2010-05-04

Hoje adicionei um cão na minha rede de amigos no Facebook*


"É engraçado ver como o uso das palavras se vai transformando. A amizade tem-se no imaginário cultural como uma coisa que se adquire, que se trabalha. No Facebook carrega-se num botão e é-se amigo de alguém. As palavras vão ganhando contextos e contornos diferentes" João Cardoso in publico.pt


Definitivamente com a proximidade fornecida pelas redes sociais e a web 2.0, há que repensar certos conceitos. Entre os quais o de amizade, em especial o de amigo. Conheço pessoas que adicionam tudo e mais alguma coisa. Outras que não. Outras que utilizam as redes como meio de maior aquisição do dito capital social. Outras que simplesmente usam as redes como mero escape recreacional. O que acaba por ser comum nestes exemplos é verificar a diversidade significados que se atribui à palavra amizade ou ao acto de se tornar amigo numa rede social na internet.

Será que esta mutação não é assim tão linear e este post pode aparentar ser algo alarmista - dirão que as pessoas conseguiram sempre discernir entre as ditas amizades reais e as virtuais, ou não fará de todo sentido pensar que com a evolução tecnológica, certos conceitos tidos como plenamente aceites, não possam vir a ser postos em causa?

É que até já existe o termo "desamigar".


*E ainda tenho convites do Torneio de PES de Santarém (sic), de estalagens rurais, farmácias e lojas de flores da minha esquina.

2010-04-23

Será a ruptura um mero intervalo entre rotinas?

PROJECTO10 #9 from PROJECTO10 on Vimeo.


Desde domingo último nos ecrãs! Espero que gostem!




DEFECAR VIDA

Hoje Contemplo com desdém
esta pária vida.
Pois se sentido existe,
não esperais que seja na prostração!
alma insana,
Guia insaciável da inexistência.

Sobre um manto esconde-se,
o que só por si é, e devia ser,
pois não nos é permitido.

2010-04-22








É comovente.

2010-04-17

Traje de passeio e galochas


...esperemos que estas não venham a ser precisas.

2010-04-16

Sabedoria de Noé.

imagem daqui



Com tanto cataclismo, já começo a pensar em construir uma Arca.




I swear i saw little mermaid just around the corner...

image from here


Pumbaa: Hey, Timon, ever wonder what those sparkly dots are up there?
Timon: Pumbaa, I don't wonder; I know.
Pumbaa: Oh. What are they?
Timon: They're fireflies. Fireflies that, uh... got stuck up on that big bluish-black thing.
Pumbaa: Oh, gee. I always thought they were balls of gas burning billions of miles away.
Timon: Pumbaa, with you, everything's gas.



2010-04-14

Transitoriedade Perpétua

"(...)Um operador de Call Center não luta porque não quer. O emprego é visto como passageiro, uma fase triste da vida profissional que rapidamente passará. Um outro emprego na sua área irá surgir a qualquer altura e, por isso, o facto de o contrato ser de um mês ou de seis até dá força à ideia que o tédio é apenas uma curta fase passageira. Uma boa ilustração deste quadro é a felicitação unânime e efusiva dos colegas quando alguém sai, mesmo que não se saiba para onde: para pior não será, com certeza. Assim, mesmo nas mentes mais combativas, associar-se a um sindicato está fora de questão, na medida em que esse seria o passo determinante para aceitar que este é o seu «ofício». Ninguém quer adoptar essa condição e, por isso, qualquer elo de ligação é sistematicamente combatido. Todos rejeitam a identidade de «call-centristas »: ninguém estudou para isso, é socialmente visto como um dos mais desqualificados empregos dos tempos modernos e portanto humilhante.(...)" in Le Monde Diplomatique - edição portuguesa


Nas linhas de produção do séc. XXI, um estado de transitoriedade perpétua é cultivado e inculcado - os empregos são sempre vendidos como temporários, priva-se toda uma geração de explanar as suas qualificações, desconhecendo-se os efeitos futuros de toda esta situação e de toda esta insegurança vivida. Numa das sociedades mais desiguais da Europa, e tendo o 1º de Maio à porta, vale a pena ler o dossier precariedade do Le Monde Diplomatique.

2010-04-13

Rocky 10?

PROJECTO10 #8 from PROJECTO10 on Vimeo.




...ou o último Tango em Paris?

Lançamento 3# Projecto10 - Jardim do Torel, domingo dia 18 de Abril, pelas 16h.



2010-04-12

Cansado de ser pacífico?



#3 brevemente


Os partidos enquanto espaços de discussão.


quadro via Ultraperiferias



"(...)Um partido que é dialogante, aberto à pluralidade de opiniões, e à sociedade civil, defensor da moderação e da convivência pacífica entre homens de credos e raças diferentes, herdeiro da tradição universalista portuguesa que é estruturalmente avessa a qualquer tipo de xenofobia(...)" in sítio do PSD

Irónico que numas eleições directas quatripartidas, na Madeira em 11 concelhias, Rangel (escolha do Líder Supremo) tenha obtido o pleno em 8 concelhias (!?!). Bem ao estilo disto. É a pluralidade dos partidos políticos no seu melhor.

está a um pequeno caminho de se tornar numa pergunta retórica



Entro num bar no último sábado, olho para a televisão, vejo o resultado 0-1 a favor do Barça. Ingenuamente pergunto "Quem marcou o golo?"...

Para quem esteja por Ankara*...


João Tibério ou JJT cá no blogue, em Ankara a representar o país, numa exposição intercultural.


*Não, não vale o Martim Moniz.


2010-04-10

Ouvi dizer que a música ia ser boa...


...pelo que fica uma dica para esta noite. A olhar à qualidade do blog, creio que musicalmente será uma noite em cheio. Mais info aqui.


Quiz XXXVIII


Não será um paradoxo haver uma cada vez maior desigualdade numa sociedade com cada vez maior acesso à informação?


2010-04-09

Palabras de D10S



"Está num nível muito selecto, sendo o melhor do mundo e a principal figura do Barcelona", disse Maradona. "Encontra-se no caminho certo para se tornar no melhor de todos os tempos, mas essas coisas só se poderão avaliar quando ele terminar a carreira. No entanto, ficaria muito feliz se ele ganhasse o Mundial e se se tornasse o melhor da história" (in Record)


[Nota do editor: a saída de campo de Messi com a bola na mão creio que diz tudo sobre a postura do jogador. Se em criança muitas vezes adormecia com a bola - segundo relatos indicados em entrevistas - aquele abandonar de campo a bater a bola, qual criança, é bem reveladora da felicidade que o jogador sente ao jogar, atitude cada vez mais rara num futebol cada vez mais profissional. Como se de uma peladinha com amigos se tratasse. A escolher um momento da noite, escolheria definitivamente este como revelador do jogador que é, assim como a margem que tem para vir a ser bem mais.]


A descoloração revolucionária


imagem galeria Zé Dos Bois@Bairro Alto, Lisboa


Depois da falência e cisão entre os principais intervenientes da revolução laranja na Ucrânia, dos tiques nada democráticos mostrados pelos vencedores da revolução rosa na Geórgia, uma súbita anomia e anarquia acontece no Quirguistão* depondo a elite instituída pela revolução túlipa em 2005.

Recorde-se que todas estas revoluções foram assim designadas, numa óptica de não violência, como movimentos que espalhariam e trariam liberdade, democratização e efectiva luta contra a corrupção e nepotismos existentes, na senda do acontecido em 1989 com a revolução de veludo, na antiga Checoslováquia.

Ainda que fosse fácil prever este desfecho, olhando ao contexto vizinho onde o país se insere, com a deposição da elite estabelecida pela anterior revolução - devido aos mesmos motivos - pode-se questionar se não houve uma súbita descoloração democrática que afligiu a zona. Mas fará sentido pensarmos em democracia nos moldes ocidentais, quando os valores histórico-culturais do país e na zona tendencialmente os negam? Será a democracia liberal - ou seja que pressupõe um respeito mínimo pelas minorias e oposições - um valor essencialmente ocidental ou fará sentido considerá-lo um valor universal como muitas vezes assim o é retratado? Fará e trará o intrincado mosaico geopolítico alguma estabilidade à zona?


* Curiosamente o nome Quirguistão significa 40 tribos (na sua bandeira o sol representado tem 40 raios), unificadas por Manas na luta contra os calmucos, cuja história é contada no épico de Manas, o poema tradicional quirguize que data do séc. XV e tem mais de 500.000 versos. Dadas as inúmeras facções e grupos étnicos existentes no país - embora a influência turca seja imensa - acaba por ser um interessante paralelismo face à actual situação vivida.

“Stealing things is a glorious occupation, particularly in the art world.”


imagem D*Face



“A goatee-bearded art lecturer said: ‘It is better to be a flamboyant failure than any kind of benign success.’ For me, those words define punk rock.” (Malcolm Mclaren ao Guardian em Agosto passado)


Morreu ontem Malcom McLaren aos 64 anos vítima de cancro.
Provocador controverso e visionário artista ou por outro lado mero empresário manipulador que tentou tirar partido da contracultura que emergiu da década de 60 e 70, aproveitando o choque para instituir novas tendências?
Porventura a resposta certa andará algures entre estes dois conceitos, mas o seu legado é inatacável.
Considerando-se a si próprio como um artista sem portfolio, moldou e deu forma ao que convencionamos chamar Punk nas mais variadas formas, fosse através da música sendo empresário dos Sex Pistols ou no campo da moda abalando os cânones estabelecidos através do da moda pelo traço da sua então companheira Vivienne Westwood. Fiel a si próprio, nos últimos anos, ameaçou concorrer a Mayor de Londres. Uma das suas propostas? Distribuir gratuitamente álcool nas bibliotecas londrinas...



Rio de Lágrimas


foto AP via DailyMail


Depois do 20 de Fevereiro, a equidistância voltou. No entanto, não deixam de ser impressionantes os relatos e as fotos sobre a recente catástrofe que assolou a cidade maravilhosa.



2010-04-06

2010-04-04

Post-It Love

2010-04-03

marco ou areia?


a adoração das marcas by D*Face

"O iPad pode vir a ser tão revolucionário que um dia vamos olhar para trás para o seu lançamento, como um Alexander Graham Bell a falar com Watson", escrevia ontem Howard Kurtz no "Washington Post". "Ou não", acrescentava depois, com uma ponta de ironia(....)".

É hoje lançado o novo gadget da Apple. O iPad, como todos os produtos da marca da maçã, vem rotulado de "next big thing" que revolucionará e ditará as tendências para os próximos anos, envolto claro está, numa imensa campanha de marketing e apoiando-se na ansiedade e na espera da cada vez crescente horda de fãs da marca - muitos dos quais, imbuídos de uma aparente cegueira, não se importarão de gastar € em mais um gadget.

Não querendo suscitar uma fútil guerra - estilo PC e MAC - pessoalmente aparenta-me que este produto, pese toda a expectativa, aparenta-me ser um bluff isto tendo em conta todas as características messiânicas que lhe apontavam. O facto de não ser "multitasking" ou seja, não vir a permitir a realização de várias tarefas ao mesmo tempo é um grande handicap.

Por outro lado, não dispor de câmara e de outras funcionalidades é também lesivo face ao preço dado. Custará sempre mais que um normal Netbook - nicho de mercado que a Apple pretende cobrir. Aceito e acredito nos "macbelievers", que, qual proselitistas me indicam maravilhas acerca dos produtos da marca. Reconheço o melhor design e não tenho dúvidas no melhor desempenho audiovisual e gráfico do produto. Compreendo ainda que a posse dos próprios produtos, possam gerar e facultar a (falsa) noção de pertença a uma comunidade, numa espécie rebuscada de nacionalismo versão 2.0. Como se uma religião se tratasse.

Voltando ao produto, o preço aparenta-me ser excessivo. Assim como o conceito não é propriamente novo - a roupagem sim. E custa-me ver tanta alienação à volta de um produto, que antes mesmo de ser lançado já é um elevado a patamares estratosféricos - vide as previsões de vendas e o "buzz" provocado pelos crentes.

Isso leva-me a concluir que aparentemente areia possa estar a ser atirada à cara do cliente.

Mas como não quero influenciar negativamente ninguém, recupero aqui um texto do guru Paulo Querido sobre o assunto, onde se traça um breve guia do produto.

"throwing down the gauntlet"*



via irmaolucia (via Público 31-03-10 - edição impressa)



E pensar que os duelos eram coisas do passado.


Sobre manoplas - aqui.

em modo copy paste - Desbobina na Turquia

"Cultura Portuguesa em destaque em Ancara

A cultura portuguesa está e estará em destaque em Ancara nos próximos tempos, através de duas iniciativas levadas a cabo pelo leitorado de Ancara do Instituto Camões (IC). A primeira um ciclo de cinema, a segunda uma exposição de fotografia e poesia.
O I Festival de Cinema Português iniciou-se a 29 de Março e termina hoje, nas instalações do Centro Cultural e de Estudos Latino-americanos (LAMER) da Universidade de Ancara.
No primeiro dia estiveram presentes várias autoridades académicas, entre elas o Director do LAMER, o professor universitário Necati Kutlu, bem como todos os alunos de português e muitos outros interessados, para escutar o leitor do IC, Mário Tiago Paixão, falar sobre cinema português e para ver Palavra e Utopia, filme de Manoel de Oliveira com o qual se iniciou o festival.
O festival passou ainda as películas Fado, história d’uma cantadeira, de Perdigão Queiroga, Manhã Submersa, de Lauro António, Tráfico, de João Botelho, e Casa de Lava, de Pedro Costa.
Este é o primeiro festival de cinema português na capital da Turquia, mas o segundo já está a ser preparado pelo leitorado de Ancara do IC, em parceria com o LAMER.
Além do Festival de Cinema Português, será inaugurada a 12 de Abril a Exposição de Fotografia e Poesia Dos Tempos de Lisboa, da autoria de João Tibério, artista e investigador universitário, que se deslocará a Ancara para o evento.
No decorrer da visita, João Tibério conhecerá os alunos de língua portuguesa da Universidade de Ancara com os quais terá oportunidade de partilhar a sua experiência.
A exposição terá lugar na Entrada de Honra da Faculdade de Língua, História e Geografia da Universidade de Ancara entre 12 e 26 de Abril.
A acompanhar as fotografias do autor estarão em exibição poemas de Alexandre O’Neill, Ruy Belo, Ana Hatherly, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Luiza Neto Jorge, Al Berto, Casimiro de Brito, António Ramos Rosa, Manuel Alegre, M. Tiago Paixão, entre outros."

via Instituto Camões - Portugal

2010-03-31




"Even pirates, before they attack another ship, hoist a black flag"



image by Portugal Street Art

2010-03-30

constantando o óbvio (sem necessitar de ser espião secreto)


imagem via Pensar Custa




"James Bond: [looking at the tattoo on Magdas back] What is that?
Magda: Thats my little octopussy".





racionalizando o irracionável









2010-03-29

2010-03-21

50 Anos Ayrton Senna


Se fosse vivo, Ayrton Senna faria hoje 50 anos.

Para muitos é o supra-sumo dos pilotos, o verdadeiro Ídolo. Uma dessas pessoas é o Pedro Lamy, um dos melhores pilotos de circuitos do mundo, com um palmarés simplesmente invejavel. Abaixo fica uma transcrição retirada do autosport.pt sobre um "pequeno" episodio que se passou com Senna:

"Corria o ano de 1993 e, um belo dia de finais de Agosto, Pedro Lamy foi convidado para substituir o infeliz Alex Zanardi, acidentado em Spa, no "cockpit" do Lotus. Nesse ano, Lamy estava a discutir o Campeonato Internacional de F3000, com pilotos como David Coulthard, Olivier Panis ou Gil de Ferran.

O piloto recorda-se muito bem do que depois sucedeu:

"Estava eu em Inglaterra com o Domingos Piedade e ele passa-me o telefone. Foi pouco antes do meu primeiro teste com o Lotus. "Toma, é o Ayrton. Fala com ele." Eu peguei no telefone e comecei a falar. Já tinha conversado com ele uma vez, assim de fugida. Mas uma coisa é fazê-lo por acaso, numa pista, e outra estar ali, com ele a falar comigo, mesmo por telefone, a explicar-me como deveria fazer as coisas. Era uma sensação estranha, ele estar do outro lado da linha, a dar-me conselhos. Eu nem queria acreditar: falava e depois afastava o telefone e olhava para ele, incrédulo. "Mas é mesmo ele?" - pensava, enquanto o escutava a dizer-me como se conduzia um F1. Afinal, sempre era o Ayrton, do outro lado, o meu ídolo, o grande piloto, o eterno Senna..." "

2010-03-18

Lounge Against the Machine




Ou como Richard Cheese nos põe verdadeiramente a questionar o conceito de alternativo. Simplesmente genial. O Manuel João Vieira americano. Cheese também em modo Prodigy, Blink, Nirvana, Radiohead, System, Guns, Oasis ou com o seu melhor falsete em modo Beyoncé (recomendado - incorporação estava interdita).



...



imagem: Erosie via Toki Wiki


Está bem perto do fim, a experiência [meramente trivial e sem qualquer tipo de pretensão científica] começada por mim há cerca de dois dias. Depois darei conta do objecto da mesma e da conclusão a que cheguei.


constatando o óbvio




"Football is not merely a small business. It's also a bad one. Anyone who spends any time inside football soon discovers that just as oil is part of the oil business, stupidity is part of the football business."


Porque eu, nos meus tempos de petiz, fui igualmente um fiel coleccionador de cromos da bola...



...de repente recordo com muita nostalgia, a colecção do USA'94.


vídeo via irmaolucia

2010-03-17

Páginas das páginas

Porque há crónicas deliciosas.

Páginas das páginas
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1

Sensação de esquecimento, de ausência - o bode corre. De repente, volto ao mundo sem que nenhum movimento do mundo me tivesse solicitado. Sol brilhante, céu azul, tantos homens. O mesmo cansaço. Sinto que fiz uma pequena experiência de morrer.

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2

Repouso a cabeça no teu peito, ao som do mar descem as nuvens do céu para me cobrir. Nem um sofrimento mais! Um sono fecha-me as pálpebras, como se borboleta fosse, que dormisse.

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3
Quando chega a noite, bem noite, na casa os móveis dormem. Quando dormem os tapetes, os discos, as louças e os quadros na parede. Quando só o relógio e a geladeira elétrica trabalham e só as baratas tem vida, aí a mão, cheirando a cigarro, abre cansada, em qualquer página ainda em branco, o escondido diário...

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4
Não encontro outro descanso senão nos teus olhos. E não é a mocidade que eu vejo brilhando no fundo dos teus olhos de vinte anos - é a eternidade.

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5
Não sei se ela tão fina, tão penetrante, compreendeu a minha agonia. A tarde era opalina e eu me sentia transparente como a água azul da piscina que olhávamos. Pelas alegrias da vida pagamos tão caro, que não sei se seria melhor que fossemos sempre infelizes.

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6
Debussy derrama-se na sala como véu de luar. Os corpos se diluem, meu corpo deixa de existir, é impalpável, torna-se poeira de amor e compreensão das coisas impalpáveis e eternas.

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7
O corpo branco no domingo branco. O pensamento branco como página para escrever.
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Na praia
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I
Se o vento zumbe terrível (como agora sobre as salinas), não recriminemos o vento - ele desempenha o seu papel. Desempenhemos os nossos papéis. Eis tudo. Quantas vezes já não fomos ventos devastadores na vida das criaturas? Quantas ruínas já não deixamos atrás de nós?
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II
Como um gorgeio, através do tabique:
- Eu queria ser formiguinha para entrar no quarto deles e ouvir o que estão dizendo. Dizendo ou fazendo.
A outra moça ri.

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III
Eis uma coisa que Nicolau ainda não compreendeu - o céu pode ser realmente verde.

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IV
Era mansa, discreta e distraída.
(Comoção de um minuto ao vosso lado!)

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V
E o mancebo matou o dragão, casou-se com a filha do rei e viveu sempre pensando, com arrependimento, no dragão.

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VI
As limitações levantam-se como cercas de espinhos, boa parte delas gerada por nós próprios, servos inconscientes de obsoletos códigos.
A que heroísmos nos impulsionam! Em que depressões nos afundam!
Para as palpitações e dores nas pernas, a ciência, consultada sob a forma pouco sutil de Gasparini, responde: são estrepolias do vago.

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VII
Ela haveria de gostar desta solidão em que me afundei (o rio é largo e melancólico), solidão tão profunda que até me esqueci da cor dos seus cabelos. Há uma serenidade tão grande em tudo, que a alma da gente parece que se decanta, e, ao cabo desta semana que nos separa, sinto no fundo de mim uma grossa camada de lama que andava misturada com meus pensamentos e os meus atos.

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Pedaços da noite
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1
Através do vidro da mesa vejo meus pés nus, estou nu, no calor imenso. As veias estão no seu limite, diz o médico - nada de fumo.
Acendo outro cigarro, traço o meu uísque - vem um vento quente e afaga a pele como se fosse carícia de Aldina, perdida na juventude nua.

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2
A vitória do grande escritor consiste em nunca ter escrito. Promete uma novela, ora biográfica, ora fantástica, o herói ora sendo homem, ora sendo flor.

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3
Não guardo meus defeitos para a intimidade.

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4
Foi um baque surdo às seis horas da tarde chuviscando. O velho ficou estendido no asfalto como um saco mal cheio. O automóvel apagou as lanternas e sumiu.

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5
Neste último ano, a única pessoa que me empregou a palavra "estética" foi o meu barbeiro, a propósito de bigodes.

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6
O que mais temo: o total aniquilamento. Não pelo aniquilamento, mas pelo horror ao efêmero.

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7
Júlia no fim da linha, que é como o fim do mundo:
- Não vejo a tua carinha hoje?
Uma hora depois estava esticado na poltrona amarela. Gosto de ouvi-la, como se ouve uma cascata - vem uma frescura de ninfa em cada palavra mesmo pornográfica.

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8
A janela está aberta. E eu aflito para que venha no vento, que arrepia as cortinas, as olvidadas recordações de infância, cujo mistério nunca pode ser de todo desvendado, recordações de amor - noites de amor ardentes ou calmas - recordações dos perigos passados, a morte iminente! - recordações das mentiras e medos esquecidos.

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9
Nada está direito. A vida é insuportável. Mas devemos calar.

Marques Rabelo

2010-03-15

Quando o 13 passa a 14...




...ou como a questão dos fusos horários são miudezas nada comparáveis com os desígnios etéreos.



Perceberam alguma coisa? Ele aparentemente sim. Projecto10 #2 dedicado ao Sagrado já nos ecrãs!




imagem: James Cauty (retirado de kunstterrorist)



a ironia e a lógica eucaliptal



imagem: Banksy


Defina ironia: Um partido que insiste na tese da "asfixia democrática" e da "falta de liberdade de expressão" no país, mas que não se coíbe de aprovar sanções graves a militantes como a expulsão a militantes que integrem listas concorrentes ao partido ou a figuras por ele apoiadas, assim como sanciona igualmente críticas internas ditas nos 60 dias anteriores a eleições.

Por muito que seja necessária coesão e por muito que uma organização partidária obedeça a vínculos norteados pela lealdade (embora este PSD seja um partido deveras "sui generis", estando muito fraccionado e admitindo no seu seio uma vasta amplitude de convicções ideológicas, que estão ligadas entre si por ténues ligações), o papel dos partidos e organizações políticas, enquanto sustentáculo do regime democrático português, ficam gravemente feridos, com esta imposição de uma autêntica lei da rolha que impede a concretização do objectivo máximo que deveria nortear uma organização desta natureza: ser um espaço de debate e discussão.

Receio que, com a institucionalização de práticas deste género - que informalmente sempre existiram - se dê cada vez mais força ao descrédito já existente por parte da sociedade nestas organizações, fechando estas à generalidade da sociedade, numa autêntica lógica eucaliptal.

Em situações extremas, poderia significar o rejeitar de uma lógica ou matriz democrática - com todas as imperfeições que tem, é na verdade o menos imperfeito dos sistemas - assim como legitimar por parte da sociedade, de soluções mais musculadas que facilmente poderia redundar numa consequente limitação efectiva de liberdade. "History repeats itself". Faz-vos lembrar algo?



the economic crisis for beginners

2010-03-13

Profano?



imagem via artsblog.it



Número #2 dentro de momentos!

Growing older



imagem: via Pensar Custa


Mais uma data passou. Já vai sendo tempo de deixar para trás o lugar na cómoda plateia, assumindo e domando o desconhecido palco.



Exit Through The Gift Shop



"(...)What will he do next?

“A good question. I was planning on making some huge paintings about sleepwalking our way towards the apocalypse, but I ended up going to the pub and getting some crisps."(...)"

Banksy in first person to the The Sunday Times








quando a comédia satiriza com o sério






quando o sério se torna comédia



Num terço existem 53 contas pequenas que equivalem a 53 avé Marias...

PROJECTO10 #6 from PROJECTO10 on Vimeo.



...no Projecto10, teremos 10 números que equivalerão a 10 temas.

As múltiplas faces do Sagrado, na edição #2 (online hoje)!




2010-03-09






Céu, Purgatório ou Inferno?

brevemente

Think Tanksy



2010-03-06

A palavra impossível


Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra da verdade.

Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce -
A Palavra que nunca se profere.

Adolfo Casais Monteiro

2010-03-05

num elogio (d)à Loucura



"(...)Alberto João Jardim disse ainda que defendeu a realização deste congresso por achar "que é preciso o PSD esclarecer muita coisa sobre a sua natureza: é um partido de esquerda, de centro ou de direita? Temos de esclarecer, para mim é de centro. É uma social democracia de tendência socialista, como as nórdicas, ou é de tendência de centro de raiz mais social cristã baseada no personalismo da doutrina social de Igreja católica? Federalista europeu ou de primado nacional? Quer a regionalização do continente ou não? Aceita maior autonomia para Açores e Madeira? Admite rever a Constituição ou quer ser situacionista? Estas questões têm de ser discutidas dentro do PSD, porque a confusão que vai dentro do partido sob o ponto de vista doutrinário é total”.

in público.pt

Num dos raros momentos de concordância (dado o meu distanciamento ideológico), torna-se engraçado constatar que Jardim, muitas vezes catalogado (e com razão) de desbocado e inconsequente pelos seus próprios pares partidários, acaba por ser dos poucos que diz que há muito era visível: mais que discutir líderes, sem uma definição ideológica, o PSD nunca poderá almejar vir a ser uma verdadeira alternativa, prolongando o habitual paradigma de alternância (já algo gasto e decadente olhando às recentes notícias surgidas nos media, algo que começa a transparecer para o público - basta olhar a notícias recentes ou ler as conclusões recente estudo de André Freire, José Manuel Viegas e Filipa Seiceira - corporizado num livro recentemente lançado, que adquiri ontem) , ficando o dito partido refém que o outro partido de poder caia em desgraça. Apenas sugere razão a quem indica que em Portugal, não se ganham eleições. O outro lado é que as perde.


2010-02-21

A Impotência



Os ilhéus e em especial os madeirenses estão familiarizados com os aluviões que ciclicamente assolam a ilha. Esta total sensação de desprotecção face à força dos elementos, imiscui-se e é digamos parte intrínseca, para o bem e para o mal, contribuindo na construção da espécie de sentimento a que chamamos o ser ilhéu ou neste caso específico, o ser madeirense.
E com isso, podia discorrer e apontar como uma das razões para o elevado conservadorismo da sociedade ou para o peso que instituições como a Igreja Católica, têm na sociedade madeirense. Mas o objectivo deste meu texto não é esse.

É meramente expressar, num texto que assumo ser pessoal, o sentimento vivido à distância, durante todo o dia de hoje. Impotência. Dura e pura. O tentar contactar os entes queridos e não conseguir. O olhar para notícias cada vez mais alarmantes e imaginar o pior. O imaginar possíveis percursos trilhados por quem nos é querido e esperar que o pior não tivesse acontecido. O imaginar que palavras poderiam nunca vir a ser ditas, palavras que sempre deixamos para uma outra ocasião. O passar de um aparente distanciamento perpétuo, que acaba por acontecer quer se queira quer não, para uma urgente necessidade de querer estar lá e ser parte envolvida.

Há um mês, escrevi aqui sobre o desastre ocorrido no Haiti, mas sendo madeirense (ainda que expatriado no rectângulo) como muitos que aqui escrevem e sentindo-me parte envolvida pelo facto de ter a minha família e muitos amigos na ilha, cometo o sacrilégio de confessar que de repente o Inferno dantesco haitiano parece-me algo menor face ao cataclismo diluviano de características bíblicas que ocorreu hoje na minha terra natal. É tudo uma questão de perspectiva e de proximidade, digo eu com o meu agnosticismo pontuado com uma educação numa sociedade profundamente católica, que em alturas de maior irracionalidade aparenta "sobremergir".

Sobre o desastre, mais que encontrar culpas - que as há entre a Natureza e a acção humana - importa acima de tudo minorar os destroços causados e procurar dar conforto e ajuda a quem mais necessita. O rescaldo e o apuramento de responsabilidades é uma necessidade, mas ainda não é tempo para tal, quando necessidades básicas ainda não estão supridas e o sofrimento é recente. O aproveitamento político do caso - seja a favor ou contra como ouvi e li, mais que despropositado, enoja-me e ultrapassa os limites da ética que deveria existir na "res pública". Por uma questão de respeito. Mas as consequências deverão ser apuradas. Porque nada justifica tão elevado preço a pagar. E para que a impotência face à força dos elementos, ainda que impossível de vir a ser domada, não tenha as trágicas consequências que são hoje notícia.

2010-02-19

Agitando as águas



imagem via retro yakking

Com um pouco de material "X-rated". Nada melhor que um vislumbre a um Bikini. A ver se faço horas extra e retomo a participação cá no espaço depois destes últimos tempos onde pouco ou nada tenho cá parado. Muito havia para desbobinar. Um obrigado aos desbobinadores que cá têm vindo manter os mínimos.


2010-02-10

... Acabou

Partiu-se, quebrou-se, o fio que nos ligava. Foi instantâneo, inesperado, imprevisível, repentino. Ninguém percebe ou se apercebe, simplesmente dá-se, acontece.
Ao princípio nega-se, esconde-se, repele-se. Depois, pouco a pouco, tentamos combater. A sensação entranha-se. A luta dá lugar ao desespero, à impotência. O medo instala-se. É o nunca que acontece, a utopia tornada realidade.
Não foi intencional, premeditado, calculado. Simplesmente aconteceu. Queremos culpar, maltratar, insultar. Mas não vale a pena. ACABOU! Chegou ao fim. Terminou. Deixou simplesmente de existir. O dois tornou-se um… o sonho desapareceu… assim.

C. P. L.

2010-02-03

Compreendido sr. O'Brien!


PROJECTO10 #4 from PROJECTO10 on Vimeo.

Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Áudio: Zé Pedro Alfaiate

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"Só quero dizer aos miúdos que nos estão a ver que podem fazer tudo o que vos apetecer na vida... a não ser que o Jay Leno queira fazer a mesma coisa!"

Conan O'Brien no Tonight Show de 21.01.2010

2010-02-02

O artigo da polémica

Para quem ainda não leu o artigo da nova polémica jornalistica do nosso governo aqui vai:
"
O Fim da Linha
Mário Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa.
"

Retirado do site do Instituto Francisco Sá Carneiro http://www.institutosacarneiro.pt/?idc=509&idi=2500

O dia D está perto.



PROJECTO10 #3 from PROJECTO10 on Vimeo.

Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Áudio: Zé Pedro Alfaiate



* Leia-se D de DEZ. Na próxima sexta.

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Num filme de viagem típico dos anos 30 - na idade de ouro dos cruzeiros transatlânticos, numa viagem de Gotemburgo a Gotemburgo. Aqui, ao que parece, no excerto final da viagem, na etapa que liga a Madeira a Lisboa. As diferenças são imensas.

via Duarte Gouveia

2010-02-01

2010-01-29

10 pm | 05x02=10 | Ler Devagar | Lançamento PROJECTO10


Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Ilustração: Gonçalo Martins
Áudio: Zé Pedro Alfaiate

Hoje é o dia! Hoje é o dia!

Acaba hoje o que a Apple chamaria tabu se fosse parola. Não sendo, fez saber que lançaria a 27 de Janeiro de 2010 (confirmem, é hoje) uma coisa que mudará as nossas vidas. Fez-se suspense, correram rumores, atropelaram-se boatos. Se Isaac Newton, naquele dia de 1666, tivesse anunciado na taberna "hoje, sento-me sob a macieira e vou inventar a lei da gravidade", não teria inquietado tanto a aldeia de Graatham. O que é que a Apple nos vai dar hoje? Consta que é plano e táctil, que vai pôr-nos, desta vez a sério, a ler jornais e livros electrónicos, que junta os smartphones e os computadores portáteis num só ecrã de palmo, que dá para jogar electronicamente e navegar na Internet mesmo ao décimo dia de soterrado num terramoto… Enfim, que, desta vez de vez, podemos prescindir do outro porque cada um de nós passa a ter o mundo na mão. Será? Se calhar vocês já sabem quando me lêem, a notícia já saltou, a Apple já se revelou - eu é que me roo todo, a horas de saber a coisa que me vai mudar a vida. Mas tenho uma suspeita. Consta (é um MacRumor) que a coisa se vai chamar iSlate. "i" do que já sabemos, internetices, e "slate" de lousa, ardósia em inglês. Hmmm, esta do "slate", com todo o seu ar retrógrado, traz água no bico. Suspeito que a Apple vai reinventar a conversa. 
Ferreira Fernandes in DN, 27 Jan 10

Afinal hoje não foi dia para iSlate mas sim para iPad. Depois logo se vê se a conversa foi mesmo reinventada...

Steve Jobs apresentou esta tarde aquilo que todos esperavam: um tablet pc, vocacionado para tarefas como a navegação na Web, ver vídeos e ler livros. (ler mais)
in Público, 27 Jan 10

2010-01-17

Impressões

Estou neste momento no campo humanitário improvisado na fronteira entre a República Dominicana e o Haiti. Chegámos ontem no corredor humanitário que se estabeleceu de Santo Domingo aqui e não nos deixaram avançar por ser de noite.

A confusão era visível. Era preciso passar a noite aqui e perceber o que se vai fazer depois. Ouve-se a noticia que mataram dois cooperantes no caminho de Port-au-Prince até à fronteira e atacaram mais dois com catanas. As noticias são confusas. Mesmo nestes cenários vão-se acrescentando pontos à história. Afinal foi ontem. Ontem morreram 4 dominicanos que não vinham escoltados e hoje dois cooperantes foram baleados.

Há sempre pessoas que morrem. É difícil aceitar porque é que acontece, mesmo quando sabemos que se está a fazer o possível para garantir a segurança de todos. No entanto, olhando a nossa volta, tudo fica tão relativo, até estas situações onde a ajuda é um alvo.

O cenário é sempre exagerado, e o que passa para quem está longe é o que uma câmara ou um fotografo (que são às centenas!) captam mas a verdade é que a partida ficou planeada para hoje às 8h da manhã, com a supervisão da MINUSTAH até à capital, por motivos de segurança. Tudo o resto é desaconselhado - não há heróis e a irresponsabilidade de andar sozinho por zonas que não se conhecem, pode originar fatalidades, como foi o caso. Priorizaram as equipas de resgate e as outras irão, como nós, por volta das 14h30 daqui. Chegaremos a tempo de receber a equipa que espera autorização para aterrar no aeroporto e começar, já e finalmente, a montar o campo de deslocados com assistência médica.

A zona zero da capital é onde estão os capacetes azuis e que garantem a protecção dos campos humanitários. A questão que se põe não é a violência que se vive - é preciso ter em conta que o Haiti era um país instável antes do terramoto -, mas o que o desespero está a causar: não há água e com todos estes atrasos a ajuda chega a conta gotas. O aeroporto está lotado, as estradas têm os seus horários e tudo isso leva a que a população não consiga ser atendida com a celeridade que é necessária.

Mas pode-se trabalhar a todos os níveis, ninguém está parado. Sinal disso é que estou na minha tenda, no meio de um descampado de terra batida com wifi. Muitos podem perguntar qual a necessidade de ter pessoas que, à primeira vista, não são técnicos de saúde, ou de água ou de refugio. A resposta, para mim, é clara. Porque para que esses possam apenas dedicar-se ao que vieram, é necessário coordenar tudo entre as centenas de actores que se encontram aqui e essa é uma das grandes dificuldades: estabelecer uma ordem no caos. Trabalhar por conta própria leva a mal entendidos, a situações de duplicação de esforços e leva, acima de tudo, a desconhecimento da situação.

O hospital não tem mãos a medir. Muitos dos feridos estão a ser transferidos para os hospitais dominicanos e é impressionante ver lutar contra o tempo nestas situações.

Nem vale a pena pensar no "e depois da catástrofe?", porque, neste momento, estamos ainda a tentar estabilizar e garantir uma resposta eficiente e coordenada. Mas muitos sabemos que depois de um mês, aí sim se poderá perceber quem veio para ficar.

2010-01-14

Desbobina no Haiti



"AMI envia missão exploratória para o Haiti

A Assistência Médica Internacional (AMI) envia amanhã de manhã uma equipa exploratória para o Haiti, disse ao PÚBLICO o presidente da organização, Fernando Nobre.

A equipa é composta por Tânia Barbosa, directora do departamento internacional, e Marta Andrade, coordenadora de projectos, que viajarão via Madrid e Miami, e deverão chegar à capital, Port au Prince, pela hora de almoço de sexta-feira.

As representantes da ONG portuguesa levam consigo 20 mil dólares, valor máximo com que podem entrar no país. O dinheiro poderá ser usado na compra de água e primeiros medicamentos e desinfectantes. “Vão com os meios possíveis para já”, disse Fernando Nobre.

“É uma missão exploratória e de primeiros socorros com os meios possíveis e vão procurar articular-se com os parceiros locais”, afirmou o presidente da organização, que admite o envio posterior de uma missão de “maior envergadura”.

Em Setembro, uma equipa da AMI chefiada por Fernando Nobre esteve no território, numa missão centrada na prevenção de catástrofes naturais."

in publico.pt


Ao que parece, está a concretizar-se o pior cenário dantesco preconizado. O Haiti está à mercê de toda a ajuda internacional possível e estas primeiras horas são essenciais. Um abraço especial à nossa desbobinadora Marta Gomes de Andrade (black), que mais vez foi enviada a um cenário adverso, tentando minorar os danos acontecidos.



diz que é uma espécie de duplo



A CAN é festa. A CAN é alegria. A CAN é espectáculo. Ao que parece com guarda-redes acrobatas. como um circo. Ou como num filme. Tal e qual um duplo. Em Angola. Já sem tiros. Na Taça Africana das Nações. O sósia de Botende. Nem o Olivier diria melhor.


2010-01-13

Nove Círculos, Três Vales, Dez Fossos e Quatro Esferas.



"O Haiti “está mesmo a precisar de ajuda”, disse o embaixador dos Estados Unidos naquele país à CNN, depois do sismo de magnitude 7.0 na escala de Richter, seguido de duas réplicas (5.9 e 5.5), que esta terça-feira abalou um dos mais pobres países do mundo. O epicentro foi a 15 quilómetros da capital, Port-au-Prince, às 17h12 (22h12 em Lisboa) (...)"

in publico.pt

A título de comparação, a bomba atómica detonada em Nagasaki em Agosto de 1945, ainda que detonada no ar, teve um impacto semelhante a um sismo de 5.0 na escala de Richter, provocando os impactos que se sabe.

Este atingiu 7.0 nessa mesma escala (que vai de 0 a 9 - embora já se admita intensidades maiores), tendo um epicentro a apenas 15 km da capital Port-au-Prince, capital do Haiti, o país mais pobre das Américas e um dos mais pobres do mundo. Uma república que desde o seu início em 1804, tem estado constantemente envolta em instabilidade social e política.

Segundo as últimas notícias, poucos edifícios foram poupados, tendo inclusivé o Palácio Presidencial sido gravemente atingido, assim como outros edifícios primordiais.

Se a situação do país antes desta catástrofe, já mostrava era preocupante, estando totalmente dependente de ajuda externa, com todos os sintomas de um Estado Falhado - a nossa desbobinadora Marta Andrade (Black) poderia explicar isso bem melhor que eu, dado que este foi o seu objecto de estudo durante o seu mestrado, tendo estado no terreno - não encontro melhor alegoria para descrever a situação que recordar o Inferno de Dante Alighieri.


imagens via twitter


Dejá Vu


"Apesar de ser uma obra recente e muito vultuosa, é já notório o abatimento que ocorre no solo junto da muralha que suporta o recém-inaugurado Estádio de Câmara de Lobos. O brutal investimento de 11,5 milhões de euros parece assim afundar-se, embora a situação seja minimizada pelo promotor da obra, o Governo Regional (...)"

in dnoticias.pt



Nova Marina do Lugar de Baixo?

Quantas províncias existem no Canadá?


LIVRARIA LER DEVAGAR - ALCÂNTARA, LISBOA


2010-01-12

Positive thinking making us miserable

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/northamerica/usa/6952353/Positive-thinking-making-us-miserable-says-author.html

A ideia que o pensamento positivo foi o que nos colocou na crise mundial que enfrentamos mundialmente, talvez não será tão rebuscada quanto isso.
Um tease para cada um de nós pensar sobre se será pessimismo ou realismo o que a sociedade ocidental realmente necessita.

2010-01-11



"The 12 year break is over & school is back in session. Sign up now. Knights of the Soundtable ride again! http://www.soundgardenworld.com/"

Chris Cornell via Twitter

Uma boa maneira de começar o ano. Musicalmente falando. The 90's are back. Mais aqui

2010-01-07

Enquanto nós por cá...



imagem retirada daqui (autoria James Cauty)

"Barack Obama nomeou uma transexual de 48 anos para um cargo público de relevo. A opção está a ser aplaudida pelas organizações de defesa dos direitos dos homossexuais e transexuais(...)"

in Jornal de Notícias


Muitas vezes pequenos gestos podem enviar grandes mensagens à sociedade. Numa matéria exclusica da esfera pública - o casamento em causa é o civil, é engraçado verificar que o que move a maioria dos defensores do não, são razões de foro espiritual/confessional.

Mais que o simples conceito de casamento - aliás muito lato e em constante evolução, o que está aqui é uma questão de acabar com uma descriminação sobre uma minoria. E o Estado, numa sociedade laica como a nossa, como máximo zelador pelo bem comum, deve e pode dar o exemplo. Tal como Barack acabou de o fazer nos EUA.


2010-01-06

Ainda o Ano Novo



Este ano apenas engoli 10 passas. Daqui a 30 dias saberão porquê!

Poema Melancólico a não sei que Mulher

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...


Miguel Torga

2010-01-05

95 anos

Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti - não me respondes
Bejo-te as mãos e o rosto - sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga