2010-01-29

10 pm | 05x02=10 | Ler Devagar | Lançamento PROJECTO10


Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Ilustração: Gonçalo Martins
Áudio: Zé Pedro Alfaiate

Hoje é o dia! Hoje é o dia!

Acaba hoje o que a Apple chamaria tabu se fosse parola. Não sendo, fez saber que lançaria a 27 de Janeiro de 2010 (confirmem, é hoje) uma coisa que mudará as nossas vidas. Fez-se suspense, correram rumores, atropelaram-se boatos. Se Isaac Newton, naquele dia de 1666, tivesse anunciado na taberna "hoje, sento-me sob a macieira e vou inventar a lei da gravidade", não teria inquietado tanto a aldeia de Graatham. O que é que a Apple nos vai dar hoje? Consta que é plano e táctil, que vai pôr-nos, desta vez a sério, a ler jornais e livros electrónicos, que junta os smartphones e os computadores portáteis num só ecrã de palmo, que dá para jogar electronicamente e navegar na Internet mesmo ao décimo dia de soterrado num terramoto… Enfim, que, desta vez de vez, podemos prescindir do outro porque cada um de nós passa a ter o mundo na mão. Será? Se calhar vocês já sabem quando me lêem, a notícia já saltou, a Apple já se revelou - eu é que me roo todo, a horas de saber a coisa que me vai mudar a vida. Mas tenho uma suspeita. Consta (é um MacRumor) que a coisa se vai chamar iSlate. "i" do que já sabemos, internetices, e "slate" de lousa, ardósia em inglês. Hmmm, esta do "slate", com todo o seu ar retrógrado, traz água no bico. Suspeito que a Apple vai reinventar a conversa. 
Ferreira Fernandes in DN, 27 Jan 10

Afinal hoje não foi dia para iSlate mas sim para iPad. Depois logo se vê se a conversa foi mesmo reinventada...

Steve Jobs apresentou esta tarde aquilo que todos esperavam: um tablet pc, vocacionado para tarefas como a navegação na Web, ver vídeos e ler livros. (ler mais)
in Público, 27 Jan 10

2010-01-17

Impressões

Estou neste momento no campo humanitário improvisado na fronteira entre a República Dominicana e o Haiti. Chegámos ontem no corredor humanitário que se estabeleceu de Santo Domingo aqui e não nos deixaram avançar por ser de noite.

A confusão era visível. Era preciso passar a noite aqui e perceber o que se vai fazer depois. Ouve-se a noticia que mataram dois cooperantes no caminho de Port-au-Prince até à fronteira e atacaram mais dois com catanas. As noticias são confusas. Mesmo nestes cenários vão-se acrescentando pontos à história. Afinal foi ontem. Ontem morreram 4 dominicanos que não vinham escoltados e hoje dois cooperantes foram baleados.

Há sempre pessoas que morrem. É difícil aceitar porque é que acontece, mesmo quando sabemos que se está a fazer o possível para garantir a segurança de todos. No entanto, olhando a nossa volta, tudo fica tão relativo, até estas situações onde a ajuda é um alvo.

O cenário é sempre exagerado, e o que passa para quem está longe é o que uma câmara ou um fotografo (que são às centenas!) captam mas a verdade é que a partida ficou planeada para hoje às 8h da manhã, com a supervisão da MINUSTAH até à capital, por motivos de segurança. Tudo o resto é desaconselhado - não há heróis e a irresponsabilidade de andar sozinho por zonas que não se conhecem, pode originar fatalidades, como foi o caso. Priorizaram as equipas de resgate e as outras irão, como nós, por volta das 14h30 daqui. Chegaremos a tempo de receber a equipa que espera autorização para aterrar no aeroporto e começar, já e finalmente, a montar o campo de deslocados com assistência médica.

A zona zero da capital é onde estão os capacetes azuis e que garantem a protecção dos campos humanitários. A questão que se põe não é a violência que se vive - é preciso ter em conta que o Haiti era um país instável antes do terramoto -, mas o que o desespero está a causar: não há água e com todos estes atrasos a ajuda chega a conta gotas. O aeroporto está lotado, as estradas têm os seus horários e tudo isso leva a que a população não consiga ser atendida com a celeridade que é necessária.

Mas pode-se trabalhar a todos os níveis, ninguém está parado. Sinal disso é que estou na minha tenda, no meio de um descampado de terra batida com wifi. Muitos podem perguntar qual a necessidade de ter pessoas que, à primeira vista, não são técnicos de saúde, ou de água ou de refugio. A resposta, para mim, é clara. Porque para que esses possam apenas dedicar-se ao que vieram, é necessário coordenar tudo entre as centenas de actores que se encontram aqui e essa é uma das grandes dificuldades: estabelecer uma ordem no caos. Trabalhar por conta própria leva a mal entendidos, a situações de duplicação de esforços e leva, acima de tudo, a desconhecimento da situação.

O hospital não tem mãos a medir. Muitos dos feridos estão a ser transferidos para os hospitais dominicanos e é impressionante ver lutar contra o tempo nestas situações.

Nem vale a pena pensar no "e depois da catástrofe?", porque, neste momento, estamos ainda a tentar estabilizar e garantir uma resposta eficiente e coordenada. Mas muitos sabemos que depois de um mês, aí sim se poderá perceber quem veio para ficar.

2010-01-14

Desbobina no Haiti



"AMI envia missão exploratória para o Haiti

A Assistência Médica Internacional (AMI) envia amanhã de manhã uma equipa exploratória para o Haiti, disse ao PÚBLICO o presidente da organização, Fernando Nobre.

A equipa é composta por Tânia Barbosa, directora do departamento internacional, e Marta Andrade, coordenadora de projectos, que viajarão via Madrid e Miami, e deverão chegar à capital, Port au Prince, pela hora de almoço de sexta-feira.

As representantes da ONG portuguesa levam consigo 20 mil dólares, valor máximo com que podem entrar no país. O dinheiro poderá ser usado na compra de água e primeiros medicamentos e desinfectantes. “Vão com os meios possíveis para já”, disse Fernando Nobre.

“É uma missão exploratória e de primeiros socorros com os meios possíveis e vão procurar articular-se com os parceiros locais”, afirmou o presidente da organização, que admite o envio posterior de uma missão de “maior envergadura”.

Em Setembro, uma equipa da AMI chefiada por Fernando Nobre esteve no território, numa missão centrada na prevenção de catástrofes naturais."

in publico.pt


Ao que parece, está a concretizar-se o pior cenário dantesco preconizado. O Haiti está à mercê de toda a ajuda internacional possível e estas primeiras horas são essenciais. Um abraço especial à nossa desbobinadora Marta Gomes de Andrade (black), que mais vez foi enviada a um cenário adverso, tentando minorar os danos acontecidos.



diz que é uma espécie de duplo



A CAN é festa. A CAN é alegria. A CAN é espectáculo. Ao que parece com guarda-redes acrobatas. como um circo. Ou como num filme. Tal e qual um duplo. Em Angola. Já sem tiros. Na Taça Africana das Nações. O sósia de Botende. Nem o Olivier diria melhor.


2010-01-13

Nove Círculos, Três Vales, Dez Fossos e Quatro Esferas.



"O Haiti “está mesmo a precisar de ajuda”, disse o embaixador dos Estados Unidos naquele país à CNN, depois do sismo de magnitude 7.0 na escala de Richter, seguido de duas réplicas (5.9 e 5.5), que esta terça-feira abalou um dos mais pobres países do mundo. O epicentro foi a 15 quilómetros da capital, Port-au-Prince, às 17h12 (22h12 em Lisboa) (...)"

in publico.pt

A título de comparação, a bomba atómica detonada em Nagasaki em Agosto de 1945, ainda que detonada no ar, teve um impacto semelhante a um sismo de 5.0 na escala de Richter, provocando os impactos que se sabe.

Este atingiu 7.0 nessa mesma escala (que vai de 0 a 9 - embora já se admita intensidades maiores), tendo um epicentro a apenas 15 km da capital Port-au-Prince, capital do Haiti, o país mais pobre das Américas e um dos mais pobres do mundo. Uma república que desde o seu início em 1804, tem estado constantemente envolta em instabilidade social e política.

Segundo as últimas notícias, poucos edifícios foram poupados, tendo inclusivé o Palácio Presidencial sido gravemente atingido, assim como outros edifícios primordiais.

Se a situação do país antes desta catástrofe, já mostrava era preocupante, estando totalmente dependente de ajuda externa, com todos os sintomas de um Estado Falhado - a nossa desbobinadora Marta Andrade (Black) poderia explicar isso bem melhor que eu, dado que este foi o seu objecto de estudo durante o seu mestrado, tendo estado no terreno - não encontro melhor alegoria para descrever a situação que recordar o Inferno de Dante Alighieri.


imagens via twitter


Dejá Vu


"Apesar de ser uma obra recente e muito vultuosa, é já notório o abatimento que ocorre no solo junto da muralha que suporta o recém-inaugurado Estádio de Câmara de Lobos. O brutal investimento de 11,5 milhões de euros parece assim afundar-se, embora a situação seja minimizada pelo promotor da obra, o Governo Regional (...)"

in dnoticias.pt



Nova Marina do Lugar de Baixo?

Quantas províncias existem no Canadá?


LIVRARIA LER DEVAGAR - ALCÂNTARA, LISBOA


2010-01-12

Positive thinking making us miserable

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/northamerica/usa/6952353/Positive-thinking-making-us-miserable-says-author.html

A ideia que o pensamento positivo foi o que nos colocou na crise mundial que enfrentamos mundialmente, talvez não será tão rebuscada quanto isso.
Um tease para cada um de nós pensar sobre se será pessimismo ou realismo o que a sociedade ocidental realmente necessita.

2010-01-11



"The 12 year break is over & school is back in session. Sign up now. Knights of the Soundtable ride again! http://www.soundgardenworld.com/"

Chris Cornell via Twitter

Uma boa maneira de começar o ano. Musicalmente falando. The 90's are back. Mais aqui

2010-01-07

Enquanto nós por cá...



imagem retirada daqui (autoria James Cauty)

"Barack Obama nomeou uma transexual de 48 anos para um cargo público de relevo. A opção está a ser aplaudida pelas organizações de defesa dos direitos dos homossexuais e transexuais(...)"

in Jornal de Notícias


Muitas vezes pequenos gestos podem enviar grandes mensagens à sociedade. Numa matéria exclusica da esfera pública - o casamento em causa é o civil, é engraçado verificar que o que move a maioria dos defensores do não, são razões de foro espiritual/confessional.

Mais que o simples conceito de casamento - aliás muito lato e em constante evolução, o que está aqui é uma questão de acabar com uma descriminação sobre uma minoria. E o Estado, numa sociedade laica como a nossa, como máximo zelador pelo bem comum, deve e pode dar o exemplo. Tal como Barack acabou de o fazer nos EUA.


2010-01-06

Ainda o Ano Novo



Este ano apenas engoli 10 passas. Daqui a 30 dias saberão porquê!

Poema Melancólico a não sei que Mulher

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...


Miguel Torga

2010-01-05

95 anos

Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti - não me respondes
Bejo-te as mãos e o rosto - sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga

2009-12-29

web 2.0 suicide machine promotion from moddr_ on Vimeo.



Um conselho com o seu quê de mórbido, mas que certamente faria bem a muitas pessoas.

Brinquinho do Alberto vs Harpa de Nero



imagem D*Face



in publico.pt


Já agora, se porventura não fosse incómodo, que tal procurar um modelo alternativo de desenvolvimento e governação?

Olhando ao recente Orçamento da Região Autónoma da Madeira para 2010, onde mais uma vez as despesas afectas a infraestruturas nada sustentáveis [e na maior parte das vezes com claros propósitos eleitoralistas - nem falo da parte das receitas extraordinárias previstas], são uma parte de leão do mesmo, não sei até que ponto as consequências futuras da prossecução desta autêntica política suicida, não hipotecarão o futuro das gerações vindouras.

O círculo aparenta estar a apertar-se [recorde-se exemplo de notícia da entrega de escolas e equipamentos de saúde como garantias bancárias para conseguir empréstimos para pagar despesas correntes] e as claras insuficiências deste modelo são cada vez mais notórias. Já aqui escrevi que em política, o comum eleitor tende a não ter uma perspectiva a médio-longo prazo, recompensando politicamente muito a existência de obra, ou seja algo em termos palpáveis e visíveis - como o são betão e cimento. Os alertas para as consequências do arrastar deste tipo de modelo, já há muito eram conhecidos [existem estudos efectuados para o GR desde o início da década por parte de consultores], pelo que apenas se pode deduzir que apenas os ganhos políticos e a lógica da auto perpetuação política apenas estarão a justificar a insistência neste modelo.

Tendo em conta isto e prevendo-se o pior, já aqui dei conta que será engraçado saber como será retratado e relembrado este período, pelos próprios madeirenses daqui a 10 anos.

Já agora e em jeito de conclusão, não resisto a arriscar uma profecia qual Nostradamus. Não passarão muitos anos até introduzirem portagens na Via Litoral. Já esteve mais longe.

2009-12-28

A demissão prematura de Mourinho



imagem daqui


"O ano acaba mal: José Mourinho, o meu treinador português preferido, demitiu-se. Não, não se demitiu do Inter, mas da selecção nacional. Ele que dissera que um dia seria seleccionador nacional veio, agora, garantir que não, não quer.

Recusou com a Constituição na mão, como nos tribunais americanos se jura sobre a Bíblia. José Mourinho disse: "Se algum dia for seleccionador direi não aos naturalizados." Lá está, recusou ser seleccionador. Como ele não pode negar a nacionalidade a um cidadão português, como são os naturalizados (portugueses plenos, com a excepção de poderem ser eleitos presidentes da República), Mourinho serviu-se de uma forma floreada (quem não floreia no futebol que deite a primeira pedra) para dizer não à selecção nacional. Disse que não quer naturalizados na selecção, como podia ter dito: "Se algum dia for seleccionador direi não a quem vota no CDS (ou a quem é cristão ortodoxo)"...

Pronto, Mourinho demitiu-se. Tenho pena é que me tenha tirado já a ilusão. Gostava de ficar à espera até que ele viesse para a selecção, como prometeu, "no fim da carreira". Tenho de me contentar com Pepe, o naturalizado, que felizmente não esperou pelo fim da carreira para dar alguma coisa à selecção portuguesa. A dele."

Ferreira Fernandes in DN


"Os árbitros portugueses são os que mostram menos cartões às equipas da casa em jogos de competições europeias. Um estudo publicado na revista "Journal of Economic Psychology" analisou 1717 jogos da antiga Taça UEFA e Liga dos Campeões (épocas 2002/03 e 2006/07) e revela que os juízes portugueses batem os recordes de discrepância entre cartões mostrados a equipas visitantes e visitadas. Os mais prejudicados são os forasteiros. Em média, as equipas da casa levam 1,62 cartões amarelos por jogo; nas equipas de fora a média é 2,57(...)"

in Ionline.pt



Vale a pena ler esta peça do I. Quando às conclusões do estudo, creio que bastaria ir a algum jogo nos regionais/distritais , ver as condições em que se disputam a esmagadora maioria dos jogosm para se perceber o porquê desta tendência [o nosso desbobinador Old Shatterhand que o diga]. E quando assim é...

2009-12-27

O "teste para a democracia"



imagem daqui

"Eleitores do Uzbequistão começaram a votar para eleger o Parlamento, naquilo que o Presidente Islam Karimov considerou "um teste para a democracia" desta antiga república soviética, independente desde 1991.

As mesas de voto abriram às 06:00 locais (01:00 de Lisboa) e mais de 17 milhões de eleitores poderão votar até às 20:00 locais nos 506 candidatos que se afirmam todos defensores da política do governo, na disputa dos 150 lugares no Parlamento.

Segundo a lei uzbeque, 15 lugares estão reservados aos deputados do Movimento Ecológico do Uzbequistão, criado em 2008 e integrado por militantes pró-governamentais."

in DN



Eis mais uma estranha concepção de democracia, isto sob o prisma ocidental, indicada por uma pessoa do antigo aparelho soviético que desde a independência do Uzbequistão em 1991, se tem perpetuado no poder com votações com mais de 90%, quer passando por limitações constitucionais de dois mandatos - 5 anos cada [já agora, diga-se de passagem que é uma prática comum nesta parte do globo e os déspotas vizinhos até conseguem votações mais "retumbantes"].

Isto num país situado no chamado crescente turco, em plena Ásia Central, rico em recursos naturais como ouro e urânio - economia essencialmente recolectora, com especial incidência em culturas intensivas insustentáveis como o algodão (vide desastre ecológico do mar Aral) - recortado e tendo vastas extensões de deserto, com apenas 10% de terra arável.

Fora dos radares mediáticos, eis mais um pequeno exemplo do que acontece num país que figura nos tops de países mais repressivos para com imprensa, liberdade de associação, liberdade religiosa, com constantes violações de direitos humanos, mas que por circunstâncias geopolíticas - apoio na guerra ao Afeganistão e concessão de bases aéreas para apoio de acções militares na região - é tolerado pela comunidade ocidental, fechando assim olhos à grande repressão exercida sobre a população. Uma sociedade onde mais de 45% vive com menos de 2 dólares por dia e onde o Islão radical é uma real ameaça [em parte por via de todas estas circunstâncias] devido a crescimento da corrente wahabita do Islão - fortemente financiada pela Arábia Saudita, em contraponto a uma tradição endógena mais pacífica, mística e menos radical, mais característica da região como a corrente sufista [recordo e recomendo a leitura de "Jihad - Ascensão do Islão Militante na Ásia Central" de Ahmed Rashid para melhor percepção da profundidade das mudanças].

Feito este pequeno retrato, a notícia ilustra um bom exemplo no extremo, de certa "normalidade democrática" muitas vezes prevalecente em sociedades gravemente desiguais, onde a riqueza está concentrada nas mãos de uma pequena elite que insiste em se perpetuar no poder e onde as básicas noções de protecção de opiniões divergentes simplesmente não são consideradas ou tidas em conta em prol de um suposto unamismo agregador. Faz-vos lembrar algo?