2009-11-12

Desbobina no combate ao Dengue

(...)DIÁRIO DE CABO VERDE
POR MARTA GOMES DE ANDRADE, CHEFE DE MISSÃO DA AMI

SALVAR VIDAS

É importante distinguir uma missão de emergência, em que o tempo é fundamental para os resultados a que nos propomos, de uma missão de desenvolvimento, em que a equipa trabalha um projecto com outro tipo de actividades, que não garantir, em primeiro lugar, salvar vidas. Será essa a nossa prioridade absoluta nos próximos dias.E foi isso que justificou tantos dias de stress e de ansiedade a preparar esta missão. Comecei a escrever esta crónica do aeroporto de Lisboa, onde a equipa da AMI foi ajudada em todos os aspectos (a bagagem de mais de 160 quilos foi, realmente, um desafio!) pela companhia aérea de Cabo Verde, TACV, depois de termos feito escala em Las Palmas, Maiorca, e acabei-a, algumas horas depois, na Praia. Tínhamos à nossa espera a enfermeira Isabel Fragoso, chefe da Missão de Desenvolvimento da AMI no Fogo, que nos recebeu e explicou como nos movermos pela cidade e os primeiros contactos com as autoridades. Hoje começa a Missão no Fogo, partindo tambéma enfermeira Ana Rosado para a segunda missão, em ilha ainda a determinar.(...)

in Correio da Manhã


Começou um surto de Dengue em Cabo Verde em 28 deOutubro passado e em resposta ao pedido de ajuda enviado pelas autoridades caboverdianas, a AMI fez destacar uma equipa de emergência dando assim resposta às necessidades prementes de pessoal médico e de material.

Referir que a chefe de missão é uma desbobinadora [black o seu pseudónimo] e contará todas as actualizações diariamente no Correio da Manhã [a infiltração continua ehe]. Um verdadeiro trabalho de super heroí [heroína neste caso]. A maior das sortes e desejos de bom trabalho.

até à Rua Sésamo!




E BUM! De repente já passaram 20 anos [40 da edição original americana]. Na altura, uma verdadeira pedrada no charco nos programas educationais infantis no nosso país. Um programa que foi visto por [e provavelmente influenciou] toda uma geração. Quem não se recorda deste genérico*?



*já com a presença do nosso desbobinador Tiago (aos 42s.), provavelmente já a prever voos futuros. O que confirma a tese que o desbobina é pior que o clube de Bilderberg [ehe]

"From Stettin in the Baltic to Trieste in the Adriatic, an iron curtain has descended across the Continent."








Nada mais corporizou tão fielmente esta divisão como a edificação do Muro do Berlim. Embora só tenha sido erguido em 1961, em plena fase quente da guerra fria, como resposta para suster a enorme saída e migração de alemães da então RDA para a então RFA [as restantes fronteiras terrestres tinham sido fechadas quase uma década antes], a sua queda foi um marco, dado que representou o fim de uma era e ao mesmo tempo permitiu a reunificação alemã ancorada num aprofundamento da integração europeia.
Na altura e face à queda de um bloco e face à supremacia ideológica do outro lado, muitos ousaram vaticinar o Fim da História [como em tantas outras ocasiões],mas a devida distância histórica viria a provar que tal vatícinio estava completamente errado. Aliás o próprio 11 de Setembro demonstrou isso mesmo.

Ainda assim, nada retira importância a este marco, que ao fim ao cabo foi uma vitória não de uma doutrina mas da liberdade. Conforme o João bem escreveu "os jovens berlinenses de vinte anos são hoje filhos de uma Alemanha e uma Berlim diferente. O que é hoje uma referência da Europa e da juventude continua a ter marcas subconscientes do que se viveu ali."

As implicações que a queda do muro produziu foram imensas. Porventura o Gueorgui [old shatterhand] tendo vivido do outro lado da cortina, bem melhor poderia explicar as alterações produzidas - mormente no dia a dia. Eu, na inocência dos meus 6 anos, vendo toda a animação dos meus irmãos mais velhos naquele longuíquo dia de 9 de Novembro de 1989, guardei na memória imagens de uma imensa turba de ambos os lados a derrubar partes do muro celebrando com tal feito com imensos sorrisos e satisfação.

Porventura pode parecer pretencioso, mas a realidade é que fiquei com a sensação que estava a assistir a história a ser feita. O que se comprovou ter vindo a ser verdade.

2009-11-08

Boas Compras e Felizes Endividamentos!



"Porra já começou! Dois meses a levar com a gorda da Popota!"


Comentário ouvido numa tasca algures na Grande Alface. O Natal definitivamente está aí à porta. A Popota faz questão de o anunciar. E vem acompanhada pela Leopoldina. Mal posso esperar pelo Jumbo. Com sorte encontram um azevinho na trombra do elefante.



imagem: Portugal Street Art




Dicas de Natal


photo: gazetta.it

"(...)Geography, history, sectarianism, class, religion and economics each play their part in shaping the unique nature of derby matches(...)"



post scriptum: aproveitando a dica de alguns desbobinadores, já testei o site bookdepository.co.uk com um livro que tinha na minha wishlist do amazon há já muito - não encontrava em Portugal. Já com portes incluídos, IVA pago e em média mais barato 25% que a FNAC [comparando com um álbum de Banksy que vi nesta cadeia] - entrega em 5 dias úteis neste caso. Para quem procura livros específicos em inglês é simplesmente o ideal. Uma dica preciosa [e publicidade não paga ehe] a menos de dois meses do Natal.

2009-11-04

Ironia






in Associated Press


2009-11-02

Tony Manero* in a distant galaxy

During the day, just a simple Stormtrooper with a dead-end career. By night, a dance floor king, sexual symbol and a Disco maniac.

Just a regular saturday night, in a far distant galaxy from us!




(Nowadays, taking in consideration that some weird sequels have already been made - by example Alien vs Predator - it would be visionary and funny to see a movie joining Saturday Night Fever and Star Wars [ok, joking... it would be geeky and sad]. Tony Manero as an Imperial Stormtrooper. How about that?)

image taken from here

*click here to see who's Tony Manero





by Jimmy Cauty (taken from here)



2009-10-30

Inglês em sotaque madeirense? Será?...

Uma União de excepções?




A UE aceitou as exigências do governo checo, levantando nova excepção na aplicação da já controversa Carta de Direitos Fundamentais, um documento anexo ao Tratado de Lisboa, á República Checa.

Tendo em conta que já existem diversas excepções negociadas - Reino Unido, Irlanda, Polónia, Dinamarca enumerando meramente algumas - a questão que se levanta é: com a ânsia de atingirmos uma suposta unidade, não estaremos a caminhar para uma autêntica União de excepções?

É que esta decisão, que claramente serve para salvar a face ao eurocéptico presidente checo que assim sai também "vitorioso" perante a sua opinião pública, aparece na senda de outras, onde face a certos percalços que foram aparecendo, efectuaram-se concessões, que em certas alturas desvirtuaram e atrasaram imenso o trilho preconizado - relembremos por exemplo as consequências da cadeira vazia de De Gaulle e as consequências que daí advieram para a então CEE (pensada numa matriz federalista, adquiriu uma componente intergovernamental).

Esta situação vem demonstrar que embora estejamos já num nível muito avançado de integração, a lógica nacional tem ainda imensa preponderância, o que numa Europa (leia-se União) que nos últimos anos registou um crescimento exponencial, pode representar um obstáculo extra, dada a multiplicidade de interesses nacionais divergentes que tornam muito difícil vir a ter um discurso comum.

A aprovação deste tratado [mesmo que muitos não concordem com muita da sua matriz ideológica] é algo que é muito premente e necessário, face à indefinição ainda vivida, numa altura em que as consequências do anterior alargamento ainda se fazem sentir. A governabilidade da União enquanto estrutura e a própria credibilidade enquanto unidade de voz própria no Mundo dependem desta agilização. Mas não deixa de ser um paradoxo, que a mesma esteja a ser conseguida sob um vasto rol de excepcionalidades que são facultadas aos seus Estados-Membros. Não haverá o risco de abertura de nova caixa de Pandora que volte a pôr em risco todo este imenso edifício? Como conter ou compensar os países que já aprovaram o Tratado? Não estará a UE a enviar um mau sinal, persistindo em premiar quem mais entraves põe?

Porventura a beleza desta construção advirá daí, desta capacidade de diálogo e mutação, dirão alguns. Mas não deixam de ser questões que mais cedo ou mais tarde muito provavelmente serão levantadas. As dimensões nacionais existentes certamente não deixarão que isso passe em claro. Parte da resposta passará por uma conveniente pedagogia junto das opiniões públicas. A construção europeia tem de sair dos gabinetes das elites decisoras e tem de descer ao nível do eleitor comum. Este tem de sentir que esta é uma conquista dele. E enquanto este trabalho não for feito, enquanto este trabalho não for sentido como conveniente, muitos destes problemas subsistirão. Essa é a dura realidade.

Terminator IV: O Governador de Neverland.




"Arnold Schwarzenegger ainda não comentou o caso, mas a verdade é que a nota utilizada para exprimir o seu veto político à lei 1176 da assembleia legislativa do estado da Califórnia parece ter uma mensagem oculta pouco delicada: "fuck you".

A "f-bomb", como lhe está a chamar a imprensa norte-americana, foi noticiado pela edição online da edição electrónica do San Francisco Bay Guardian. Na nota, Schwarzenegger lamenta que muitos temas que considera prioritários, como a reforma da água e do sistema prisional, bem como dos cuidados de saúde, fiquem perdidos na assembleia, enquanto outros tópicos menos urgentes passam por ele com frequência.

"Mais uma legislativa passa sem que os californianos recebem as reformas que merecem", escreve. O tom agressivo faz com que a mensagem paralela pareça ter sido pensada de propósito - a primeira letra de cada uma das sete linhas do texto, devidamente alinhadas, forma a palavra "fuck you".

O assessor de imprensa do governador Aaron McLear insistiu já que ter-se-á tratado apenas de uma "estranha coincidência".


Se a moda pegasse por cá, queria ver que tipo de criatividade que seria empregue em acórdãos. No entanto, reconheço que é difícil ser mais pueril que isto [que chega a ser cómico, tão criança que é], com a desculpa esfarrapada que foi coincidência - já calcularam e verificaram que as probabilidades de tal acontecer como aconteceu eram de 1 para 8 mil milhões [fantástico como alguém se deu ao trabalho de calcular estas probabilidades!!!].
Mas vindo do homem que disse que a coisa mais difícil que fez na vida foi depilação total, cujas palavras mais conhecidas são "I'll Be Back" e "Hasta, la Vista Baby!" creio que poderemos esperar tudo.

Notícia original - aqui.

Imagem: schwarzenegger-interactive.com

2009-10-29

Por Toutatis...




...Chegaram aos 50 anos! A par de Lucky Luke, das séries que mais gozo me deu ler (sempre gostei da escola franco-belga). Criados por Uderzo e Goscinny surgiram na revista Pilote a 29 de Outubro de 1959, estando neste momento traduzidos em 83 línguas e 29 dialectos. O paralelismo estabelecido com certas situações históricas (lembro-me do Grande Fosso e a questão do muro de Berlim) e os estereótipos criados são simplesmente geniais e ficarão para para todo o sempre.

O tempo é de festa ( sem o bardo) e honra aos já cinquentões irredutíveis gauleses que ousam resistir ao invasor. E que com a ajuda da poção sempre assim farão. A não ser que o céu um dia lhe caia em cima.


imagem: Visão Júnior

2009-10-27

Banksy vs Bristol Museum




As seen so many times, as time passes, anti-establishment figures sometimes end up becoming part of the Establishment. It's almost a natural law.

Does it apply to Banksy?

The Timbuktu Job by Banksy



Na arte de rua onde o activismo e o anti-establishment proliferam, chamadas de atenção para temas como as disparidades existentes e a falta de atenção que o mundo ocidental presta ao continente africano, são consideradas banais e existentes em qualquer grande urbe ocidental. Mas e se essa chamada de atenção tiver sido feita em África num contexto que não associamos propriamente ao dito conceito artístico?

Foi o que Banksy efectuou. E provavelmente despertou mentes. Por uma coisa é ver numa parede qualquer num contexto urbano familiar, outra será ver num contexto envolvido pela realidade que a mensagem pretende alcançar. Aqui numa missão a Timbuktu, cidade património mundial parcialmente engolida pelo Saara, no Mali.

restantes imagens in Banksy.co.uk
Justificar completamente

É notório que desde o 25 de Abril tem havido uma certa cristalização da classe política, isto olhando aos principais intervenientes.

Com a revolução e os respectivos saneamentos ocorridos [algo inerente a todas as revoluções] e a rápida emergência de uma jovem classe de políticos (muitos ainda idealistas) que em condições normais iriam estar em "maturação" durante mais algum tempo, como que se assistiu a um perpetuar de certas figuras durante todo este espaço tempo, dando pouco espaço à renovação de caras e à emergência de novas figuras no panorama político português - se bem que reconheça que esta esteve sempre presente.

Sabendo-se que a construção e consolidação da democracia foi efectuada e gizada num quase monopólio dos partidos políticos - os outros espaços de participação pouca influência tiveram/têm - o carreirismo e a ascensão no aparelho burocrático partidário tornaram-se norma, muito contribuindo para tal noção de cristalização.

Se olharmos para as anteriores legislativas de 2005, notamos que das principais figuras dos 5 partidos mais votados de então, 4 concorreram a estas legislativas.

Por um lado, embora a generalidade da população tenha um discurso que aponta para um certo cansaço da classe política, a verdade é que a pouca memória eleitoral e a constante reinvenção de muitos políticos de cá do burgo, fazem com que aos olhos do eleitorado os mesmos políticos de sempre apareçam com novos discursos e novas roupagens.

Fará quinta feira duas semanas que um novo plenário da Assembleia da República tomou posse. O leitor ao ler esta frase, porventura pensará que falarei dos cerca de 105 novos deputados existentes em relação à anterior legislatura. Em parte estará correcto, mas o que me motiva a escrever estas linhas, foi observar que na maioria dos casos, foram regressos de pessoas que já haviam estado naquela casa ou entanto de pessoas que almejavam conseguir lugares ministeriáveis (o João de Deus Pinheiro foi sintomático).

Se a nível legislativo esta mudança era lenta, então a nível autárquico esta é praticamente nula, criando-se e gerando-se autênticos dinossauros fossilizados em muitos casos há décadas nos seus redutos, algo que a lei de limitação de mandatos veio alterar - algo que obrigará a uma efectiva mudança de presidente em mais de 150 concelhos nas próximas autárquicas.

No entanto, estaria a errar se não apontasse a existência muitas caras novas. E isto porque os sinais de mudança começam a aparecer e lentamente, esta classe política saída da revolução e em seguida das décadas de 80 e 90, começa a dar lugar a outros, abrindo brechas para uma efectiva renovação de caras, o que espero, traga novas formas de aproximação e envolvimento com os eleitores.

post scriptum: É com esse espírito que, concretizando a segunda intenção destas minhas palavras, venho aqui congratular a entrada na Assembleia da ex-colega e amiga de muitos que aqui escrevem [ainda que a grande maioria divirja politicamente da mesma], a nossa cara "camarada" Rita Rato - que tem estado em destaque em muitos meios de comunicação social. Da minha parte e ainda que não concorde com muitas das ideias defendidas e aparte da discussão das mesmas [existem sempre pontos de contacto], apenas desejo as maiores felicidades e desejo que coloque toda a paixão e capacidade de trabalho que lhe são reconhecidas.