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2013-02-28

109.


 


 "Parabéns a todos por termos a doença mais bonita do mundo."
 
 
 
 
 
 

2013-01-24

2012-12-17

RTP



Hoje deparei-me com algo que considero um pouco surreal.

No final do Zoom África, programa informativo da RTP dedicado ao continente africano, em especial aos países lusófonos, ao efectuarem a revista de imprensa diária, ao focarem a página "online" do Jornal de Angola,

deparamo-nos com esta notícia em grande destaque no ecrã - um grande título: "PORTUGAL PARAÍSO DE PEDÓFILOS" (algo quase impossível de fugir no enquadramento de imagem).
Face a isto, o que aconteceu é que a "pivot" simplesmente ignorou esse grande destaque (quase constrangida, tentando de forma inglória fugir a tal chamada de atenção), dando relevância a outras notícias que estavam em rodapé.

Claro que não vou discutir critérios de escolha ou de qualidade informativa da própria estação.
Mas tendo em conta todo o contexto que a empresa vive, sendo um orgão informativo público que aparentemente irá ser alienado, havendo uma intenção já firmada de aquisição (de parte?!?) da RTP por um grupo luso-angolano baseado numa (obscura) off-shore no Panamá.
Tendo em conta os sucessivos editoriais bem baixos que pessoalmente qualificaria de "ressabiados" (feitos quase sempre numa lógica de "vendetta"), não me surpreende que o título desta notícia esteja ao nível de um pasquim qualquer, o que obviamente aceito e não é a razão pela qual escrevo aqui.

Irrita-me muito mais esta espécie de auto-censura por parte da RTP, no que interpreto como uma tentativa em não querer causar qualquer tipo de fricção com um possível comprador - que segundo e crê, tem boas relações com o Estado angolano, do qual o Jornal de Angola é o órgão oficial.

Fazendo novamente a ressalva que a RTP é soberana no seu critério jornalístico, não deixo de comentar que a mesma, se enveredar por um caminho onde tenta fugir a focos de clara fricção com futuros compradores, ao persistir nesta espécie de auto-censura, presta um muito mau serviço ao país. Para além de suscitar dúvida sobre a independência do seu serviço informativo. Espero sinceramente que não tenha sido este o caso.

Já agora sobre a notícia em questão. À parte de considerações na matéria em questão, acho engraçado quando o Jornal de Angola, se "arvora" em paladino da luta contra a desigualdade.

Eis excertos da notícia.

"(...)Desde 2008 que milhares de crianças são abusadas na maior das impunidades, o que faz de Portugal um verdadeiro paraíso para os pedófilos(...)A crise em Portugal atirou com centenas de milhares de famílias para a pobreza extrema. O país é hoje o mais desigual da União Europeia. As medidas de protecção à infância não funcionam ou simplesmente são ignoradas pelos poderes públicos. Por isso aumentam diariamente os casos de abusos sexuais e maus-tratos de menores."

(in Jornal de Angola)

2012-09-13

Da abstenção violenta à oposição realista.


Eurocaristia by +-
 

"Há uma linha que separa a austeridade da imoralidade."

José António Seguro













alienação




candidatos ao Ensino Superior em 2012: 45.078
 candidatos à Casa dos Segredos 2 em 2012: 88.000


"All television is educational television.  The question is:  what is it teaching?"


 

2012-08-02




"Quando a teoria não acompanha a realidade, devemos mudar a teoria ou a realidade?" 
Manuell Castells

2012-07-13

o problema não é a relva.



"o problema não é a relva. são as ervas daninhas que se tornaram tão frequentes que já são moda."

ler texto completo aqui

2012-03-23

buzica


a espuma do mar há horas que banhava o cabelo desgrenhado e a barba rebelde que sobressaía da sua face queimada e matizada pelo sal e sol. aquela cadência ritmada das ondas, qual compasso de maraca num slow de bossa-nova algo manhoso, transmitiam-lhe uma sensação de paz e relaxamento que até aí não tinha experimentado.

fazia longo tempo que não sentia terra firme. o suave e relaxante granulado da areia, ele que sempre se sentiu como um grão. ele que avesso a individualidade, sempre se sentira em interacção com tantos outros iguais ali naquela praia. como que desprovido de valor ou qualidade em especial. como um átomo.

mas ao mesmo tempo, um estranho vazio o acometia. como o interior dum átomo, assunto sobre o qual as normais pessoas tendem a não pensar, tendendo a desconsiderar ou menosprezar. desconhecendo assim que nesse suposto vazio acomodam-se electrões e protões que dão ao átomo uma característica única. como que a provar, que na mais completa discrição ou homogeneidade, há sempre espaço para o diferente. para o particular. para o individual.

um respaldo de onda mais forte, fez com que abrisse os olhos.

estava numa praia. paradisíaca. em terra firme, como o seu sonho.

levantou-se lentamente. estava extenuado e farto de nadar sem rumo. farto de numa suposta quebra de rotina, acabar por ser falsamente induzido numa outra. porventura pior. porventura mais perigosa.

ainda assim, tinha forças para começar a deslocar-se.

um pé a seguir ao outro. lentamente. como que movido por uma força interior. algo seu. do seu querer. que provinha do interior que julgava vazio e seco. como que a responder às reacções e a choques dos seus electrões e dos seus protões.

após ganhar uma certa cadência, diria até mecânica, vislumbrou no meio da praia, um estranho mas atraente X gigante.

sempre fora um pouco céptico a tais veleidades beneméritas que lhe pudessem ter ocorrido. não por questão de orgulho, mas por algo que nem ele sabia explicar. afinal de contas não há almoços grátis, pensava ele. adiante.

mas achou realmente estranho o facto de estar intacto.

embora céptico, resolveu aproximar-se.

ao chegar, notou que ali estaria algo enterrado. algo escondido. com tal X gigante era impossível não pensar nisso. e como tudo o que não está à vista, logo imaginou no que poderia estar ali contido. ali debaixo de todos aqueles indistinguíveis mas suaves e relaxantes grãos de areia.

escavou.

e escavou.

com todas as suas forças escavou.
de repente deu com uma pequena caixa. ao contrário de todas as normais e robustas arcas de tesouro, esta era bem frágil. estranhou.
mas ele também não era o Barba Ruiva e aquilo também não era a ilha de Tortuga.

resolveu abri-la.

e ao contrário do imaginado, dentro não existia mil e um tesouros, mas sim um pequeno grão de areia. um pequeníssimo grão de areia. uma "buzica" de areia, carinhosamente pensou ele.

aquele não era um grão impessoal, igual a todos os outros que tinha até aí encontrado.
não.

surpreendia-o a sua elegância e a estranha sensação de conforto que transmitia. e tinha personalidade. não era um mero grão de areia, mas sim a sua "buzica" de areia.

algo que tinha o condão de dar-lhe uma resposta a muitas das suas dúvidas que até aí o acompanhavam, na exacta proporção inversa do tamanho do mesmo.

um simples grão de areia. algo que ao longe se perdia na aparente homogeneidade e rotina que era aquela praia da vida.
algo frívolo e trivial para o comum dos mortais, como um grão de areia.
porém e ao mesmo tempo com uma imensa personalidade própria.

era assim possível ser algo que, não tendo sempre de ponderar os prós e os contras, agiria quando tal fosse necessário.
não tendo algum tipo de pressão para completar grandes feitos. ou para almejar algo. algo que o reconfortava, ele que sentia uma pressão castradora que estupidamente o inibia.

daí a necessidade de apelo ao interior. e deixar que os electrões e neutrões chocassem, esperando que daí resultasse o impulso que finalmente necessitava.

a "buzica" de areia não o sabe, mas a sua presença tinha mexido com o interior do Crusoé em questão. efeito acendalha, despertando forças interiores, que até aí ele não sabia que existiam. ou melhor, que não se recordava. tinha estado seco durante muito tempo. porventura inibido.

mas fiel à sua personalidade, esta "buzica" de areia não se remeteu a um papel passivo.
também ela continha dentro dentro de si forças que a empurraram para fora das mãos do Crusoé.
ou terá sido a passividade e inabilidade natural deste último que provocou tal separação?

o certo é que esta caiu na massa impessoal do imenso banco de areia. e ainda que se destacando dos restantes, ao algo pitosga Crusoé, à distância que estava, custava-lhe encontrar a mesma.

obviamente que a uma formosa e peculiar pequena forma, seria bem fácil fazer-se destacar naquela aparente e homogénea massa de areia.

teorizo então que porventura não quereria ser encontrada por uma pessoa que mesmo contendo algumas qualidades que apreciava - pelo menos nos breves momentos que esteve em contacto com a mesma - soava-lhe instável e tão pouco crente em si.
e todos sabemos que ninguém quer ter ao seu lado alguém com falta de confiança própria.

por outro lado e para ser justo, deduzo que o calejado e extenuado Crusoé, ainda que ciente que por vezes valeria a pena arriscar, não quereria ocupar indevidamente o lugar de outra pessoa, de outro naufrago que viesse a desembocar naquela praia.
e é bem verdade que todos nós, a dada altura, nos sentimos perdidos.
mas na realidade, notamos que uns acabam por ser mais centrados que outros. reagindo assim de forma diferente. às tantas devido às tais forças interiores que já aqui falei. e pese o conforto e segurança, porventura o Crusoé tinha ainda assim medo de falhar.

mas assim esperaria que outra pessoa aparecesse e estimasse como devido, aquele pequeno, formoso e calmante grão de areia, a que carinhosamente tinha designado de "buzica".
ainda que no seu íntimo, imagino que quisesse ser ele o escolhido. como que a apelar a uma reactividade quando esta era uma época de proactividade.

lamento, mas não sei o final desta história. aliás, creio que há vários finais possíveis, mas o indesmentível é que aquela ligação e conexão existiu ou existe. gosto de pensar que como um ying e como um yang. estando juntos ou não.

igualmente indesmentível, é que por estranho que pareça, aquele pequeno e simples grão de areia, marcou para sempre aquele homem. como que a mostrar que, por vezes, existem pequenas coisas às quais nada damos importância ou de quem nada esperamos, mas que de repente podem deixar a sua marca indelével. como uma assinatura em tinta chinesa.

mostrando que no nosso interior há algo mais que vazio. estas colisões só têm é de ser direccionadas. ainda que num equilíbrio digno de um trapezista sem rede a 40 m de altura. só com este equilíbrio, só com esta conjugação de camadas, é possível exponencial todo o seu potencial.

e naquela praia, naquele dia, para aquele homem, a "buzica" de areia foi capaz de almejar tal desiderato.

2012-01-27

Jogar ao faz de conta.

make believe game @ friendly atheist



Artigo 41.º
Liberdade de consciência, de religião e de culto
(...)
4. As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto.
(...)



Sem negar a herança cultural e a preponderância que a Igreja Católica tem na sociedade portuguesa, não é o nosso país um que à semelhança de tantos outros na Europa Ocidental, se auto-define como laico e não confessional?

Assim sendo, se há que cortar feriados - medida que na verdade é terá uma eficácia e uma vantagens económica algo dúbia - o lógico seria cortar alguns do feriados de índole confessional que existem no calendário. Pensei eu. Mas não.

Porquê manter feriados religiosos como o dia da Assunção, o dia do Corpo de Deus ou o dia de Nossa Senhora da Conceição? Designações que ditas desta forma nem são perceptíveis pela maioria dos cidadãos, isto se não associar o 15 de Agosto, uma 5ªfeira normalmente em Junho ou o 8 de Dezembro - o que indicia o quão irrelevantes eles significam nos dias de hoje.

Mas o pior nem é esta situação.

Ponderarem a retirada do feriado da implantação da República e o feriado onde se comemora a Restauração da independência nacional, duas datas emblemáticas e estruturantes do próprio conceito de nacionalidade e do próprio regime em si é a pedra de toque que faltava em todo este processo.

Quando o próprio regime não estima nem cuida da sua própria memória e do seu passado, isso transparece um sinal nada abonatório, que em última instância faz pressupor que o seu futuro não será nada risonho.

Olhando à actual situação, já nada me surpreende.

2012-01-25

Hope

occupy art - stolen from here



"Can you blame them for feeling a little cynical?"



Barack Obama's 2012 State of the Union adress (full transcript - here)




Numa altura em que a falta de decoro na política cá no burgo é cada vez maior - pelo menos olhando a certas declarações bem infelizes (o que explica em parte o porquê de apenas 56% do eleitorado se rever numa democracia) - com uma classe política aparenta estar numa bolha à parte dos reais problemas cidadão comum, não resisto a transcrever uma frase que me ficou no ouvido, em mais um excelente discurso proferido há menos de uma hora, onde Obama dá na prática o tiro de partida na campanha para a sua reeleição. Quase que me atrevo a dizer que cada país e cada povo tem o presidente que merece.

hail to the King

Eusébio stencil @ Bairro Alto, Lisboa




Parabéns King!





A tale of today.


image stolen from here




"The change of being exploited in a long-term job is now experienced as a privilege"


Žižek teoriza sobre formação de um novo proletariado, que ao contrário de um século, luta para preservar os direitos alcançados, numa frase que olhando ao actual contexto, nunca fez tanto sentido.


2012-01-11

Merry Crisis and a Happy New Fear




a brief sneak into the greek crisis on When the Crisis hit the Fan


2012-01-07

2012

January is already starting to be a very long month.


2011-08-06

Teddy Riot

by Dolk

de pequenino se torce o pepino.