2010-03-21

50 Anos Ayrton Senna


Se fosse vivo, Ayrton Senna faria hoje 50 anos.

Para muitos é o supra-sumo dos pilotos, o verdadeiro Ídolo. Uma dessas pessoas é o Pedro Lamy, um dos melhores pilotos de circuitos do mundo, com um palmarés simplesmente invejavel. Abaixo fica uma transcrição retirada do autosport.pt sobre um "pequeno" episodio que se passou com Senna:

"Corria o ano de 1993 e, um belo dia de finais de Agosto, Pedro Lamy foi convidado para substituir o infeliz Alex Zanardi, acidentado em Spa, no "cockpit" do Lotus. Nesse ano, Lamy estava a discutir o Campeonato Internacional de F3000, com pilotos como David Coulthard, Olivier Panis ou Gil de Ferran.

O piloto recorda-se muito bem do que depois sucedeu:

"Estava eu em Inglaterra com o Domingos Piedade e ele passa-me o telefone. Foi pouco antes do meu primeiro teste com o Lotus. "Toma, é o Ayrton. Fala com ele." Eu peguei no telefone e comecei a falar. Já tinha conversado com ele uma vez, assim de fugida. Mas uma coisa é fazê-lo por acaso, numa pista, e outra estar ali, com ele a falar comigo, mesmo por telefone, a explicar-me como deveria fazer as coisas. Era uma sensação estranha, ele estar do outro lado da linha, a dar-me conselhos. Eu nem queria acreditar: falava e depois afastava o telefone e olhava para ele, incrédulo. "Mas é mesmo ele?" - pensava, enquanto o escutava a dizer-me como se conduzia um F1. Afinal, sempre era o Ayrton, do outro lado, o meu ídolo, o grande piloto, o eterno Senna..." "

2010-03-18

Lounge Against the Machine




Ou como Richard Cheese nos põe verdadeiramente a questionar o conceito de alternativo. Simplesmente genial. O Manuel João Vieira americano. Cheese também em modo Prodigy, Blink, Nirvana, Radiohead, System, Guns, Oasis ou com o seu melhor falsete em modo Beyoncé (recomendado - incorporação estava interdita).



...



imagem: Erosie via Toki Wiki


Está bem perto do fim, a experiência [meramente trivial e sem qualquer tipo de pretensão científica] começada por mim há cerca de dois dias. Depois darei conta do objecto da mesma e da conclusão a que cheguei.


constatando o óbvio




"Football is not merely a small business. It's also a bad one. Anyone who spends any time inside football soon discovers that just as oil is part of the oil business, stupidity is part of the football business."


Porque eu, nos meus tempos de petiz, fui igualmente um fiel coleccionador de cromos da bola...



...de repente recordo com muita nostalgia, a colecção do USA'94.


vídeo via irmaolucia

2010-03-17

Páginas das páginas

Porque há crónicas deliciosas.

Páginas das páginas
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1

Sensação de esquecimento, de ausência - o bode corre. De repente, volto ao mundo sem que nenhum movimento do mundo me tivesse solicitado. Sol brilhante, céu azul, tantos homens. O mesmo cansaço. Sinto que fiz uma pequena experiência de morrer.

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2

Repouso a cabeça no teu peito, ao som do mar descem as nuvens do céu para me cobrir. Nem um sofrimento mais! Um sono fecha-me as pálpebras, como se borboleta fosse, que dormisse.

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3
Quando chega a noite, bem noite, na casa os móveis dormem. Quando dormem os tapetes, os discos, as louças e os quadros na parede. Quando só o relógio e a geladeira elétrica trabalham e só as baratas tem vida, aí a mão, cheirando a cigarro, abre cansada, em qualquer página ainda em branco, o escondido diário...

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4
Não encontro outro descanso senão nos teus olhos. E não é a mocidade que eu vejo brilhando no fundo dos teus olhos de vinte anos - é a eternidade.

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5
Não sei se ela tão fina, tão penetrante, compreendeu a minha agonia. A tarde era opalina e eu me sentia transparente como a água azul da piscina que olhávamos. Pelas alegrias da vida pagamos tão caro, que não sei se seria melhor que fossemos sempre infelizes.

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6
Debussy derrama-se na sala como véu de luar. Os corpos se diluem, meu corpo deixa de existir, é impalpável, torna-se poeira de amor e compreensão das coisas impalpáveis e eternas.

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7
O corpo branco no domingo branco. O pensamento branco como página para escrever.
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Na praia
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I
Se o vento zumbe terrível (como agora sobre as salinas), não recriminemos o vento - ele desempenha o seu papel. Desempenhemos os nossos papéis. Eis tudo. Quantas vezes já não fomos ventos devastadores na vida das criaturas? Quantas ruínas já não deixamos atrás de nós?
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II
Como um gorgeio, através do tabique:
- Eu queria ser formiguinha para entrar no quarto deles e ouvir o que estão dizendo. Dizendo ou fazendo.
A outra moça ri.

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III
Eis uma coisa que Nicolau ainda não compreendeu - o céu pode ser realmente verde.

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IV
Era mansa, discreta e distraída.
(Comoção de um minuto ao vosso lado!)

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V
E o mancebo matou o dragão, casou-se com a filha do rei e viveu sempre pensando, com arrependimento, no dragão.

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VI
As limitações levantam-se como cercas de espinhos, boa parte delas gerada por nós próprios, servos inconscientes de obsoletos códigos.
A que heroísmos nos impulsionam! Em que depressões nos afundam!
Para as palpitações e dores nas pernas, a ciência, consultada sob a forma pouco sutil de Gasparini, responde: são estrepolias do vago.

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VII
Ela haveria de gostar desta solidão em que me afundei (o rio é largo e melancólico), solidão tão profunda que até me esqueci da cor dos seus cabelos. Há uma serenidade tão grande em tudo, que a alma da gente parece que se decanta, e, ao cabo desta semana que nos separa, sinto no fundo de mim uma grossa camada de lama que andava misturada com meus pensamentos e os meus atos.

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Pedaços da noite
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1
Através do vidro da mesa vejo meus pés nus, estou nu, no calor imenso. As veias estão no seu limite, diz o médico - nada de fumo.
Acendo outro cigarro, traço o meu uísque - vem um vento quente e afaga a pele como se fosse carícia de Aldina, perdida na juventude nua.

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2
A vitória do grande escritor consiste em nunca ter escrito. Promete uma novela, ora biográfica, ora fantástica, o herói ora sendo homem, ora sendo flor.

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3
Não guardo meus defeitos para a intimidade.

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4
Foi um baque surdo às seis horas da tarde chuviscando. O velho ficou estendido no asfalto como um saco mal cheio. O automóvel apagou as lanternas e sumiu.

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5
Neste último ano, a única pessoa que me empregou a palavra "estética" foi o meu barbeiro, a propósito de bigodes.

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6
O que mais temo: o total aniquilamento. Não pelo aniquilamento, mas pelo horror ao efêmero.

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7
Júlia no fim da linha, que é como o fim do mundo:
- Não vejo a tua carinha hoje?
Uma hora depois estava esticado na poltrona amarela. Gosto de ouvi-la, como se ouve uma cascata - vem uma frescura de ninfa em cada palavra mesmo pornográfica.

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8
A janela está aberta. E eu aflito para que venha no vento, que arrepia as cortinas, as olvidadas recordações de infância, cujo mistério nunca pode ser de todo desvendado, recordações de amor - noites de amor ardentes ou calmas - recordações dos perigos passados, a morte iminente! - recordações das mentiras e medos esquecidos.

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9
Nada está direito. A vida é insuportável. Mas devemos calar.

Marques Rabelo

2010-03-15

Quando o 13 passa a 14...




...ou como a questão dos fusos horários são miudezas nada comparáveis com os desígnios etéreos.



Perceberam alguma coisa? Ele aparentemente sim. Projecto10 #2 dedicado ao Sagrado já nos ecrãs!




imagem: James Cauty (retirado de kunstterrorist)



a ironia e a lógica eucaliptal



imagem: Banksy


Defina ironia: Um partido que insiste na tese da "asfixia democrática" e da "falta de liberdade de expressão" no país, mas que não se coíbe de aprovar sanções graves a militantes como a expulsão a militantes que integrem listas concorrentes ao partido ou a figuras por ele apoiadas, assim como sanciona igualmente críticas internas ditas nos 60 dias anteriores a eleições.

Por muito que seja necessária coesão e por muito que uma organização partidária obedeça a vínculos norteados pela lealdade (embora este PSD seja um partido deveras "sui generis", estando muito fraccionado e admitindo no seu seio uma vasta amplitude de convicções ideológicas, que estão ligadas entre si por ténues ligações), o papel dos partidos e organizações políticas, enquanto sustentáculo do regime democrático português, ficam gravemente feridos, com esta imposição de uma autêntica lei da rolha que impede a concretização do objectivo máximo que deveria nortear uma organização desta natureza: ser um espaço de debate e discussão.

Receio que, com a institucionalização de práticas deste género - que informalmente sempre existiram - se dê cada vez mais força ao descrédito já existente por parte da sociedade nestas organizações, fechando estas à generalidade da sociedade, numa autêntica lógica eucaliptal.

Em situações extremas, poderia significar o rejeitar de uma lógica ou matriz democrática - com todas as imperfeições que tem, é na verdade o menos imperfeito dos sistemas - assim como legitimar por parte da sociedade, de soluções mais musculadas que facilmente poderia redundar numa consequente limitação efectiva de liberdade. "History repeats itself". Faz-vos lembrar algo?



the economic crisis for beginners

2010-03-13

Profano?



imagem via artsblog.it



Número #2 dentro de momentos!

Growing older



imagem: via Pensar Custa


Mais uma data passou. Já vai sendo tempo de deixar para trás o lugar na cómoda plateia, assumindo e domando o desconhecido palco.



Exit Through The Gift Shop



"(...)What will he do next?

“A good question. I was planning on making some huge paintings about sleepwalking our way towards the apocalypse, but I ended up going to the pub and getting some crisps."(...)"

Banksy in first person to the The Sunday Times








quando a comédia satiriza com o sério






quando o sério se torna comédia



Num terço existem 53 contas pequenas que equivalem a 53 avé Marias...

PROJECTO10 #6 from PROJECTO10 on Vimeo.



...no Projecto10, teremos 10 números que equivalerão a 10 temas.

As múltiplas faces do Sagrado, na edição #2 (online hoje)!




2010-03-09






Céu, Purgatório ou Inferno?

brevemente

Think Tanksy



2010-03-06

A palavra impossível


Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra da verdade.

Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce -
A Palavra que nunca se profere.

Adolfo Casais Monteiro

2010-03-05

num elogio (d)à Loucura



"(...)Alberto João Jardim disse ainda que defendeu a realização deste congresso por achar "que é preciso o PSD esclarecer muita coisa sobre a sua natureza: é um partido de esquerda, de centro ou de direita? Temos de esclarecer, para mim é de centro. É uma social democracia de tendência socialista, como as nórdicas, ou é de tendência de centro de raiz mais social cristã baseada no personalismo da doutrina social de Igreja católica? Federalista europeu ou de primado nacional? Quer a regionalização do continente ou não? Aceita maior autonomia para Açores e Madeira? Admite rever a Constituição ou quer ser situacionista? Estas questões têm de ser discutidas dentro do PSD, porque a confusão que vai dentro do partido sob o ponto de vista doutrinário é total”.

in público.pt

Num dos raros momentos de concordância (dado o meu distanciamento ideológico), torna-se engraçado constatar que Jardim, muitas vezes catalogado (e com razão) de desbocado e inconsequente pelos seus próprios pares partidários, acaba por ser dos poucos que diz que há muito era visível: mais que discutir líderes, sem uma definição ideológica, o PSD nunca poderá almejar vir a ser uma verdadeira alternativa, prolongando o habitual paradigma de alternância (já algo gasto e decadente olhando às recentes notícias surgidas nos media, algo que começa a transparecer para o público - basta olhar a notícias recentes ou ler as conclusões recente estudo de André Freire, José Manuel Viegas e Filipa Seiceira - corporizado num livro recentemente lançado, que adquiri ontem) , ficando o dito partido refém que o outro partido de poder caia em desgraça. Apenas sugere razão a quem indica que em Portugal, não se ganham eleições. O outro lado é que as perde.


2010-02-21

A Impotência



Os ilhéus e em especial os madeirenses estão familiarizados com os aluviões que ciclicamente assolam a ilha. Esta total sensação de desprotecção face à força dos elementos, imiscui-se e é digamos parte intrínseca, para o bem e para o mal, contribuindo na construção da espécie de sentimento a que chamamos o ser ilhéu ou neste caso específico, o ser madeirense.
E com isso, podia discorrer e apontar como uma das razões para o elevado conservadorismo da sociedade ou para o peso que instituições como a Igreja Católica, têm na sociedade madeirense. Mas o objectivo deste meu texto não é esse.

É meramente expressar, num texto que assumo ser pessoal, o sentimento vivido à distância, durante todo o dia de hoje. Impotência. Dura e pura. O tentar contactar os entes queridos e não conseguir. O olhar para notícias cada vez mais alarmantes e imaginar o pior. O imaginar possíveis percursos trilhados por quem nos é querido e esperar que o pior não tivesse acontecido. O imaginar que palavras poderiam nunca vir a ser ditas, palavras que sempre deixamos para uma outra ocasião. O passar de um aparente distanciamento perpétuo, que acaba por acontecer quer se queira quer não, para uma urgente necessidade de querer estar lá e ser parte envolvida.

Há um mês, escrevi aqui sobre o desastre ocorrido no Haiti, mas sendo madeirense (ainda que expatriado no rectângulo) como muitos que aqui escrevem e sentindo-me parte envolvida pelo facto de ter a minha família e muitos amigos na ilha, cometo o sacrilégio de confessar que de repente o Inferno dantesco haitiano parece-me algo menor face ao cataclismo diluviano de características bíblicas que ocorreu hoje na minha terra natal. É tudo uma questão de perspectiva e de proximidade, digo eu com o meu agnosticismo pontuado com uma educação numa sociedade profundamente católica, que em alturas de maior irracionalidade aparenta "sobremergir".

Sobre o desastre, mais que encontrar culpas - que as há entre a Natureza e a acção humana - importa acima de tudo minorar os destroços causados e procurar dar conforto e ajuda a quem mais necessita. O rescaldo e o apuramento de responsabilidades é uma necessidade, mas ainda não é tempo para tal, quando necessidades básicas ainda não estão supridas e o sofrimento é recente. O aproveitamento político do caso - seja a favor ou contra como ouvi e li, mais que despropositado, enoja-me e ultrapassa os limites da ética que deveria existir na "res pública". Por uma questão de respeito. Mas as consequências deverão ser apuradas. Porque nada justifica tão elevado preço a pagar. E para que a impotência face à força dos elementos, ainda que impossível de vir a ser domada, não tenha as trágicas consequências que são hoje notícia.

2010-02-19

Agitando as águas



imagem via retro yakking

Com um pouco de material "X-rated". Nada melhor que um vislumbre a um Bikini. A ver se faço horas extra e retomo a participação cá no espaço depois destes últimos tempos onde pouco ou nada tenho cá parado. Muito havia para desbobinar. Um obrigado aos desbobinadores que cá têm vindo manter os mínimos.


2010-02-10

... Acabou

Partiu-se, quebrou-se, o fio que nos ligava. Foi instantâneo, inesperado, imprevisível, repentino. Ninguém percebe ou se apercebe, simplesmente dá-se, acontece.
Ao princípio nega-se, esconde-se, repele-se. Depois, pouco a pouco, tentamos combater. A sensação entranha-se. A luta dá lugar ao desespero, à impotência. O medo instala-se. É o nunca que acontece, a utopia tornada realidade.
Não foi intencional, premeditado, calculado. Simplesmente aconteceu. Queremos culpar, maltratar, insultar. Mas não vale a pena. ACABOU! Chegou ao fim. Terminou. Deixou simplesmente de existir. O dois tornou-se um… o sonho desapareceu… assim.

C. P. L.

2010-02-03

Compreendido sr. O'Brien!


PROJECTO10 #4 from PROJECTO10 on Vimeo.

Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Áudio: Zé Pedro Alfaiate

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"Só quero dizer aos miúdos que nos estão a ver que podem fazer tudo o que vos apetecer na vida... a não ser que o Jay Leno queira fazer a mesma coisa!"

Conan O'Brien no Tonight Show de 21.01.2010

2010-02-02

O artigo da polémica

Para quem ainda não leu o artigo da nova polémica jornalistica do nosso governo aqui vai:
"
O Fim da Linha
Mário Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa.
"

Retirado do site do Instituto Francisco Sá Carneiro http://www.institutosacarneiro.pt/?idc=509&idi=2500

O dia D está perto.



PROJECTO10 #3 from PROJECTO10 on Vimeo.

Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Áudio: Zé Pedro Alfaiate



* Leia-se D de DEZ. Na próxima sexta.

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Num filme de viagem típico dos anos 30 - na idade de ouro dos cruzeiros transatlânticos, numa viagem de Gotemburgo a Gotemburgo. Aqui, ao que parece, no excerto final da viagem, na etapa que liga a Madeira a Lisboa. As diferenças são imensas.

via Duarte Gouveia

2010-02-01

2010-01-29

10 pm | 05x02=10 | Ler Devagar | Lançamento PROJECTO10


Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Ilustração: Gonçalo Martins
Áudio: Zé Pedro Alfaiate

Hoje é o dia! Hoje é o dia!

Acaba hoje o que a Apple chamaria tabu se fosse parola. Não sendo, fez saber que lançaria a 27 de Janeiro de 2010 (confirmem, é hoje) uma coisa que mudará as nossas vidas. Fez-se suspense, correram rumores, atropelaram-se boatos. Se Isaac Newton, naquele dia de 1666, tivesse anunciado na taberna "hoje, sento-me sob a macieira e vou inventar a lei da gravidade", não teria inquietado tanto a aldeia de Graatham. O que é que a Apple nos vai dar hoje? Consta que é plano e táctil, que vai pôr-nos, desta vez a sério, a ler jornais e livros electrónicos, que junta os smartphones e os computadores portáteis num só ecrã de palmo, que dá para jogar electronicamente e navegar na Internet mesmo ao décimo dia de soterrado num terramoto… Enfim, que, desta vez de vez, podemos prescindir do outro porque cada um de nós passa a ter o mundo na mão. Será? Se calhar vocês já sabem quando me lêem, a notícia já saltou, a Apple já se revelou - eu é que me roo todo, a horas de saber a coisa que me vai mudar a vida. Mas tenho uma suspeita. Consta (é um MacRumor) que a coisa se vai chamar iSlate. "i" do que já sabemos, internetices, e "slate" de lousa, ardósia em inglês. Hmmm, esta do "slate", com todo o seu ar retrógrado, traz água no bico. Suspeito que a Apple vai reinventar a conversa. 
Ferreira Fernandes in DN, 27 Jan 10

Afinal hoje não foi dia para iSlate mas sim para iPad. Depois logo se vê se a conversa foi mesmo reinventada...

Steve Jobs apresentou esta tarde aquilo que todos esperavam: um tablet pc, vocacionado para tarefas como a navegação na Web, ver vídeos e ler livros. (ler mais)
in Público, 27 Jan 10

2010-01-17

Impressões

Estou neste momento no campo humanitário improvisado na fronteira entre a República Dominicana e o Haiti. Chegámos ontem no corredor humanitário que se estabeleceu de Santo Domingo aqui e não nos deixaram avançar por ser de noite.

A confusão era visível. Era preciso passar a noite aqui e perceber o que se vai fazer depois. Ouve-se a noticia que mataram dois cooperantes no caminho de Port-au-Prince até à fronteira e atacaram mais dois com catanas. As noticias são confusas. Mesmo nestes cenários vão-se acrescentando pontos à história. Afinal foi ontem. Ontem morreram 4 dominicanos que não vinham escoltados e hoje dois cooperantes foram baleados.

Há sempre pessoas que morrem. É difícil aceitar porque é que acontece, mesmo quando sabemos que se está a fazer o possível para garantir a segurança de todos. No entanto, olhando a nossa volta, tudo fica tão relativo, até estas situações onde a ajuda é um alvo.

O cenário é sempre exagerado, e o que passa para quem está longe é o que uma câmara ou um fotografo (que são às centenas!) captam mas a verdade é que a partida ficou planeada para hoje às 8h da manhã, com a supervisão da MINUSTAH até à capital, por motivos de segurança. Tudo o resto é desaconselhado - não há heróis e a irresponsabilidade de andar sozinho por zonas que não se conhecem, pode originar fatalidades, como foi o caso. Priorizaram as equipas de resgate e as outras irão, como nós, por volta das 14h30 daqui. Chegaremos a tempo de receber a equipa que espera autorização para aterrar no aeroporto e começar, já e finalmente, a montar o campo de deslocados com assistência médica.

A zona zero da capital é onde estão os capacetes azuis e que garantem a protecção dos campos humanitários. A questão que se põe não é a violência que se vive - é preciso ter em conta que o Haiti era um país instável antes do terramoto -, mas o que o desespero está a causar: não há água e com todos estes atrasos a ajuda chega a conta gotas. O aeroporto está lotado, as estradas têm os seus horários e tudo isso leva a que a população não consiga ser atendida com a celeridade que é necessária.

Mas pode-se trabalhar a todos os níveis, ninguém está parado. Sinal disso é que estou na minha tenda, no meio de um descampado de terra batida com wifi. Muitos podem perguntar qual a necessidade de ter pessoas que, à primeira vista, não são técnicos de saúde, ou de água ou de refugio. A resposta, para mim, é clara. Porque para que esses possam apenas dedicar-se ao que vieram, é necessário coordenar tudo entre as centenas de actores que se encontram aqui e essa é uma das grandes dificuldades: estabelecer uma ordem no caos. Trabalhar por conta própria leva a mal entendidos, a situações de duplicação de esforços e leva, acima de tudo, a desconhecimento da situação.

O hospital não tem mãos a medir. Muitos dos feridos estão a ser transferidos para os hospitais dominicanos e é impressionante ver lutar contra o tempo nestas situações.

Nem vale a pena pensar no "e depois da catástrofe?", porque, neste momento, estamos ainda a tentar estabilizar e garantir uma resposta eficiente e coordenada. Mas muitos sabemos que depois de um mês, aí sim se poderá perceber quem veio para ficar.

2010-01-14

Desbobina no Haiti



"AMI envia missão exploratória para o Haiti

A Assistência Médica Internacional (AMI) envia amanhã de manhã uma equipa exploratória para o Haiti, disse ao PÚBLICO o presidente da organização, Fernando Nobre.

A equipa é composta por Tânia Barbosa, directora do departamento internacional, e Marta Andrade, coordenadora de projectos, que viajarão via Madrid e Miami, e deverão chegar à capital, Port au Prince, pela hora de almoço de sexta-feira.

As representantes da ONG portuguesa levam consigo 20 mil dólares, valor máximo com que podem entrar no país. O dinheiro poderá ser usado na compra de água e primeiros medicamentos e desinfectantes. “Vão com os meios possíveis para já”, disse Fernando Nobre.

“É uma missão exploratória e de primeiros socorros com os meios possíveis e vão procurar articular-se com os parceiros locais”, afirmou o presidente da organização, que admite o envio posterior de uma missão de “maior envergadura”.

Em Setembro, uma equipa da AMI chefiada por Fernando Nobre esteve no território, numa missão centrada na prevenção de catástrofes naturais."

in publico.pt


Ao que parece, está a concretizar-se o pior cenário dantesco preconizado. O Haiti está à mercê de toda a ajuda internacional possível e estas primeiras horas são essenciais. Um abraço especial à nossa desbobinadora Marta Gomes de Andrade (black), que mais vez foi enviada a um cenário adverso, tentando minorar os danos acontecidos.



diz que é uma espécie de duplo



A CAN é festa. A CAN é alegria. A CAN é espectáculo. Ao que parece com guarda-redes acrobatas. como um circo. Ou como num filme. Tal e qual um duplo. Em Angola. Já sem tiros. Na Taça Africana das Nações. O sósia de Botende. Nem o Olivier diria melhor.


2010-01-13

Nove Círculos, Três Vales, Dez Fossos e Quatro Esferas.



"O Haiti “está mesmo a precisar de ajuda”, disse o embaixador dos Estados Unidos naquele país à CNN, depois do sismo de magnitude 7.0 na escala de Richter, seguido de duas réplicas (5.9 e 5.5), que esta terça-feira abalou um dos mais pobres países do mundo. O epicentro foi a 15 quilómetros da capital, Port-au-Prince, às 17h12 (22h12 em Lisboa) (...)"

in publico.pt

A título de comparação, a bomba atómica detonada em Nagasaki em Agosto de 1945, ainda que detonada no ar, teve um impacto semelhante a um sismo de 5.0 na escala de Richter, provocando os impactos que se sabe.

Este atingiu 7.0 nessa mesma escala (que vai de 0 a 9 - embora já se admita intensidades maiores), tendo um epicentro a apenas 15 km da capital Port-au-Prince, capital do Haiti, o país mais pobre das Américas e um dos mais pobres do mundo. Uma república que desde o seu início em 1804, tem estado constantemente envolta em instabilidade social e política.

Segundo as últimas notícias, poucos edifícios foram poupados, tendo inclusivé o Palácio Presidencial sido gravemente atingido, assim como outros edifícios primordiais.

Se a situação do país antes desta catástrofe, já mostrava era preocupante, estando totalmente dependente de ajuda externa, com todos os sintomas de um Estado Falhado - a nossa desbobinadora Marta Andrade (Black) poderia explicar isso bem melhor que eu, dado que este foi o seu objecto de estudo durante o seu mestrado, tendo estado no terreno - não encontro melhor alegoria para descrever a situação que recordar o Inferno de Dante Alighieri.


imagens via twitter


Dejá Vu


"Apesar de ser uma obra recente e muito vultuosa, é já notório o abatimento que ocorre no solo junto da muralha que suporta o recém-inaugurado Estádio de Câmara de Lobos. O brutal investimento de 11,5 milhões de euros parece assim afundar-se, embora a situação seja minimizada pelo promotor da obra, o Governo Regional (...)"

in dnoticias.pt



Nova Marina do Lugar de Baixo?

Quantas províncias existem no Canadá?


LIVRARIA LER DEVAGAR - ALCÂNTARA, LISBOA


2010-01-12

Positive thinking making us miserable

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/northamerica/usa/6952353/Positive-thinking-making-us-miserable-says-author.html

A ideia que o pensamento positivo foi o que nos colocou na crise mundial que enfrentamos mundialmente, talvez não será tão rebuscada quanto isso.
Um tease para cada um de nós pensar sobre se será pessimismo ou realismo o que a sociedade ocidental realmente necessita.

2010-01-11



"The 12 year break is over & school is back in session. Sign up now. Knights of the Soundtable ride again! http://www.soundgardenworld.com/"

Chris Cornell via Twitter

Uma boa maneira de começar o ano. Musicalmente falando. The 90's are back. Mais aqui

2010-01-07

Enquanto nós por cá...



imagem retirada daqui (autoria James Cauty)

"Barack Obama nomeou uma transexual de 48 anos para um cargo público de relevo. A opção está a ser aplaudida pelas organizações de defesa dos direitos dos homossexuais e transexuais(...)"

in Jornal de Notícias


Muitas vezes pequenos gestos podem enviar grandes mensagens à sociedade. Numa matéria exclusica da esfera pública - o casamento em causa é o civil, é engraçado verificar que o que move a maioria dos defensores do não, são razões de foro espiritual/confessional.

Mais que o simples conceito de casamento - aliás muito lato e em constante evolução, o que está aqui é uma questão de acabar com uma descriminação sobre uma minoria. E o Estado, numa sociedade laica como a nossa, como máximo zelador pelo bem comum, deve e pode dar o exemplo. Tal como Barack acabou de o fazer nos EUA.


2010-01-06

Ainda o Ano Novo



Este ano apenas engoli 10 passas. Daqui a 30 dias saberão porquê!

Poema Melancólico a não sei que Mulher

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...


Miguel Torga

2010-01-05

95 anos

Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti - não me respondes
Bejo-te as mãos e o rosto - sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga

2009-12-29

web 2.0 suicide machine promotion from moddr_ on Vimeo.



Um conselho com o seu quê de mórbido, mas que certamente faria bem a muitas pessoas.

Brinquinho do Alberto vs Harpa de Nero



imagem D*Face



in publico.pt


Já agora, se porventura não fosse incómodo, que tal procurar um modelo alternativo de desenvolvimento e governação?

Olhando ao recente Orçamento da Região Autónoma da Madeira para 2010, onde mais uma vez as despesas afectas a infraestruturas nada sustentáveis [e na maior parte das vezes com claros propósitos eleitoralistas - nem falo da parte das receitas extraordinárias previstas], são uma parte de leão do mesmo, não sei até que ponto as consequências futuras da prossecução desta autêntica política suicida, não hipotecarão o futuro das gerações vindouras.

O círculo aparenta estar a apertar-se [recorde-se exemplo de notícia da entrega de escolas e equipamentos de saúde como garantias bancárias para conseguir empréstimos para pagar despesas correntes] e as claras insuficiências deste modelo são cada vez mais notórias. Já aqui escrevi que em política, o comum eleitor tende a não ter uma perspectiva a médio-longo prazo, recompensando politicamente muito a existência de obra, ou seja algo em termos palpáveis e visíveis - como o são betão e cimento. Os alertas para as consequências do arrastar deste tipo de modelo, já há muito eram conhecidos [existem estudos efectuados para o GR desde o início da década por parte de consultores], pelo que apenas se pode deduzir que apenas os ganhos políticos e a lógica da auto perpetuação política apenas estarão a justificar a insistência neste modelo.

Tendo em conta isto e prevendo-se o pior, já aqui dei conta que será engraçado saber como será retratado e relembrado este período, pelos próprios madeirenses daqui a 10 anos.

Já agora e em jeito de conclusão, não resisto a arriscar uma profecia qual Nostradamus. Não passarão muitos anos até introduzirem portagens na Via Litoral. Já esteve mais longe.

2009-12-28

A demissão prematura de Mourinho



imagem daqui


"O ano acaba mal: José Mourinho, o meu treinador português preferido, demitiu-se. Não, não se demitiu do Inter, mas da selecção nacional. Ele que dissera que um dia seria seleccionador nacional veio, agora, garantir que não, não quer.

Recusou com a Constituição na mão, como nos tribunais americanos se jura sobre a Bíblia. José Mourinho disse: "Se algum dia for seleccionador direi não aos naturalizados." Lá está, recusou ser seleccionador. Como ele não pode negar a nacionalidade a um cidadão português, como são os naturalizados (portugueses plenos, com a excepção de poderem ser eleitos presidentes da República), Mourinho serviu-se de uma forma floreada (quem não floreia no futebol que deite a primeira pedra) para dizer não à selecção nacional. Disse que não quer naturalizados na selecção, como podia ter dito: "Se algum dia for seleccionador direi não a quem vota no CDS (ou a quem é cristão ortodoxo)"...

Pronto, Mourinho demitiu-se. Tenho pena é que me tenha tirado já a ilusão. Gostava de ficar à espera até que ele viesse para a selecção, como prometeu, "no fim da carreira". Tenho de me contentar com Pepe, o naturalizado, que felizmente não esperou pelo fim da carreira para dar alguma coisa à selecção portuguesa. A dele."

Ferreira Fernandes in DN


"Os árbitros portugueses são os que mostram menos cartões às equipas da casa em jogos de competições europeias. Um estudo publicado na revista "Journal of Economic Psychology" analisou 1717 jogos da antiga Taça UEFA e Liga dos Campeões (épocas 2002/03 e 2006/07) e revela que os juízes portugueses batem os recordes de discrepância entre cartões mostrados a equipas visitantes e visitadas. Os mais prejudicados são os forasteiros. Em média, as equipas da casa levam 1,62 cartões amarelos por jogo; nas equipas de fora a média é 2,57(...)"

in Ionline.pt



Vale a pena ler esta peça do I. Quando às conclusões do estudo, creio que bastaria ir a algum jogo nos regionais/distritais , ver as condições em que se disputam a esmagadora maioria dos jogosm para se perceber o porquê desta tendência [o nosso desbobinador Old Shatterhand que o diga]. E quando assim é...

2009-12-27

O "teste para a democracia"



imagem daqui

"Eleitores do Uzbequistão começaram a votar para eleger o Parlamento, naquilo que o Presidente Islam Karimov considerou "um teste para a democracia" desta antiga república soviética, independente desde 1991.

As mesas de voto abriram às 06:00 locais (01:00 de Lisboa) e mais de 17 milhões de eleitores poderão votar até às 20:00 locais nos 506 candidatos que se afirmam todos defensores da política do governo, na disputa dos 150 lugares no Parlamento.

Segundo a lei uzbeque, 15 lugares estão reservados aos deputados do Movimento Ecológico do Uzbequistão, criado em 2008 e integrado por militantes pró-governamentais."

in DN



Eis mais uma estranha concepção de democracia, isto sob o prisma ocidental, indicada por uma pessoa do antigo aparelho soviético que desde a independência do Uzbequistão em 1991, se tem perpetuado no poder com votações com mais de 90%, quer passando por limitações constitucionais de dois mandatos - 5 anos cada [já agora, diga-se de passagem que é uma prática comum nesta parte do globo e os déspotas vizinhos até conseguem votações mais "retumbantes"].

Isto num país situado no chamado crescente turco, em plena Ásia Central, rico em recursos naturais como ouro e urânio - economia essencialmente recolectora, com especial incidência em culturas intensivas insustentáveis como o algodão (vide desastre ecológico do mar Aral) - recortado e tendo vastas extensões de deserto, com apenas 10% de terra arável.

Fora dos radares mediáticos, eis mais um pequeno exemplo do que acontece num país que figura nos tops de países mais repressivos para com imprensa, liberdade de associação, liberdade religiosa, com constantes violações de direitos humanos, mas que por circunstâncias geopolíticas - apoio na guerra ao Afeganistão e concessão de bases aéreas para apoio de acções militares na região - é tolerado pela comunidade ocidental, fechando assim olhos à grande repressão exercida sobre a população. Uma sociedade onde mais de 45% vive com menos de 2 dólares por dia e onde o Islão radical é uma real ameaça [em parte por via de todas estas circunstâncias] devido a crescimento da corrente wahabita do Islão - fortemente financiada pela Arábia Saudita, em contraponto a uma tradição endógena mais pacífica, mística e menos radical, mais característica da região como a corrente sufista [recordo e recomendo a leitura de "Jihad - Ascensão do Islão Militante na Ásia Central" de Ahmed Rashid para melhor percepção da profundidade das mudanças].

Feito este pequeno retrato, a notícia ilustra um bom exemplo no extremo, de certa "normalidade democrática" muitas vezes prevalecente em sociedades gravemente desiguais, onde a riqueza está concentrada nas mãos de uma pequena elite que insiste em se perpetuar no poder e onde as básicas noções de protecção de opiniões divergentes simplesmente não são consideradas ou tidas em conta em prol de um suposto unamismo agregador. Faz-vos lembrar algo?

Natalíssimo




Vivemos porventura a época que evoca o nosso lado mais emotivo e mnemónico. Natal clama pelos nossos sentimentos mais primitivos de afecto. São os momentos de uma infância perdida, reclamados muitas vezes através do “outro”, especialmente pelas vivências das crianças e nas expectativas depositadas no seu futuro. Por um dia vivemos uma verdadeira comunhão, autêntica simbiose de objectivos. Por fim esta época termina, e lá voltamos para a nossa rotina diária, voltando a recalcar a memória até a um próximo momento.


A Merry Banksy Christmas




imagine if there was a wall of shame between nazareth and bethlehem?


image taken from here


2009-12-26

Universalização do Sistema de Saúde nos EUA e a premência de um novo New Deal


No passado dia 24 de Dezembro, a câmara alta federal dos EUA, aprovou - com maioria qualificada de 3/5 - que segundo a tradição americana, impede o protelar ou inversão de decisão por parte do órgão em questão [filibuster] - o pacote legislativo de reforma do sistema de saúde proposto por Obama.

Na realidade, esta aprovação não significa que a proposta venha já a entrar em vigor - será primeiro condensada com a proposta aprovada pela câmara dos representantes [câmara baixa, onde os democratas também dispõem de maioria], prevendo que a mesma só venha a ser aplicada apenas em 2014. Assim, e sabendo-se que este foi um dos cavalos eleitorais de batalha de Obama, a entrada em vigor de semelhante medida, será sempre vista posteriormente como umas das marcas da sua administração [prevendo-se que venha a vencer em 2012, o que não é certo].

Mas o que constitui ao certo esta reforma? Para nós europeus, pode parecer algo extremamente estranho, mas significa alargar o sistema de saúde para uma escala universal [ainda que tenham sido feitas muitas concessões ao forte lobby das empresas de seguros]. Pode parecer muito estranho, mas no actual sistema, mais de 30 milhões de pessoas viam-se privadas de qualquer tipo de cobertura médica, seja por recusa por parte de seguradoras tendo em base o historial médico, fosse pelos elevados custos que isso comportava.

Daí que esta medida, seja vista por muitos como a mais emblemática, desde o início de cobertura social iniciada e dada por Roosevelt no combate à Grande Depressão da década de 30 - o New Deal e todas as medidas anexas ao mesmo. Ou então como uma extensão do programa Medicare, criado em 1964, que basicamente instituiu protecção e cuidados de saúde a maiores de 65 anos e a pessoas incapacitadas.

Para além de proibir a recusa na atribuição de seguros de saúde, procura instituir uma real cobertura a uma vasta porção de população, que nas condições actuais, se vê privada dos mais elementares cuidados de saúde. Por outro lado, e contrariamente ao que certos detractores têm argumentado, é possível verificar que a médio-longo prazo a adopção de uma cobertura universal de cuidados de saúde, acaba por ser mais barato que a manutenção do actual sistema vigente - vide tabela de Paul Krugman [Nobel em 2008].

Este economista, tem sido aliás, um dos mais veementes defensores da aprovação desta lei, ainda que a forma final não fosse bem a idealizada. No entanto, é no entender deste reputado economista um bom passo para redução das grandes disparidades que coexistem nos EUA.

Vem um pouco na ideia veiculada, pelo mesmo na sua obra "Conscience of a Liberal" [excelente obra - com o nome do seu blog no NYTimes - que presentemente leio após comprar aqui - na Fnac custava mais 5€], onde o mesmo traça um historial económico e político dos EUA desde o fim da Guerra Civil até à actualidade. Segundo o mesmo, há uma óbvia relação entre a desregulamentação levada a cabo em especial depois do fim do período a que chamou da grande compressão [devido aos rendimentos dos mais ricos terem grandemente baixado devido a um aumento súbito de taxação fiscal por parte da entidade fiscal federal entre 40 e 60, quer ao súbito aumento de rendimentos que o americano médio passou a ter nesta época, o que levou à criação de uma grande classe média], período que findou em meados da década de 70, com a vitória da ideologia a que se designa de neoconservadora.

Com a progressiva erosão de direitos sociais, com os cortes impostos a importantes programas federais que combatiam estas desigualdades, o fosso entre os mais ricos e os mais pobres voltou a ficar extremamente grande, voltando novamente a existir os sentimentos de classe e extremando-se cada vez mais a vida política, retornando ao vivido no pré-década de 30. Daí que Krugman clame por uma espécie de novo "New Deal", algo que a crise recente veio comprovar por um lado ser necessária, quer fornecendo o cenário propício a que o mesmo seja aplicado. Segundo ao autor, mais que mera consequência das forças de mercado, foram as medidas de cariz político introduzidas nesse período que motivaram uma maior aproximação e redução do grande fosso existente entre os mais ricos e os mais pobres, contribuindo em última instância, para uma melhor paz social.

Obama, querendo deixar a sua marca e certamente querendo marcar pontos a nível interno, empenhou-se muito nesta lei, que mesmo sendo aprovada mesmo com as condicionantes que foram impostas, olhando ao status quo actual, constituirá um bom passo e uma vitória no grande combate às graves desigualdades ainda existentes.


Them Crooked Vultures



Creio que os senhores John Paul Jones (Led Zeppelin), Josh Homme (Queens of the Stone Age e Kyuss) e Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters), dispensam apresentações e são um triplo selo de qualidade a um projecto, que anunciado em 2005 numa revista da especialidade, apenas viu a luz do dia a 17 de Novembro último.

Muitos torcem o nariz a estas reuniões e à constituição dos chamados "supergrupos", que na maioria das vezes redundam em flop, muitas vezes devido a choque de egos entre as "primas-donas" que os constituem. Tudo isto é verdade e fica frequentemente acima de qualquer valia musical que o projecto possa conter. Mas a verdade, é que de vez em quando, aparecem boas surpresas, redundando em bons álbuns que nos captam logo após uma primeira audição.

Isto tudo sobre o álbum de Them Crooked Vultures. Confesso que pese soubesse da existência do projecto - o que até era previsível dada a colaboração já dada por Grohl ao single "No One Knows" do [para mim] excelente "Songs for the Deaf" dos Queens of the Stone Age - até à passada terça estava na completa escuridão quanto ao resultado desta união de esforços - obrigado Pedro. E a verdade é que rapidamente me captou. Em especial o início desta "Scumbag Blues" [aqui num teaser feito para promoção - recomendo pesquisarem por outros teasers feitos para o efeito], que não parei de cantarolar em casa, fosse nos transportes ou no trabalho - daí a escolha.

Simplesmente viciante. Assim como o restante álbum.


2009-12-25

como uma bola de neve

Temos à nossa volta uma quantidade de pessoas que nós sabemos que têm imenso potencial e que por um motivo ou por outro não têm a oportunidade de demonstrar o que valem. Nem digo que é demonstrar aos outros, mas a eles mesmos. Passamos a acreditar que não damos para mais do que temos neste momento.
Frequentemente olhamos para uma pessoa e dizemos: é perfeita para estar envolvida neste ou naquele projecto, mas... como fazê-la ver isso mesmo?

A vida acomoda-nos a situações que nunca imaginámos aceitar noutros momentos.

É sempre mais fácil dar exemplos. O nosso trabalho. É muito raro estarmos totalmente realizados naquilo que fazemos. Achamos que estamos a ser subvalorizados, que não aproveitam as nossas capacidades, que podíamos fazer outras coisas mais interessantes, mas sabemos que não podemos dar "o grito do Ipiranga" e arriscar nas nossas ideias. A realidade é que temos contas para pagar ou a sensação de estar numa segurança ténue, mas que nos garante algo e não queremos mudar.

"Se ao menos me dessem uma oportunidade".. quantas vezes não pensamos assim? Eu acredito que podemos tentar. Com projectos paralelos, ideias pequeninas e talentos que sabemos que temos e que podem vir a ser um sucesso; uma vez mais não para os outros, mas para nós. Que basta arriscar. E que essas aventuras podem completar os nossos dias, motivar-nos a acreditar que podemos mesmo superar-nos.

Claro que pode correr mal, pode nem ser aquilo que queríamos. Pode. Um risco que se deve correr.

As típicas e americanizadas "resoluções do novo ano" servem, pelo menos, para desejarmos que algo mude, que tenhamos a desculpa perfeita para começar algo de raiz. Porque não?

Um projecto.

Uma motivação.

Uma nova atitude condizente com a juventude e qualidade que a nossa geração tem.

2009-12-22

O Universo Conhecido



"The Known Universe é um pequeno filme de 6 minutos que oferece uma viagem aos confins do universo conhecido. Trata-se de um trabalho produzido pelo American Museum of Natural History que integra a exposição Visions of the Cosmos: From the Milky Ocean to an Evolving Universe, presente no Rubin Museum of Art em Nova Iorque até Maio do próximo ano."

in a barriga de um arquitecto

Em pouco mais de 70 anos [desde a primeira foto tirada do planeta Terra por um satélite em órbita], é impressionante ao nível a que se chegou a nível conhecimento e de capacidade de visualização sobre o lugar do nosso planeta no Universo.Este vídeo é bem elucidativo dos avanços a que se assistiu.

2009-12-18

As linhas de produção do XXI



(...)Segundo Zeinal Bava [CEO da PT], o novo "contact center" será uma boa opção de emprego para jovens licenciados de diversas áreas que pretendam tomar um primeiro contacto com o mercado de trabalho(...)"

in DN-Madeira 01-07-09


"Todas as empresas querem uma reserva fluída de trabalhadores a tempo parcial, temporários e independentes para as ajudarem a manter as despesas baixas e a acompanharem as reviravoltas de mercado (...) os habilidosos patrões das grandes marcas tornaram-se especialistas na arte de evitarem os compromissos para com os empregados, promovendo com mestria a ideia de que os empregados, de certa forma, não são verdadeiros trabalhadores e assim não precisam nem merecem segurança social, salários dignos e outros benefícios. A maioria dos grandes empregadores do sector dos serviços gere a sua força de trabalho como se os empregados não dependessem dos seus cheques de vencimento para coisas essenciais, como a renda ou a alimentação dos filhos. Em vez disso, os patrões do comércio e dos serviços tendem a encarar os seus empregados como crianças: estudantes que procuram um emprego de verão, dinheiro para gastar ou uma breve paragem numa carreira mais satisfatória e rentável(...).

(...)insistindo que continuam a oferecer empregos-passatempo para miúdos. Esquecem que o sector dos serviços está cheio de trabalhadores com múltiplos diplomas universitários, imigrantes que não conseguem encontrar emprego nas fábricas, enfermeiras e professores e gestores de nível médio despedidos (...) Toda a gente sabe que um emprego no sector dos serviços é um passatempo e que o comércio é um sítio onde as pessoas procuram "experiência", não uma forma de ganhar a vida (...) Em nenhum sítio esta mensagem foi tão bem interiorizada como na caixa registradora e no balcão de vendas [nota do autor do post: acrescentaria numa PA de um qualquer contact-center...], onde muitos trabalhadores dizem que se sentem como se estivessem de passagem, mesmo depois de se arrastarem durante uma década no sector do McTrabalho.

(...)[trabalhador da Borders Books and Music em Manhattan]"Ficamos presos nesta dicotomia de "É suposto eu viver melhor, mas não posso porque não encontro outro emprego". por isso dizemos a nós mesmos, "Só estou aqui temporariamente, porque vou encontrar uma coisa melhor". Este estado interiorizado de transitoriedade perpétua tem sido vantajoso para os patrões do sector dos serviços, que tiveram a liberdade de deixarem os salários estagnar e dar pouco espaço às oportunidades de progressão, uma vez que não há a necessidade urgente de melhorar as condições de empregos que, toda a gente concorda, são apenas temporários."


Naomi Klein (2000) "No Logo" p.257 a 259 (excertos)



Só espero que não aumentem o preço das minis...




"(...)2. Grupo Excursionista "Vai Tu"

Na sala de convívio deste grupo excursionista a intensidade com que se vive o futebol é inversamente proporcional ao preço da cerveja. Tem uma televisão grande, área de fumadores (é mesmo uma área, expressa em metros quadrados, sem separação física) e um benfiquista lendário que, quando a sua equipa ganha e o árbitro faz "bem" o seu trabalho, ofende o realizador da transmissão televisiva: "Este plano é uma merda, não se vê nada."

Rua da Bica de Duarte Belo, 6 - 8, Lisboa. Tel. 213 460 848(...)"


in dez cervejarias para ver o Benfica-Porto


Post scriptum: dado que alguns aqui neste espaço são sócios/frequentadores do dito espaço, fica aqui revelado um dos segredos mais guardados de uma Lisboa que muitos não conhecem. Um grupo recreativo de bairro, fundado por veteranos da 1ª Guerra Mundial na década de 40. Um sítio que contrasta com a suposta impessoalidade de Lisboa. Um sítio onde a mini não ultrapassa os 55 cent. Um sítio que pese o Benficavs Porto vá dar num domingo,o que com esta publicidade grátis poderia gerar casa cheia, não vai exibir o jogo e vai manter a habitual noite de fados ao domingo - resta rumar ao Marítimo um pouco mais abaixo. Afinal de contas, há sempre folhas a desfolhar na Grande Alface.





Alguém imagina os últimos 20 anos sem eles?




20 anos depois do primeiro episódio e já como verdadeiros representantes da cultura pop, a família amarela ainda continua aí a dar cartas nos ecrãs com a mesma irreverência.

Pese a pouca idade na altura, segui e registei o impacto inicial que esta família disfuncional de Springfield provocou quando chegou ao nosso país. Da altura, ainda guardo uma caderneta de cromos dos ditos - na única colecção que realmente fiz para além de colecções de competições futebolísticas.

O segredo do tremendo sucesso desta série, foi o carácter disfuncional e os traços exacerbados revelados por cada um dos personagens, algo que ao mesmo tempo, acaba por ser uma tremenda caricatura da própria sociedade americana. Concordo que hoje em dia estejam um pouco mais institucionalizados, mas em meu entender, souberam se adaptar bem às transições operadas, conservando as qualidades que me fizeram ver e ainda captam a minha atenção para a série sempre que é possível.



Portugal tal como o Golden State


fonte: fontstock


Depois de ver tantas peças e reportagens nos media audiovisuais nacionais, depois de ler tantas reportagens nos media online nacionais, depois de ouvir tantas conversas nos cafés e pastelarias, confesso que eu, sou acometido por um sentimento de frustração, por até ter estado acordado na hora, num prédio em tabique (com cruzes pombalinas e tudo), mas nada ter sentido. Nem sequer um tremor. Ou vá lá, um tremelico estilo toque vibrar de telemóvel. Não, nada. E em consequência disso, lá tive eu que me resignar ao meu silêncio, enquanto ouvia histórias sobre o cataclismo e o sofrimento que foram aqueles 10 segundos.

(Adoro estas quase não notícias e o impacto que as mesmas têm em termos de ordem de abertura de telejornais. Faz me sentir na Califórnia!)

2009-12-14

Pilosidade facial



...parece que está definitivamente na moda. Mais ou menos cuidada, de pendor mais conservador ou com irreverência revolucionária, é vê-la alegre e contente, nos rostos dos portugueses a exibir todo o seu fulgor e vigor.



(candidato ao post mais fútil do ano e revelador do deserto de ideias [e vontade confesso] que tem assolado este espaço. A ver se fazemos uma boa ponta final,para acabar o ano em beleza ;)

2009-12-04

A beleza do 28.


imagem: Banksy


Quem viaja/viajou na Carris de há dois anos a esta parte, certamente deve ter reparado no sistema de cores preconizado por essa empresa para segmentar e identificar as carreiras consoante a zona onde as mesmas se destinam a servir.

Embora as mesmas sejam transversais e respeitem essencialmente a critérios geográficos, zonas como a Ajuda/Belém ou Alvalade/Lumiar acabam por representar e respeitar igualmente e à primeira vista a critérios de estratificação social - que nas zonas nobres da Baixa se apresentam sob o neologismo de "gentrificação".

Talvez a contrariar tudo isto, e porque os movimentos pendulares são cada vez mais importantes numa cidade, existem as tais carreiras circulares, que acabam por atravessar em muitos casos múltiplas destas zonas, sendo deveras transversais no tipo de público que transportam.

O que me levam a escrever estas linhas, é precisamente o microcosmos sociológico que pode constituir uma viagem num destes autocarros circulares. Desde o turista que vem de Belém, o yuppie amante de artes e design que entra em Santos, do típico trabalhador suburbano que apanha o autocarro no Cais Sodré, do adolescente que debita chavões e frases do género "ya, woman", como esperar umas centenas de metros, entrar na zona da Expo Sul e de repente conseguir ouvir uma senhora de meia-idade a falar de um PPR que subscreveu a semana passada. Eis parte do encanto da grande alface.