Mostrar mensagens com a etiqueta Consciência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Consciência. Mostrar todas as mensagens

2010-06-24

Os putos já estão condenados.


"These kid's don't known they're working class; they won't known that until they leave school and realize that that the dreams they've nurtered throught childhood can't come true."


The Spirit Level - Why Equality is Better for Everyone (Wilkinson & Pickett) Penguin Books pp.117


Ironia como num raio de 200 metros numa das zonas de maior expansão imobiliária de Lisboa, temos um dos colégios mais selectos do país - segundo consta, a lista de admissão é praticamente impenetrável - temos uma escola pública num bairro degradado, com parcas condições para não dizer deploráveis, e no meio, entre as duas numa mera distância de menos de 100 metros, temos com um antigo armazém degradado que serve de abrigo a toxicodependentes que ali livremente se deslocam e pernoitam, havendo pouca ajuda disponível (pelo menos a nível visível) para reabilitá-los. Isto acontece em plena Lisboa (não vou nomear o sítio), mas poderia acontecer em qualquer parte do país.

Estive hoje na tal escola do bairro carenciado, pese toda a disponibilidade e boa vontade evidenciada pelos auxiliares e membros de ATL, ao olhar para aquelas crianças e ao ver aos seus pais, a primeira ideia que me ocorreu foi precisamente o título que pontua este texto.

O contexto social, a disponibilidade financeira dos pais, o grau de confiança existente na comunidade onde a criança interage e os estímulos que a mesma recebe, são tudo factores que influem no desenvolvimento das crianças, tendo um real impacto nas sua vidas adultas.

Sociedade altamente desiguais como a nossa, apenas estimulam e agravam estas disparidades, contruíndo uma abstracção de sociedade onde uma parte vive numa espécie de redoma de vidro longe de todas as adversidades, dentro dos seus condomínios e uma outra parte vive em quase estado de sítio, em contextos onde a confiança e segurança não abundam, repercutindo-se isso numa espécie de ciclo vicioso que afecta todos os aspectos da vida, afectando e quebrando os naturais e solidários laços que uma saudável sociedade deve possuir.

Um pensamento a ter em conta, quando num contexto de crise, são propagados argumentos populistas e demagógicos, como cortes em programas estatais no campo da assistência e na correcção de assimetrias existentes, numa pura lógica economicista sem olhar aos efeitos que tal medidas faria.

O ataque às consequência e não às causas, como p.e. os argumentos securitária e autoritários muitas vezes implicam, é outra característica da opção por lógicas suicidas a curto-prazo que nada farão se o problema não for abordado na sua raiz e numa lógica a longo-prazo.

Até porque as consequências advindas de uma sociedade mais desigual, não só afectaram os estratos mais baixos dessa mesma comunidade, como afectaram todos os outros, diminuindo a qualidade de vida, tornando menos solidária e confiante toda a sociedade (mais desconfiada e menos altruísta) e tornando em última instância, mais onerosa para o Estado a manutenção de certas operações vistas como essenciais (segurança, custos com saúde, etc.).

A redução desta disparidades, deveria ser assim vista como prioridade máxima.

Assim de repente, depois deste texto e sabendo-se as terríveis disparidades no nosso país - assim como a lógica adoptada, afinal de contas não constituirá assim tão grande ironia a existência destas contradições num curto raio de espaço. Isso é algo que uma grande parte da nossa classe dirigente ainda não se deu conta. Fazia bem saírem da redoma de vidro de vez em quando.



2010-06-15

BP Oil Spill


imagem via indymedia.us



If It Was My Home - Visualizing the BP Oil Spill (clicar)


Definitivamente os 801 km2 do arquipélago ficariam submergidos dentro dos 6500 km2 que a mancha já atingiu.



2009-07-08

Home

Compra feita há horas na FNAC por menos de 5€.

Excelente fotografia! Excelente mensagem! Highly recommend (ainda que esteja disponível integralmente no Youtube)!

post scriptum: apenas uma pequena curiosidade - este filme é um dos factores apontados para a excelente votação que os Verdes tiveram em países como França ou a Grécia, nas últimas europeias.

2008-10-10

Ironias III


Li hoje no Público que a F1 imbuída de uma súbita consciência ambiental (fica sempre bem nos dias que correm), resolveu aderir à campanha da FIA "Make Cars Green" (na qual o ACP participa), tendo a Bridgestone se associado e produzido pneus com riscas verdes para alusão à adesão. Isto é tudo muito engraçado, não fosse esta uma disciplina cujos bólides consumem até 75 litros aos 100km...

(ainda assim e sabendo-se que a F1 é um imenso laboratório de experiências de sistemas e instrumentos que depois são aplicados à produção regular de automóveis, seria bem mais prático adoptar medidas como o desenvolvimento de motores híbridos e medidas afins)

2008-01-23

Green is the new Black

Segundo o anunciado hoje [vide Público], Portugal poderá aumentar em 1% as suas emissões de CO2 para a atmosfera até 2020, isto em relação a valores de 2005. A UE aproveitou para reforçar medidas nesta temática ao anunciar coimas a aplicar às indústrias mais poluentes [só a partir de 2013], assim como o reforço de sensibilização mundial sobre outros blocos económicos e países, assim como um plano ambicioso que custará menos de 0,5% do PIB até 2020 [estimado em cerca de 3€ por semana por cidadão da UE]. A decisão que poderá levar a que certos países tenham que reduzir as emissões até menos 20%, baseou-se no PIB de cada país, sendo os mais ricos penalizados...

...ou seja já deveremos ter ultrapassado este valor, pelo que deveremos pelo menos manter estes nível de emissões actuais, o que poderá se vir a revelar complicado. Cada vez mais a onda verde entra no topo das agendas políticas, não se estranhando o facto do grosso do sistema energético depender muito dos chamadas fontes de energia fósseis não renováveis e acarretando um grave custo ambiental, cujo preço da principal matéria prima usada tem subido para níveis incomportáveis nos últimos tempos. Daí que a meta para o aumento das chamdas energias não renováveis esteja agora definida em 20% do total [contra os 8,5% actuais], assim como o reforço em investigação na área...

Será compatível a manutenção de um status quo económico de exigência de constante crescimento com uma cada vez maior preocupação ambiental? Poderão funcionar em sinergia ou serão completamente antagónicas?
É que mesmo dentro da Comissão da UE, já há fortes discordâncias, havendo contestação sobre algumas destas decisões, argumentando que trarão graves consequências a nível social e laboral [vide por aqui]. Por outro lado poderá levar ao grande aumento do custo médio de vida, na medida em que muitas indústrias farão sentir na factura esse aumento...Será que todos estaremos dispostos a abdicar de muitas coisas em prol destes objectivos? Será que o cidadão comum já assume estas preocupações como suas?

Ou será tudo uma questão de moda? ... parafraseando um desbobinador aqui do espaço [honra seja feita ao BOB]: "Nowadays Green is the new Black..."