2008-07-08

Formula Student


"Madeirense Gabriel Rodrigues lidera projecto da 'fórmula 1 universitária'

O madeirense Gabriel Rodrigues é o responsável pela construção do carro do 'Técnico' que vai participar na 'Fórmula 1 das Universidades'.

CARROS SIM, BOLAS NÃO

Preferiu, sempre, brincar com carros do que com bolas. Não o esconde e desculpa-se com um "nunca tive muito jeito para jogar futebol", embora também se apresse a dizer que não é uma pessoa "tipo engenhocas." Gabriel Rodrigues, nascido na Venezuela há 23 anos, filho de pais madeirenses e com toda a vida, a partir dos 8 anos, passada na Região, volta a lembrar os "tempos de criança" e das brincadeiras "com os carrinhos" para expressar o "enorme gosto" que tem "por Fórmula 1, ralis, motos…" "Sempre gostei de tudo o que tenha motor e faça barulho", reforça a modos de justificar a sua liderança do projecto FST. Especificando, trata-se da Fórmula Student, no caso uma iniciativa de um grupo de alunos e professores do Instituto Superior Técnico (Lisboa), do qual faz parte, estando no último ano de estudos. Esse projecto "visa a concepção e construção de um veículo destinado a participar na competição internacional Formula Student" (a Fóruma 1 das Universidades), explica o madeirense, que já esteve em anteriores apostas, embora não com a responsabilidade de agora.


BICHINHO DAS VELOCIDADES

Estudante até ao nono ano na Camacha e, depois, até ao 12º na 'Francisco Franco', Gabriel rumou a Lisboa, frequentando actualmente o quinto ano no Técnico, tendo por perspectiva terminar os estudos no próximo ano. "Espero defender a tese que também deverá ter a ver com o protótipo que estamos a construir", revela, antes de alargar horizontes. Por isso, o regresso à terra que o acolheu não está no programa. "Infelizmente a Madeira não tem indústria automóvel, que é onde pretendo vir a trabalhar, pelo que nem deverei ficar em Portugal", anuncia. Com o futuro bem direccionado, Gabriel Rodrigues lamenta não ter tomado contacto com o desporto automóvel quando novo. "Não tive oportunidade, infelizmente, de ter feito karting, por exemplo", reconhece, embora "o bichinho das velocidades" estivesse sempre presente. "Tanto assim que quando apareceu este projecto na Universidade mostrei-me desde logo interessado", confessa, não sendo difícil perceber a alegria que lhe vai na alma "por liderar a equipa que está a construir o novo protótipo com que vamos competir".

CAPITÃO DA EQUIPA


Este projecto - baptizado FST 03 - funciona como actividade extracurricular, sendo, no entanto, gerido pelos alunos do Técnico. Gabriel é o líder mas reconhece que por vezes "há muitas dificuldades", pois "dá muito trabalho", tornando-se complicado "conciliar com o curso." "Esta nossa dedicação de querermos fazer um carro é que torna a tarefa possível mas temos que sacrificar muitas coisas", lembra quem em 2006 já tinha entrado na equipa que então construiu um protótipo. "Entretanto alguns colegas, como já estavam a acabar o curso, saíram e por unanimidade fui eleito capitão da equipa, ficando como seu responsável". O madeirense é, assim, o coordenador do FST 03 pelo que, por exemplo, tem à sua responsabilidade "o cumprimento dos prazos estabelecidos, bem como os contactos com patrocinadores", sabendo-se que da parte do Técnico "há apenas um pequeno apoio".

EM FASE DE MONTAGEM



Compete, também, à equipa responsável "fazer todo o projecto", com excepção do motor "que é de uma moto." Tudo o resto - suspensões, chassis, transmissão, parte electrónica… - compete aos elementos do Técnico que têm, ainda, parcerias com algumas empresas. A montagem final do carro, porém, é feita pelos alunos/construtores, processo que se está a desenvolver neste momento, o que precede a "fase de testes." Esta deve acontecer a partir desta semana "com testes em pista", bem como "o treino dos pilotos". Ao todo, o regulamento estipula quatro a seis pilotos, entre os quais está Gabriel Rodrigues. Que não vê a hora de se sentar no veículo e… arrancar! Para já, o sonho começa a ser uma realidade. "É uma sensação indescritível aquilo que sinto", confidencia, acreditando que o 'seu' carro "irá dar muitas alegrias".

60 a 70 Mil euros - O Projecto do FST 03 está avaliado em 60 a 70 mil euros, com alguns patrocinadores a se manterem desde 2004, "demonstrativo de que o trabalho é bem feito". Este ano a verba referida tem a ver com a "construção de um carro novo", o que é feito de dois em dois anos. "Infelizmente não podemos construir um carro todos os anos como a maioria das equipa faz".


Três madeirenses na equipa - Gabriel Rodrigues não é o único madeirense incluído no Projecto do FST 03. Há outros dois jovens estudantes do Técnico que são naturais da Região. Um, Carlos Vasconcelos (22 anos), é do Porto Santo, o outro, Rui Andrade (22 anos), é do Funchal. O primeiro é responsável pela área da 'transmissão', enquanto o segundo, à semelhança de Gabriel, é estudante de engenharia electrotécnica, pelo que está na parte de electrónica do carro. O trio madeirense mostra-se na foto aqui ao lado.

Fórmula 1 das Universidades

A Formula Student é uma competição exclusiva para Universidades. Uma competição semelhante, mas reduzida à escala, a todas as grandes competições actualmente existentes no panorama automóvel mundial, tais como a Fórmula 1, Fórmula Indy, Car Racing... A ideia é construir os melhores e mais rápidos carros, e estimular a tecnologia para obter soluções inovadoras. No entanto, tudo tem que ser feito dentro de um apertado 'budget', respeitando regulamentos complexos com base nas competições automóveis sob a égide da FIA.

Classificações variadas - Com o carro pronto não fica o trabalho feito. Ou seja, não basta ir para a pista acelerar e… já está. Isto porque a filosofia da competição da Fórmula Student tem diversas variantes. As capacidades de organização, apresentação e exposição são postas à prova num conjunto de provas de Desing (Prova de Engenharia), Business Presentation (obrigatoriedade de ser apresentado um Business Plan) e Cost & Management (prova de custos) têm um peso importante na classificação final.

Três classes

Nas provas há três classes de competição, de acordo com o estado de evolução do projectos. Estas: a Classe 3, classe de projecto; Classe 2, classe de protótipos das peças que compõe o carro final, e a Classe 1, que é a classe rainha onde, para além das provas atrás mencionadas, são ainda avaliados todos os protótipos em vários tipos de provas dinâmicas, desde provas de aceleração frontal e lateral até ao 'Endurance' de 22 km de distância. O carro do Instituto Técnico irá concorrer na Classe 1.


A mais de '180 à hora' - Os protótipos são monolugares do tipo Fórmula 1, onde os propulsores utilizados pertecem a motas, e por regulamento não podem exceder os 615 cc. Estes motores têm performances muito interessantes, visto acelerarem dos 0 aos 100 km/h em menos de 4 segundos, atingindo facilmente velocidades superiores aos 180 km/h. Os monolugares têm pesos entre 170 kg e 300 kg, com piloto.

Competição na Alemanha

A equipa do Técnico liderada pelo madeirense Gabriel Rodrigues irá competir na pista de Hockenheim, na Alemanha. Ou seja, no Fórmula Student Germany, em Agosto próximo. Esta terceira geração do Projecto FST - o FST 03 - está apostada em vencer, com a entrada no 'top 20' como a grande meta."


Texto de Duarte Azevedo in dnoticias.pt


Nota do editor: Este blog deseja a maior das sortes ao projecto em questão. Há cerca de sensivelmente mês e meio, tive o privilégio de visitar a convite do Gabriel, a sala de projecto e ver o esqueleto do bólide (havia uns problemas com a entrega de certas peças por parte de fornecedores, mas isso aparentemente já está resolvido), assim como me sentei na "bacquet" do anterior protótipo (claro que estava parado, dada a minha inaptidão para o volante...).


Na altura devido a problemas de ISP (que motivaram o meu desaparecimento cibernético por +/- 3 meses nessa altura), não me foi possível efectuar um "post" sobre o tema e a visita, mas fico extremamente contente por ver o justo reconhecimento que começa a aparecer, dado todo o afinco e paixão postos por ele e pela restante equipa no projecto.


Mesmo com evidentes limitações face a desiguais condições providenciadas por equipas de universidades de outros países com maior "know-how" e capacidade de captação de apoios na área (basta dizer que há equipas que fazem as seis ou sete corridas que compõem todo o circuito desta competição promovida pelo I Mech E - Institution of Mechanical Engineers, um reputado organismo inglês que é uma espécie de ordem dos engenheiros mecânicos para acreditação dos mesmos), fica aqui a prova de que no nosso país, inovar e fazer algo diferente é possível. Necessário será acreditar e investir na nossa massa humana (ao invés de se insistir no prolongamento da política do betão), apoiando estas iniciativas, promovendo o intercâmbio de ideias e fazendo com que o saber das acdemias tenha uma real aplicação no mundo empresarial, sendo que o exemplo aqui dado é concerteza um exemplo muito positivo a seguir.


Para mais info: formulastudent.com ou dem.ist.utl.pt ou press release após participação 2006

1 comentário:

Jay disse...

Pois é... Finalmente alguma projecçao.. a ver se começam a aparecer mais alguns patrocinios.
Tambem já tive oportunidade de visitar o paddoc-club e ver de perto os pormenores tecnicos do formula. Muito interessante mesmo.