2009-12-08

2009-12-04

A beleza do 28.


imagem: Banksy


Quem viaja/viajou na Carris de há dois anos a esta parte, certamente deve ter reparado no sistema de cores preconizado por essa empresa para segmentar e identificar as carreiras consoante a zona onde as mesmas se destinam a servir.

Embora as mesmas sejam transversais e respeitem essencialmente a critérios geográficos, zonas como a Ajuda/Belém ou Alvalade/Lumiar acabam por representar e respeitar igualmente e à primeira vista a critérios de estratificação social - que nas zonas nobres da Baixa se apresentam sob o neologismo de "gentrificação".

Talvez a contrariar tudo isto, e porque os movimentos pendulares são cada vez mais importantes numa cidade, existem as tais carreiras circulares, que acabam por atravessar em muitos casos múltiplas destas zonas, sendo deveras transversais no tipo de público que transportam.

O que me levam a escrever estas linhas, é precisamente o microcosmos sociológico que pode constituir uma viagem num destes autocarros circulares. Desde o turista que vem de Belém, o yuppie amante de artes e design que entra em Santos, do típico trabalhador suburbano que apanha o autocarro no Cais Sodré, do adolescente que debita chavões e frases do género "ya, woman", como esperar umas centenas de metros, entrar na zona da Expo Sul e de repente conseguir ouvir uma senhora de meia-idade a falar de um PPR que subscreveu a semana passada. Eis parte do encanto da grande alface.




2009-11-30

Quando o sonho torna-se realidade...




"Pintar as paredes da sala com tintas de todas as cores pode passar pela cabeça de qualquer turma de alunos ensonados na aula de Matemática. Pintar os cacifos, o refeitório e o recreio da escola, sem ser expulso, parece daqueles sonhos que só acontecem quando adormecemos na aula mais aborrecida de sempre. Ou então não. A Câmara de Lisboa emprestou as chaves da escola primária abandonada há cinco anos na Rua das Gaivotas a oito dos melhores graffiters portugueses. O resultado é mais do que colorido: a 5ª exposição do colectivo VSP (Visual Street Performance), o maior evento anual de graffiti e street art do país que começou na quinta-feira(...)"

in ionline



2009-11-24

Desbobina em versão "Ostie"



"Quem lá vive, faz a sondagem do coração: Berlim é a cidade da Europa para onde toda a gente quer ir. Por causa da noite, da cena artística, da história. Mas se Berlim é onde se quer ir, Berlim Leste é onde se vai parar"

in Diário Económico


"Berlim é especial. E digo isto como um elogio. Um elogio fácil que muitas vezes faço a esta cidade. Mas é um elogio. Um elogio, apesar do Inverno escuro e frio, do Verão tropical e imprevisível, das elevadas taxas de desemprego, criminalidade e pobreza, das demoradas obras públicas, vítimas de um Senado falido e, claro, da falta de praia… É um elogio que se soma aos comummente feitos à oferta cultural existente a todos os níveis, aos preços baixos, à diversidade étnica, à tolerância, aos diferentes estilos de vida, aos verdes parques e aos apetecíveis lagos, aos constantes tropeços na história da Guerra Fria e à onda cool que atravessa os diferentes bairros da cidade, mantendo cada um a sua originalidade. Mas é principalmente um elogio pelas surpresas que a cidade vai oferecendo a quem tem a sorte de por cá passar. Uma dessas muitas surpresas é a Berlim abandonada. Uma Berlim que se distancia de tudo o resto. São espaços parados no tempo. Locais pelos quais a história passou, ou que por ela passaram e que agora, por uma razão ou por outra, se encontram obsoletos, vazios e desprezados. É uma Berlim que não se encontra nos guias turísticos e cuja existência dificilmente se explica na capital da maior economia europeia (...)"

elogio a Berlim by Carregador de Piano



Post Scriptum: Uma das características mais interessantes que os três anos de existência deste espaço permitem aferir, é precisamente verificar a quantidade de experiências profissionais e académicas vivenciadas por muitos dos nossos (mudos*) desbobinadores, fora do nosso rectângulo à beira mar plantado.

O Carregador de Piano, qual trave mestra numa equipa e encarnando bem o espírito aventureiro e destemido que tão bem nos caracterizou enquanto povo (porventura algo que nos devíamos lembrar mais frequentemente antes de esboçar uma crítica fácil e desmoralizante), é o perfeito exemplo do que falo. E muitos outros desbobinadores aqui poderia citar e muitos outros destinos poderia indicar. Aproveitando a brecha mediática, mostro o mesmo apanhado numa reportagem nas celebrações da queda do Muro. Numa Berlim vibrante que 20 anos depois representa esperança e um forte sinal que as barreiras não são imutáveis ou inquebráveis. Numa Berlim que 20 anos depois representa a esperança de um futuro melhor e o atingir de uma realização pessoal. Tal como o João pretende atingir em Berlim. Tal como muitos de nós o tentamos efectuar seja lá qual seja o nosso paradeiro ou percurso [muitas vezes difuso ou tortuoso].



2009-11-17

A política da Terra Queimada






"Aperta-se o cerco à freguesia de Gaula. Depois da sede da Junta de Freguesia de Gaula ter mudado de instalações dez dias após as eleições autárquicas que colocou o movimento de cidadãos 'Juntos pelo Povo' (JPP) na presidência da Junta de Freguesia local, agora é o Governo Regional que decide cancelar duas obras que estavam previstas para Gaula(...)"

in DN-Madeira


Pese as devidas diferenças, a fazer lembrar o bloqueio de Berlim. A política da terra queimada no seu melhor.






impossible is nothing

Trekking through the dark like a true Lighting Bolt
[somewhere
2000 m above the sea between Pico Ruivo e Pico do Arieiro]

photo taken from here [credits to Jay - a MIUT'09 staff member]



Completing a course length of 105km with a positive climbing around 4.000m in just 14 hours? Myth? Impossible?

Welcome to Madeira Island Ultra Trail 2009.



Divulgação - Lançamento Cine Qua Non


"Uma das principais características da modernidade talvez seja o paradoxo de os projectos e sonhos de uma vida estarem ao alcance de cada um (...)






O lançamento é já no dia 17 de Novembro, pelas 18h30, na sala 2.13 da Faculdade de Letras. Colaborei neste primeiro número. E estarei lá amanhã
[hoje] para dar todo o apoio às responsáveis deste projecto que foi aqui recomendado e reconhecido anteriormente. Teria, por isso, muito gosto em contar com todos.




in Nem Vale a Pena Dizer Mais Nada (cantinho do nosso JJT)



2009-11-16

'We Like Lists Because We Don't Want to Die'






"We have a limit, a very discouraging, humiliating limit: death. That's why we like all the things that we assume have no limits and, therefore, no end. It's a way of escaping thoughts about death."


Umberto Eco interview @ Der Spiegel International [click here]




Os tortuosos caminhos de uma Vendetta







JPP (José Pacheco Pereira), concorde-se ou não , tem reconhecidamente um estilo muito próprio transparecendo muita combatividade e frontalidade na defesa dos seus argumentos. Recentemente passou a dispor de um espaço de opinião na Sic-Notícias - Ponto Contra Ponto - descrito pelo próprio sítio da SIC como "(...)Um programa de opinião sobre aquilo que nos faz ter opinião: a comunicação social. Os media, os jornais, as rádios, os blogues, os livros, a televisão(...)", capitalizando ainda mais a sua já extensa presença mediática.

Ontem, pese os propósitos do programa - sendo de louvar a intenção de dar uma outra perspectiva face à constante uniformização dos conteúdos informativos, foi evidente registar a "vendetta" pessoal que JPP fez, onde num programa de 14 minutos, dedicou o primeiro terço do programa a rebater as críticas e acusações apontadas pelos diversos meios à sua autêntica cruzada. Aliás, é visível que por muito nobres sejam os seus propósitos - pelo menos apregoa os mesmos dessa maneira, JPP acaba por usar o espaço não para essa intenção inicial, mas meramente como extensão para replicar as suas ideias e argumentos e ataques políticos [aliás visíveis noutros canais de exposição de JPP e que lhe granjeiam tantos ódios].

JPP acaba por sim por reproduzir tudo aquilo que critica. A satisfação com que finalizou o programa antevendo semanas interessantes para a comunicação social e a natural relação daí deduzida com todo o "elán" mediático existente nesta altura, é claramente indiciadora disso. Por outro lado, a sua constante presença em diversos meios e em tudo o que é debates, [com grande repercussão mediática] acaba paradoxalmente e em última instância por levar a uma uniformização de opinião, algo que JPP indica querer reverter.

É pena. Esperava um programa que reflectisse sobre o estado da comunicação social e não se limitasse a apontar de um patamar fictício de superioridade moral as falhas, induzindo uma agenda escondida.
Chego à conclusão que talvez isso não seja possível.



2009-11-14