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2009-02-16

A propósito da Venezuela, notas sobre o referendo...


"(...)Outro facto que ressalvou desta entrevista, foi a (demais conhecida) veia populista de AJJ. Nem falo pela postura de apelar directamente portugueses, falando com desdém da restante classe política, estabelecendo assim uma ligação de simpatia - explorando um sentimento comum ao português médio.
Falo da sua insistência na mudança, por referendo, de regras contidas na Lei Geral do país. Diz que não entende o porquê de estas não serem passíveis de mudança. Creio que não é necessário explicar a diferença entre a democracia representativa e a directa - Benjamin Constant no início do séc. XIX faz uma excelente analogia entre " A Liberdade dos Antigos comparada com a dos Modernos". Nem explicar o fim trágico que a República de Weimar teve e o autêntico plebiscito que levou Hitler ao poder. Ou demonstrar como o argumento da Lei das Finanças Regionais e o apelo ao voto de protesto contra Lisboa, inquinou e afastou qualquer tentativa de discussão de programa de governo (desconheci se o PSD-M apresentou algum), afinal o que estava em jogo nas regionais de 2007.(...)"

in desbobina [16-01-2009)

Chavéz mais 10 anos. Por cá Alberto João Jardim (AJJ), Mesquita Machado, Fernando Ruas, Valentim Loureiro e outros tantos caciques há bem mais de 20 ou 30 anos...nem me dou ao trabalho de referir a ironia da questão, nem aos similares métodos de captação de votos que são empregues.
Importa sim chamar a atenção para uma ideia defendida por AJJ, aquando da [espécie de] entrevista de Mário Crespo [que escrevi na altura aqui neste espaço - ler excerto em cima]. Queria alterar a constituição de modo a poder referendar príncipios contidos na Constituição da República Portuguesa (CRP). O ocorrido na Venezuela, serve apenas para exemplificar um de malefícios que daí poderiam redundar.

Mas não nos fiquemos por aqui. Permitam-me uma pequena nota antes da reflexão propriamente dita. Leio muitos clamores na imprensa e em comentários, contra este referendo de Chávez, quer criticando a validade do mesmo, quer criticando a insistência por parte do dito líder no assunto [é já uma segunda consulta popular sobre o tema].
Então que dizer do Não irlandês ao Tratado? Não estará em vista um segundo referendo? Não haverão, por parte da Comissão, inúmeros apoios, benesses e clausulas "opting-out" tendo em vista a captação do Sim irlandês? No fundo o princípio não será o mesmo?

Olhando ao escrito, importa antes mais, reflectir sobre o referendo enquanto mecanismo de consulta popular. Tenho para comigo que o mesmo é um poderoso instrumento de averiguação da vontade popular, transportando a decisão de um nível superior para um nível ao alcance real dos cidadãos.
No entanto, há que ter em conta que a aplicação do mesmo tem de respeitar certas premissas.

Em primeiro lugar, sou mais apologista do uso deste em matérias e questões locais ou municipais, isto porque cognitivamente e identitariamente as questões efectuadas estarão á partida ao alcance do eleitor comum [que recorde-se, por norma, apenas possuí um enfoque a curto prazo muito focado na sua perspectiva individual e dos seus que o rodeiam].

Em segundo lugar, as próprias questões que são submetidas a referendo têm de ser bem ponderadas e estruturadas para que possam ser compreendidas pelo eleitor. Isto, porque se este não perceber bem o alcance do que é referendado, corre-se o risco do mesmo poder ser aproveitado por certos sectores damagogicamente, ou ser instrumentalizado para a obtenção de algum fim [daí o cuidado com as perguntas, que paradoxalmente acabam por se tornar inteligíveis para o eleitor comum].

Acredito e aceito plenamente o referendo nacional em matérias de costumes. Acredito que a sua banalização enquanto instrumento de consulta popular em questões locais ou municipais, daria um importante acréscimo à natureza democrática da gestão municipal - para além do óbvio ganho em termos de aproximação eleitor-eleito, quer pelo "empowerment" cívico que se geraria.
Mas olhando ao que escrevi em cima, ao contrário do sr. Jardim, considero negativa a ideia de referendar normas constitucionais [no caso da regionalização torna-se um imperativo constitucional - vide artigos 255º a 262º]. Isto porque os eleitores comuns não iriam entender o alcance do que era proposto a referendo. O risco de instrumentalização e de manietação dos reais alcances do que era proposto seriam enormes, tal como se verificou na Venezuela.

2007-11-25

55% quer referendar o novo Tratado de Lisboa

Durante algumas semanas mantivemos esta poll de modo a aferir o grau de aceitação ou rejeição por parte de todos aqueles que nos visitam, a um possível referendo acerca do novo Tratado de Lisboa.
Os resultados indicam que em 20 votos:
- 11 indicaram querer referendar a questão;
- 5 não desejam esta forma de aprovação;
- 4 que se manifestaram indiferentes ao método escolhido.
Estes resultados poderão não ter qualquer tipo de valor ou acuricidade, mas podem indicar uma tendência dos portugueses em querer referendar a questão, pronunciando-se pela 1ªprimeira vez, 21 anos depois da adesão europeia, sobre estas importantes questões.

2007-10-14

(Possível) Tratado de Lisboa

...aproxima-se a passos largos a Conferência Intergovernamental (CIG) que poderá ditar em grande parte o sucesso ou não desta presidência europeia...acaba dia 18 o prazo dado à presidência para a reformulação e elaboração de um novo Tratado que condense todos os tratados da União - ver o projecto por aqui. Este é deveras importante, pois será a plataforma para futuros avanços e aprofundamentos da União...Por outro lado, facilitará a preparação das importantes cimeiras com Rússia, China e África, assim como dará mais tempo para se tratar de questões relacionadas com a situação no Kosovo ou em questões relacionadas com energias renováveis...

Ainda não refeita do enorme alargamento efectuado, a UE necessita optimizar os seus recursos e torná-los mais ágeis de forma a facilitar o seu funcionamento. Curiosamente o seu gigantismo e a necessidade de uma concordância a 27, leva a que este tratado possa aparecer com algumas cedências a países mais renitentes ou com uma opinião pública tendicialmente eurocéptica casos da Inglaterra, da Dinarmarca, da Holanda ou ainda de algum fica-pé de cariz político caso da Polónia (que irá a votos dois dias depois desta CIG).

Prevendo-se desde já contra os desastres ocorridos nos referendos na França e na Holanda, parece que as promessas feitas de sujeitar esta proposta à vontade popular não estará a ser muito aconselhada...17 apíses já refrendaram a questão e dos restantes, apenas a Irlanda é obrigada a sujeitar esta proposta de Tratado a referendo. Que caminho seguirão os restantes? Será que no nosso caso a promessa feita pelo Governo cairá em saco roto? Por outro lado, estando Portugal à frente da presidência, não quererá salvaguardar este tratado, dando o exemplo e não fornecendo argumentos para que as opiniões públicas desfavoráveis de certos países europeus igualmente exijam o referndo pondo em perigo o Tratado e causando danos extremamente graves e difíceis de reparar...

Criei uma pequena sondagem acerca da aceitabilidade ou não de um referendo sobre esta questão...

Da minha parte e visto este tratado prever um maior aprofundamento do princípio da subsidiariedade, aproximando a política a um nível mais terreno junto dos cidadãos, julgo ser coerente referendar a questão.

mais info: Presidência União Europeia - Portugal 2007

2007-07-22

warning...

O marshall Cavaco deu um aviso ao cowboy João Jardim...aos microfones da TSF indicou que quando a legislação não é cumprida, os cidadãos podem recorrer aos orgãos de justiça para obrigar a aplicar a mesma, isto a propósito da recusa do Governo Regional em aplicar a lei do aborto.

Continuará AJJ e seus pares a negar este direito às madeirenses que queiram abortar?

2007-06-24

levanta-te Lázaro...

...socorrendo-me do ditado "água mole em pedra dura tanto bate até que fura", foi dada a possibilidade de haver uma nova redacção ao defunto tratado constitucional que tinha sido ferido de morte após o Não em referendo, na Holanda e na França...
...e como um sopro de vida, a palavra "Constituição" ou similares foi afastada, ficando apenas a simples palavra "Tratado", sendo então a possibilidade de se aprovar um texto até ao final de 2007, de forma a que este seja ratificado até às eleições europeias de 2009...
Mas quais serão os custos destas cedências preconizadas pelos países mais cépticos ao tratado?
Será que teremos novamente o adiar da inclusão neste texto de matérias tão sensíveis como a Defesa?
Ultrapassará esta Europa as diferenças e fracturas visíveis?

Tem a palavra a presidência portuguesa...

P.S. Espero ratificar o tratado em referendo...Será que depois do que aconteceu na Holanda e na França, as ratificações por referendo popular não tenderão a ser suprimidas?