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2009-10-14

Rapariga do Brinco Precário




Estima-se em cerca de 900.000 trabalhadores ou seja mais ou menos cerca de 1/5 da força de trabalho activa em Portugal, os possuidores dos muitas vezes terríveis quadrados verdes - os chamados "falsos recibos verdes".

Pese criados a pensar nos chamados trabalhadores independentes que por vias das suas funções não necessitavam de um vínculo permanente a uma dada empresa, no entanto o uso abusivo dos mesmos veio a gerar situações que efectivamente me obrigam a usar o adjectivo pejorativo que usei no primeiro parágrafo.

Tal como muitos sabem [e sentem] aqui neste blog, olhando à difícil situação vivida, num contexto em que o desemprego grassa, convém ter em atenção o alastramento deste fenómeno que tem contribuído e muito para a progressiva precariedade do mercado de trabalho.

Se é verdade que temos uma das legislações laborais mais rígidas da Europa - se bem que avaliadas segundo cânones bem liberais, também é bem verdade que subterfúgios como a existência dos recibos verdes ou a expansão extemporânea de Empresas de Trabalho Temporário (ETT), têm permitido um efectivo controle da taxa de desemprego, tudo à custa do futuro de uma geração [os mais afectados] que assim se vê envolvida numa espécie de volatilidade sem fim, que difere muito da segurança sentida pelos seus pais.

Que danos provocarão o alastramento desta situação? Será que toda esta instabilidade será benéfica para quem agora começa a construir uma vida? Que tipos de danos a nível económico, social e mesmo a nível de plasticidade mental - há imensas correntes que defendem que as vivências e experiências vividas até meados dos 20/30, determinam os valores e princípios defendidos por cada um - decorrerão do efectivo prolongamento e aprofundamento desta precariedade? Não contribuirá esta espécie de "No Man's Land" para o agravar das já de si fortes disparidades sentidas pelo país? Não produzirá toda esta insegurança, um aprofundamento ou aparecimento no futuro de discursos mais radicalizados? Que consequências a nível demográfico [aliás já sentidas] ocorrerão?

Bastará a lógica dos estágios remunerados? Poderemos confiar numa suposta ética social das empresas, quando a maioria do tecido empresarial do país é constituído por PME's tendo imensas dificuldades de tesouraria e possuíndo os empresários na sua generalidade um baixo nível de qualificações? Poderemos confiar num Estado que pese almeje ser universalista - ainda que não tenha meios para tal - incorre nas mesmas práticas? Como alterar toda esta espiral aparentemente descendente, quando os dados à partida já estão desvirtuados, repercutindo-se tais noções para gerações vindouras?

[sobre o tema, debate no próxima sexta na casa do Brasil, a propósito do lançamento do livro "2 anos a FERVEr" - mais info aqui]


2008-09-29

Ironias

Um espaço nocturno recentemente inaugurado no Funchal, que tendo o acrónimo de KKK (Kool Klube Kafé), tem um segurança de etnia negra à porta...

Post Scriptum: Refira-se em abono da verdade a qualidade do dito espaço (com um espaço exterior) - paralelamente inversa à má escolha de nome, destacando pela positiva a variedade musical fornecida - gostei de algumas quartas feiras em que lá estive, assim como a extrema simpatia do demais staff. Fica dada a dica e mais uma alternativa na noite madeirense!

2007-06-20

Simplesmente impressionante...



Já ando a uns tempos a reflectir sobre isto, e agora impulsionado pelo ultimo grande acidente de Formula1 trago-vos este post.

No dia 10 de Junho, durante o GP do Canadá em Montreal no circuito Gilles Villeneuve, Robert Kubica, um semi-rookie polaco de grande talento, piloto da BMW despista-se a cerca de 280 km/horarios e embate numa parede praticamente de frente onde ainda capota mais duas vezes antes de voltar a embater na parede do lado oposto da pista, onde fica inconsciente. As imagens do piloto imovel e dos inumeros destroços do carro pela pista trazem à memoria o incidente que vitimou Ayrton Senna a 1 de Maio de 1994.

Rapidamente, ainda durante o decorrer do GP do Canadá surgiram noticias que Kubica já estava consciente..
Foi rapidamente hospitalizado e chegou a falar-se de uma perna fracturada. Efectuaram um 'check up' completo e finalmente saíu o diagnostico:
Apenas uma leve torção no tornozelo que nem o impedia de conduzir!

Kubica só não participou no GP dos EUA na semana seguinte porque os responsaveis médicos da FIA quiseram "evitar qualquer procedimento legal no país onde maior aproveitamento financeiro se faz de qualquer situação", ou seja, mais uma batata daquelas num espaço de apenas uma semana e as consequencias podiam ser outras, levando depois a um processo legal que penalizava a FIA por negligencia... enfim..

Voltando ao acidente no Canadá, a telemetria revelou que o embate inicial foi de 78G, ou seja, cerca de 46 toneladas a 280km/h contra a um objecto imovel... Multipliquem o vosso peso por 78 vezes e façam a conta do peso que o vosso fisico teria de suportar em tal impacto.
Não faço ideia quanto pesa uma cabeça humana, mas supondo que pesa 4kg, o vosso pescoço teria de suportar numa fracção de segundo um peso de aproximadamente 312kg. Se juntarem um capacete, os valores aumentam à volta de 80kg...

Em 1994, Senna e Ratzenberger sentiram na péle a falta desse mesmo desenvolvimento tecnologico que salvou a vida de Kubica..
A célula de sobrevivencia, sistema HANS (Head And Neck Support) e os capacetes são os exemplos mais praticos dos resultados desse mesmo desenvolvimento.
Por exemplo, um capacete de Formula 1 homolgado suporta o peso de um tanque militar, suporta ser baleado de frente na viseira e suporta fogo durante varios minutos sem que a temperatura no interior seja insuportavel. E pesa à volta de 1kg.

Mais incrivel ainda é pensar que chegar ao Formula 1 é o sonho de qualquer piloto. Alias, no outro dia li uma crónica de um jornalista que tinha testado um Formula 1 e no fim ele dizia uma coisa do genero: "Eu tinha um sonho que era um dia pilotar um Formula 1.. Hoje em dia eu tenho outro sonho: Voltar a pilotar um Formula1"..

Muitos nomes ficaram tragicamente associados à busca 'daquela' décima de segundo... Mas o que será que nos faz ultrapassar os limites do racional...?
Não sei explicar mas, é viciante...


Trivia - No MotoGP, que eu me lembre houveram muitos acidentes impressionantes e com consequencias gravissimas, mas apenas me vem à memoria dois fatais.. Um deles foi Daijiro Kato (famoso numero 74 que quase todos os pilotos têm nas suas motos e fatos) piloto da Honda e uma das maiores esperanças do motociclismo. O outro acidente não me recordo o nome, mas quando morreu estava a testar um Formula1 ...