créditos foto: José Manuel Ribeiro/Reuters
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2012-09-18
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2009-10-11
Um passo rumo à UE?
Surpreendentemente a Turquia e a Arménia assinaram um acordo para a normalização de relações, algo que olhando ao diferendo que as opunha representa um grande passo. Recorde-se que na origem do mesmo, estava o genocídio [massacre na versão turca] e deportação em massa de arménios para o deserto sírio durante a ocupação otomana em especial durante o período 1915-17. Enquanto o lado turco sempre negou ou menorizou os acontecimentos, o lado arménio sempre clamou vingança pela morte de quase 1 milhão e meio de compatriotas, algo que gerou imensas tensões, aliás ainda visíveis nas respectivas opiniões públicas.
Mais que o normalizar de foco de tensões, numa zona estratégica em termos energéticos - corredor de passagem de oleodutos e gasodutos, importa ver este acordo sob o prisma turco.
Esta questão, em conjunto com a questão da minoria curda e com a questão cipriota - de apoio à República do Norte do Chipre, representavam grandes empecilhos à uma plena candidatura à UE, algo que recorde-se acontece desde 1999 [embora intenções remontem à década de 60] não gerando grande entusiasmo na maioria das opiniões públicas dos parceiros europeias, devido ao choque civilizacional que poderia acontecer com a entrada de um grande país mulçumano numa comunidade com valores e tradições judaico-cristão.
A parte desta situação, e considerando a título pessoal que esta entrada a mim nada me repugna [aliás já aqui o escrevi], o alcance deste acordo, representa mais um forte sinal que Ancara envia aos parceiros europeus, indicando que está disposta a cumprir o longo caminho que ainda lhe falta fazer.
O pior é que a Europa, a braços com uma grande expansão ocorrida há bem pouco - sentindo ainda efeitos da mesma, numa altura em que a necessidade de reforma e agilidade do edifício é demais evidente, numa altura em que se torna imperativo ter uma posição a uma só voz, procurando assim contornar a sua natural erosão em termos de influência no cenário geopolítico mundial, demonstra nesta matéria uma grande divisão e um manifesto desinteresse face aos esforços efectuados - note-se o desinteresse mostrado por Sarkozy na visita do presidente turco esta semana em Paris.
Ainda que haja diferença cultural, considero positiva a entrada da Turquia pelo sinal que seria dado ao mundo islâmico - o seu percurso laico é quase exemplar e pode constituir um bom ponto de partida para países na zona, quer por outro lado, pela influência que a mesma exerce, seja pela sua imensa diáspora, seja no chamado crescente turco que recorde-se se prolonga até aos confins da Ásia Central - onde Estados fracos saídos da desagregação da ex-URSS, têm sido autênticos viveiros de terroristas.
Mais que o normalizar de foco de tensões, numa zona estratégica em termos energéticos - corredor de passagem de oleodutos e gasodutos, importa ver este acordo sob o prisma turco.
Esta questão, em conjunto com a questão da minoria curda e com a questão cipriota - de apoio à República do Norte do Chipre, representavam grandes empecilhos à uma plena candidatura à UE, algo que recorde-se acontece desde 1999 [embora intenções remontem à década de 60] não gerando grande entusiasmo na maioria das opiniões públicas dos parceiros europeias, devido ao choque civilizacional que poderia acontecer com a entrada de um grande país mulçumano numa comunidade com valores e tradições judaico-cristão.
A parte desta situação, e considerando a título pessoal que esta entrada a mim nada me repugna [aliás já aqui o escrevi], o alcance deste acordo, representa mais um forte sinal que Ancara envia aos parceiros europeus, indicando que está disposta a cumprir o longo caminho que ainda lhe falta fazer.
O pior é que a Europa, a braços com uma grande expansão ocorrida há bem pouco - sentindo ainda efeitos da mesma, numa altura em que a necessidade de reforma e agilidade do edifício é demais evidente, numa altura em que se torna imperativo ter uma posição a uma só voz, procurando assim contornar a sua natural erosão em termos de influência no cenário geopolítico mundial, demonstra nesta matéria uma grande divisão e um manifesto desinteresse face aos esforços efectuados - note-se o desinteresse mostrado por Sarkozy na visita do presidente turco esta semana em Paris.
Ainda que haja diferença cultural, considero positiva a entrada da Turquia pelo sinal que seria dado ao mundo islâmico - o seu percurso laico é quase exemplar e pode constituir um bom ponto de partida para países na zona, quer por outro lado, pela influência que a mesma exerce, seja pela sua imensa diáspora, seja no chamado crescente turco que recorde-se se prolonga até aos confins da Ásia Central - onde Estados fracos saídos da desagregação da ex-URSS, têm sido autênticos viveiros de terroristas.
a construção de um mito

Da mesma maneira que Che, em parte por via da mítica foto de Korda, se tornaria para além de um dos ícones mais representados da cultura pop na segunda metade do séc. XX [segunda imagem mais representada na era contemporânea depois de Jesus Cristo], um símbolo de messiânico de idealismo e mudança - ainda que convenientemente desprovido do real lado obscuro, será que no próximo século o grande símbolo retratado será o de Obama?
Para já, parece que todos sinais apontam nesse sentido. Para ajudar ainda mais à "messianização"da sua figura, surpreendentemente o Nobel da Paz deste ano foi-lhe atribuído, isto quando o seu mandato, ainda que pontuado de muito boas intenções, ainda não realizou resultados palpáveis.
Mas a mensagem subjacente, mais que um reforço e um incentivo para o atingir do que se propõe, vem ao fim ao cabo, saudar o regresso dos EUA à lógica multilateral em relações internacionais reiterando os benefícios do diálogo. Tarefa para um super-homem olhando a complexidade do mundo que nos rodeia? Então Obama é o homem indicado para o trabalho.
Mas a mensagem subjacente, mais que um reforço e um incentivo para o atingir do que se propõe, vem ao fim ao cabo, saudar o regresso dos EUA à lógica multilateral em relações internacionais reiterando os benefícios do diálogo. Tarefa para um super-homem olhando a complexidade do mundo que nos rodeia? Então Obama é o homem indicado para o trabalho.
post scriptum: No entanto, ainda que crente nas suas capacidades, não será precoce e extemporânea esta nomeação. Se atendermos que as nomeações para o Nobel são submetidas no início de Fevereiro [onde se reduz a uma shortlist de 5 nomes apenas segundo lido na CS], chegamos à conclusão que desde a tomada de posse a 20 de Janeiro deste ano, Obama apenas precisou de estar menos de 15 dias no cargo para ser nomeado...
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