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2012-01-27

the winner take all politics


America's increasing inequality just happened naturally or it's been politically engineered during the last thirty years?

The evidence is hard to dispute. Those in the very top - 1% society whealthiest - have been better and better with an increase of 256% in income gains comparing with 1970's statistics for the same group. In oposition the other groups grew much slower - only an average of only 10 to 20%. Many times with the complacency of the government.

The same is true in Portugal, the most unequal country in Western Europe, with a government that has adopted policies that only hasten this inequality.

A more egalitarian and democratic world is only possible with a more equality society. Because better social relations are built of this material foundation.


For more information about the subject, i also recommend reading the book "The Spirit Level".

2012-01-25

A tale of today.


image stolen from here




"The change of being exploited in a long-term job is now experienced as a privilege"


Žižek teoriza sobre formação de um novo proletariado, que ao contrário de um século, luta para preservar os direitos alcançados, numa frase que olhando ao actual contexto, nunca fez tanto sentido.


2010-06-24

Os putos já estão condenados.


"These kid's don't known they're working class; they won't known that until they leave school and realize that that the dreams they've nurtered throught childhood can't come true."


The Spirit Level - Why Equality is Better for Everyone (Wilkinson & Pickett) Penguin Books pp.117


Ironia como num raio de 200 metros numa das zonas de maior expansão imobiliária de Lisboa, temos um dos colégios mais selectos do país - segundo consta, a lista de admissão é praticamente impenetrável - temos uma escola pública num bairro degradado, com parcas condições para não dizer deploráveis, e no meio, entre as duas numa mera distância de menos de 100 metros, temos com um antigo armazém degradado que serve de abrigo a toxicodependentes que ali livremente se deslocam e pernoitam, havendo pouca ajuda disponível (pelo menos a nível visível) para reabilitá-los. Isto acontece em plena Lisboa (não vou nomear o sítio), mas poderia acontecer em qualquer parte do país.

Estive hoje na tal escola do bairro carenciado, pese toda a disponibilidade e boa vontade evidenciada pelos auxiliares e membros de ATL, ao olhar para aquelas crianças e ao ver aos seus pais, a primeira ideia que me ocorreu foi precisamente o título que pontua este texto.

O contexto social, a disponibilidade financeira dos pais, o grau de confiança existente na comunidade onde a criança interage e os estímulos que a mesma recebe, são tudo factores que influem no desenvolvimento das crianças, tendo um real impacto nas sua vidas adultas.

Sociedade altamente desiguais como a nossa, apenas estimulam e agravam estas disparidades, contruíndo uma abstracção de sociedade onde uma parte vive numa espécie de redoma de vidro longe de todas as adversidades, dentro dos seus condomínios e uma outra parte vive em quase estado de sítio, em contextos onde a confiança e segurança não abundam, repercutindo-se isso numa espécie de ciclo vicioso que afecta todos os aspectos da vida, afectando e quebrando os naturais e solidários laços que uma saudável sociedade deve possuir.

Um pensamento a ter em conta, quando num contexto de crise, são propagados argumentos populistas e demagógicos, como cortes em programas estatais no campo da assistência e na correcção de assimetrias existentes, numa pura lógica economicista sem olhar aos efeitos que tal medidas faria.

O ataque às consequência e não às causas, como p.e. os argumentos securitária e autoritários muitas vezes implicam, é outra característica da opção por lógicas suicidas a curto-prazo que nada farão se o problema não for abordado na sua raiz e numa lógica a longo-prazo.

Até porque as consequências advindas de uma sociedade mais desigual, não só afectaram os estratos mais baixos dessa mesma comunidade, como afectaram todos os outros, diminuindo a qualidade de vida, tornando menos solidária e confiante toda a sociedade (mais desconfiada e menos altruísta) e tornando em última instância, mais onerosa para o Estado a manutenção de certas operações vistas como essenciais (segurança, custos com saúde, etc.).

A redução desta disparidades, deveria ser assim vista como prioridade máxima.

Assim de repente, depois deste texto e sabendo-se as terríveis disparidades no nosso país - assim como a lógica adoptada, afinal de contas não constituirá assim tão grande ironia a existência destas contradições num curto raio de espaço. Isso é algo que uma grande parte da nossa classe dirigente ainda não se deu conta. Fazia bem saírem da redoma de vidro de vez em quando.



2010-04-10

Quiz XXXVIII


Não será um paradoxo haver uma cada vez maior desigualdade numa sociedade com cada vez maior acesso à informação?


2009-12-26

Universalização do Sistema de Saúde nos EUA e a premência de um novo New Deal


No passado dia 24 de Dezembro, a câmara alta federal dos EUA, aprovou - com maioria qualificada de 3/5 - que segundo a tradição americana, impede o protelar ou inversão de decisão por parte do órgão em questão [filibuster] - o pacote legislativo de reforma do sistema de saúde proposto por Obama.

Na realidade, esta aprovação não significa que a proposta venha já a entrar em vigor - será primeiro condensada com a proposta aprovada pela câmara dos representantes [câmara baixa, onde os democratas também dispõem de maioria], prevendo que a mesma só venha a ser aplicada apenas em 2014. Assim, e sabendo-se que este foi um dos cavalos eleitorais de batalha de Obama, a entrada em vigor de semelhante medida, será sempre vista posteriormente como umas das marcas da sua administração [prevendo-se que venha a vencer em 2012, o que não é certo].

Mas o que constitui ao certo esta reforma? Para nós europeus, pode parecer algo extremamente estranho, mas significa alargar o sistema de saúde para uma escala universal [ainda que tenham sido feitas muitas concessões ao forte lobby das empresas de seguros]. Pode parecer muito estranho, mas no actual sistema, mais de 30 milhões de pessoas viam-se privadas de qualquer tipo de cobertura médica, seja por recusa por parte de seguradoras tendo em base o historial médico, fosse pelos elevados custos que isso comportava.

Daí que esta medida, seja vista por muitos como a mais emblemática, desde o início de cobertura social iniciada e dada por Roosevelt no combate à Grande Depressão da década de 30 - o New Deal e todas as medidas anexas ao mesmo. Ou então como uma extensão do programa Medicare, criado em 1964, que basicamente instituiu protecção e cuidados de saúde a maiores de 65 anos e a pessoas incapacitadas.

Para além de proibir a recusa na atribuição de seguros de saúde, procura instituir uma real cobertura a uma vasta porção de população, que nas condições actuais, se vê privada dos mais elementares cuidados de saúde. Por outro lado, e contrariamente ao que certos detractores têm argumentado, é possível verificar que a médio-longo prazo a adopção de uma cobertura universal de cuidados de saúde, acaba por ser mais barato que a manutenção do actual sistema vigente - vide tabela de Paul Krugman [Nobel em 2008].

Este economista, tem sido aliás, um dos mais veementes defensores da aprovação desta lei, ainda que a forma final não fosse bem a idealizada. No entanto, é no entender deste reputado economista um bom passo para redução das grandes disparidades que coexistem nos EUA.

Vem um pouco na ideia veiculada, pelo mesmo na sua obra "Conscience of a Liberal" [excelente obra - com o nome do seu blog no NYTimes - que presentemente leio após comprar aqui - na Fnac custava mais 5€], onde o mesmo traça um historial económico e político dos EUA desde o fim da Guerra Civil até à actualidade. Segundo o mesmo, há uma óbvia relação entre a desregulamentação levada a cabo em especial depois do fim do período a que chamou da grande compressão [devido aos rendimentos dos mais ricos terem grandemente baixado devido a um aumento súbito de taxação fiscal por parte da entidade fiscal federal entre 40 e 60, quer ao súbito aumento de rendimentos que o americano médio passou a ter nesta época, o que levou à criação de uma grande classe média], período que findou em meados da década de 70, com a vitória da ideologia a que se designa de neoconservadora.

Com a progressiva erosão de direitos sociais, com os cortes impostos a importantes programas federais que combatiam estas desigualdades, o fosso entre os mais ricos e os mais pobres voltou a ficar extremamente grande, voltando novamente a existir os sentimentos de classe e extremando-se cada vez mais a vida política, retornando ao vivido no pré-década de 30. Daí que Krugman clame por uma espécie de novo "New Deal", algo que a crise recente veio comprovar por um lado ser necessária, quer fornecendo o cenário propício a que o mesmo seja aplicado. Segundo ao autor, mais que mera consequência das forças de mercado, foram as medidas de cariz político introduzidas nesse período que motivaram uma maior aproximação e redução do grande fosso existente entre os mais ricos e os mais pobres, contribuindo em última instância, para uma melhor paz social.

Obama, querendo deixar a sua marca e certamente querendo marcar pontos a nível interno, empenhou-se muito nesta lei, que mesmo sendo aprovada mesmo com as condicionantes que foram impostas, olhando ao status quo actual, constituirá um bom passo e uma vitória no grande combate às graves desigualdades ainda existentes.


2009-07-08

Home

Compra feita há horas na FNAC por menos de 5€.

Excelente fotografia! Excelente mensagem! Highly recommend (ainda que esteja disponível integralmente no Youtube)!

post scriptum: apenas uma pequena curiosidade - este filme é um dos factores apontados para a excelente votação que os Verdes tiveram em países como França ou a Grécia, nas últimas europeias.

2009-07-02

Uma questão de distribuição

E se eliminássemos o conjunto de países que constituem apenas 5% do PIB mundial?

Apenas "excluiríamos" 81 países com cerca de 2,9 mil milhões de pessoas ou pondo isto noutros termos, cerca de 43% da população mundial...no entanto, representam apenas 5% do PIB mundial.

Dá que pensar!

via StrangeMaps