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2012-12-17

RTP



Hoje deparei-me com algo que considero um pouco surreal.

No final do Zoom África, programa informativo da RTP dedicado ao continente africano, em especial aos países lusófonos, ao efectuarem a revista de imprensa diária, ao focarem a página "online" do Jornal de Angola,

deparamo-nos com esta notícia em grande destaque no ecrã - um grande título: "PORTUGAL PARAÍSO DE PEDÓFILOS" (algo quase impossível de fugir no enquadramento de imagem).
Face a isto, o que aconteceu é que a "pivot" simplesmente ignorou esse grande destaque (quase constrangida, tentando de forma inglória fugir a tal chamada de atenção), dando relevância a outras notícias que estavam em rodapé.

Claro que não vou discutir critérios de escolha ou de qualidade informativa da própria estação.
Mas tendo em conta todo o contexto que a empresa vive, sendo um orgão informativo público que aparentemente irá ser alienado, havendo uma intenção já firmada de aquisição (de parte?!?) da RTP por um grupo luso-angolano baseado numa (obscura) off-shore no Panamá.
Tendo em conta os sucessivos editoriais bem baixos que pessoalmente qualificaria de "ressabiados" (feitos quase sempre numa lógica de "vendetta"), não me surpreende que o título desta notícia esteja ao nível de um pasquim qualquer, o que obviamente aceito e não é a razão pela qual escrevo aqui.

Irrita-me muito mais esta espécie de auto-censura por parte da RTP, no que interpreto como uma tentativa em não querer causar qualquer tipo de fricção com um possível comprador - que segundo e crê, tem boas relações com o Estado angolano, do qual o Jornal de Angola é o órgão oficial.

Fazendo novamente a ressalva que a RTP é soberana no seu critério jornalístico, não deixo de comentar que a mesma, se enveredar por um caminho onde tenta fugir a focos de clara fricção com futuros compradores, ao persistir nesta espécie de auto-censura, presta um muito mau serviço ao país. Para além de suscitar dúvida sobre a independência do seu serviço informativo. Espero sinceramente que não tenha sido este o caso.

Já agora sobre a notícia em questão. À parte de considerações na matéria em questão, acho engraçado quando o Jornal de Angola, se "arvora" em paladino da luta contra a desigualdade.

Eis excertos da notícia.

"(...)Desde 2008 que milhares de crianças são abusadas na maior das impunidades, o que faz de Portugal um verdadeiro paraíso para os pedófilos(...)A crise em Portugal atirou com centenas de milhares de famílias para a pobreza extrema. O país é hoje o mais desigual da União Europeia. As medidas de protecção à infância não funcionam ou simplesmente são ignoradas pelos poderes públicos. Por isso aumentam diariamente os casos de abusos sexuais e maus-tratos de menores."

(in Jornal de Angola)

2012-10-22

Repita por favor:


image by aventuralx



"(...)Um país não é uma empresa.
Portugal não é uma empresa.
Portugal não é uma sociedade anónima, nem uma SA, nem uma SGPS.
Repita por favor: um país não é uma empresa e tentar governar o país como se fosse uma empresa dá asneira.
Mesmo
que a empresa seja a mais bem gerida do mundo.
Um país é um país. As regras são outras. Os métodos são outros. Os procedimentos são outros. As pessoas certas são outras.
Repita: as pessoas certas são outras.
A escolha de pessoas devem obedecer a outros critérios. Porque um país não é uma empresa, não é uma burocracia, não é uma empresa de marketing, não é uma consultora, não é um think tank, não é um blogue dos nossos, não é uma secção partidária, nem um 'grupo geracional' vindo de uma 'jota' qualquer que toma o poder.
O modo como as coisas no país funcionam é outro.
O modo como as coisas não funcionam é outro.
A ciência é outra. O ruído é outro.
O sucesso tem regras diferentes. O fracasso tem regras diferentes.
Há coisas parecidas por analogia mas não por homologia.
Repita se faz favor: um país não é uma empresa. (...)"

 
José Pacheco Pereira (crónica publicada no Público - edição impressa 20-10-2012)

2012-10-16

Limite



Acabei há minutos de chegar a casa, vindo do cerco ao Parlamento, onde estive nas últimas horas.

Pelo que aconteceu - que incrivelmente pelo que vejo, foi parcamente referenciado pelos media formais (de repente questiono-me o porquê de termos três canais de cabo noticiosos) - com tudo o que aconteceu, o protesto passou para outro patamar. Houve fogueira, semáforos deitados ao chão, carga policial com algum pânico na descida...

O cidadão comum neste momento está algo radicalizado e atingiu um limite de saturação. Eu pelo menos confesso que atingi.

Por muito que tente ver mais além, já não dá mais. 


Desculpem o desabafo.







2012-10-04

Hands up!











Resume bem a via que tem sido prosseguida.






2012-09-26

Não sejas boneco!



Todos ao Terreiro!

Por uma outra via!





2012-09-21

Ouro? Mirra? Incenso?



Não. 
Apenas mudança!



2012-09-13

Da abstenção violenta à oposição realista.


Eurocaristia by +-
 

"Há uma linha que separa a austeridade da imoralidade."

José António Seguro













2012-08-02




"Quando a teoria não acompanha a realidade, devemos mudar a teoria ou a realidade?" 
Manuell Castells

2012-01-27

the winner take all politics


America's increasing inequality just happened naturally or it's been politically engineered during the last thirty years?

The evidence is hard to dispute. Those in the very top - 1% society whealthiest - have been better and better with an increase of 256% in income gains comparing with 1970's statistics for the same group. In oposition the other groups grew much slower - only an average of only 10 to 20%. Many times with the complacency of the government.

The same is true in Portugal, the most unequal country in Western Europe, with a government that has adopted policies that only hasten this inequality.

A more egalitarian and democratic world is only possible with a more equality society. Because better social relations are built of this material foundation.


For more information about the subject, i also recommend reading the book "The Spirit Level".

2012-01-25

A tale of today.


image stolen from here




"The change of being exploited in a long-term job is now experienced as a privilege"


Žižek teoriza sobre formação de um novo proletariado, que ao contrário de um século, luta para preservar os direitos alcançados, numa frase que olhando ao actual contexto, nunca fez tanto sentido.


2012-01-18

Tough Love



juntos. ele disse que foi uma opção difícil (porém, tomada perante fortes ameaças).


apenas me ocorre o seguinte: quem não te respeita não te merece.







2012-01-13

Business as usual.



"(...)Alemanha é o principal beneficiado da política grega de armamento (clicar link para ler artigo completo)

Em 2010, o orçamento do exército grego representava cerca de sete mil milhões de euros. Ou seja, mais de 3% do PIB, um número que, no seio da NATO, só é ultrapassado pelos Estados Unidos. É verdade que, em 2011, o Ministério da Defesa reduziu as novas aquisições de material em 500 milhões de euros. Mas isso terá apenas como efeito aumentar as necessidades futuras, segundo um especialista na matéria.

Entre os parceiros da Grécia dentro da UE, são raros os que defendem abertamente uma paragem completa e duradoura dos projetos militares de Atenas. Como Daniel Cohn-Bendit, líder dos Verdes no Parlamento Europeu, que pensa que as hesitações europeias dissimulam sólidos interesses económicos.

Ora, o principal beneficiado com a política grega de armamento é, justamente, o grande pagador da União Europeia, a Alemanha. Segundo o Relatório sobre a Exportação de Armas em 2010, que acaba de ser publicado, a Grécia é, depois de Portugal – um outro país próximo da falência – o maior comprador de equipamento militar alemão. Os jornais espanhóis e gregos fizeram eco de um rumor segundo o qual Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, ainda no final do passado mês de outubro, convidaram, à margem de uma cimeira, o primeiro-ministro grego de então, Georges Papandreu a honrar os contratos de armamento existentes, e até mesmo a concluir contratos novos.(...)"


Os critérios que regem a contenção desta crise são tudo menos solidários. Ver igualmente o documentário "Debtocracy".


2012-01-11

Merry Crisis and a Happy New Fear




a brief sneak into the greek crisis on When the Crisis hit the Fan


2012-01-07

2012

January is already starting to be a very long month.


2011-12-06

2011-08-30

Solidariedade...mas só de alguns

Nas últimas semanas muito se tem escrito sobre a possibilidade de os "ricos" do mundo contribuírem mais para assim ajudarem os seus países a combater a crise económico-financeira com que se deparam, tentando aliviar as classes média e baixa do pesado fardo. Embora uns digam que as contribuições não ajudariam assim tanto, eu digo que criariam, pelo menos, um sentimento de solidariedade e de boa vontade que poderia atenuar a latente (ou mesmo existente) crispação e confrontação social sentida um pouco por toda a Europa.

Daniel Oliveira no seu artigo "Todos Pobres" (Expresso), sintetiza magnificamente o que penso sobre os "ricos" e os "empresários" portugueses:


"Numa entrevista ao "Jornal de Negócios" o homem mais rico de Portugal explicou que era apenas "um trabalhador". E que não se considerava rico. Há quem saiba dos seus privilégios e tente, pelo menos, dar a ideia de que devolve à sociedade. Há quem saiba dos seus privilégios e até ache que os merece. E há quem viva de tal forma enfiado na sua bolha social que nem se aperceba que é um privilegiado. Infelizmente, só temos desses por cá. Portugal é um país tão pobre que até os milionários são pobres. Buffett disse há uns tempos: "Há uma luta de classes, é um facto, mas é a minha classe, a dos ricos que a conduz, e estamos em vias de a ganhar". Não em Portugal. Aqui, a pobreza é demasiado envergonhada para se revoltar e a riqueza demasiado descarada para se envergonhar."