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2010-06-16

Os Gêmeos no Adamastor?


imagem própria

"(...)É pequeno olhar para o graffiti como vandalismo", argumenta Gustavo, "quando temos a Grécia em convulsão ou um navio a poluir quilómetros de oceano nos EUA." E continua: "Temos tantos problemas para nos preocupar por aí. O graffiti é apenas pessoas a dizer: "Estamos aí. Queremos contribuir para a mudança. Vamos lá!(...)"

via Público


Com uma exposição a decorrer desde 20 de Maio até 17 de Setembro no CCB, Lisboa não ficou indiferente à presença desta dupla afamada - em especial para quem circula pela Fontes Pereira de Melo. Hoje ao passar pelo Adamastor deparei-me com mais um mural da dupla - pelo menos a assinatura assim indicia.

Se para muitos, a "institucionalização" e a passagem do graffitti para as galerias seja um sacrilégio - acabando por tornar algo mainstream, algo que sempre teve uma matriz contrária (a contracultura é hoje vendável e "cool") - a verdade é que essa tendência é cada vez mais evidente, havendo o aparecimento de autênticas estrelas no meio, sendo estes artistas disputados inclusivé pelas próprias cidades. Mainstream ou não, fica dada a dica. Até Setembro no CCB. Até bem mais, um pouco por toda a cidade.

2009-11-30

Quando o sonho torna-se realidade...




"Pintar as paredes da sala com tintas de todas as cores pode passar pela cabeça de qualquer turma de alunos ensonados na aula de Matemática. Pintar os cacifos, o refeitório e o recreio da escola, sem ser expulso, parece daqueles sonhos que só acontecem quando adormecemos na aula mais aborrecida de sempre. Ou então não. A Câmara de Lisboa emprestou as chaves da escola primária abandonada há cinco anos na Rua das Gaivotas a oito dos melhores graffiters portugueses. O resultado é mais do que colorido: a 5ª exposição do colectivo VSP (Visual Street Performance), o maior evento anual de graffiti e street art do país que começou na quinta-feira(...)"

in ionline



2009-09-17


"A arte de governar consiste em satisfazer a maioria da nação sem antagonizar a minoria" Edgar Faure

Frase (sempre actual) que introduzia a excelente mostra de cartazes e retratos políticos "Ombro a Ombro", ocorrida até o passado domingo no MUDE em Lisboa, que aproveitou o devoluto espaço do BNU numa conversão muito bem efectuada, olhando o propósito.

Em cima, um dos cartazes presentes de autoria de artistas eslovenos em 2004.

2009-02-13

"Os olhos do mundo e a fortuna" - Review


Sábado, dia 7.

22h, Espaço Kabuki - Centro de Arte Contemporânea, sito aos Anjos. Ainda ofegantes [enganamo-nos na rua], chegamos à entrada que à primeira vista parece uma simples garagem, mas rapidamente revela nas paredes uma exposição de Alexander Arshansky - pintor russo radicado nos EUA que viveu no último ano em Portugal, sendo esta a temática desta exposição [quadros ver aqui]. Leigo na matéria, observo o jogo alegre de cores, o especial fascínio do artista por olhos, a anarquia que impera nas suas telas, assim como as influências [dizem os entendidos] de Picasso, Magritte e Boch. Gosto do que vejo - e desde já fica a minha recomendação para um programa grátis [a não ser que queiram comprar alguma tela...], em exposição até ao próximo dia 18 de Abril.

No entanto o objectivo da vinda [e do post] não é este. Aproveitando a dica deixada anteriormente pelo Pedro, ele próprio, eu e outras duas desbobinadoras [creil e ...], vamos assistir à peça "Os olhos do mundo e a fortuna" de Jonh Herbert.

Escrita no início da década de 60, estreada em 67, esta peça cómico-dramática [em parte autobiográfica] foca o ambiente de um reformatório juvenil masculino. É considerada pioneira, dado que foi das primeiras a abordar seu complexos a temática da homossexualidade, quer despindo certos preconceitos associados a esta, quer abordando o contexto dos reformatórios/prisões. Esteve na origem da constituição da Fortune Society, ONG de reinserção social de ex-reclusos.

Decorrendo num único cenário [a cela], revela-nos a história de um pacífico e ingénuo jovem condenado por delito menor [Smitty] que durante a peça se transformará num insensível e manipulador líder. No processo irá interagir com Rocky [o gabarolas e durão], com Queenie [abertamente homossexual, manipula o sistema em seu proveito], com Mona [sujeito passivo e sensível, é o típico elemento desenquadrado do meio onde está] e com Cara de Anjo [guarda corrupto que se encontra à beira da reforma].

Imbuída de um certo espírito "Actors Studio" [muito em voga em NY na década de 60], trata-se de um excelente texto [adaptada ao contexto português numa tradução efectuada por José Henrique Neto - faz de guarda], com uma excelente interpretação de todo o elenco - o já referido José Henrique Neto, João Vicente, José Redondo, Luís Redondo e Tomás Alves [grupo 3-sete-3] - bem acessorados na produção técnica pela Cena de Eventos [agrupamento a que pertence o desbobinador Pedro Costa - sonoplasta da peça em questão].

Importa realçar que esta peça já esteve em exibição no Teatro Mirita Casimiro (TEC), o Teatro da Trindade e o Espaço Karnart (onde foi escolha da semana da revista Time Out), notando-se um perfeito domínio do texto em questão.
Tanto que nem se deu pelo tempo a passar, fluíndo a peça rapidamente, ajudando em muito as passagens cómicas que a peça possui, sem no entanto deixar de se desviar da mensagem e apelo à reflexão que a mesma se propõe fazer.

Inserida num ciclo "Transgressão e Exclusão” - em conjunto com "O Beijo da Mulher Aranha" de M. Puig (1976), outra peça a apresentar dia 15 do corrente, num debate no mesmo espaço com actores e encenador - fica aqui expresso um interessante e diferente programa para dia 13 (hoje) e 14 de Fevereiro, com a recomendação positiva do Desbobina [pelo menos a avaliar pelas reacções de todos]. O texto e a perfomance valem a pena e é de aproveitar estas duas últimas exibições!

Às 22h no Espaço Kabuki - Rua Newton 10B - Metro Anjos.

Podem reservar bilhetes ou esclarecer alguma dúvida através dos seguintes números: 96.4464855 96.6864730