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2013-01-10
2012-09-18
o povo é sereno.
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2012-08-09
“the ever turning wheel of life”
SAMSARA Theatrical Trailer from Baraka & Samsara on Vimeo.
Prepare yourself for an unparalleled sensory experience. SAMSARA reunites director Ron Fricke and producer Mark Magidson, whose award-winning films BARAKA and CHRONOS were acclaimed for combining visual and musical artistry.
SAMSARA is a Sanskrit word that means “the ever turning wheel of life” and is the point of departure for the filmmakers as they search for the elusive current of interconnection that runs through our lives. Filmed over a period of almost five years and in twenty-five countries, SAMSARA transports us to sacred grounds, disaster zones, industrial sites, and natural wonders. By dispensing with dialogue and descriptive text, SAMSARA subverts our expectations of a traditional documentary, instead encouraging our own inner interpretations inspired by images and music that infuses the ancient with the modern.
Expanding on the themes they developed in BARAKA (1992) and CHRONOS (1985), SAMSARA explores the wonders of our world from the mundane to the miraculous, looking into the unfathomable reaches of man’s spirituality and the human experience. Neither a traditional documentary nor a travelogue, SAMSARA takes the form of a nonverbal, guided meditation. Through powerful images, the film illuminates the links between humanity and the rest of nature, showing how our life cycle mirrors the rhythm of the planet.
2012-08-03
2012-02-22
apanhando o 29. na velha carcaça.
numa curta viagem de 365 dias até apanhar o trinta.
2012-01-14
only a matter of facial recognition
autistic facial recognition by Ai-Weiwei
(taken from here)
(taken from here)
"Catroga explica nomeações da EDP: Chineses escolheram com base nas caras que conheciam"
(via Jornal de Negócios - resto artigo aqui)
Nem vale a pena comentar.
2011-08-26
2010-10-25
yellowing a dois tempos
diana mini F+ - redscale film ISO 100
(foto própria)
Com o solísticio de Inverno aí à porta* devidamente acompanhado de baixas temperaturas, nada melhor como recordar o Verão.
*post escrito a dois tempos (escrevo no dia 20-12-2010), acompanhando o longo ocaso porque passou este espaço.
2010-10-10
2010-07-16

[conceito lomográfico num pequeno estúdio fotográfico em Santarém] "Menino, mas as fotos estão todas sobrepostas. E têm formatos diferentes. Não consigo revelar isso. O rolo está estragado!"
Cartaz da autoria do Bob. Para um concurso com o patrocínio de um certo Projecto, cujo 1º prémio é uma publicação no mesmo. Fica dada a dica - clicar aqui.
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2010-07-06
2010-07-03
mobilidade ao cubo
Esta semana, um madeirense que vive em Lisboa, foi ao Porto apanhar o avião para Faro.
2009-12-14
Pilosidade facial
...parece que está definitivamente na moda. Mais ou menos cuidada, de pendor mais conservador ou com irreverência revolucionária, é vê-la alegre e contente, nos rostos dos portugueses a exibir todo o seu fulgor e vigor.
(candidato ao post mais fútil do ano e revelador do deserto de ideias [e vontade confesso] que tem assolado este espaço. A ver se fazemos uma boa ponta final,para acabar o ano em beleza ;)
(candidato ao post mais fútil do ano e revelador do deserto de ideias [e vontade confesso] que tem assolado este espaço. A ver se fazemos uma boa ponta final,para acabar o ano em beleza ;)
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2009-12-08
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2009-11-17
impossible is nothing
[somewhere 2000 m above the sea between Pico Ruivo e Pico do Arieiro]
photo taken from here [credits to Jay - a MIUT'09 staff member]
Completing a course length of 105km with a positive climbing around 4.000m in just 14 hours? Myth? Impossible?
Welcome to Madeira Island Ultra Trail 2009.
Welcome to Madeira Island Ultra Trail 2009.
2009-11-02
Tony Manero* in a distant galaxy
During the day, just a simple Stormtrooper with a dead-end career. By night, a dance floor king, sexual symbol and a Disco maniac.Just a regular saturday night, in a far distant galaxy from us!
(Nowadays, taking in consideration that some weird sequels have already been made - by example Alien vs Predator - it would be visionary and funny to see a movie joining Saturday Night Fever and Star Wars [ok, joking... it would be geeky and sad]. Tony Manero as an Imperial Stormtrooper. How about that?)
image taken from here
*click here to see who's Tony Manero
2009-10-27
The Timbuktu Job by Banksy

Na arte de rua onde o activismo e o anti-establishment proliferam, chamadas de atenção para temas como as disparidades existentes e a falta de atenção que o mundo ocidental presta ao continente africano, são consideradas banais e existentes em qualquer grande urbe ocidental. Mas e se essa chamada de atenção tiver sido feita em África num contexto que não associamos propriamente ao dito conceito artístico?
Foi o que Banksy efectuou. E provavelmente despertou mentes. Por uma coisa é ver numa parede qualquer num contexto urbano familiar, outra será ver num contexto envolvido pela realidade que a mensagem pretende alcançar. Aqui numa missão a Timbuktu, cidade património mundial parcialmente engolida pelo Saara, no Mali.
restantes imagens in Banksy.co.uk
Foi o que Banksy efectuou. E provavelmente despertou mentes. Por uma coisa é ver numa parede qualquer num contexto urbano familiar, outra será ver num contexto envolvido pela realidade que a mensagem pretende alcançar. Aqui numa missão a Timbuktu, cidade património mundial parcialmente engolida pelo Saara, no Mali.
restantes imagens in Banksy.co.uk
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2009-10-26
Alienação ao quadrado

Sábado vi uma mulher com uma tatuagem no ombro com o símbolo da Herbalife!
Se bem que em parte tenha ficado surpreendido pelo facto da tatuagem versar sobre aquele produto em si [se bem que sabendo-se como funciona a dita organização, manifestações como esta não me surpreendam], reconheço que fiquei a pensar sobre a real influência das marcas nos dias de hoje.
Relembrei-me de um livro que li faz uns anos - No Logo de Naomi Klein (para muitos a bíblia do "neoanarquismo"). Aí é demonstrado que desde sempre houve uma tentativa de separação da marca do produto em si. Ou seja, uma marca mais que um produto, sempre pretendeu almejar e atingir um patamar de conceito próprio representando uma dada característica. Ou seja, mais que mera representação iconográfica de uma empresa associada ao fabrico/venda de um produto, o paradigma mudou para um ideia em que essa marca marque as tendências e represente emoções e modelos a seguir por parte da sociedade, procurando esta fidelizar a pessoa.
Daí que as ditas marcas invistam muito mais na criação do dito conceito e na repercussão da sua imagem, que no desenvolvimento dos seus produtos [vide Nike].
Sabendo-se que a sociedade tal como o Estado é uma construção cumulativa de experiências, tradições, normas de uma dada população num dado espaço geográfico, tendo em conta o elevado patamar de trocas e interacções proporcionado pelo actual estado de globalização, desempenhando as grandes marcas um papel fulcral na repercussão de comportamentos cada vez mais homogéneos a nível mundial, não estarão as marcas a ocupar o lugar anteriormente ocupado pelas religiões e instituições semelhantes? Olhando à progressiva ocupação do espaço, ao progressivo bombardeamento de imagens e conceitos olhando a públicos cada vez mais jovens - cativar possíveis consumidores desde tenra idade, provocando uma efectiva redução de escolha e o fechar de hipóteses - a lógica das sinergias em parte visa esta ideia, que consequências provocarão a nível de comportamentos toda esta overdose mercantil?
Não ocorrerá o risco de haver a curto-médio prazo uma alienação de valores ao sabor da lógica perene das marcas - que estão sempre em constante mutação até para efeitos mercantis? Será que assistiremos a uma progressiva homogeneização com a progressiva erosão de lógicas e tradições locais?
Como conter os aspectos negativos da globalização, sabendo-se que a mesma não pode ser contida e é imparável?
Será toda esta subversão tremendamente imparáveis, ou estarei meramente a escrever um post em tom alarmista, quando não há razão para tal?
Se bem que em parte tenha ficado surpreendido pelo facto da tatuagem versar sobre aquele produto em si [se bem que sabendo-se como funciona a dita organização, manifestações como esta não me surpreendam], reconheço que fiquei a pensar sobre a real influência das marcas nos dias de hoje.
Relembrei-me de um livro que li faz uns anos - No Logo de Naomi Klein (para muitos a bíblia do "neoanarquismo"). Aí é demonstrado que desde sempre houve uma tentativa de separação da marca do produto em si. Ou seja, uma marca mais que um produto, sempre pretendeu almejar e atingir um patamar de conceito próprio representando uma dada característica. Ou seja, mais que mera representação iconográfica de uma empresa associada ao fabrico/venda de um produto, o paradigma mudou para um ideia em que essa marca marque as tendências e represente emoções e modelos a seguir por parte da sociedade, procurando esta fidelizar a pessoa.
Daí que as ditas marcas invistam muito mais na criação do dito conceito e na repercussão da sua imagem, que no desenvolvimento dos seus produtos [vide Nike].
Sabendo-se que a sociedade tal como o Estado é uma construção cumulativa de experiências, tradições, normas de uma dada população num dado espaço geográfico, tendo em conta o elevado patamar de trocas e interacções proporcionado pelo actual estado de globalização, desempenhando as grandes marcas um papel fulcral na repercussão de comportamentos cada vez mais homogéneos a nível mundial, não estarão as marcas a ocupar o lugar anteriormente ocupado pelas religiões e instituições semelhantes? Olhando à progressiva ocupação do espaço, ao progressivo bombardeamento de imagens e conceitos olhando a públicos cada vez mais jovens - cativar possíveis consumidores desde tenra idade, provocando uma efectiva redução de escolha e o fechar de hipóteses - a lógica das sinergias em parte visa esta ideia, que consequências provocarão a nível de comportamentos toda esta overdose mercantil?
Não ocorrerá o risco de haver a curto-médio prazo uma alienação de valores ao sabor da lógica perene das marcas - que estão sempre em constante mutação até para efeitos mercantis? Será que assistiremos a uma progressiva homogeneização com a progressiva erosão de lógicas e tradições locais?
Como conter os aspectos negativos da globalização, sabendo-se que a mesma não pode ser contida e é imparável?
Será toda esta subversão tremendamente imparáveis, ou estarei meramente a escrever um post em tom alarmista, quando não há razão para tal?
foto: D*Face
2009-10-24
Amor e Sexo: a irreverência da questão.

Será o amor mais irreverente que o sexo nos dias que correm? Creio que esta questão poderá constituir um bom ponto de partida para estas breves linhas, onde pretenderei discernir um pouco sobre a temática amor vs sexo.
Antes de mais, a opção por este tema não é inocente. Será precisamente o tema que abrirá a 3ª série de programas do "Irreverência" na RTP-Madeira, programa produzido e apresentado pelo Jorge Gabriel cá do burgo, o nosso Desbobinador Tiago. Celebrando tal facto e prestando a minha homenagem ao trabalho produzido - os constrangimentos para levar por diante tal feito porventura serão maiores do que se possa imaginar - venho por este meio escrevinhar meia dúzia de linhas acerca do programa, além de efectuar a devida publicidade ao mesmo [que acontece aos sábados às 19h15, podendo ser acompanhado online ou visualizado depois via sítio da RTP].
Feita esta declaração, confesso que a primeira ideia que me ocorreu acerca do tema, seria considerar que a diferença entre os dois conceitos era a obrigatoriedade entre ter que gastar dinheiro antes num jantar - leia-se amor - ou não efectuar isso e passar logo para a acção - leia-se sexo. Mas mesmo dissecando a graçola [que agora que acabo de a ver escrita nenhuma graça acho], permite-se logo depreender a perspectiva erótica que a palavra amor tem e a sua relação com a libido.
De facto, creio que um bom ponto de partida para analisar esta questão, seria compreender o verdadeiro sentido de ambas as palavras, da qual destaco pela sua complexidade a palavra amor.
De facto, há vários prismas pelo qual é usada a palavra. A própria construção e evolução etimológica da palavra atesta bem toda esta complexidade. Segundo a Wikipédia - que para leigos na matéria é um bom ponto de partida - os gregos separavam o amor e distinguiam-no sob várias perspectivas. Importa realçar aqui a componente "Eros" - desejo sensual/atracção e contemplação física e a componente "Agape" - amor ideal e puro/platónico.
Na Roma Antiga, o termo condensa estas duas perspectivas na palavra "Amare" termo ainda hoje usado seja num sentido afectuoso e romântico, seja num sentido meramente sexual.
Daí que, e tendo em conta as origens e evolução da nossa língua, essa dualidade ainda se reflicta quando pronunciamos a palavra amor.
Feita esta pequena [ok...longa] explicação, como explicar a relação entre amor na sua componente "eros" e sexo? Fará sentido a existência de tais conceitos numa época de plena dessacralização do sexo? Numa época em que os constrangimentos morais voltam a estar a níveis semelhantes aos da Idade Clássica [bem longe de constrangimentos advindo da moral e ética cristã], numa época em que o sexo se banalizou, numa época em que as relações, tais como os bens são cada vez mais curtos e perenes, fará sentido contrapôr os dois conceitos?
Hoje, creio ser seguro dizer que as noções de felicidade e auto-satisfação são objectivos cada vez mais propalados e enraizados na população.
Poderá ser consequência de uma sociedade cada vez mais individualista, que muitas vezes leva a que desagúe na tal perenidade de relações que questionei no parágrafo anterior. Mas sabendo-se [há estudos nesse sentido] que o amor não é mais que uma reacção química que estimula e acelera o organismo, induzindo sensações de bem estar através da libertação de dopamina - sim poderemos em última instância referir que o amor é uma verdadeira droga pesada - mas sabendo-se que é uma reacção que dura algum tempo, não estará face a estes dados e face ao contexto, condenada a existência da noção de amor eterno?
E o que dizer do sexo? Será meramente um reflexo animal que nos impele no sentido de perpetuação e reprodução? Será algo desprovido de carácter e afecto para com o outro? Será menos importante que o amor? Será um mero acto onanista de auto-satisfação? Ou será meramente algo que as pessoas tenderão a valorizar demasiado, face à percentagem de tempo gasto numa vida com o mesmo?
Observando à quantidade de questões levantadas - que espero que sejam úteis para o programa - lanço desde já a minha visão [que será sempre redutora face ao tema complexo e creio à falta de preparação para falar sobre a temática].
Alberoni - proeminente sociólogo que escreve no jornal I à terça [as crónicas valem o jornal ou pelo menos um espreitar de olhos via internet aqui e aqui] - especialista que é no estudo de relações, demonstra que os dois conceitos não estão assim tão separados. De facto, é de senso comum que pode haver sexo no amor. A separação, a fazer-se será sempre pelo factor exclusivo que o amor tende a adquirir. No campo meramente sexual, qualquer interveniente pode ser substituído por outro, mas quando entramos no campo amoroso, a exclusividade e a fidelidade que é devida ao parceiro tendem a ter uma imensa importância. O ciúme apenas nasce da exclusividade, isto porque todos nós apenas nos queremos sentir os mais importantes, únicos ou insubstituíveis para a outra pessoa.
Numa sociedade cada vez mais descomplexada a nível de valores e moral [o que não é necessariamente mau olhando ao passado], a rápida inversão de valores e códigos vivida faz com que hoje em dia estas duas componentes estejam cada vez mais separadas. Correndo o risco de ser apelidado de velho [algo que a minha vintena e meia de anos no BI contraria], creio que é seguro se dizer que hoje em dia, será bem mais irreverente e arriscado amar, do que vir a ter sexo com alguém. As consequências [boas ou más - nem tudo são rosas meus amigos] advindas de tal facto, tornam o amor bem mais complexo que o sexo, se bem que as duas componentes estão devidamente relacionadas e este último é igualmente importante numa relação amorosa.
imagem: Portugal Street Art [graffitti em Lisboa feito por um conhecido de muitos que aqui escrevem que por acaso encontrei nesta galeria de guerrilla art]
Antes de mais, a opção por este tema não é inocente. Será precisamente o tema que abrirá a 3ª série de programas do "Irreverência" na RTP-Madeira, programa produzido e apresentado pelo Jorge Gabriel cá do burgo, o nosso Desbobinador Tiago. Celebrando tal facto e prestando a minha homenagem ao trabalho produzido - os constrangimentos para levar por diante tal feito porventura serão maiores do que se possa imaginar - venho por este meio escrevinhar meia dúzia de linhas acerca do programa, além de efectuar a devida publicidade ao mesmo [que acontece aos sábados às 19h15, podendo ser acompanhado online ou visualizado depois via sítio da RTP].
Feita esta declaração, confesso que a primeira ideia que me ocorreu acerca do tema, seria considerar que a diferença entre os dois conceitos era a obrigatoriedade entre ter que gastar dinheiro antes num jantar - leia-se amor - ou não efectuar isso e passar logo para a acção - leia-se sexo. Mas mesmo dissecando a graçola [que agora que acabo de a ver escrita nenhuma graça acho], permite-se logo depreender a perspectiva erótica que a palavra amor tem e a sua relação com a libido.
De facto, creio que um bom ponto de partida para analisar esta questão, seria compreender o verdadeiro sentido de ambas as palavras, da qual destaco pela sua complexidade a palavra amor.
De facto, há vários prismas pelo qual é usada a palavra. A própria construção e evolução etimológica da palavra atesta bem toda esta complexidade. Segundo a Wikipédia - que para leigos na matéria é um bom ponto de partida - os gregos separavam o amor e distinguiam-no sob várias perspectivas. Importa realçar aqui a componente "Eros" - desejo sensual/atracção e contemplação física e a componente "Agape" - amor ideal e puro/platónico.
Na Roma Antiga, o termo condensa estas duas perspectivas na palavra "Amare" termo ainda hoje usado seja num sentido afectuoso e romântico, seja num sentido meramente sexual.
Daí que, e tendo em conta as origens e evolução da nossa língua, essa dualidade ainda se reflicta quando pronunciamos a palavra amor.
Feita esta pequena [ok...longa] explicação, como explicar a relação entre amor na sua componente "eros" e sexo? Fará sentido a existência de tais conceitos numa época de plena dessacralização do sexo? Numa época em que os constrangimentos morais voltam a estar a níveis semelhantes aos da Idade Clássica [bem longe de constrangimentos advindo da moral e ética cristã], numa época em que o sexo se banalizou, numa época em que as relações, tais como os bens são cada vez mais curtos e perenes, fará sentido contrapôr os dois conceitos?
Hoje, creio ser seguro dizer que as noções de felicidade e auto-satisfação são objectivos cada vez mais propalados e enraizados na população.
Poderá ser consequência de uma sociedade cada vez mais individualista, que muitas vezes leva a que desagúe na tal perenidade de relações que questionei no parágrafo anterior. Mas sabendo-se [há estudos nesse sentido] que o amor não é mais que uma reacção química que estimula e acelera o organismo, induzindo sensações de bem estar através da libertação de dopamina - sim poderemos em última instância referir que o amor é uma verdadeira droga pesada - mas sabendo-se que é uma reacção que dura algum tempo, não estará face a estes dados e face ao contexto, condenada a existência da noção de amor eterno?
E o que dizer do sexo? Será meramente um reflexo animal que nos impele no sentido de perpetuação e reprodução? Será algo desprovido de carácter e afecto para com o outro? Será menos importante que o amor? Será um mero acto onanista de auto-satisfação? Ou será meramente algo que as pessoas tenderão a valorizar demasiado, face à percentagem de tempo gasto numa vida com o mesmo?
Observando à quantidade de questões levantadas - que espero que sejam úteis para o programa - lanço desde já a minha visão [que será sempre redutora face ao tema complexo e creio à falta de preparação para falar sobre a temática].
Alberoni - proeminente sociólogo que escreve no jornal I à terça [as crónicas valem o jornal ou pelo menos um espreitar de olhos via internet aqui e aqui] - especialista que é no estudo de relações, demonstra que os dois conceitos não estão assim tão separados. De facto, é de senso comum que pode haver sexo no amor. A separação, a fazer-se será sempre pelo factor exclusivo que o amor tende a adquirir. No campo meramente sexual, qualquer interveniente pode ser substituído por outro, mas quando entramos no campo amoroso, a exclusividade e a fidelidade que é devida ao parceiro tendem a ter uma imensa importância. O ciúme apenas nasce da exclusividade, isto porque todos nós apenas nos queremos sentir os mais importantes, únicos ou insubstituíveis para a outra pessoa.
Numa sociedade cada vez mais descomplexada a nível de valores e moral [o que não é necessariamente mau olhando ao passado], a rápida inversão de valores e códigos vivida faz com que hoje em dia estas duas componentes estejam cada vez mais separadas. Correndo o risco de ser apelidado de velho [algo que a minha vintena e meia de anos no BI contraria], creio que é seguro se dizer que hoje em dia, será bem mais irreverente e arriscado amar, do que vir a ter sexo com alguém. As consequências [boas ou más - nem tudo são rosas meus amigos] advindas de tal facto, tornam o amor bem mais complexo que o sexo, se bem que as duas componentes estão devidamente relacionadas e este último é igualmente importante numa relação amorosa.
imagem: Portugal Street Art [graffitti em Lisboa feito por um conhecido de muitos que aqui escrevem que por acaso encontrei nesta galeria de guerrilla art]
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Amor,
Arte,
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RTP-M,
Sexo
2009-10-23
Tristo-Rei

Reacções divinas às palavras de Saramago?
(e eu a pensar que a silly season já tinha acabado. Quer Saramago, quer as reacções despoletadas foram desnecessárias. A alimentação destes temas pelos media foi igualmente patética, numa altura em que importantes acontecimentos ocorrem. No entanto e comentando pessoalmente o caso, vejo que tratou-se meramente de uma boa manobra de marketing por parte de Saramago. O laicismo e o ateísmo, quando levado ao extremo, é igualmente tão ignorante, redutor e intolerante, quanto a religiosidade extrema o pode ser. )
imagem: Portugal Street Art
(e eu a pensar que a silly season já tinha acabado. Quer Saramago, quer as reacções despoletadas foram desnecessárias. A alimentação destes temas pelos media foi igualmente patética, numa altura em que importantes acontecimentos ocorrem. No entanto e comentando pessoalmente o caso, vejo que tratou-se meramente de uma boa manobra de marketing por parte de Saramago. O laicismo e o ateísmo, quando levado ao extremo, é igualmente tão ignorante, redutor e intolerante, quanto a religiosidade extrema o pode ser. )
imagem: Portugal Street Art
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