Esta semana, um madeirense que vive em Lisboa, foi ao Porto apanhar o avião para Faro.
2010-07-03
mobilidade ao cubo
Esta semana, um madeirense que vive em Lisboa, foi ao Porto apanhar o avião para Faro.
2010-07-02
2010-06-24
Os putos já estão condenados.

"These kid's don't known they're working class; they won't known that until they leave school and realize that that the dreams they've nurtered throught childhood can't come true."
The Spirit Level - Why Equality is Better for Everyone (Wilkinson & Pickett) Penguin Books pp.117
Ironia como num raio de 200 metros numa das zonas de maior expansão imobiliária de Lisboa, temos um dos colégios mais selectos do país - segundo consta, a lista de admissão é praticamente impenetrável - temos uma escola pública num bairro degradado, com parcas condições para não dizer deploráveis, e no meio, entre as duas numa mera distância de menos de 100 metros, temos com um antigo armazém degradado que serve de abrigo a toxicodependentes que ali livremente se deslocam e pernoitam, havendo pouca ajuda disponível (pelo menos a nível visível) para reabilitá-los. Isto acontece em plena Lisboa (não vou nomear o sítio), mas poderia acontecer em qualquer parte do país.
Estive hoje na tal escola do bairro carenciado, pese toda a disponibilidade e boa vontade evidenciada pelos auxiliares e membros de ATL, ao olhar para aquelas crianças e ao ver aos seus pais, a primeira ideia que me ocorreu foi precisamente o título que pontua este texto.
O contexto social, a disponibilidade financeira dos pais, o grau de confiança existente na comunidade onde a criança interage e os estímulos que a mesma recebe, são tudo factores que influem no desenvolvimento das crianças, tendo um real impacto nas sua vidas adultas.
Sociedade altamente desiguais como a nossa, apenas estimulam e agravam estas disparidades, contruíndo uma abstracção de sociedade onde uma parte vive numa espécie de redoma de vidro longe de todas as adversidades, dentro dos seus condomínios e uma outra parte vive em quase estado de sítio, em contextos onde a confiança e segurança não abundam, repercutindo-se isso numa espécie de ciclo vicioso que afecta todos os aspectos da vida, afectando e quebrando os naturais e solidários laços que uma saudável sociedade deve possuir.
Um pensamento a ter em conta, quando num contexto de crise, são propagados argumentos populistas e demagógicos, como cortes em programas estatais no campo da assistência e na correcção de assimetrias existentes, numa pura lógica economicista sem olhar aos efeitos que tal medidas faria.
O ataque às consequência e não às causas, como p.e. os argumentos securitária e autoritários muitas vezes implicam, é outra característica da opção por lógicas suicidas a curto-prazo que nada farão se o problema não for abordado na sua raiz e numa lógica a longo-prazo.
Até porque as consequências advindas de uma sociedade mais desigual, não só afectaram os estratos mais baixos dessa mesma comunidade, como afectaram todos os outros, diminuindo a qualidade de vida, tornando menos solidária e confiante toda a sociedade (mais desconfiada e menos altruísta) e tornando em última instância, mais onerosa para o Estado a manutenção de certas operações vistas como essenciais (segurança, custos com saúde, etc.).
A redução desta disparidades, deveria ser assim vista como prioridade máxima.
Assim de repente, depois deste texto e sabendo-se as terríveis disparidades no nosso país - assim como a lógica adoptada, afinal de contas não constituirá assim tão grande ironia a existência destas contradições num curto raio de espaço. Isso é algo que uma grande parte da nossa classe dirigente ainda não se deu conta. Fazia bem saírem da redoma de vidro de vez em quando.
2010-06-23
os limites de RP
O nome foi mudado para Cabo da Boa Esperança e é esta esperança que hoje, quase sete séculos depois, vocês vão continuar a alimentar. Na mesma cidade, apesar de todas as dificuldades e perigos, contra ventos e marés, vocês conseguirão manter bem vivo o sonho português, conseguirão dobrar todas as tormentas. E eu estarei aqui, tão longe e tão perto, a torcer, a vibrar e a festejar com vocês.
Hoje, todo o Mundo perceberá quem são os guerreiros nacionais."
Jornal A Bola, 22-06-10 pp.10
Confesso que tenho muito apreço pelas capacidades dos jogadores em causa e certamente nada invalida que os jogadores em causa não possam ter tais pensamentos, mas olhando ao escrito, alguém acredita que tenham sido os mesmos a redigir tais respostas ou notas? É que as demonstrações públicas dos mesmos foram no sentido contrário - vide a futilidade e deserto de opiniões, como o mostrado em programas [intragáveis] como os Incríveis.
Nada invalida que possa haver alguém com dois dedos de testa [quero vivamente acreditar que existe], debaixo do habitual protótipo: jogador com a beldade da semana, carro de alta cilindrada, a roupa parola da moda, as experiências capilares e a irreverente tatuagem. Mas também é certo que numa era onde a informação circula a nível cada vez mais rápido e profundo, onde os jogadores estão cada vez mais expostos, há limites para o RP e para a assessoria de imagem. É que em última instância, a própria imagem do jogador acaba por sair lesada.
Questão de postura.

Saramago Pop Art retirado daqui
José Luis Rodríguez Zapatero (1ºministro espanhol num memorial no El País)
Aqui ao lado, até o primeiro ministro espanhol, não se furtou à feitura de memorial, publicado num dos maiores jornais daquele país. Questões de postura.
2010-06-21
O bobina no ártico
A campanha está a correr bem embora as temperaturas baixas e o vento gelado dificultem os trabalhos. O dia constante, com o sol da meia noite é realmente uma coisa fantástica, mas baralha um bocado o nosso sistema, pois uma pessoa nunca sabe que horas é que são. Ficam algumas imagens...
As famosas renas...a meio da tarde
O sinal de perigo ursos polares com o sol da meia-noite.

by Pedro Vieira "roubado" daqui
2010-06-16
a global World Cup
The violence erupted late Saturday when the blackouts hit Dhaka's southern Saidabad district just before the match between Argentina and Nigeria (...)" in ctpost.com
"The elimination of Cameroon also mean the end of my life" said a bangladeshi woman in a suicide note after the african team lose to England in World Cup 1990. In 1994, after Maradona was throw out for using ephedrine, "20.000 Bangladeshis marched through Dhaka chanting 'Dhaka will burn unless Maradona is allowed to play" [Simon Kuper's dixit in is aclaimed "Football Against the Enemy" p.221].
In 2006 "The Hindu", a newspaper in India, stated that in the same World Cup and for the same reason, "about a hundred fans in Bangladesh commited suicide" [Kuper and Szymanski "Why England Lose" pp.243]. I always though that all this was a little hyperbolized.
Like a myth buster, last saturday proved me that I was wrong. Curiosly, with Maradona in the bench.
I'm starting to think that "La Mano de Díos" probably is real.
Os Gêmeos no Adamastor?
via Público
Com uma exposição a decorrer desde 20 de Maio até 17 de Setembro no CCB, Lisboa não ficou indiferente à presença desta dupla afamada - em especial para quem circula pela Fontes Pereira de Melo. Hoje ao passar pelo Adamastor deparei-me com mais um mural da dupla - pelo menos a assinatura assim indicia.
Se para muitos, a "institucionalização" e a passagem do graffitti para as galerias seja um sacrilégio - acabando por tornar algo mainstream, algo que sempre teve uma matriz contrária (a contracultura é hoje vendável e "cool") - a verdade é que essa tendência é cada vez mais evidente, havendo o aparecimento de autênticas estrelas no meio, sendo estes artistas disputados inclusivé pelas próprias cidades. Mainstream ou não, fica dada a dica. Até Setembro no CCB. Até bem mais, um pouco por toda a cidade.
2010-06-15
BP Oil Spill

imagem via indymedia.us
If It Was My Home - Visualizing the BP Oil Spill (clicar)
Definitivamente os 801 km2 do arquipélago ficariam submergidos dentro dos 6500 km2 que a mancha já atingiu.

"You are asking which is more important - Brazil or US invasion?" one Haitain fan asked asked an American reporter in 1994. "We are hungry every day. We have problems every day. The Americans talk about invading every day. But we only have the World Cup every four years."
Simon Kuper "Football Against the Enemy" pp.226
2010-06-14
2010-06-12
Quando o tempo e inspiração não andam pelo ar...

...Este espaço tem sido deixado um pouco ao abandono nos últimos tempos. A ver se acordamos de uma letargia, numa época em que muito acontece.
2010-06-07
Pop goes the world!
GOSSIP - POP GOES THE WORLD from V Magazine on Vimeo.
Porque hoje foi dado um passo efectivo no reconhecimento de direitos e igualdades, deixo-vos o excelente e colorido vídeo de Gossip, banda que estará no próximo Alive'10.
2010-05-24
Futebol já está à solta nos ecrãs
PROJECTO10 #10 from PROJECTO10 on Vimeo.
"A mim [Diego Armando Maradona], jogar à bola dava-me...uma paz única. E aquela sensação -a mesma, exactamente a mesma - tive-a sempre, até ao dia de hoje: dá-me uma bola e divirto-me e protesto e quero ganhar e quero jogar bem. Dá-me uma bola e deixa-me fazer o que sei, em qualquer sítio. Porque as pessoas, as pessoas são importantes, as pessoas motivam-nos, mas as pessoas não estão dentro de campo. E onde nos divertimos é no campo. E isso fazíamos em Fiorito e isso mesmo fiz sempre, estivesse a jogar em Wembley ou no Maracanã, com com cem mil pessoas presentes." Eu Sou El Diego, p.13 e 14
2010-05-14
2010-05-08
Quiz XXXIX
2010-05-07
the black hole
via Future Shorts
Qualquer semelhança entre este vídeo e a notação financeira da dívida portuguesa por parte das agências de rating é pura coincidência.
2010-05-04
Hoje adicionei um cão na minha rede de amigos no Facebook*

Definitivamente com a proximidade fornecida pelas redes sociais e a web 2.0, há que repensar certos conceitos. Entre os quais o de amizade, em especial o de amigo. Conheço pessoas que adicionam tudo e mais alguma coisa. Outras que não. Outras que utilizam as redes como meio de maior aquisição do dito capital social. Outras que simplesmente usam as redes como mero escape recreacional. O que acaba por ser comum nestes exemplos é verificar a diversidade significados que se atribui à palavra amizade ou ao acto de se tornar amigo numa rede social na internet.
Será que esta mutação não é assim tão linear e este post pode aparentar ser algo alarmista - dirão que as pessoas conseguiram sempre discernir entre as ditas amizades reais e as virtuais, ou não fará de todo sentido pensar que com a evolução tecnológica, certos conceitos tidos como plenamente aceites, não possam vir a ser postos em causa?
É que até já existe o termo "desamigar".
*E ainda tenho convites do Torneio de PES de Santarém (sic), de estalagens rurais, farmácias e lojas de flores da minha esquina.
2010-04-23
2010-04-22
2010-04-17
Traje de passeio e galochas
2010-04-16
Sabedoria de Noé.
I swear i saw little mermaid just around the corner...
image from hereTimon: Pumbaa, I don't wonder; I know.
Pumbaa: Oh. What are they?
Timon: They're fireflies. Fireflies that, uh... got stuck up on that big bluish-black thing.
Pumbaa: Oh, gee. I always thought they were balls of gas burning billions of miles away.
Timon: Pumbaa, with you, everything's gas.
2010-04-14
Transitoriedade Perpétua

imagem via Portugal Street Art Pool
Nas linhas de produção do séc. XXI, um estado de transitoriedade perpétua é cultivado e inculcado - os empregos são sempre vendidos como temporários, priva-se toda uma geração de explanar as suas qualificações, desconhecendo-se os efeitos futuros de toda esta situação e de toda esta insegurança vivida. Numa das sociedades mais desiguais da Europa, e tendo o 1º de Maio à porta, vale a pena ler o dossier precariedade do Le Monde Diplomatique.
2010-04-13
Rocky 10?
PROJECTO10 #8 from PROJECTO10 on Vimeo.
...ou o último Tango em Paris?
Lançamento 3# Projecto10 - Jardim do Torel, domingo dia 18 de Abril, pelas 16h.
2010-04-12
Os partidos enquanto espaços de discussão.

quadro via Ultraperiferias
está a um pequeno caminho de se tornar numa pergunta retórica

Para quem esteja por Ankara*...

*Não, não vale o Martim Moniz.
2010-04-10
Quiz XXXVIII

2010-04-09
Palabras de D10S
[Nota do editor: a saída de campo de Messi com a bola na mão creio que diz tudo sobre a postura do jogador. Se em criança muitas vezes adormecia com a bola - segundo relatos indicados em entrevistas - aquele abandonar de campo a bater a bola, qual criança, é bem reveladora da felicidade que o jogador sente ao jogar, atitude cada vez mais rara num futebol cada vez mais profissional. Como se de uma peladinha com amigos se tratasse. A escolher um momento da noite, escolheria definitivamente este como revelador do jogador que é, assim como a margem que tem para vir a ser bem mais.]
A descoloração revolucionária

Recorde-se que todas estas revoluções foram assim designadas, numa óptica de não violência, como movimentos que espalhariam e trariam liberdade, democratização e efectiva luta contra a corrupção e nepotismos existentes, na senda do acontecido em 1989 com a revolução de veludo, na antiga Checoslováquia.
Ainda que fosse fácil prever este desfecho, olhando ao contexto vizinho onde o país se insere, com a deposição da elite estabelecida pela anterior revolução - devido aos mesmos motivos - pode-se questionar se não houve uma súbita descoloração democrática que afligiu a zona. Mas fará sentido pensarmos em democracia nos moldes ocidentais, quando os valores histórico-culturais do país e na zona tendencialmente os negam? Será a democracia liberal - ou seja que pressupõe um respeito mínimo pelas minorias e oposições - um valor essencialmente ocidental ou fará sentido considerá-lo um valor universal como muitas vezes assim o é retratado? Fará e trará o intrincado mosaico geopolítico alguma estabilidade à zona?
* Curiosamente o nome Quirguistão significa 40 tribos (na sua bandeira o sol representado tem 40 raios), unificadas por Manas na luta contra os calmucos, cuja história é contada no épico de Manas, o poema tradicional quirguize que data do séc. XV e tem mais de 500.000 versos. Dadas as inúmeras facções e grupos étnicos existentes no país - embora a influência turca seja imensa - acaba por ser um interessante paralelismo face à actual situação vivida.
“Stealing things is a glorious occupation, particularly in the art world.”
Provocador controverso e visionário artista ou por outro lado mero empresário manipulador que tentou tirar partido da contracultura que emergiu da década de 60 e 70, aproveitando o choque para instituir novas tendências?
Porventura a resposta certa andará algures entre estes dois conceitos, mas o seu legado é inatacável.
Considerando-se a si próprio como um artista sem portfolio, moldou e deu forma ao que convencionamos chamar Punk nas mais variadas formas, fosse através da música sendo empresário dos Sex Pistols ou no campo da moda abalando os cânones estabelecidos através do da moda pelo traço da sua então companheira Vivienne Westwood. Fiel a si próprio, nos últimos anos, ameaçou concorrer a Mayor de Londres. Uma das suas propostas? Distribuir gratuitamente álcool nas bibliotecas londrinas...
Rio de Lágrimas

Depois do 20 de Fevereiro, a equidistância voltou. No entanto, não deixam de ser impressionantes os relatos e as fotos sobre a recente catástrofe que assolou a cidade maravilhosa.
2010-04-06
2010-04-04
2010-04-03
marco ou areia?

É hoje lançado o novo gadget da Apple. O iPad, como todos os produtos da marca da maçã, vem rotulado de "next big thing" que revolucionará e ditará as tendências para os próximos anos, envolto claro está, numa imensa campanha de marketing e apoiando-se na ansiedade e na espera da cada vez crescente horda de fãs da marca - muitos dos quais, imbuídos de uma aparente cegueira, não se importarão de gastar € em mais um gadget.
Não querendo suscitar uma fútil guerra - estilo PC e MAC - pessoalmente aparenta-me que este produto, pese toda a expectativa, aparenta-me ser um bluff isto tendo em conta todas as características messiânicas que lhe apontavam. O facto de não ser "multitasking" ou seja, não vir a permitir a realização de várias tarefas ao mesmo tempo é um grande handicap.
Por outro lado, não dispor de câmara e de outras funcionalidades é também lesivo face ao preço dado. Custará sempre mais que um normal Netbook - nicho de mercado que a Apple pretende cobrir. Aceito e acredito nos "macbelievers", que, qual proselitistas me indicam maravilhas acerca dos produtos da marca. Reconheço o melhor design e não tenho dúvidas no melhor desempenho audiovisual e gráfico do produto. Compreendo ainda que a posse dos próprios produtos, possam gerar e facultar a (falsa) noção de pertença a uma comunidade, numa espécie rebuscada de nacionalismo versão 2.0. Como se uma religião se tratasse.
Voltando ao produto, o preço aparenta-me ser excessivo. Assim como o conceito não é propriamente novo - a roupagem sim. E custa-me ver tanta alienação à volta de um produto, que antes mesmo de ser lançado já é um elevado a patamares estratosféricos - vide as previsões de vendas e o "buzz" provocado pelos crentes.
Isso leva-me a concluir que aparentemente areia possa estar a ser atirada à cara do cliente.
Mas como não quero influenciar negativamente ninguém, recupero aqui um texto do guru Paulo Querido sobre o assunto, onde se traça um breve guia do produto.
"throwing down the gauntlet"*

via irmaolucia (via Público 31-03-10 - edição impressa)
E pensar que os duelos eram coisas do passado.
Sobre manoplas - aqui.
em modo copy paste - Desbobina na Turquia
"Cultura Portuguesa em destaque em AncaraA cultura portuguesa está e estará em destaque em Ancara nos próximos tempos, através de duas iniciativas levadas a cabo pelo leitorado de Ancara do Instituto Camões (IC). A primeira um ciclo de cinema, a segunda uma exposição de fotografia e poesia.
O I Festival de Cinema Português iniciou-se a 29 de Março e termina hoje, nas instalações do Centro Cultural e de Estudos Latino-americanos (LAMER) da Universidade de Ancara.
No primeiro dia estiveram presentes várias autoridades académicas, entre elas o Director do LAMER, o professor universitário Necati Kutlu, bem como todos os alunos de português e muitos outros interessados, para escutar o leitor do IC, Mário Tiago Paixão, falar sobre cinema português e para ver Palavra e Utopia, filme de Manoel de Oliveira com o qual se iniciou o festival.
O festival passou ainda as películas Fado, história d’uma cantadeira, de Perdigão Queiroga, Manhã Submersa, de Lauro António, Tráfico, de João Botelho, e Casa de Lava, de Pedro Costa.
Este é o primeiro festival de cinema português na capital da Turquia, mas o segundo já está a ser preparado pelo leitorado de Ancara do IC, em parceria com o LAMER.
Além do Festival de Cinema Português, será inaugurada a 12 de Abril a Exposição de Fotografia e Poesia Dos Tempos de Lisboa, da autoria de João Tibério, artista e investigador universitário, que se deslocará a Ancara para o evento.
No decorrer da visita, João Tibério conhecerá os alunos de língua portuguesa da Universidade de Ancara com os quais terá oportunidade de partilhar a sua experiência.
A exposição terá lugar na Entrada de Honra da Faculdade de Língua, História e Geografia da Universidade de Ancara entre 12 e 26 de Abril.
A acompanhar as fotografias do autor estarão em exibição poemas de Alexandre O’Neill, Ruy Belo, Ana Hatherly, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Luiza Neto Jorge, Al Berto, Casimiro de Brito, António Ramos Rosa, Manuel Alegre, M. Tiago Paixão, entre outros."
via Instituto Camões - Portugal
2010-03-31
2010-03-30
racionalizando o irracionável
2010-03-29
sinestesia
2010-03-21
50 Anos Ayrton Senna
Se fosse vivo, Ayrton Senna faria hoje 50 anos.
Para muitos é o supra-sumo dos pilotos, o verdadeiro Ídolo. Uma dessas pessoas é o Pedro Lamy, um dos melhores pilotos de circuitos do mundo, com um palmarés simplesmente invejavel. Abaixo fica uma transcrição retirada do autosport.pt sobre um "pequeno" episodio que se passou com Senna:
"Corria o ano de 1993 e, um belo dia de finais de Agosto, Pedro Lamy foi convidado para substituir o infeliz Alex Zanardi, acidentado em Spa, no "cockpit" do Lotus. Nesse ano, Lamy estava a discutir o Campeonato Internacional de F3000, com pilotos como David Coulthard, Olivier Panis ou Gil de Ferran.
O piloto recorda-se muito bem do que depois sucedeu:
"Estava eu em Inglaterra com o Domingos Piedade e ele passa-me o telefone. Foi pouco antes do meu primeiro teste com o Lotus. "Toma, é o Ayrton. Fala com ele." Eu peguei no telefone e comecei a falar. Já tinha conversado com ele uma vez, assim de fugida. Mas uma coisa é fazê-lo por acaso, numa pista, e outra estar ali, com ele a falar comigo, mesmo por telefone, a explicar-me como deveria fazer as coisas. Era uma sensação estranha, ele estar do outro lado da linha, a dar-me conselhos. Eu nem queria acreditar: falava e depois afastava o telefone e olhava para ele, incrédulo. "Mas é mesmo ele?" - pensava, enquanto o escutava a dizer-me como se conduzia um F1. Afinal, sempre era o Ayrton, do outro lado, o meu ídolo, o grande piloto, o eterno Senna..." "
2010-03-18
Lounge Against the Machine
Ou como Richard Cheese nos põe verdadeiramente a questionar o conceito de alternativo. Simplesmente genial. O Manuel João Vieira americano. Cheese também em modo Prodigy, Blink, Nirvana, Radiohead, System, Guns, Oasis ou com o seu melhor falsete em modo Beyoncé (recomendado - incorporação estava interdita).
...

constatando o óbvio
2010-03-17
Páginas das páginas
Páginas das páginas
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1
Sensação de esquecimento, de ausência - o bode corre. De repente, volto ao mundo sem que nenhum movimento do mundo me tivesse solicitado. Sol brilhante, céu azul, tantos homens. O mesmo cansaço. Sinto que fiz uma pequena experiência de morrer.
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2
Repouso a cabeça no teu peito, ao som do mar descem as nuvens do céu para me cobrir. Nem um sofrimento mais! Um sono fecha-me as pálpebras, como se borboleta fosse, que dormisse.
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3
Quando chega a noite, bem noite, na casa os móveis dormem. Quando dormem os tapetes, os discos, as louças e os quadros na parede. Quando só o relógio e a geladeira elétrica trabalham e só as baratas tem vida, aí a mão, cheirando a cigarro, abre cansada, em qualquer página ainda em branco, o escondido diário...
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4
Não encontro outro descanso senão nos teus olhos. E não é a mocidade que eu vejo brilhando no fundo dos teus olhos de vinte anos - é a eternidade.
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5
Não sei se ela tão fina, tão penetrante, compreendeu a minha agonia. A tarde era opalina e eu me sentia transparente como a água azul da piscina que olhávamos. Pelas alegrias da vida pagamos tão caro, que não sei se seria melhor que fossemos sempre infelizes.
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6
Debussy derrama-se na sala como véu de luar. Os corpos se diluem, meu corpo deixa de existir, é impalpável, torna-se poeira de amor e compreensão das coisas impalpáveis e eternas.
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7
O corpo branco no domingo branco. O pensamento branco como página para escrever.
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Na praia
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I
Se o vento zumbe terrível (como agora sobre as salinas), não recriminemos o vento - ele desempenha o seu papel. Desempenhemos os nossos papéis. Eis tudo. Quantas vezes já não fomos ventos devastadores na vida das criaturas? Quantas ruínas já não deixamos atrás de nós?
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II
Como um gorgeio, através do tabique:
- Eu queria ser formiguinha para entrar no quarto deles e ouvir o que estão dizendo. Dizendo ou fazendo.
A outra moça ri.
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III
Eis uma coisa que Nicolau ainda não compreendeu - o céu pode ser realmente verde.
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IV
Era mansa, discreta e distraída.
(Comoção de um minuto ao vosso lado!)
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V
E o mancebo matou o dragão, casou-se com a filha do rei e viveu sempre pensando, com arrependimento, no dragão.
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VI
As limitações levantam-se como cercas de espinhos, boa parte delas gerada por nós próprios, servos inconscientes de obsoletos códigos.
A que heroísmos nos impulsionam! Em que depressões nos afundam!
Para as palpitações e dores nas pernas, a ciência, consultada sob a forma pouco sutil de Gasparini, responde: são estrepolias do vago.
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VII
Ela haveria de gostar desta solidão em que me afundei (o rio é largo e melancólico), solidão tão profunda que até me esqueci da cor dos seus cabelos. Há uma serenidade tão grande em tudo, que a alma da gente parece que se decanta, e, ao cabo desta semana que nos separa, sinto no fundo de mim uma grossa camada de lama que andava misturada com meus pensamentos e os meus atos.
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Pedaços da noite
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1
Através do vidro da mesa vejo meus pés nus, estou nu, no calor imenso. As veias estão no seu limite, diz o médico - nada de fumo.
Acendo outro cigarro, traço o meu uísque - vem um vento quente e afaga a pele como se fosse carícia de Aldina, perdida na juventude nua.
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2
A vitória do grande escritor consiste em nunca ter escrito. Promete uma novela, ora biográfica, ora fantástica, o herói ora sendo homem, ora sendo flor.
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3
Não guardo meus defeitos para a intimidade.
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4
Foi um baque surdo às seis horas da tarde chuviscando. O velho ficou estendido no asfalto como um saco mal cheio. O automóvel apagou as lanternas e sumiu.
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5
Neste último ano, a única pessoa que me empregou a palavra "estética" foi o meu barbeiro, a propósito de bigodes.
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6
O que mais temo: o total aniquilamento. Não pelo aniquilamento, mas pelo horror ao efêmero.
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7
Júlia no fim da linha, que é como o fim do mundo:
- Não vejo a tua carinha hoje?
Uma hora depois estava esticado na poltrona amarela. Gosto de ouvi-la, como se ouve uma cascata - vem uma frescura de ninfa em cada palavra mesmo pornográfica.
******
8
A janela está aberta. E eu aflito para que venha no vento, que arrepia as cortinas, as olvidadas recordações de infância, cujo mistério nunca pode ser de todo desvendado, recordações de amor - noites de amor ardentes ou calmas - recordações dos perigos passados, a morte iminente! - recordações das mentiras e medos esquecidos.
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9
Nada está direito. A vida é insuportável. Mas devemos calar.
Marques Rabelo
2010-03-15
Quando o 13 passa a 14...

Perceberam alguma coisa? Ele aparentemente sim. Projecto10 #2 dedicado ao Sagrado já nos ecrãs!
imagem: James Cauty (retirado de kunstterrorist)
a ironia e a lógica eucaliptal

Defina ironia: Um partido que insiste na tese da "asfixia democrática" e da "falta de liberdade de expressão" no país, mas que não se coíbe de aprovar sanções graves a militantes como a expulsão a militantes que integrem listas concorrentes ao partido ou a figuras por ele apoiadas, assim como sanciona igualmente críticas internas ditas nos 60 dias anteriores a eleições.
Por muito que seja necessária coesão e por muito que uma organização partidária obedeça a vínculos norteados pela lealdade (embora este PSD seja um partido deveras "sui generis", estando muito fraccionado e admitindo no seu seio uma vasta amplitude de convicções ideológicas, que estão ligadas entre si por ténues ligações), o papel dos partidos e organizações políticas, enquanto sustentáculo do regime democrático português, ficam gravemente feridos, com esta imposição de uma autêntica lei da rolha que impede a concretização do objectivo máximo que deveria nortear uma organização desta natureza: ser um espaço de debate e discussão.
Receio que, com a institucionalização de práticas deste género - que informalmente sempre existiram - se dê cada vez mais força ao descrédito já existente por parte da sociedade nestas organizações, fechando estas à generalidade da sociedade, numa autêntica lógica eucaliptal.
Em situações extremas, poderia significar o rejeitar de uma lógica ou matriz democrática - com todas as imperfeições que tem, é na verdade o menos imperfeito dos sistemas - assim como legitimar por parte da sociedade, de soluções mais musculadas que facilmente poderia redundar numa consequente limitação efectiva de liberdade. "History repeats itself". Faz-vos lembrar algo?
the economic crisis for beginners
2010-03-13
Profano?
Growing older

Exit Through The Gift Shop
"(...)What will he do next?
“A good question. I was planning on making some huge paintings about sleepwalking our way towards the apocalypse, but I ended up going to the pub and getting some crisps."(...)"
Banksy in first person to the The Sunday Times
Num terço existem 53 contas pequenas que equivalem a 53 avé Marias...
PROJECTO10 #6 from PROJECTO10 on Vimeo.
...no Projecto10, teremos 10 números que equivalerão a 10 temas.
As múltiplas faces do Sagrado, na edição #2 (online hoje)!
2010-03-09
Think Tanksy
2010-03-06
Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra da verdade.
Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce -
A Palavra que nunca se profere.
Adolfo Casais Monteiro
2010-03-05
num elogio (d)à Loucura

in público.pt























