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2008-12-22

Zapping Quiz

Conseguem adivinhar que programa não visualizou Vasco Pulido Valente de certeza ontem à noite?

[dica por aqui]

2008-01-23

Smoke rebellion...

...algumas dicas para contornar as restrições anti-tabágicas recentemente impostas em espaços fechados:
1 - optar por este bar na Alemanha ou esperar que algum bar em Portugal faça estas obras de adaptação...

2 -...ou então adquirir este fantástico casaco desenhado pela Fiona Carswell, no qual o utilizador exala o fumo através de um tubo na gola., que dá para uns pulmões falsos. Quantos mais fumar, mais negro ele fica...
fonte: frogsmoke
[Aviso: não aconselhável a Miguel Sousa Tavares, nem a Vasco Pulido Valente. Isto porque não se vislumbra que o Gambrinus faça obras de adaptação de tal alcance, nem que os ditos senhores tenham a consciência cívica - e a decência - de não incomodar com o fumo, as pessoas que estejam ao seu lado. Um conselho gratuito by Desbobina]

2007-11-25

Questão Coimbrã (versão Jerry Springer)

...na década de 60 do século XIX Antero de Quental, então um jovem licenciado em direito já com uma grande consciência social, envolveu-se em duras polémicas literárias contra o seu antigo professor António Feliciano de Castilho, criticando a futilidade e a inocuidade dos seus poemas e de toda a estrutura literária em seu redor. Castilho respondeu indicando que Antero e outros eram uns exibicionistas e tratavam de temas nada relacionados com a poesia...

Antero responde numa Carta com o título "Bom senso e bom gosto" onde acusa Castilho de não se ligar à realidade, defendendo a independência dos jovens escritores e a sua missão social face ao estilo institucional, fútil e insignificante de Castilho. Teófilo Braga acompanha-o e insinua que Castilho apenas tinha aquela reputação por que era cego. Mais tarde antero reforça esta linha e insurge-se contra os cabelos brancos de Castilho.
Ramalho Ortigão assume a defesa de Castilho e defronta Antero num duelo em 1866...


Depois de ver isto [ler post abaixo ou clicar aqui] , não será este bate boca entre Vasco Pulido Valente e Miguel de Sousa Tavares, uma versão moderna (e já agora bacoca) da Questão Coimbrã?
Já agora haverá duelo de espadas também?

Antero vs Ortigão (versão moderna - com as devidas diferenças)

(...)"Mas não tem aproveitado para conhecer escritores?
Tenho conhecido pessoas interessantes. Os outros escritores portugueses é que olham para mim com alguma desconfiança.

-Porquê?
-Acham que sou um intruso. Vim do jornalismo, vendo pornograficamente muito, que é uma coisa que incomoda, e depois não sabem como me hão-de classificar. Não podem dizer que o gajo é "light", porque eu não sou; não podem dizer que o gajo é um grande escritor porque, então, têm de se perguntar o que é que andam aqui a fazer há tantos anos. Também não me preocupo com isso. O meu editor fica de cabelos em pé porque recuso coisas que outros aceitariam.

- Mas não é, só por si, um produto de "marketing"?
- Isso faz-me lembrar o meu editor brasileiro, que às tantas me diz assim: "Vamos trabalhar a 'griffe Miguel.' E eu disse: "Como?!" "Não sei, mas já percebi que você tem uma griffe." Não faço nada para a imagem de marketing. Estou no ar há 30 anos. Tem vantagens e desvantagens. O editor queria lançar uma campanha imensa em "outdoors" e autocarros e eu travei-o. O livro deve ter apenas promoção suficiente para as pessoas saberem que está no mercado.

- Está preparado para a crítica do Vasco Pulido Valente?
- O Vasco Pulido Valente arrasou o Equador sem o ter lido. Dizia que era exotismo, culinária e erotismo. E, passados uns tempos, estive com um amigo comum que me disse: "Sabes que o Vasco não tinha lido o teu livro e eu insisti, 'ó Vasco, mas lê o livro' e o Vasco, 'não, é uma merda'". Até que um dia ele disse que o livro até não era mau. Foi-me contado assim e eu acredito na fonte. Eu sou grande admirador do Vasco. Costumo dizer a brincar que, de facto, só há duas coisas que precisavam ser subsidiadas no país: a agricultura e o Vasco Pulido Valente. A agricultura porque, se não, o país desequilibra-se e tombamos ao mar; e o Vasco Pulido Valente porque aquele pessimismo é necessário. A mim faz-me falta. Eu leio o Vasco e digo: "Também não é assim tão mau!" (risos) Com o seu pessimismo militante, o Vasco contribui para o optimismo de muita gente. Ele escreve maravilhosamente, tem talento e é engraçadíssimo. Agora, só conhece dois países no mundo: Oxford e o Gambrinus. Acho pouco.(...)"

Entrevista de Miguel Esteves Cardoso ao Expresso
resto da entrevista em http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/145035

Resposta do Vasco Pulido Valente

"Um Novo Génio
Há uns tempos, Miguel Sousa Tavares escreveu um romance chamado Equador. Era "um romance de aeroporto" implausível e pueril, que seguia a receita do género: um lugar exótico, longas descrições de paisagens, muito sexo e muita atenção à cozinha e à roupa. Até dois terços, não se lia mal, como se lêem os livros deste género: sem esforço, com meia atenção, para descansar.
No meu caso, li a coisa no hospital, numa altura em que não tinha cabeça para mais nada. Hoje só me lembro, e vagamente, do herói: uma espécie de super-Miguel, um pouco ridículo, com o seu arzinho aristocrático e a sua obrigatória consciência de esquerda. A certa altura, o Equador desapareceu (por falta de espaço) na limpeza de uma estante qualquer e não tornei a pensar no assunto.
Nunca me ocorreu que Miguel Sousa Tavares se tomasse por um escritor. Afinal muita gente, sobretudo em Inglaterra e na América, vive de produzir prosa para consumo de massa, que ninguém confunde com literatura. É uma maneira como outra de ganhar a vida. Honesta, ainda por cima. Mas Miguel Sousa Tavares parece que não se considera light e pretende que o levem a sério. Só isso explica que volte agora a meia dúzia de comentários sobre o Equador (não especialmente lisonjeiros) que publiquei há anos numa carta a este jornal. Para explicar essa minha absurda aberração, Miguel Sousa Tavares revelou ontem ao Expresso que eu, quando o critiquei, não tinha lido o livro e que depois, quando de facto o li, o achei óptimo. Quem lhe contou foi um amigo anónimo, presumivelmente tão analfabeto como ele; e em que ele, claro, piamente acredita.

Fora a acusação de fraude (que me incomoda), Miguel Sousa Tavares trata com condescendência o meu putativo pessimismo e lamenta que o meu conhecimento do mundo não vá muito além de Oxford e do Gambrinus (para quem não saiba, um restaurante de Lisboa). Esta estupidez não é inocente, é profiláctica. Serve para me desqualificar, se por acaso eu disser o que penso (e não disser bem) sobre o Rio das Flores, um segundo romance que já saiu ou vai sair daqui a poucos dias. Mesmo vendendo como vende, Miguel Sousa Tavares não consegue suportar que diminuam o que ele julga ser o seu imenso brilho. A mim, não me aflige que ele se apresente como um génio literário. Desde que não ande por aí a espalhar mentiras."

Vasco Pulido Valente in www.publico.pt (numa coluna de opinião no dia seguinte à entrevista)


Ontem na P2 do Público veio a crítica literária do VPV em relação ao livro do MST - "Rio de Flores" que como é previsível desanca o livro ao longo de 4 páginas...

"Pedimos a Vasco Pulido Valente que lesse Rio das Flores, o último livro de Miguel Sousa Tavares. O romance conta a história de uma família de latifundiários alentejanos na primeira metade do século XX. O historiador, especialista da República, não gostou e diz que o escritor não ilumina a época nem a percebe.

[ínicio da crítica]Numa entrevista ao Expresso, Miguel Sousa Tavares contou um caso, inteiramente imaginário, da minha suposta desonestidade (teria criticado o Equador, sem o ler) e acrescentou alguns comentários desagradáveis. Como é natural, desmenti. Isto bastou para que ele anunciasse por SMS à minha mulher e, a seguir, no Diário de Notícias que "ia dar cabo de mim". Parece que, segundo o critério dele, não "deu", por esta vez, "cabo de mim". Ficou pelo insulto e pela injúria; e pela ameaça implícita de que, se quisesse, revelaria episódios da minha vida pessoal (cinco ou seis) para liquidar a minha figura pública. Nestas digressões Miguel Sousa Tavares não falou uma única vez de um livro meu ou do meu jornalismo.

Excepto sobre o meu "carácter" privado, não abriu a boca. Em cinquenta anos, não me lembro de encontrar um ódio tão inexplicável. Fiquei espantadíssimo e até, num encontro de acaso, lhe tentei falar, para o ouvir e, como lhe disse, para lhe poupar no interesse dele uns tantos disparates no Rio das Flores. Não quis.

Escrevo esta crítica sem prazer. Nada pior do que ler um livro mau, excepto escrever sobre um livro mau. Mas, como se compreende, não podia deixar que a brutalidade de Miguel Sousa Tavares chegasse para me calar.(...)"