2010-03-31




"Even pirates, before they attack another ship, hoist a black flag"



image by Portugal Street Art

2010-03-21

50 Anos Ayrton Senna


Se fosse vivo, Ayrton Senna faria hoje 50 anos.

Para muitos é o supra-sumo dos pilotos, o verdadeiro Ídolo. Uma dessas pessoas é o Pedro Lamy, um dos melhores pilotos de circuitos do mundo, com um palmarés simplesmente invejavel. Abaixo fica uma transcrição retirada do autosport.pt sobre um "pequeno" episodio que se passou com Senna:

"Corria o ano de 1993 e, um belo dia de finais de Agosto, Pedro Lamy foi convidado para substituir o infeliz Alex Zanardi, acidentado em Spa, no "cockpit" do Lotus. Nesse ano, Lamy estava a discutir o Campeonato Internacional de F3000, com pilotos como David Coulthard, Olivier Panis ou Gil de Ferran.

O piloto recorda-se muito bem do que depois sucedeu:

"Estava eu em Inglaterra com o Domingos Piedade e ele passa-me o telefone. Foi pouco antes do meu primeiro teste com o Lotus. "Toma, é o Ayrton. Fala com ele." Eu peguei no telefone e comecei a falar. Já tinha conversado com ele uma vez, assim de fugida. Mas uma coisa é fazê-lo por acaso, numa pista, e outra estar ali, com ele a falar comigo, mesmo por telefone, a explicar-me como deveria fazer as coisas. Era uma sensação estranha, ele estar do outro lado da linha, a dar-me conselhos. Eu nem queria acreditar: falava e depois afastava o telefone e olhava para ele, incrédulo. "Mas é mesmo ele?" - pensava, enquanto o escutava a dizer-me como se conduzia um F1. Afinal, sempre era o Ayrton, do outro lado, o meu ídolo, o grande piloto, o eterno Senna..." "

2010-03-18

Lounge Against the Machine




Ou como Richard Cheese nos põe verdadeiramente a questionar o conceito de alternativo. Simplesmente genial. O Manuel João Vieira americano. Cheese também em modo Prodigy, Blink, Nirvana, Radiohead, System, Guns, Oasis ou com o seu melhor falsete em modo Beyoncé (recomendado - incorporação estava interdita).



...



imagem: Erosie via Toki Wiki


Está bem perto do fim, a experiência [meramente trivial e sem qualquer tipo de pretensão científica] começada por mim há cerca de dois dias. Depois darei conta do objecto da mesma e da conclusão a que cheguei.


constatando o óbvio




"Football is not merely a small business. It's also a bad one. Anyone who spends any time inside football soon discovers that just as oil is part of the oil business, stupidity is part of the football business."


Porque eu, nos meus tempos de petiz, fui igualmente um fiel coleccionador de cromos da bola...



...de repente recordo com muita nostalgia, a colecção do USA'94.


vídeo via irmaolucia

2010-03-17

Páginas das páginas

Porque há crónicas deliciosas.

Páginas das páginas
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1

Sensação de esquecimento, de ausência - o bode corre. De repente, volto ao mundo sem que nenhum movimento do mundo me tivesse solicitado. Sol brilhante, céu azul, tantos homens. O mesmo cansaço. Sinto que fiz uma pequena experiência de morrer.

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2

Repouso a cabeça no teu peito, ao som do mar descem as nuvens do céu para me cobrir. Nem um sofrimento mais! Um sono fecha-me as pálpebras, como se borboleta fosse, que dormisse.

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3
Quando chega a noite, bem noite, na casa os móveis dormem. Quando dormem os tapetes, os discos, as louças e os quadros na parede. Quando só o relógio e a geladeira elétrica trabalham e só as baratas tem vida, aí a mão, cheirando a cigarro, abre cansada, em qualquer página ainda em branco, o escondido diário...

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4
Não encontro outro descanso senão nos teus olhos. E não é a mocidade que eu vejo brilhando no fundo dos teus olhos de vinte anos - é a eternidade.

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5
Não sei se ela tão fina, tão penetrante, compreendeu a minha agonia. A tarde era opalina e eu me sentia transparente como a água azul da piscina que olhávamos. Pelas alegrias da vida pagamos tão caro, que não sei se seria melhor que fossemos sempre infelizes.

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6
Debussy derrama-se na sala como véu de luar. Os corpos se diluem, meu corpo deixa de existir, é impalpável, torna-se poeira de amor e compreensão das coisas impalpáveis e eternas.

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7
O corpo branco no domingo branco. O pensamento branco como página para escrever.
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Na praia
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I
Se o vento zumbe terrível (como agora sobre as salinas), não recriminemos o vento - ele desempenha o seu papel. Desempenhemos os nossos papéis. Eis tudo. Quantas vezes já não fomos ventos devastadores na vida das criaturas? Quantas ruínas já não deixamos atrás de nós?
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II
Como um gorgeio, através do tabique:
- Eu queria ser formiguinha para entrar no quarto deles e ouvir o que estão dizendo. Dizendo ou fazendo.
A outra moça ri.

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III
Eis uma coisa que Nicolau ainda não compreendeu - o céu pode ser realmente verde.

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IV
Era mansa, discreta e distraída.
(Comoção de um minuto ao vosso lado!)

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V
E o mancebo matou o dragão, casou-se com a filha do rei e viveu sempre pensando, com arrependimento, no dragão.

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VI
As limitações levantam-se como cercas de espinhos, boa parte delas gerada por nós próprios, servos inconscientes de obsoletos códigos.
A que heroísmos nos impulsionam! Em que depressões nos afundam!
Para as palpitações e dores nas pernas, a ciência, consultada sob a forma pouco sutil de Gasparini, responde: são estrepolias do vago.

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VII
Ela haveria de gostar desta solidão em que me afundei (o rio é largo e melancólico), solidão tão profunda que até me esqueci da cor dos seus cabelos. Há uma serenidade tão grande em tudo, que a alma da gente parece que se decanta, e, ao cabo desta semana que nos separa, sinto no fundo de mim uma grossa camada de lama que andava misturada com meus pensamentos e os meus atos.

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Pedaços da noite
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1
Através do vidro da mesa vejo meus pés nus, estou nu, no calor imenso. As veias estão no seu limite, diz o médico - nada de fumo.
Acendo outro cigarro, traço o meu uísque - vem um vento quente e afaga a pele como se fosse carícia de Aldina, perdida na juventude nua.

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2
A vitória do grande escritor consiste em nunca ter escrito. Promete uma novela, ora biográfica, ora fantástica, o herói ora sendo homem, ora sendo flor.

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3
Não guardo meus defeitos para a intimidade.

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4
Foi um baque surdo às seis horas da tarde chuviscando. O velho ficou estendido no asfalto como um saco mal cheio. O automóvel apagou as lanternas e sumiu.

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5
Neste último ano, a única pessoa que me empregou a palavra "estética" foi o meu barbeiro, a propósito de bigodes.

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6
O que mais temo: o total aniquilamento. Não pelo aniquilamento, mas pelo horror ao efêmero.

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7
Júlia no fim da linha, que é como o fim do mundo:
- Não vejo a tua carinha hoje?
Uma hora depois estava esticado na poltrona amarela. Gosto de ouvi-la, como se ouve uma cascata - vem uma frescura de ninfa em cada palavra mesmo pornográfica.

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8
A janela está aberta. E eu aflito para que venha no vento, que arrepia as cortinas, as olvidadas recordações de infância, cujo mistério nunca pode ser de todo desvendado, recordações de amor - noites de amor ardentes ou calmas - recordações dos perigos passados, a morte iminente! - recordações das mentiras e medos esquecidos.

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9
Nada está direito. A vida é insuportável. Mas devemos calar.

Marques Rabelo

2010-03-15

Quando o 13 passa a 14...




...ou como a questão dos fusos horários são miudezas nada comparáveis com os desígnios etéreos.



Perceberam alguma coisa? Ele aparentemente sim. Projecto10 #2 dedicado ao Sagrado já nos ecrãs!




imagem: James Cauty (retirado de kunstterrorist)



a ironia e a lógica eucaliptal



imagem: Banksy


Defina ironia: Um partido que insiste na tese da "asfixia democrática" e da "falta de liberdade de expressão" no país, mas que não se coíbe de aprovar sanções graves a militantes como a expulsão a militantes que integrem listas concorrentes ao partido ou a figuras por ele apoiadas, assim como sanciona igualmente críticas internas ditas nos 60 dias anteriores a eleições.

Por muito que seja necessária coesão e por muito que uma organização partidária obedeça a vínculos norteados pela lealdade (embora este PSD seja um partido deveras "sui generis", estando muito fraccionado e admitindo no seu seio uma vasta amplitude de convicções ideológicas, que estão ligadas entre si por ténues ligações), o papel dos partidos e organizações políticas, enquanto sustentáculo do regime democrático português, ficam gravemente feridos, com esta imposição de uma autêntica lei da rolha que impede a concretização do objectivo máximo que deveria nortear uma organização desta natureza: ser um espaço de debate e discussão.

Receio que, com a institucionalização de práticas deste género - que informalmente sempre existiram - se dê cada vez mais força ao descrédito já existente por parte da sociedade nestas organizações, fechando estas à generalidade da sociedade, numa autêntica lógica eucaliptal.

Em situações extremas, poderia significar o rejeitar de uma lógica ou matriz democrática - com todas as imperfeições que tem, é na verdade o menos imperfeito dos sistemas - assim como legitimar por parte da sociedade, de soluções mais musculadas que facilmente poderia redundar numa consequente limitação efectiva de liberdade. "History repeats itself". Faz-vos lembrar algo?



the economic crisis for beginners

2010-03-13

Profano?



imagem via artsblog.it



Número #2 dentro de momentos!

Growing older



imagem: via Pensar Custa


Mais uma data passou. Já vai sendo tempo de deixar para trás o lugar na cómoda plateia, assumindo e domando o desconhecido palco.



Exit Through The Gift Shop



"(...)What will he do next?

“A good question. I was planning on making some huge paintings about sleepwalking our way towards the apocalypse, but I ended up going to the pub and getting some crisps."(...)"

Banksy in first person to the The Sunday Times








quando a comédia satiriza com o sério






quando o sério se torna comédia



Num terço existem 53 contas pequenas que equivalem a 53 avé Marias...

PROJECTO10 #6 from PROJECTO10 on Vimeo.



...no Projecto10, teremos 10 números que equivalerão a 10 temas.

As múltiplas faces do Sagrado, na edição #2 (online hoje)!




2010-03-06

A palavra impossível


Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra da verdade.

Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce -
A Palavra que nunca se profere.

Adolfo Casais Monteiro

2010-03-05

num elogio (d)à Loucura



"(...)Alberto João Jardim disse ainda que defendeu a realização deste congresso por achar "que é preciso o PSD esclarecer muita coisa sobre a sua natureza: é um partido de esquerda, de centro ou de direita? Temos de esclarecer, para mim é de centro. É uma social democracia de tendência socialista, como as nórdicas, ou é de tendência de centro de raiz mais social cristã baseada no personalismo da doutrina social de Igreja católica? Federalista europeu ou de primado nacional? Quer a regionalização do continente ou não? Aceita maior autonomia para Açores e Madeira? Admite rever a Constituição ou quer ser situacionista? Estas questões têm de ser discutidas dentro do PSD, porque a confusão que vai dentro do partido sob o ponto de vista doutrinário é total”.

in público.pt

Num dos raros momentos de concordância (dado o meu distanciamento ideológico), torna-se engraçado constatar que Jardim, muitas vezes catalogado (e com razão) de desbocado e inconsequente pelos seus próprios pares partidários, acaba por ser dos poucos que diz que há muito era visível: mais que discutir líderes, sem uma definição ideológica, o PSD nunca poderá almejar vir a ser uma verdadeira alternativa, prolongando o habitual paradigma de alternância (já algo gasto e decadente olhando às recentes notícias surgidas nos media, algo que começa a transparecer para o público - basta olhar a notícias recentes ou ler as conclusões recente estudo de André Freire, José Manuel Viegas e Filipa Seiceira - corporizado num livro recentemente lançado, que adquiri ontem) , ficando o dito partido refém que o outro partido de poder caia em desgraça. Apenas sugere razão a quem indica que em Portugal, não se ganham eleições. O outro lado é que as perde.