes várias autoridades académicas, entre elas o Director do LAMER, o professor universitário Necati Kutlu, bem como todos os alunos de português e muitos outros interessados, para escutar o leitor do IC, Mário Tiago Paixão, falar sobre cinema português e para ver Palavra e Utopia, filme de Manoel de Oliveira com o qual se iniciou o festival.
O festival passou ainda as películas Fado, história d’uma cantadeira, de Perdigão Queiroga, Manhã Submersa, de Lauro António, Tráfico, de João Botelho, e Casa de Lava, de Pedro Costa.
Este é o primeiro festival de cinema português na capital da Turquia, mas o segundo já está a ser preparado pelo leitorado de Ancara do IC, em parceria com o LAMER.
Além do Festival de Cinema Português, será inaugurada a 12 de Abril a Exposição de Fotografia e Poesia Dos Tempos de Lisboa, da autoria de João Tibério, artista e investigador universitário, que se deslocará a Ancara para o evento.
No decorrer da visita, João Tibério conhecerá os alunos de língua portuguesa da Universidade de Ancara com os quais terá oportunidade de partilhar a sua experiência.
A exposição terá lugar na Entrada de Honra da Faculdade de Língua, História e Geografia da Universidade de Ancara entre 12 e 26 de Abril.
A acompanhar as fotografias do autor estarão em exibição poemas de Alexandre O’Neill, Ruy Belo, Ana Hatherly, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Luiza Neto Jorge, Al Berto, Casimiro de Brito, António Ramos Rosa, Manuel Alegre, M. Tiago Paixão, entre outros."

via Instituto Camões - Portugal