
Faz hoje 31 anos desde que as seculares e legítimas pretensões dos povos madeirenses foram atendidas, dando a este arquipélago a tão desejada Autonomia.
Posto avançado para as Descobertas, posto de experiência de culturas e modo de organização nas colónias (ex: a cultura do açúcar foi levada da madeira para o Brasil; o método da divisão em capitanias foi testado nas ilhas atlânticas, etc.), ilhas escarpadas, perdidas e rodeadas por um imenso oceano, estes territórios sempre padeceram do problema de estarem longe dos principais centros de decisão do território, sofrendo com isso várias agruras como subdesenvolvimento e falta de sensibilidade dos decisores políticos para com os seus problemas específicos, fomes cíclicas, ataques de corsários (ajudados por pouco investimento feito na defesa da ilha), entre outras coisas...
Os anseios autonomistas começam a manifestar-se de um modo mais convicente, em finais do período da Monarquia Constitucional; com a República e ajudados pelo impulso açoreano (que pretendia a independência, estando algumas potências por detrás destes ensejos face à sua posição estratégica), em meados dos anos 20 o tema volta à baila; contudo a ditadura e as duas revoltas ocorridas em 1931 e 1936 (a da Madeira e a do Leite), ajudam a tornar a região desprezada para o Poder Central.
Perdidas no Oceano Atlântica, desprezadas durante muitos séculos pela metrópole, só em 1976 os arquipélagos atlânticos obtiveram um estatuto autonómico, que não perturbou o princípio de continuidade territorial do estado português, mas reconheceu algumas particularidades especiais a estes arquipélagos...
Não me irei alongar muito mais, mas esta breve introdução serve para por um lado, manifestar algum repúdio face a algum autonomismo bacoco que é normalmente usado por muitos políticos locais, assim como mostrar que as conquistas autonómicas não são propriedade de A ou B...Defendo um aprofundamento da autonomia, mas recusando veemente a visão dicotómica de eles contra nós, como muitas vezes querem fazer passar. Naturalmente esta é a minha opinião e neste blog existem pessoas que não terão esta opinião.
Numa altura em que a crispação para com o poder central atinge altos níveis, fica aqui feita a menção a este dia, em que curiosamente se inicia uma decisiva presidência portuguesa da UE, que toca a muitos dos bloguistas deste espaço que tiveram o privilégio* de nascer na Pérola do Atlântico (onde me incluo com muito orgulho)...
...e porque desde 1987 (se não estou em erro) temos uma bandeira e um hino regional, vamos lá recordar a letra do mesmo, numa espécie de reciclagem...eheh...
Do vale à montanha e do mar a serra,
Teu povo humilde, estóico e valente
Entre a rocha dura te lavrou a terra,
Para lançar, do pão, a semente:
Herói do trabalho na montanha agreste,
Que se fez ao mar em vagas procelosas:
Os louros da vitória, em tuas mãos calosas
Foram a herança que a teus filhos deste.
Por esse Mundo além
Madeira teu nome continua
Em teus filhos saudosos
Que além fronteiras
De ti se mostram orgulhosos.
Por esse Mundo além,
Madeira, honraremos tua História
Na senda do trabalho
Nós lutaremos
Alcançaremos
Teu bem-estar e glória.
* opinião pessoal e imparcial de um madeirense...juro...eheh