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2010-06-15

BP Oil Spill


imagem via indymedia.us



If It Was My Home - Visualizing the BP Oil Spill (clicar)


Definitivamente os 801 km2 do arquipélago ficariam submergidos dentro dos 6500 km2 que a mancha já atingiu.



2009-10-11

Um passo rumo à UE?


Surpreendentemente a Turquia e a Arménia assinaram um acordo para a normalização de relações, algo que olhando ao diferendo que as opunha representa um grande passo. Recorde-se que na origem do mesmo, estava o genocídio [massacre na versão turca] e deportação em massa de arménios para o deserto sírio durante a ocupação otomana em especial durante o período 1915-17. Enquanto o lado turco sempre negou ou menorizou os acontecimentos, o lado arménio sempre clamou vingança pela morte de quase 1 milhão e meio de compatriotas, algo que gerou imensas tensões, aliás ainda visíveis nas respectivas opiniões públicas.

Mais que o normalizar de foco de tensões, numa zona estratégica em termos energéticos - corredor de passagem de oleodutos e gasodutos, importa ver este acordo sob o prisma turco.

Esta questão, em conjunto com a questão da minoria curda e com a questão cipriota - de apoio à República do Norte do Chipre, representavam grandes empecilhos à uma plena candidatura à UE, algo que recorde-se acontece desde 1999 [embora intenções remontem à década de 60] não gerando grande entusiasmo na maioria das opiniões públicas dos parceiros europeias, devido ao choque civilizacional que poderia acontecer com a entrada de um grande país mulçumano numa comunidade com valores e tradições judaico-cristão.

A parte desta situação, e considerando a título pessoal que esta entrada a mim nada me repugna [aliás já aqui o escrevi], o alcance deste acordo, representa mais um forte sinal que Ancara envia aos parceiros europeus, indicando que está disposta a cumprir o longo caminho que ainda lhe falta fazer.

O pior é que a Europa, a braços com uma grande expansão ocorrida há bem pouco - sentindo ainda efeitos da mesma, numa altura em que a necessidade de reforma e agilidade do edifício é demais evidente, numa altura em que se torna imperativo ter uma posição a uma só voz, procurando assim contornar a sua natural erosão em termos de influência no cenário geopolítico mundial, demonstra nesta matéria uma grande divisão e um manifesto desinteresse face aos esforços efectuados - note-se o desinteresse mostrado por Sarkozy na visita do presidente turco esta semana em Paris.

Ainda que haja diferença cultural, considero positiva a entrada da Turquia pelo sinal que seria dado ao mundo islâmico - o seu percurso laico é quase exemplar e pode constituir um bom ponto de partida para países na zona, quer por outro lado, pela influência que a mesma exerce, seja pela sua imensa diáspora, seja no chamado crescente turco que recorde-se se prolonga até aos confins da Ásia Central - onde Estados fracos saídos da desagregação da ex-URSS, têm sido autênticos viveiros de terroristas.

2009-07-02

Estranho unamismo ou apenas mudança de paradigma?

Ocorreu pelos últimos dias um golpe de estado em mais um país da América Central. Até aqui, nada de novo e poderia-se considerar que era apenas a perpetuação de uma longa tradição de tomadas de poder e intromissões do Exército na condução dos destinos de cada país, situação aliás que tem raízes que remotam até Símon Bolívar.

No entanto, o que que é interessante verificar, é o estranho unamismo que se criou na condenação deste acto. Zelaya como se sabe, era um indefectível seguidor da linha boliviriana chavista. A condenação do acto por parte de Obama e a ausência de apoio ou neutralidade para com o perpetuadores do ataque por parte dos EUA, acabam assim por constituir um corte com o passado recente.

Enquadrar-se-à esta posição de Obama numa simples extensão do seu discurso idealista ou estará meramente a tentar contrapor o enorme ascendente que Chavez possui no continente? Não é segredo para ninguém, que durante séculos [posso seguramente já usar a expressão], os EUA consideraram a América Latina como seu território de influência, escudando o mesmo a ingerências externas - célebre teoria Monroe [de que já aqui falamos].

A coberto desta situação, foi dada imensa cobertura a elites oligarcas locais que por meios dictatoriais [na esmagadora maioria dos casos] se perpetuaram no poder, escudando os interesses dos EUA numa primeira, quer numa segunda fase, contendo os ímpetos de uma possível contaminação comunista do continente.

Neste caso, as restricções aplicadas a Cuba [ainda existente devido ao enorme lobby anti-castrista de Miami] são um puro exemplo do que falo. Mais atropelos às mais elementares regras de democracia foram aplicados [ex. Chile em 1973], fazendo com que a América Latina rapidamente se tornasse uma espécie de besta negra ou caixinha dos horrores, nada condizentes com a mensagem e postura moralmente superior, que uns EUA defensores da liberdade pretendiam passar.

A América do Sul é um continente muito desigual. Com cerca de 80% da população urbanizada, mais de metade dos seus munícipios [ou unidades administrativas equivalentes] são rurais e tem menos de 5000 habitantes. Isto gera, conforme devem imaginar graves desiquilíbrios. A protecção dada pelos americanos, às minoria que se arrastou pelo poder durante décadas, ajudou a fomentar ódios de estimação, assim como populismos que com razão ou não, souberam aproveitar estes sentimentos.

Daí a minha questão sobre esta mudança de atitude de Obama em relação à América do Sul. Ainda para mais quando o presidente em questão pretendia alterar a constituição, para efectuar um referendo popular para poder se recandidatar a novo mandato. Será que estarão por detrás questões de pacificação interna da região? Será esta uma medida que visa agradar à crescente preponderância [em termos demográficos - 11% na actualidade, mas 22% em 2025] hispânica no "melting pot" que são os EUA? Haverão questões comerciais - petróleo, mercado livre da ALCA - por detrás desta posição? Ou procurará Obama meramente contrapor a crescente preponderância de Chévez na região?

Tudo questões interessantes que são levantadas, mas não deixa de ser estranho este estranho unamismo existente, deixando assim Chávez sem alvo para poder disparar à vontade.

A propósito do tema: Europas

2008-01-23

Green is the new Black

Segundo o anunciado hoje [vide Público], Portugal poderá aumentar em 1% as suas emissões de CO2 para a atmosfera até 2020, isto em relação a valores de 2005. A UE aproveitou para reforçar medidas nesta temática ao anunciar coimas a aplicar às indústrias mais poluentes [só a partir de 2013], assim como o reforço de sensibilização mundial sobre outros blocos económicos e países, assim como um plano ambicioso que custará menos de 0,5% do PIB até 2020 [estimado em cerca de 3€ por semana por cidadão da UE]. A decisão que poderá levar a que certos países tenham que reduzir as emissões até menos 20%, baseou-se no PIB de cada país, sendo os mais ricos penalizados...

...ou seja já deveremos ter ultrapassado este valor, pelo que deveremos pelo menos manter estes nível de emissões actuais, o que poderá se vir a revelar complicado. Cada vez mais a onda verde entra no topo das agendas políticas, não se estranhando o facto do grosso do sistema energético depender muito dos chamadas fontes de energia fósseis não renováveis e acarretando um grave custo ambiental, cujo preço da principal matéria prima usada tem subido para níveis incomportáveis nos últimos tempos. Daí que a meta para o aumento das chamdas energias não renováveis esteja agora definida em 20% do total [contra os 8,5% actuais], assim como o reforço em investigação na área...

Será compatível a manutenção de um status quo económico de exigência de constante crescimento com uma cada vez maior preocupação ambiental? Poderão funcionar em sinergia ou serão completamente antagónicas?
É que mesmo dentro da Comissão da UE, já há fortes discordâncias, havendo contestação sobre algumas destas decisões, argumentando que trarão graves consequências a nível social e laboral [vide por aqui]. Por outro lado poderá levar ao grande aumento do custo médio de vida, na medida em que muitas indústrias farão sentir na factura esse aumento...Será que todos estaremos dispostos a abdicar de muitas coisas em prol destes objectivos? Será que o cidadão comum já assume estas preocupações como suas?

Ou será tudo uma questão de moda? ... parafraseando um desbobinador aqui do espaço [honra seja feita ao BOB]: "Nowadays Green is the new Black..."

2007-09-22

Barreira Psicológica...


...quão perto estaremos de ultrapassar a barreira psicológica dos 100$ por barril de petróleo?

Será que o choque energético chegará mais rápido do que as previsões mais negativas apontavam?

Estará o Mundo e em especial o nosso país preparado para tal mudança?