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2012-10-12
leituras (por João Tibério)
ele lê o jornal toda a santa-noite.
acorda cedo, naquele-cedo-que-nem-traz-sol, e lê mais uns blogs.
vai à rua e compra umas revistas. lê-as de fio-a-pavio.
passa no café e ouve as notícias da rádio. frescas como o pão da padaria em frente.
pouco depois, já no gabinete, vê o noticiário e até escuta o vox-populi. é conhecido por estar sempre informado. por conhecer todas as fontes, todos os dados, todos os pormenores.
tudo.
ele gosta disso. de ter sempre a resposta na ponta da língua.
hoje o filho perguntou-lhe: como será o amanhã?
amanhã?
não, pai. o amanhã.
silêncio.
um soco no estômago.
e uma lágrima rebelde a cair.
só sabia que não tinha resposta. só sabia que não havia futuro.
(brilhante rascunho de João Tibério)
2012-09-18
Cessou o medo. Sopra o vento.
catálogos:
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Quo Vadis Portugal
2012-09-15
Queremos Futuro!
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Cidadania,
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Guerrilla Art,
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Portugal,
Troika
2011-12-06
Europa a 2(7) ?
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Merkozy,
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Tratado de Lisboa,
UE
2010-04-14
Transitoriedade Perpétua

imagem via Portugal Street Art Pool
"(...)Um operador de Call Center não luta porque não quer. O emprego é visto como passageiro, uma fase triste da vida profissional que rapidamente passará. Um outro emprego na sua área irá surgir a qualquer altura e, por isso, o facto de o contrato ser de um mês ou de seis até dá força à ideia que o tédio é apenas uma curta fase passageira. Uma boa ilustração deste quadro é a felicitação unânime e efusiva dos colegas quando alguém sai, mesmo que não se saiba para onde: para pior não será, com certeza. Assim, mesmo nas mentes mais combativas, associar-se a um sindicato está fora de questão, na medida em que esse seria o passo determinante para aceitar que este é o seu «ofício». Ninguém quer adoptar essa condição e, por isso, qualquer elo de ligação é sistematicamente combatido. Todos rejeitam a identidade de «call-centristas »: ninguém estudou para isso, é socialmente visto como um dos mais desqualificados empregos dos tempos modernos e portanto humilhante.(...)" in Le Monde Diplomatique - edição portuguesa
Nas linhas de produção do séc. XXI, um estado de transitoriedade perpétua é cultivado e inculcado - os empregos são sempre vendidos como temporários, priva-se toda uma geração de explanar as suas qualificações, desconhecendo-se os efeitos futuros de toda esta situação e de toda esta insegurança vivida. Numa das sociedades mais desiguais da Europa, e tendo o 1º de Maio à porta, vale a pena ler o dossier precariedade do Le Monde Diplomatique.
Nas linhas de produção do séc. XXI, um estado de transitoriedade perpétua é cultivado e inculcado - os empregos são sempre vendidos como temporários, priva-se toda uma geração de explanar as suas qualificações, desconhecendo-se os efeitos futuros de toda esta situação e de toda esta insegurança vivida. Numa das sociedades mais desiguais da Europa, e tendo o 1º de Maio à porta, vale a pena ler o dossier precariedade do Le Monde Diplomatique.
catálogos:
call-center,
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Direitos,
Emprego,
futuro,
Graffiti,
Guerrilla Art,
Le Monde Diplomatique,
neotaylorismo,
Precariedade,
Qualidade,
Reflexão
2010-04-10
Quiz XXXVIII

imagem via Portugal Street Art
Não será um paradoxo haver uma cada vez maior desigualdade numa sociedade com cada vez maior acesso à informação?
2009-12-18
As linhas de produção do XXI
(...)Segundo Zeinal Bava [CEO da PT], o novo "contact center" será uma boa opção de emprego para jovens licenciados de diversas áreas que pretendam tomar um primeiro contacto com o mercado de trabalho(...)"
in DN-Madeira 01-07-09
"Todas as empresas querem uma reserva fluída de trabalhadores a tempo parcial, temporários e independentes para as ajudarem a manter as despesas baixas e a acompanharem as reviravoltas de mercado (...) os habilidosos patrões das grandes marcas tornaram-se especialistas na arte de evitarem os compromissos para com os empregados, promovendo com mestria a ideia de que os empregados, de certa forma, não são verdadeiros trabalhadores e assim não precisam nem merecem segurança social, salários dignos e outros benefícios. A maioria dos grandes empregadores do sector dos serviços gere a sua força de trabalho como se os empregados não dependessem dos seus cheques de vencimento para coisas essenciais, como a renda ou a alimentação dos filhos. Em vez disso, os patrões do comércio e dos serviços tendem a encarar os seus empregados como crianças: estudantes que procuram um emprego de verão, dinheiro para gastar ou uma breve paragem numa carreira mais satisfatória e rentável(...).
(...)insistindo que continuam a oferecer empregos-passatempo para miúdos. Esquecem que o sector dos serviços está cheio de trabalhadores com múltiplos diplomas universitários, imigrantes que não conseguem encontrar emprego nas fábricas, enfermeiras e professores e gestores de nível médio despedidos (...) Toda a gente sabe que um emprego no sector dos serviços é um passatempo e que o comércio é um sítio onde as pessoas procuram "experiência", não uma forma de ganhar a vida (...) Em nenhum sítio esta mensagem foi tão bem interiorizada como na caixa registradora e no balcão de vendas [nota do autor do post: acrescentaria numa PA de um qualquer contact-center...], onde muitos trabalhadores dizem que se sentem como se estivessem de passagem, mesmo depois de se arrastarem durante uma década no sector do McTrabalho.
(...)[trabalhador da Borders Books and Music em Manhattan]"Ficamos presos nesta dicotomia de "É suposto eu viver melhor, mas não posso porque não encontro outro emprego". por isso dizemos a nós mesmos, "Só estou aqui temporariamente, porque vou encontrar uma coisa melhor". Este estado interiorizado de transitoriedade perpétua tem sido vantajoso para os patrões do sector dos serviços, que tiveram a liberdade de deixarem os salários estagnar e dar pouco espaço às oportunidades de progressão, uma vez que não há a necessidade urgente de melhorar as condições de empregos que, toda a gente concorda, são apenas temporários."
Naomi Klein (2000) "No Logo" p.257 a 259 (excertos)
in DN-Madeira 01-07-09
"Todas as empresas querem uma reserva fluída de trabalhadores a tempo parcial, temporários e independentes para as ajudarem a manter as despesas baixas e a acompanharem as reviravoltas de mercado (...) os habilidosos patrões das grandes marcas tornaram-se especialistas na arte de evitarem os compromissos para com os empregados, promovendo com mestria a ideia de que os empregados, de certa forma, não são verdadeiros trabalhadores e assim não precisam nem merecem segurança social, salários dignos e outros benefícios. A maioria dos grandes empregadores do sector dos serviços gere a sua força de trabalho como se os empregados não dependessem dos seus cheques de vencimento para coisas essenciais, como a renda ou a alimentação dos filhos. Em vez disso, os patrões do comércio e dos serviços tendem a encarar os seus empregados como crianças: estudantes que procuram um emprego de verão, dinheiro para gastar ou uma breve paragem numa carreira mais satisfatória e rentável(...).
(...)insistindo que continuam a oferecer empregos-passatempo para miúdos. Esquecem que o sector dos serviços está cheio de trabalhadores com múltiplos diplomas universitários, imigrantes que não conseguem encontrar emprego nas fábricas, enfermeiras e professores e gestores de nível médio despedidos (...) Toda a gente sabe que um emprego no sector dos serviços é um passatempo e que o comércio é um sítio onde as pessoas procuram "experiência", não uma forma de ganhar a vida (...) Em nenhum sítio esta mensagem foi tão bem interiorizada como na caixa registradora e no balcão de vendas [nota do autor do post: acrescentaria numa PA de um qualquer contact-center...], onde muitos trabalhadores dizem que se sentem como se estivessem de passagem, mesmo depois de se arrastarem durante uma década no sector do McTrabalho.
(...)[trabalhador da Borders Books and Music em Manhattan]"Ficamos presos nesta dicotomia de "É suposto eu viver melhor, mas não posso porque não encontro outro emprego". por isso dizemos a nós mesmos, "Só estou aqui temporariamente, porque vou encontrar uma coisa melhor". Este estado interiorizado de transitoriedade perpétua tem sido vantajoso para os patrões do sector dos serviços, que tiveram a liberdade de deixarem os salários estagnar e dar pouco espaço às oportunidades de progressão, uma vez que não há a necessidade urgente de melhorar as condições de empregos que, toda a gente concorda, são apenas temporários."
Naomi Klein (2000) "No Logo" p.257 a 259 (excertos)
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Reflexão
2009-11-24
Desbobina em versão "Ostie"
"Quem lá vive, faz a sondagem do coração: Berlim é a cidade da Europa para onde toda a gente quer ir. Por causa da noite, da cena artística, da história. Mas se Berlim é onde se quer ir, Berlim Leste é onde se vai parar"
in Diário Económico
"Berlim é especial. E digo isto como um elogio. Um elogio fácil que muitas vezes faço a esta cidade. Mas é um elogio. Um elogio, apesar do Inverno escuro e frio, do Verão tropical e imprevisível, das elevadas taxas de desemprego, criminalidade e pobreza, das demoradas obras públicas, vítimas de um Senado falido e, claro, da falta de praia… É um elogio que se soma aos comummente feitos à oferta cultural existente a todos os níveis, aos preços baixos, à diversidade étnica, à tolerância, aos diferentes estilos de vida, aos verdes parques e aos apetecíveis lagos, aos constantes tropeços na história da Guerra Fria e à onda cool que atravessa os diferentes bairros da cidade, mantendo cada um a sua originalidade. Mas é principalmente um elogio pelas surpresas que a cidade vai oferecendo a quem tem a sorte de por cá passar. Uma dessas muitas surpresas é a Berlim abandonada. Uma Berlim que se distancia de tudo o resto. São espaços parados no tempo. Locais pelos quais a história passou, ou que por ela passaram e que agora, por uma razão ou por outra, se encontram obsoletos, vazios e desprezados. É uma Berlim que não se encontra nos guias turísticos e cuja existência dificilmente se explica na capital da maior economia europeia (...)"
elogio a Berlim by Carregador de Piano
Post Scriptum: Uma das características mais interessantes que os três anos de existência deste espaço permitem aferir, é precisamente verificar a quantidade de experiências profissionais e académicas vivenciadas por muitos dos nossos (mudos*) desbobinadores, fora do nosso rectângulo à beira mar plantado.
O Carregador de Piano, qual trave mestra numa equipa e encarnando bem o espírito aventureiro e destemido que tão bem nos caracterizou enquanto povo (porventura algo que nos devíamos lembrar mais frequentemente antes de esboçar uma crítica fácil e desmoralizante), é o perfeito exemplo do que falo. E muitos outros desbobinadores aqui poderia citar e muitos outros destinos poderia indicar. Aproveitando a brecha mediática, mostro o mesmo apanhado numa reportagem nas celebrações da queda do Muro. Numa Berlim vibrante que 20 anos depois representa esperança e um forte sinal que as barreiras não são imutáveis ou inquebráveis. Numa Berlim que 20 anos depois representa a esperança de um futuro melhor e o atingir de uma realização pessoal. Tal como o João pretende atingir em Berlim. Tal como muitos de nós o tentamos efectuar seja lá qual seja o nosso paradeiro ou percurso [muitas vezes difuso ou tortuoso].
in Diário Económico
"Berlim é especial. E digo isto como um elogio. Um elogio fácil que muitas vezes faço a esta cidade. Mas é um elogio. Um elogio, apesar do Inverno escuro e frio, do Verão tropical e imprevisível, das elevadas taxas de desemprego, criminalidade e pobreza, das demoradas obras públicas, vítimas de um Senado falido e, claro, da falta de praia… É um elogio que se soma aos comummente feitos à oferta cultural existente a todos os níveis, aos preços baixos, à diversidade étnica, à tolerância, aos diferentes estilos de vida, aos verdes parques e aos apetecíveis lagos, aos constantes tropeços na história da Guerra Fria e à onda cool que atravessa os diferentes bairros da cidade, mantendo cada um a sua originalidade. Mas é principalmente um elogio pelas surpresas que a cidade vai oferecendo a quem tem a sorte de por cá passar. Uma dessas muitas surpresas é a Berlim abandonada. Uma Berlim que se distancia de tudo o resto. São espaços parados no tempo. Locais pelos quais a história passou, ou que por ela passaram e que agora, por uma razão ou por outra, se encontram obsoletos, vazios e desprezados. É uma Berlim que não se encontra nos guias turísticos e cuja existência dificilmente se explica na capital da maior economia europeia (...)"
elogio a Berlim by Carregador de Piano
Post Scriptum: Uma das características mais interessantes que os três anos de existência deste espaço permitem aferir, é precisamente verificar a quantidade de experiências profissionais e académicas vivenciadas por muitos dos nossos (mudos*) desbobinadores, fora do nosso rectângulo à beira mar plantado.
O Carregador de Piano, qual trave mestra numa equipa e encarnando bem o espírito aventureiro e destemido que tão bem nos caracterizou enquanto povo (porventura algo que nos devíamos lembrar mais frequentemente antes de esboçar uma crítica fácil e desmoralizante), é o perfeito exemplo do que falo. E muitos outros desbobinadores aqui poderia citar e muitos outros destinos poderia indicar. Aproveitando a brecha mediática, mostro o mesmo apanhado numa reportagem nas celebrações da queda do Muro. Numa Berlim vibrante que 20 anos depois representa esperança e um forte sinal que as barreiras não são imutáveis ou inquebráveis. Numa Berlim que 20 anos depois representa a esperança de um futuro melhor e o atingir de uma realização pessoal. Tal como o João pretende atingir em Berlim. Tal como muitos de nós o tentamos efectuar seja lá qual seja o nosso paradeiro ou percurso [muitas vezes difuso ou tortuoso].
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futuro,
Muro de Berlim,
sonho
2009-10-14
Rapariga do Brinco Precário

Estima-se em cerca de 900.000 trabalhadores ou seja mais ou menos cerca de 1/5 da força de trabalho activa em Portugal, os possuidores dos muitas vezes terríveis quadrados verdes - os chamados "falsos recibos verdes".
Pese criados a pensar nos chamados trabalhadores independentes que por vias das suas funções não necessitavam de um vínculo permanente a uma dada empresa, no entanto o uso abusivo dos mesmos veio a gerar situações que efectivamente me obrigam a usar o adjectivo pejorativo que usei no primeiro parágrafo.
Tal como muitos sabem [e sentem] aqui neste blog, olhando à difícil situação vivida, num contexto em que o desemprego grassa, convém ter em atenção o alastramento deste fenómeno que tem contribuído e muito para a progressiva precariedade do mercado de trabalho.
Se é verdade que temos uma das legislações laborais mais rígidas da Europa - se bem que avaliadas segundo cânones bem liberais, também é bem verdade que subterfúgios como a existência dos recibos verdes ou a expansão extemporânea de Empresas de Trabalho Temporário (ETT), têm permitido um efectivo controle da taxa de desemprego, tudo à custa do futuro de uma geração [os mais afectados] que assim se vê envolvida numa espécie de volatilidade sem fim, que difere muito da segurança sentida pelos seus pais.
Que danos provocarão o alastramento desta situação? Será que toda esta instabilidade será benéfica para quem agora começa a construir uma vida? Que tipos de danos a nível económico, social e mesmo a nível de plasticidade mental - há imensas correntes que defendem que as vivências e experiências vividas até meados dos 20/30, determinam os valores e princípios defendidos por cada um - decorrerão do efectivo prolongamento e aprofundamento desta precariedade? Não contribuirá esta espécie de "No Man's Land" para o agravar das já de si fortes disparidades sentidas pelo país? Não produzirá toda esta insegurança, um aprofundamento ou aparecimento no futuro de discursos mais radicalizados? Que consequências a nível demográfico [aliás já sentidas] ocorrerão?
Bastará a lógica dos estágios remunerados? Poderemos confiar numa suposta ética social das empresas, quando a maioria do tecido empresarial do país é constituído por PME's tendo imensas dificuldades de tesouraria e possuíndo os empresários na sua generalidade um baixo nível de qualificações? Poderemos confiar num Estado que pese almeje ser universalista - ainda que não tenha meios para tal - incorre nas mesmas práticas? Como alterar toda esta espiral aparentemente descendente, quando os dados à partida já estão desvirtuados, repercutindo-se tais noções para gerações vindouras?
[sobre o tema, debate no próxima sexta na casa do Brasil, a propósito do lançamento do livro "2 anos a FERVEr" - mais info aqui]
Pese criados a pensar nos chamados trabalhadores independentes que por vias das suas funções não necessitavam de um vínculo permanente a uma dada empresa, no entanto o uso abusivo dos mesmos veio a gerar situações que efectivamente me obrigam a usar o adjectivo pejorativo que usei no primeiro parágrafo.
Tal como muitos sabem [e sentem] aqui neste blog, olhando à difícil situação vivida, num contexto em que o desemprego grassa, convém ter em atenção o alastramento deste fenómeno que tem contribuído e muito para a progressiva precariedade do mercado de trabalho.
Se é verdade que temos uma das legislações laborais mais rígidas da Europa - se bem que avaliadas segundo cânones bem liberais, também é bem verdade que subterfúgios como a existência dos recibos verdes ou a expansão extemporânea de Empresas de Trabalho Temporário (ETT), têm permitido um efectivo controle da taxa de desemprego, tudo à custa do futuro de uma geração [os mais afectados] que assim se vê envolvida numa espécie de volatilidade sem fim, que difere muito da segurança sentida pelos seus pais.
Que danos provocarão o alastramento desta situação? Será que toda esta instabilidade será benéfica para quem agora começa a construir uma vida? Que tipos de danos a nível económico, social e mesmo a nível de plasticidade mental - há imensas correntes que defendem que as vivências e experiências vividas até meados dos 20/30, determinam os valores e princípios defendidos por cada um - decorrerão do efectivo prolongamento e aprofundamento desta precariedade? Não contribuirá esta espécie de "No Man's Land" para o agravar das já de si fortes disparidades sentidas pelo país? Não produzirá toda esta insegurança, um aprofundamento ou aparecimento no futuro de discursos mais radicalizados? Que consequências a nível demográfico [aliás já sentidas] ocorrerão?
Bastará a lógica dos estágios remunerados? Poderemos confiar numa suposta ética social das empresas, quando a maioria do tecido empresarial do país é constituído por PME's tendo imensas dificuldades de tesouraria e possuíndo os empresários na sua generalidade um baixo nível de qualificações? Poderemos confiar num Estado que pese almeje ser universalista - ainda que não tenha meios para tal - incorre nas mesmas práticas? Como alterar toda esta espiral aparentemente descendente, quando os dados à partida já estão desvirtuados, repercutindo-se tais noções para gerações vindouras?
[sobre o tema, debate no próxima sexta na casa do Brasil, a propósito do lançamento do livro "2 anos a FERVEr" - mais info aqui]
catálogos:
futuro,
Graffiti,
Guerrilla Art,
Opinião,
Pergunta Retórica,
Portugal,
Precariedade,
Qualidade,
Quo Vadis Portugal,
Recibos Verdes,
Reflexão,
Segurança
2009-07-07
Quiz XXXV

Olhando aos recentes manifestos [já vão em quatro, com um de artistas que saiu anteontem], numa época em que a componente cénica e mediática da política vale tanto quanto o conteúdo e a mensagem [direi até bem mais a primeira que a segunda], será que a clara divisão existente sobre o tema em termos de opções e o impacto futuro no país, não significarão por um lado, um retorno às grandes divisões ideológicas do passado?
Ou serão meros fogachos lançados num ambiente cada vez mais uniforme, onde as diferenças entre os partidos de poder são cada vez mais esbatidas?
catálogos:
Debate,
futuro,
Ideologias,
Manifestos,
Opções,
Pergunta Retórica,
Política,
Portugal
2009-06-18
Post Proselitista
catálogos:
4-4-2 Losango,
Benfica,
Degredo,
Fé,
Futebol,
futuro,
Paixão,
Reconversão
2009-01-23
Viva a democracia!!
A maioria do PS chumbou hoje o projecto lei do CDS-PP com justificações no mínimo interessantes.
O secretário de Estado adjunto da Educação classificou o diploma do CDS-PP de "pura demagogia" e assegurou que "o Governo não está disponível para regressar ao passado". Entre outras declarações proferidas pelos demais apoiantes da proposta do PS de avaliar os professores de qualquer forma, esta é que me deixa mais perplexa.
Ora vejamos:
1) Fazer propaganda de uma avaliação à força não é demagogia?
2) Realizar uma avaliação deficiente, incompleta, injusta e não uniforme para todos os membros do corpo docente não é demagogia?
3) Querer mostrar obra feita, através desta avaliação, sem qualquer entendimento do que é o sistema se ensino e de como este deverá ser avaliado, não é repetir erros do passado?
Pois é... o problema é que talvez este senhor desconheça o significado da palavra demagogia. É uma palavra bonita, usada como chavão na classe política e que, embora a maior parte do povo português, que pouco ou nada sabe da língua portuguesa, não perceba o que quer dizer tem um significado mais profundo.
Demagogia é uma palavra de origem grega que quer dizer "arte de conduzir o povo", sendo utilizada em situações onde o governo ou a actuação política se pautada pelo interesse imediato de agradar às massas populares, com o fim de alcançar o poder ou de o manter; situação política em que o poder é abandonado às multidões.
Analisando esta palavra, pessoalmente parece-me que o demagogo é PS e demagogia é a proposta de avaliação dos professores.
De facto, quando vemos entrevistas sobre este tema tão interessante, são repetidas repostas de aplausos ao governo por querer avaliar uma classe que nunca foi avaliada, avaliar funcionários do estado como se avaliam funcionários em empresas...enfim... é uma medida eleitoralista e que desperta o espírito de "irritar" e "chatear o vizinho" que tanto caracteriza o nosso povo.
Este governo soube, aliás, lidar muito bem com essa ferramenta, não houve classe trabalhadora que não fosse atacada por este governo, no entanto, todos os membros das demais classes, aplaudem as críticas e as "avaliações" propostas para profissionais como os médicos, juízes, professores, funcionários públicos, etc.
O que o governo não conta, o que os telejornais não mencionam, é que a avaliação dos professores, nos termos que que está formulada é uma medida eleitoralista, feita única e exclusivamente para agradar a alunos e consequentemente aos pais...não percebendo estes que o futuro dos seus filhos está em risco.
Se o que o CDS-PP e os demais partidos subscrevem é assim tão demagógico, e tão impensável e abominável, então temos de pensar todos, que as pessoas que se licenciaram, doutoraram, saíram até com o 9º ano de escolaridade nada sabem. Os professores dessa altura não eram avaliados (palavras do governo) então que qualidade de ensino terão todos os profissionais vigentes, deputados e ministros incluídos?
Temos de acabar com esta mania de fazer coisas à pressa e mal feitas para mostrar trabalho.
Reflectir, agir baseado em provas e de forma faseada, avaliando (palavra chave) cada etapa com tempo, deitando fora o que não funciona e aproveitando o que dá resultado, para mim não é voltar ao passado. É pensar e agir num futuro a que a nossa classe política não está habituada. Reconhecer que erramos não é demagogia, parar e fazer um exame consciência não é demagogia, o contrário é que não só é DEMAGOGIA pura e dura, como voltar a repetir atitudes autoritárias e autocráticas muito próprias do nosso passado.
Para terminar, digo apenas que pessoalmente não acho que venha mal à terra por esperarmos um ano mais pelo processo de avaliação dos professores, do que entrar por um processo sem sentido e "à força" como este que o PS nos quer impingir. Digo nos...porque os nossos filhos é que vão ser a proveta de teste destas reformas....e não sei se quero isto para os meus filhos.
O secretário de Estado adjunto da Educação classificou o diploma do CDS-PP de "pura demagogia" e assegurou que "o Governo não está disponível para regressar ao passado". Entre outras declarações proferidas pelos demais apoiantes da proposta do PS de avaliar os professores de qualquer forma, esta é que me deixa mais perplexa.
Ora vejamos:
1) Fazer propaganda de uma avaliação à força não é demagogia?
2) Realizar uma avaliação deficiente, incompleta, injusta e não uniforme para todos os membros do corpo docente não é demagogia?
3) Querer mostrar obra feita, através desta avaliação, sem qualquer entendimento do que é o sistema se ensino e de como este deverá ser avaliado, não é repetir erros do passado?
Pois é... o problema é que talvez este senhor desconheça o significado da palavra demagogia. É uma palavra bonita, usada como chavão na classe política e que, embora a maior parte do povo português, que pouco ou nada sabe da língua portuguesa, não perceba o que quer dizer tem um significado mais profundo.
Demagogia é uma palavra de origem grega que quer dizer "arte de conduzir o povo", sendo utilizada em situações onde o governo ou a actuação política se pautada pelo interesse imediato de agradar às massas populares, com o fim de alcançar o poder ou de o manter; situação política em que o poder é abandonado às multidões.
Analisando esta palavra, pessoalmente parece-me que o demagogo é PS e demagogia é a proposta de avaliação dos professores.
De facto, quando vemos entrevistas sobre este tema tão interessante, são repetidas repostas de aplausos ao governo por querer avaliar uma classe que nunca foi avaliada, avaliar funcionários do estado como se avaliam funcionários em empresas...enfim... é uma medida eleitoralista e que desperta o espírito de "irritar" e "chatear o vizinho" que tanto caracteriza o nosso povo.
Este governo soube, aliás, lidar muito bem com essa ferramenta, não houve classe trabalhadora que não fosse atacada por este governo, no entanto, todos os membros das demais classes, aplaudem as críticas e as "avaliações" propostas para profissionais como os médicos, juízes, professores, funcionários públicos, etc.
O que o governo não conta, o que os telejornais não mencionam, é que a avaliação dos professores, nos termos que que está formulada é uma medida eleitoralista, feita única e exclusivamente para agradar a alunos e consequentemente aos pais...não percebendo estes que o futuro dos seus filhos está em risco.
Se o que o CDS-PP e os demais partidos subscrevem é assim tão demagógico, e tão impensável e abominável, então temos de pensar todos, que as pessoas que se licenciaram, doutoraram, saíram até com o 9º ano de escolaridade nada sabem. Os professores dessa altura não eram avaliados (palavras do governo) então que qualidade de ensino terão todos os profissionais vigentes, deputados e ministros incluídos?
Temos de acabar com esta mania de fazer coisas à pressa e mal feitas para mostrar trabalho.
Reflectir, agir baseado em provas e de forma faseada, avaliando (palavra chave) cada etapa com tempo, deitando fora o que não funciona e aproveitando o que dá resultado, para mim não é voltar ao passado. É pensar e agir num futuro a que a nossa classe política não está habituada. Reconhecer que erramos não é demagogia, parar e fazer um exame consciência não é demagogia, o contrário é que não só é DEMAGOGIA pura e dura, como voltar a repetir atitudes autoritárias e autocráticas muito próprias do nosso passado.
Para terminar, digo apenas que pessoalmente não acho que venha mal à terra por esperarmos um ano mais pelo processo de avaliação dos professores, do que entrar por um processo sem sentido e "à força" como este que o PS nos quer impingir. Digo nos...porque os nossos filhos é que vão ser a proveta de teste destas reformas....e não sei se quero isto para os meus filhos.
2008-10-30
Money, Money, Money... what about it?
O que sabemos nós, realmente acerca da palavra dinheiro? O seu conceito económico, como foi criado e como cria a nossa sociedade o dinheiro??? Estas são perguntas que podem parecer simples, mas para quem não teve cadeiras de economia, para quem lida com dinheiro todos os dias e depende dele para sobreviver... sou obrigada a reconhecer que não sei responder...??!!!!
E vocês??!!!!
Talvez seja bom darem uma olhadela a estes vídeos.
A versão inicial que vi estava completa, mas só consegui encontrar esta que está partida em 5 partes, no entanto vale o esforço!
Enjoy!!
E vocês??!!!!
Talvez seja bom darem uma olhadela a estes vídeos.
A versão inicial que vi estava completa, mas só consegui encontrar esta que está partida em 5 partes, no entanto vale o esforço!
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