2010-07-03

mobilidade ao cubo


Diana Mini F+ shot@Faro harbor (taken by Bob)




Esta semana, um madeirense que vive em Lisboa, foi ao Porto apanhar o avião para Faro.





2010-06-24

Os putos já estão condenados.


"These kid's don't known they're working class; they won't known that until they leave school and realize that that the dreams they've nurtered throught childhood can't come true."


The Spirit Level - Why Equality is Better for Everyone (Wilkinson & Pickett) Penguin Books pp.117


Ironia como num raio de 200 metros numa das zonas de maior expansão imobiliária de Lisboa, temos um dos colégios mais selectos do país - segundo consta, a lista de admissão é praticamente impenetrável - temos uma escola pública num bairro degradado, com parcas condições para não dizer deploráveis, e no meio, entre as duas numa mera distância de menos de 100 metros, temos com um antigo armazém degradado que serve de abrigo a toxicodependentes que ali livremente se deslocam e pernoitam, havendo pouca ajuda disponível (pelo menos a nível visível) para reabilitá-los. Isto acontece em plena Lisboa (não vou nomear o sítio), mas poderia acontecer em qualquer parte do país.

Estive hoje na tal escola do bairro carenciado, pese toda a disponibilidade e boa vontade evidenciada pelos auxiliares e membros de ATL, ao olhar para aquelas crianças e ao ver aos seus pais, a primeira ideia que me ocorreu foi precisamente o título que pontua este texto.

O contexto social, a disponibilidade financeira dos pais, o grau de confiança existente na comunidade onde a criança interage e os estímulos que a mesma recebe, são tudo factores que influem no desenvolvimento das crianças, tendo um real impacto nas sua vidas adultas.

Sociedade altamente desiguais como a nossa, apenas estimulam e agravam estas disparidades, contruíndo uma abstracção de sociedade onde uma parte vive numa espécie de redoma de vidro longe de todas as adversidades, dentro dos seus condomínios e uma outra parte vive em quase estado de sítio, em contextos onde a confiança e segurança não abundam, repercutindo-se isso numa espécie de ciclo vicioso que afecta todos os aspectos da vida, afectando e quebrando os naturais e solidários laços que uma saudável sociedade deve possuir.

Um pensamento a ter em conta, quando num contexto de crise, são propagados argumentos populistas e demagógicos, como cortes em programas estatais no campo da assistência e na correcção de assimetrias existentes, numa pura lógica economicista sem olhar aos efeitos que tal medidas faria.

O ataque às consequência e não às causas, como p.e. os argumentos securitária e autoritários muitas vezes implicam, é outra característica da opção por lógicas suicidas a curto-prazo que nada farão se o problema não for abordado na sua raiz e numa lógica a longo-prazo.

Até porque as consequências advindas de uma sociedade mais desigual, não só afectaram os estratos mais baixos dessa mesma comunidade, como afectaram todos os outros, diminuindo a qualidade de vida, tornando menos solidária e confiante toda a sociedade (mais desconfiada e menos altruísta) e tornando em última instância, mais onerosa para o Estado a manutenção de certas operações vistas como essenciais (segurança, custos com saúde, etc.).

A redução desta disparidades, deveria ser assim vista como prioridade máxima.

Assim de repente, depois deste texto e sabendo-se as terríveis disparidades no nosso país - assim como a lógica adoptada, afinal de contas não constituirá assim tão grande ironia a existência destas contradições num curto raio de espaço. Isso é algo que uma grande parte da nossa classe dirigente ainda não se deu conta. Fazia bem saírem da redoma de vidro de vez em quando.



2010-06-23

"Be Yourself"



roubado a pensarcusta

os limites de RP

imagem daqui


"Há 522 anos, Bartolomeu Dias conseguiu, pela primeira vez, ultrapassar o Cabo das Tormentas, demonstrando que era possível ultrapassar o extremo Sul de África por mar, apesar de muitas tempestades e perigos.
O nome foi mudado para Cabo da Boa Esperança e é esta esperança que hoje, quase sete séculos depois, vocês vão continuar a alimentar. Na mesma cidade, apesar de todas as dificuldades e perigos, contra ventos e marés, vocês conseguirão manter bem vivo o sonho português, conseguirão dobrar todas as tormentas. E eu estarei aqui, tão longe e tão perto, a torcer, a vibrar e a festejar com vocês.
Hoje, todo o Mundo perceberá quem são os guerreiros nacionais."

Jornal A Bola, 22-06-10 pp.10


Esta é uma suposta nota de incentivo enviada por Nani aos seus colegas antes do jogo com Coreia do Norte, lida hoje n'A Bola. Depois de ter lido numa entrevista - feita por email com o Público - onde entre muitas coisas, Cristiano Ronaldo compreendia o aumento de impostos por parte do Governo, não era contra o casamento homossexual ou verificar que o mesmo tem uma concepção igualitária da sociedade, tendo todos os cidadãos os mesmos direitos e deveres, eis Nani a nos brindar, com todos os seus conhecimentos de história, uma interessante e erudita nota de motivação aos seus colegas.

Confesso que tenho muito apreço pelas capacidades dos jogadores em causa e certamente nada invalida que os jogadores em causa não possam ter tais pensamentos, mas olhando ao escrito, alguém acredita que tenham sido os mesmos a redigir tais respostas ou notas? É que as demonstrações públicas dos mesmos foram no sentido contrário - vide a futilidade e deserto de opiniões, como o mostrado em programas [intragáveis] como os Incríveis.

Nada invalida que possa haver alguém com dois dedos de testa [quero vivamente acreditar que existe], debaixo do habitual protótipo: jogador com a beldade da semana, carro de alta cilindrada, a roupa parola da moda, as experiências capilares e a irreverente tatuagem. Mas também é certo que numa era onde a informação circula a nível cada vez mais rápido e profundo, onde os jogadores estão cada vez mais expostos, há limites para o RP e para a assessoria de imagem. É que em última instância, a própria imagem do jogador acaba por sair lesada.

Questão de postura.


Saramago Pop Art retirado daqui


"(...)2010 es ya, para siempre, el año de la muerte de José Saramago, pero tus libros forman un maravilloso bosque de dignidad. Y yo me abrazo al árbol para mantener tu memoria."

José Luis Rodríguez Zapatero (1ºministro espanhol num memorial no El País)


Nutrisse ou não afecto pela pessoa, Cavaco, como presidente de todos os portugueses, deveria ter estado no passado domingo, nas cerimónias fúnebres de José Saramago, um dos maiores nomes da cultura portuguesa - ainda para mais, quando até declarou dois dias de luto nacional. Ao não comparecer, Cavaco, cuja animosidade para com Saramago era deveras conhecida (e era recíproca), mostrou uma pequenez de carácter e uma falta de tacto que apenas o desprestigia.

Aqui ao lado, até o primeiro ministro espanhol, não se furtou à feitura de memorial, publicado num dos maiores jornais daquele país. Questões de postura.

2010-06-21

O bobina no ártico

A minha participação num projecto de investigação de forma polígonais com análogos terrestres (ANAPOLIS) levou-me ao arquipélago de Svalbard, acima do círculo polar ártico. O nosso blog de divulgação das campanhas de campo pode ser visitado no endereço http://svalmarte.blogspot.com/

A campanha está a correr bem embora as temperaturas baixas e o vento gelado dificultem os trabalhos. O dia constante, com o sol da meia noite é realmente uma coisa fantástica, mas baralha um bocado o nosso sistema, pois uma pessoa nunca sabe que horas é que são. Ficam algumas imagens...

O nosso trabalho de campo


            As famosas renas...a meio da tarde



    O sinal de perigo ursos polares com o sol da meia-noite.


by Pedro Vieira "roubado" daqui



2010-06-16

a global World Cup


"Hundreds of angry football fans smashed vehicles in the Bangladeshi capital after power outages interrupted live TV broadcasts of a World Cup match, police said Sunday.

The violence erupted late Saturday when the blackouts hit Dhaka's southern Saidabad district just before the match between Argentina and Nigeria (...)" in ctpost.com


One of the odd subjects in football literature that always intrigued me, was the weird relation between Bangladesh people and the football World Cup. For a country who has never qualified for any major competition and puts cricket on top of their preferences, in a western view, it may seem a little strange all this buzz and madness around the sport.

"The elimination of Cameroon also mean the end of my life" said a bangladeshi woman in a suicide note after the african team lose to England in World Cup 1990. In 1994, after Maradona was throw out for using ephedrine, "20.000 Bangladeshis marched through Dhaka chanting 'Dhaka will burn unless Maradona is allowed to play" [Simon Kuper's dixit in is aclaimed "Football Against the Enemy" p.221].

In 2006 "The Hindu", a newspaper in India, stated that in the same World Cup and for the same reason, "about a hundred fans in Bangladesh commited suicide" [Kuper and Szymanski "Why England Lose" pp.243]. I always though that all this was a little hyperbolized.

Like a myth buster, last saturday proved me that I was wrong. Curiosly, with Maradona in the bench.

I'm starting to think that "La Mano de Díos" probably is real.



Os Gêmeos no Adamastor?


imagem própria

"(...)É pequeno olhar para o graffiti como vandalismo", argumenta Gustavo, "quando temos a Grécia em convulsão ou um navio a poluir quilómetros de oceano nos EUA." E continua: "Temos tantos problemas para nos preocupar por aí. O graffiti é apenas pessoas a dizer: "Estamos aí. Queremos contribuir para a mudança. Vamos lá!(...)"

via Público


Com uma exposição a decorrer desde 20 de Maio até 17 de Setembro no CCB, Lisboa não ficou indiferente à presença desta dupla afamada - em especial para quem circula pela Fontes Pereira de Melo. Hoje ao passar pelo Adamastor deparei-me com mais um mural da dupla - pelo menos a assinatura assim indicia.

Se para muitos, a "institucionalização" e a passagem do graffitti para as galerias seja um sacrilégio - acabando por tornar algo mainstream, algo que sempre teve uma matriz contrária (a contracultura é hoje vendável e "cool") - a verdade é que essa tendência é cada vez mais evidente, havendo o aparecimento de autênticas estrelas no meio, sendo estes artistas disputados inclusivé pelas próprias cidades. Mainstream ou não, fica dada a dica. Até Setembro no CCB. Até bem mais, um pouco por toda a cidade.

2010-06-15

BP Oil Spill


imagem via indymedia.us



If It Was My Home - Visualizing the BP Oil Spill (clicar)


Definitivamente os 801 km2 do arquipélago ficariam submergidos dentro dos 6500 km2 que a mancha já atingiu.




image from here


"You are asking which is more important - Brazil or US invasion?" one Haitain fan asked asked an American reporter in 1994. "We are hungry every day. We have problems every day. The Americans talk about invading every day. But we only have the World Cup every four years."

Simon Kuper "Football Against the Enemy" pp.226




2010-06-14

2010-06-12

Já começou!

Quando o tempo e inspiração não andam pelo ar...





...Este espaço tem sido deixado um pouco ao abandono nos últimos tempos. A ver se acordamos de uma letargia, numa época em que muito acontece.

2010-06-07

Pop goes the world!

GOSSIP - POP GOES THE WORLD from V Magazine on Vimeo.



Porque hoje foi dado um passo efectivo no reconhecimento de direitos e igualdades, deixo-vos o excelente e colorido vídeo de Gossip, banda que estará no próximo Alive'10.



2010-05-24

Futebol já está à solta nos ecrãs

PROJECTO10 #10 from PROJECTO10 on Vimeo.



"A mim [Diego Armando Maradona], jogar à bola dava-me...uma paz única. E aquela sensação -a mesma, exactamente a mesma - tive-a sempre, até ao dia de hoje: dá-me uma bola e divirto-me e protesto e quero ganhar e quero jogar bem. Dá-me uma bola e deixa-me fazer o que sei, em qualquer sítio. Porque as pessoas, as pessoas são importantes, as pessoas motivam-nos, mas as pessoas não estão dentro de campo. E onde nos divertimos é no campo. E isso fazíamos em Fiorito e isso mesmo fiz sempre, estivesse a jogar em Wembley ou no Maracanã, com com cem mil pessoas presentes." Eu Sou El Diego, p.13 e 14



"Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that. "

Apresentação esta tarde na Bica. 4# dentro de horas nos écrãs!


2010-05-14

2010-05-08

Quiz XXXIX



Dolk Lundgren stencil@Leake Street, London
(via flickr)


pensamento à Oráculo do Matrix: Será que o Estado devido à visita do Papa dará amnistia às centenas de condutores cujos carros terão sido rebocados porque a vinda do Papa os tornou ilegalmente estacionados?



2010-05-07

the black hole




via Future Shorts


Qualquer semelhança entre este vídeo e a notação financeira da dívida portuguesa por parte das agências de rating é pura coincidência.



2010-05-04

Hoje adicionei um cão na minha rede de amigos no Facebook*


"É engraçado ver como o uso das palavras se vai transformando. A amizade tem-se no imaginário cultural como uma coisa que se adquire, que se trabalha. No Facebook carrega-se num botão e é-se amigo de alguém. As palavras vão ganhando contextos e contornos diferentes" João Cardoso in publico.pt


Definitivamente com a proximidade fornecida pelas redes sociais e a web 2.0, há que repensar certos conceitos. Entre os quais o de amizade, em especial o de amigo. Conheço pessoas que adicionam tudo e mais alguma coisa. Outras que não. Outras que utilizam as redes como meio de maior aquisição do dito capital social. Outras que simplesmente usam as redes como mero escape recreacional. O que acaba por ser comum nestes exemplos é verificar a diversidade significados que se atribui à palavra amizade ou ao acto de se tornar amigo numa rede social na internet.

Será que esta mutação não é assim tão linear e este post pode aparentar ser algo alarmista - dirão que as pessoas conseguiram sempre discernir entre as ditas amizades reais e as virtuais, ou não fará de todo sentido pensar que com a evolução tecnológica, certos conceitos tidos como plenamente aceites, não possam vir a ser postos em causa?

É que até já existe o termo "desamigar".


*E ainda tenho convites do Torneio de PES de Santarém (sic), de estalagens rurais, farmácias e lojas de flores da minha esquina.

2010-04-23

Será a ruptura um mero intervalo entre rotinas?

PROJECTO10 #9 from PROJECTO10 on Vimeo.


Desde domingo último nos ecrãs! Espero que gostem!




DEFECAR VIDA

Hoje Contemplo com desdém
esta pária vida.
Pois se sentido existe,
não esperais que seja na prostração!
alma insana,
Guia insaciável da inexistência.

Sobre um manto esconde-se,
o que só por si é, e devia ser,
pois não nos é permitido.

2010-04-22








É comovente.

2010-04-17

Traje de passeio e galochas


...esperemos que estas não venham a ser precisas.

2010-04-16

Sabedoria de Noé.

imagem daqui



Com tanto cataclismo, já começo a pensar em construir uma Arca.




I swear i saw little mermaid just around the corner...

image from here


Pumbaa: Hey, Timon, ever wonder what those sparkly dots are up there?
Timon: Pumbaa, I don't wonder; I know.
Pumbaa: Oh. What are they?
Timon: They're fireflies. Fireflies that, uh... got stuck up on that big bluish-black thing.
Pumbaa: Oh, gee. I always thought they were balls of gas burning billions of miles away.
Timon: Pumbaa, with you, everything's gas.



2010-04-14

Transitoriedade Perpétua

"(...)Um operador de Call Center não luta porque não quer. O emprego é visto como passageiro, uma fase triste da vida profissional que rapidamente passará. Um outro emprego na sua área irá surgir a qualquer altura e, por isso, o facto de o contrato ser de um mês ou de seis até dá força à ideia que o tédio é apenas uma curta fase passageira. Uma boa ilustração deste quadro é a felicitação unânime e efusiva dos colegas quando alguém sai, mesmo que não se saiba para onde: para pior não será, com certeza. Assim, mesmo nas mentes mais combativas, associar-se a um sindicato está fora de questão, na medida em que esse seria o passo determinante para aceitar que este é o seu «ofício». Ninguém quer adoptar essa condição e, por isso, qualquer elo de ligação é sistematicamente combatido. Todos rejeitam a identidade de «call-centristas »: ninguém estudou para isso, é socialmente visto como um dos mais desqualificados empregos dos tempos modernos e portanto humilhante.(...)" in Le Monde Diplomatique - edição portuguesa


Nas linhas de produção do séc. XXI, um estado de transitoriedade perpétua é cultivado e inculcado - os empregos são sempre vendidos como temporários, priva-se toda uma geração de explanar as suas qualificações, desconhecendo-se os efeitos futuros de toda esta situação e de toda esta insegurança vivida. Numa das sociedades mais desiguais da Europa, e tendo o 1º de Maio à porta, vale a pena ler o dossier precariedade do Le Monde Diplomatique.

2010-04-13

Rocky 10?

PROJECTO10 #8 from PROJECTO10 on Vimeo.




...ou o último Tango em Paris?

Lançamento 3# Projecto10 - Jardim do Torel, domingo dia 18 de Abril, pelas 16h.



2010-04-12

Cansado de ser pacífico?



#3 brevemente


Os partidos enquanto espaços de discussão.


quadro via Ultraperiferias



"(...)Um partido que é dialogante, aberto à pluralidade de opiniões, e à sociedade civil, defensor da moderação e da convivência pacífica entre homens de credos e raças diferentes, herdeiro da tradição universalista portuguesa que é estruturalmente avessa a qualquer tipo de xenofobia(...)" in sítio do PSD

Irónico que numas eleições directas quatripartidas, na Madeira em 11 concelhias, Rangel (escolha do Líder Supremo) tenha obtido o pleno em 8 concelhias (!?!). Bem ao estilo disto. É a pluralidade dos partidos políticos no seu melhor.

está a um pequeno caminho de se tornar numa pergunta retórica



Entro num bar no último sábado, olho para a televisão, vejo o resultado 0-1 a favor do Barça. Ingenuamente pergunto "Quem marcou o golo?"...

Para quem esteja por Ankara*...


João Tibério ou JJT cá no blogue, em Ankara a representar o país, numa exposição intercultural.


*Não, não vale o Martim Moniz.


2010-04-10

Ouvi dizer que a música ia ser boa...


...pelo que fica uma dica para esta noite. A olhar à qualidade do blog, creio que musicalmente será uma noite em cheio. Mais info aqui.


Quiz XXXVIII


Não será um paradoxo haver uma cada vez maior desigualdade numa sociedade com cada vez maior acesso à informação?


2010-04-09

Palabras de D10S



"Está num nível muito selecto, sendo o melhor do mundo e a principal figura do Barcelona", disse Maradona. "Encontra-se no caminho certo para se tornar no melhor de todos os tempos, mas essas coisas só se poderão avaliar quando ele terminar a carreira. No entanto, ficaria muito feliz se ele ganhasse o Mundial e se se tornasse o melhor da história" (in Record)


[Nota do editor: a saída de campo de Messi com a bola na mão creio que diz tudo sobre a postura do jogador. Se em criança muitas vezes adormecia com a bola - segundo relatos indicados em entrevistas - aquele abandonar de campo a bater a bola, qual criança, é bem reveladora da felicidade que o jogador sente ao jogar, atitude cada vez mais rara num futebol cada vez mais profissional. Como se de uma peladinha com amigos se tratasse. A escolher um momento da noite, escolheria definitivamente este como revelador do jogador que é, assim como a margem que tem para vir a ser bem mais.]


A descoloração revolucionária


imagem galeria Zé Dos Bois@Bairro Alto, Lisboa


Depois da falência e cisão entre os principais intervenientes da revolução laranja na Ucrânia, dos tiques nada democráticos mostrados pelos vencedores da revolução rosa na Geórgia, uma súbita anomia e anarquia acontece no Quirguistão* depondo a elite instituída pela revolução túlipa em 2005.

Recorde-se que todas estas revoluções foram assim designadas, numa óptica de não violência, como movimentos que espalhariam e trariam liberdade, democratização e efectiva luta contra a corrupção e nepotismos existentes, na senda do acontecido em 1989 com a revolução de veludo, na antiga Checoslováquia.

Ainda que fosse fácil prever este desfecho, olhando ao contexto vizinho onde o país se insere, com a deposição da elite estabelecida pela anterior revolução - devido aos mesmos motivos - pode-se questionar se não houve uma súbita descoloração democrática que afligiu a zona. Mas fará sentido pensarmos em democracia nos moldes ocidentais, quando os valores histórico-culturais do país e na zona tendencialmente os negam? Será a democracia liberal - ou seja que pressupõe um respeito mínimo pelas minorias e oposições - um valor essencialmente ocidental ou fará sentido considerá-lo um valor universal como muitas vezes assim o é retratado? Fará e trará o intrincado mosaico geopolítico alguma estabilidade à zona?


* Curiosamente o nome Quirguistão significa 40 tribos (na sua bandeira o sol representado tem 40 raios), unificadas por Manas na luta contra os calmucos, cuja história é contada no épico de Manas, o poema tradicional quirguize que data do séc. XV e tem mais de 500.000 versos. Dadas as inúmeras facções e grupos étnicos existentes no país - embora a influência turca seja imensa - acaba por ser um interessante paralelismo face à actual situação vivida.

“Stealing things is a glorious occupation, particularly in the art world.”


imagem D*Face



“A goatee-bearded art lecturer said: ‘It is better to be a flamboyant failure than any kind of benign success.’ For me, those words define punk rock.” (Malcolm Mclaren ao Guardian em Agosto passado)


Morreu ontem Malcom McLaren aos 64 anos vítima de cancro.
Provocador controverso e visionário artista ou por outro lado mero empresário manipulador que tentou tirar partido da contracultura que emergiu da década de 60 e 70, aproveitando o choque para instituir novas tendências?
Porventura a resposta certa andará algures entre estes dois conceitos, mas o seu legado é inatacável.
Considerando-se a si próprio como um artista sem portfolio, moldou e deu forma ao que convencionamos chamar Punk nas mais variadas formas, fosse através da música sendo empresário dos Sex Pistols ou no campo da moda abalando os cânones estabelecidos através do da moda pelo traço da sua então companheira Vivienne Westwood. Fiel a si próprio, nos últimos anos, ameaçou concorrer a Mayor de Londres. Uma das suas propostas? Distribuir gratuitamente álcool nas bibliotecas londrinas...



Rio de Lágrimas


foto AP via DailyMail


Depois do 20 de Fevereiro, a equidistância voltou. No entanto, não deixam de ser impressionantes os relatos e as fotos sobre a recente catástrofe que assolou a cidade maravilhosa.



2010-04-06

2010-04-04

Post-It Love

2010-04-03

marco ou areia?


a adoração das marcas by D*Face

"O iPad pode vir a ser tão revolucionário que um dia vamos olhar para trás para o seu lançamento, como um Alexander Graham Bell a falar com Watson", escrevia ontem Howard Kurtz no "Washington Post". "Ou não", acrescentava depois, com uma ponta de ironia(....)".

É hoje lançado o novo gadget da Apple. O iPad, como todos os produtos da marca da maçã, vem rotulado de "next big thing" que revolucionará e ditará as tendências para os próximos anos, envolto claro está, numa imensa campanha de marketing e apoiando-se na ansiedade e na espera da cada vez crescente horda de fãs da marca - muitos dos quais, imbuídos de uma aparente cegueira, não se importarão de gastar € em mais um gadget.

Não querendo suscitar uma fútil guerra - estilo PC e MAC - pessoalmente aparenta-me que este produto, pese toda a expectativa, aparenta-me ser um bluff isto tendo em conta todas as características messiânicas que lhe apontavam. O facto de não ser "multitasking" ou seja, não vir a permitir a realização de várias tarefas ao mesmo tempo é um grande handicap.

Por outro lado, não dispor de câmara e de outras funcionalidades é também lesivo face ao preço dado. Custará sempre mais que um normal Netbook - nicho de mercado que a Apple pretende cobrir. Aceito e acredito nos "macbelievers", que, qual proselitistas me indicam maravilhas acerca dos produtos da marca. Reconheço o melhor design e não tenho dúvidas no melhor desempenho audiovisual e gráfico do produto. Compreendo ainda que a posse dos próprios produtos, possam gerar e facultar a (falsa) noção de pertença a uma comunidade, numa espécie rebuscada de nacionalismo versão 2.0. Como se uma religião se tratasse.

Voltando ao produto, o preço aparenta-me ser excessivo. Assim como o conceito não é propriamente novo - a roupagem sim. E custa-me ver tanta alienação à volta de um produto, que antes mesmo de ser lançado já é um elevado a patamares estratosféricos - vide as previsões de vendas e o "buzz" provocado pelos crentes.

Isso leva-me a concluir que aparentemente areia possa estar a ser atirada à cara do cliente.

Mas como não quero influenciar negativamente ninguém, recupero aqui um texto do guru Paulo Querido sobre o assunto, onde se traça um breve guia do produto.

"throwing down the gauntlet"*



via irmaolucia (via Público 31-03-10 - edição impressa)



E pensar que os duelos eram coisas do passado.


Sobre manoplas - aqui.

em modo copy paste - Desbobina na Turquia

"Cultura Portuguesa em destaque em Ancara

A cultura portuguesa está e estará em destaque em Ancara nos próximos tempos, através de duas iniciativas levadas a cabo pelo leitorado de Ancara do Instituto Camões (IC). A primeira um ciclo de cinema, a segunda uma exposição de fotografia e poesia.
O I Festival de Cinema Português iniciou-se a 29 de Março e termina hoje, nas instalações do Centro Cultural e de Estudos Latino-americanos (LAMER) da Universidade de Ancara.
No primeiro dia estiveram presentes várias autoridades académicas, entre elas o Director do LAMER, o professor universitário Necati Kutlu, bem como todos os alunos de português e muitos outros interessados, para escutar o leitor do IC, Mário Tiago Paixão, falar sobre cinema português e para ver Palavra e Utopia, filme de Manoel de Oliveira com o qual se iniciou o festival.
O festival passou ainda as películas Fado, história d’uma cantadeira, de Perdigão Queiroga, Manhã Submersa, de Lauro António, Tráfico, de João Botelho, e Casa de Lava, de Pedro Costa.
Este é o primeiro festival de cinema português na capital da Turquia, mas o segundo já está a ser preparado pelo leitorado de Ancara do IC, em parceria com o LAMER.
Além do Festival de Cinema Português, será inaugurada a 12 de Abril a Exposição de Fotografia e Poesia Dos Tempos de Lisboa, da autoria de João Tibério, artista e investigador universitário, que se deslocará a Ancara para o evento.
No decorrer da visita, João Tibério conhecerá os alunos de língua portuguesa da Universidade de Ancara com os quais terá oportunidade de partilhar a sua experiência.
A exposição terá lugar na Entrada de Honra da Faculdade de Língua, História e Geografia da Universidade de Ancara entre 12 e 26 de Abril.
A acompanhar as fotografias do autor estarão em exibição poemas de Alexandre O’Neill, Ruy Belo, Ana Hatherly, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Luiza Neto Jorge, Al Berto, Casimiro de Brito, António Ramos Rosa, Manuel Alegre, M. Tiago Paixão, entre outros."

via Instituto Camões - Portugal

2010-03-31




"Even pirates, before they attack another ship, hoist a black flag"



image by Portugal Street Art

2010-03-30

constantando o óbvio (sem necessitar de ser espião secreto)


imagem via Pensar Custa




"James Bond: [looking at the tattoo on Magdas back] What is that?
Magda: Thats my little octopussy".





racionalizando o irracionável









2010-03-29

2010-03-21

50 Anos Ayrton Senna


Se fosse vivo, Ayrton Senna faria hoje 50 anos.

Para muitos é o supra-sumo dos pilotos, o verdadeiro Ídolo. Uma dessas pessoas é o Pedro Lamy, um dos melhores pilotos de circuitos do mundo, com um palmarés simplesmente invejavel. Abaixo fica uma transcrição retirada do autosport.pt sobre um "pequeno" episodio que se passou com Senna:

"Corria o ano de 1993 e, um belo dia de finais de Agosto, Pedro Lamy foi convidado para substituir o infeliz Alex Zanardi, acidentado em Spa, no "cockpit" do Lotus. Nesse ano, Lamy estava a discutir o Campeonato Internacional de F3000, com pilotos como David Coulthard, Olivier Panis ou Gil de Ferran.

O piloto recorda-se muito bem do que depois sucedeu:

"Estava eu em Inglaterra com o Domingos Piedade e ele passa-me o telefone. Foi pouco antes do meu primeiro teste com o Lotus. "Toma, é o Ayrton. Fala com ele." Eu peguei no telefone e comecei a falar. Já tinha conversado com ele uma vez, assim de fugida. Mas uma coisa é fazê-lo por acaso, numa pista, e outra estar ali, com ele a falar comigo, mesmo por telefone, a explicar-me como deveria fazer as coisas. Era uma sensação estranha, ele estar do outro lado da linha, a dar-me conselhos. Eu nem queria acreditar: falava e depois afastava o telefone e olhava para ele, incrédulo. "Mas é mesmo ele?" - pensava, enquanto o escutava a dizer-me como se conduzia um F1. Afinal, sempre era o Ayrton, do outro lado, o meu ídolo, o grande piloto, o eterno Senna..." "

2010-03-18

Lounge Against the Machine




Ou como Richard Cheese nos põe verdadeiramente a questionar o conceito de alternativo. Simplesmente genial. O Manuel João Vieira americano. Cheese também em modo Prodigy, Blink, Nirvana, Radiohead, System, Guns, Oasis ou com o seu melhor falsete em modo Beyoncé (recomendado - incorporação estava interdita).



...



imagem: Erosie via Toki Wiki


Está bem perto do fim, a experiência [meramente trivial e sem qualquer tipo de pretensão científica] começada por mim há cerca de dois dias. Depois darei conta do objecto da mesma e da conclusão a que cheguei.


constatando o óbvio




"Football is not merely a small business. It's also a bad one. Anyone who spends any time inside football soon discovers that just as oil is part of the oil business, stupidity is part of the football business."


Porque eu, nos meus tempos de petiz, fui igualmente um fiel coleccionador de cromos da bola...



...de repente recordo com muita nostalgia, a colecção do USA'94.


vídeo via irmaolucia

2010-03-17

Páginas das páginas

Porque há crónicas deliciosas.

Páginas das páginas
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1

Sensação de esquecimento, de ausência - o bode corre. De repente, volto ao mundo sem que nenhum movimento do mundo me tivesse solicitado. Sol brilhante, céu azul, tantos homens. O mesmo cansaço. Sinto que fiz uma pequena experiência de morrer.

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2

Repouso a cabeça no teu peito, ao som do mar descem as nuvens do céu para me cobrir. Nem um sofrimento mais! Um sono fecha-me as pálpebras, como se borboleta fosse, que dormisse.

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3
Quando chega a noite, bem noite, na casa os móveis dormem. Quando dormem os tapetes, os discos, as louças e os quadros na parede. Quando só o relógio e a geladeira elétrica trabalham e só as baratas tem vida, aí a mão, cheirando a cigarro, abre cansada, em qualquer página ainda em branco, o escondido diário...

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4
Não encontro outro descanso senão nos teus olhos. E não é a mocidade que eu vejo brilhando no fundo dos teus olhos de vinte anos - é a eternidade.

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5
Não sei se ela tão fina, tão penetrante, compreendeu a minha agonia. A tarde era opalina e eu me sentia transparente como a água azul da piscina que olhávamos. Pelas alegrias da vida pagamos tão caro, que não sei se seria melhor que fossemos sempre infelizes.

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6
Debussy derrama-se na sala como véu de luar. Os corpos se diluem, meu corpo deixa de existir, é impalpável, torna-se poeira de amor e compreensão das coisas impalpáveis e eternas.

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7
O corpo branco no domingo branco. O pensamento branco como página para escrever.
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Na praia
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I
Se o vento zumbe terrível (como agora sobre as salinas), não recriminemos o vento - ele desempenha o seu papel. Desempenhemos os nossos papéis. Eis tudo. Quantas vezes já não fomos ventos devastadores na vida das criaturas? Quantas ruínas já não deixamos atrás de nós?
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II
Como um gorgeio, através do tabique:
- Eu queria ser formiguinha para entrar no quarto deles e ouvir o que estão dizendo. Dizendo ou fazendo.
A outra moça ri.

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III
Eis uma coisa que Nicolau ainda não compreendeu - o céu pode ser realmente verde.

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IV
Era mansa, discreta e distraída.
(Comoção de um minuto ao vosso lado!)

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V
E o mancebo matou o dragão, casou-se com a filha do rei e viveu sempre pensando, com arrependimento, no dragão.

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VI
As limitações levantam-se como cercas de espinhos, boa parte delas gerada por nós próprios, servos inconscientes de obsoletos códigos.
A que heroísmos nos impulsionam! Em que depressões nos afundam!
Para as palpitações e dores nas pernas, a ciência, consultada sob a forma pouco sutil de Gasparini, responde: são estrepolias do vago.

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VII
Ela haveria de gostar desta solidão em que me afundei (o rio é largo e melancólico), solidão tão profunda que até me esqueci da cor dos seus cabelos. Há uma serenidade tão grande em tudo, que a alma da gente parece que se decanta, e, ao cabo desta semana que nos separa, sinto no fundo de mim uma grossa camada de lama que andava misturada com meus pensamentos e os meus atos.

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Pedaços da noite
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1
Através do vidro da mesa vejo meus pés nus, estou nu, no calor imenso. As veias estão no seu limite, diz o médico - nada de fumo.
Acendo outro cigarro, traço o meu uísque - vem um vento quente e afaga a pele como se fosse carícia de Aldina, perdida na juventude nua.

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2
A vitória do grande escritor consiste em nunca ter escrito. Promete uma novela, ora biográfica, ora fantástica, o herói ora sendo homem, ora sendo flor.

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3
Não guardo meus defeitos para a intimidade.

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4
Foi um baque surdo às seis horas da tarde chuviscando. O velho ficou estendido no asfalto como um saco mal cheio. O automóvel apagou as lanternas e sumiu.

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5
Neste último ano, a única pessoa que me empregou a palavra "estética" foi o meu barbeiro, a propósito de bigodes.

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6
O que mais temo: o total aniquilamento. Não pelo aniquilamento, mas pelo horror ao efêmero.

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7
Júlia no fim da linha, que é como o fim do mundo:
- Não vejo a tua carinha hoje?
Uma hora depois estava esticado na poltrona amarela. Gosto de ouvi-la, como se ouve uma cascata - vem uma frescura de ninfa em cada palavra mesmo pornográfica.

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8
A janela está aberta. E eu aflito para que venha no vento, que arrepia as cortinas, as olvidadas recordações de infância, cujo mistério nunca pode ser de todo desvendado, recordações de amor - noites de amor ardentes ou calmas - recordações dos perigos passados, a morte iminente! - recordações das mentiras e medos esquecidos.

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9
Nada está direito. A vida é insuportável. Mas devemos calar.

Marques Rabelo

2010-03-15

Quando o 13 passa a 14...




...ou como a questão dos fusos horários são miudezas nada comparáveis com os desígnios etéreos.



Perceberam alguma coisa? Ele aparentemente sim. Projecto10 #2 dedicado ao Sagrado já nos ecrãs!




imagem: James Cauty (retirado de kunstterrorist)



a ironia e a lógica eucaliptal



imagem: Banksy


Defina ironia: Um partido que insiste na tese da "asfixia democrática" e da "falta de liberdade de expressão" no país, mas que não se coíbe de aprovar sanções graves a militantes como a expulsão a militantes que integrem listas concorrentes ao partido ou a figuras por ele apoiadas, assim como sanciona igualmente críticas internas ditas nos 60 dias anteriores a eleições.

Por muito que seja necessária coesão e por muito que uma organização partidária obedeça a vínculos norteados pela lealdade (embora este PSD seja um partido deveras "sui generis", estando muito fraccionado e admitindo no seu seio uma vasta amplitude de convicções ideológicas, que estão ligadas entre si por ténues ligações), o papel dos partidos e organizações políticas, enquanto sustentáculo do regime democrático português, ficam gravemente feridos, com esta imposição de uma autêntica lei da rolha que impede a concretização do objectivo máximo que deveria nortear uma organização desta natureza: ser um espaço de debate e discussão.

Receio que, com a institucionalização de práticas deste género - que informalmente sempre existiram - se dê cada vez mais força ao descrédito já existente por parte da sociedade nestas organizações, fechando estas à generalidade da sociedade, numa autêntica lógica eucaliptal.

Em situações extremas, poderia significar o rejeitar de uma lógica ou matriz democrática - com todas as imperfeições que tem, é na verdade o menos imperfeito dos sistemas - assim como legitimar por parte da sociedade, de soluções mais musculadas que facilmente poderia redundar numa consequente limitação efectiva de liberdade. "History repeats itself". Faz-vos lembrar algo?



the economic crisis for beginners

2010-03-13

Profano?



imagem via artsblog.it



Número #2 dentro de momentos!

Growing older



imagem: via Pensar Custa


Mais uma data passou. Já vai sendo tempo de deixar para trás o lugar na cómoda plateia, assumindo e domando o desconhecido palco.



Exit Through The Gift Shop



"(...)What will he do next?

“A good question. I was planning on making some huge paintings about sleepwalking our way towards the apocalypse, but I ended up going to the pub and getting some crisps."(...)"

Banksy in first person to the The Sunday Times








quando a comédia satiriza com o sério






quando o sério se torna comédia



Num terço existem 53 contas pequenas que equivalem a 53 avé Marias...

PROJECTO10 #6 from PROJECTO10 on Vimeo.



...no Projecto10, teremos 10 números que equivalerão a 10 temas.

As múltiplas faces do Sagrado, na edição #2 (online hoje)!




2010-03-09






Céu, Purgatório ou Inferno?

brevemente

Think Tanksy



2010-03-06

A palavra impossível


Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra da verdade.

Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce -
A Palavra que nunca se profere.

Adolfo Casais Monteiro

2010-03-05

num elogio (d)à Loucura



"(...)Alberto João Jardim disse ainda que defendeu a realização deste congresso por achar "que é preciso o PSD esclarecer muita coisa sobre a sua natureza: é um partido de esquerda, de centro ou de direita? Temos de esclarecer, para mim é de centro. É uma social democracia de tendência socialista, como as nórdicas, ou é de tendência de centro de raiz mais social cristã baseada no personalismo da doutrina social de Igreja católica? Federalista europeu ou de primado nacional? Quer a regionalização do continente ou não? Aceita maior autonomia para Açores e Madeira? Admite rever a Constituição ou quer ser situacionista? Estas questões têm de ser discutidas dentro do PSD, porque a confusão que vai dentro do partido sob o ponto de vista doutrinário é total”.

in público.pt

Num dos raros momentos de concordância (dado o meu distanciamento ideológico), torna-se engraçado constatar que Jardim, muitas vezes catalogado (e com razão) de desbocado e inconsequente pelos seus próprios pares partidários, acaba por ser dos poucos que diz que há muito era visível: mais que discutir líderes, sem uma definição ideológica, o PSD nunca poderá almejar vir a ser uma verdadeira alternativa, prolongando o habitual paradigma de alternância (já algo gasto e decadente olhando às recentes notícias surgidas nos media, algo que começa a transparecer para o público - basta olhar a notícias recentes ou ler as conclusões recente estudo de André Freire, José Manuel Viegas e Filipa Seiceira - corporizado num livro recentemente lançado, que adquiri ontem) , ficando o dito partido refém que o outro partido de poder caia em desgraça. Apenas sugere razão a quem indica que em Portugal, não se ganham eleições. O outro lado é que as perde.