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2010-04-12

Para quem esteja por Ankara*...


João Tibério ou JJT cá no blogue, em Ankara a representar o país, numa exposição intercultural.


*Não, não vale o Martim Moniz.


2010-04-03

em modo copy paste - Desbobina na Turquia

"Cultura Portuguesa em destaque em Ancara

A cultura portuguesa está e estará em destaque em Ancara nos próximos tempos, através de duas iniciativas levadas a cabo pelo leitorado de Ancara do Instituto Camões (IC). A primeira um ciclo de cinema, a segunda uma exposição de fotografia e poesia.
O I Festival de Cinema Português iniciou-se a 29 de Março e termina hoje, nas instalações do Centro Cultural e de Estudos Latino-americanos (LAMER) da Universidade de Ancara.
No primeiro dia estiveram presentes várias autoridades académicas, entre elas o Director do LAMER, o professor universitário Necati Kutlu, bem como todos os alunos de português e muitos outros interessados, para escutar o leitor do IC, Mário Tiago Paixão, falar sobre cinema português e para ver Palavra e Utopia, filme de Manoel de Oliveira com o qual se iniciou o festival.
O festival passou ainda as películas Fado, história d’uma cantadeira, de Perdigão Queiroga, Manhã Submersa, de Lauro António, Tráfico, de João Botelho, e Casa de Lava, de Pedro Costa.
Este é o primeiro festival de cinema português na capital da Turquia, mas o segundo já está a ser preparado pelo leitorado de Ancara do IC, em parceria com o LAMER.
Além do Festival de Cinema Português, será inaugurada a 12 de Abril a Exposição de Fotografia e Poesia Dos Tempos de Lisboa, da autoria de João Tibério, artista e investigador universitário, que se deslocará a Ancara para o evento.
No decorrer da visita, João Tibério conhecerá os alunos de língua portuguesa da Universidade de Ancara com os quais terá oportunidade de partilhar a sua experiência.
A exposição terá lugar na Entrada de Honra da Faculdade de Língua, História e Geografia da Universidade de Ancara entre 12 e 26 de Abril.
A acompanhar as fotografias do autor estarão em exibição poemas de Alexandre O’Neill, Ruy Belo, Ana Hatherly, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Luiza Neto Jorge, Al Berto, Casimiro de Brito, António Ramos Rosa, Manuel Alegre, M. Tiago Paixão, entre outros."

via Instituto Camões - Portugal

2009-10-11

Um passo rumo à UE?


Surpreendentemente a Turquia e a Arménia assinaram um acordo para a normalização de relações, algo que olhando ao diferendo que as opunha representa um grande passo. Recorde-se que na origem do mesmo, estava o genocídio [massacre na versão turca] e deportação em massa de arménios para o deserto sírio durante a ocupação otomana em especial durante o período 1915-17. Enquanto o lado turco sempre negou ou menorizou os acontecimentos, o lado arménio sempre clamou vingança pela morte de quase 1 milhão e meio de compatriotas, algo que gerou imensas tensões, aliás ainda visíveis nas respectivas opiniões públicas.

Mais que o normalizar de foco de tensões, numa zona estratégica em termos energéticos - corredor de passagem de oleodutos e gasodutos, importa ver este acordo sob o prisma turco.

Esta questão, em conjunto com a questão da minoria curda e com a questão cipriota - de apoio à República do Norte do Chipre, representavam grandes empecilhos à uma plena candidatura à UE, algo que recorde-se acontece desde 1999 [embora intenções remontem à década de 60] não gerando grande entusiasmo na maioria das opiniões públicas dos parceiros europeias, devido ao choque civilizacional que poderia acontecer com a entrada de um grande país mulçumano numa comunidade com valores e tradições judaico-cristão.

A parte desta situação, e considerando a título pessoal que esta entrada a mim nada me repugna [aliás já aqui o escrevi], o alcance deste acordo, representa mais um forte sinal que Ancara envia aos parceiros europeus, indicando que está disposta a cumprir o longo caminho que ainda lhe falta fazer.

O pior é que a Europa, a braços com uma grande expansão ocorrida há bem pouco - sentindo ainda efeitos da mesma, numa altura em que a necessidade de reforma e agilidade do edifício é demais evidente, numa altura em que se torna imperativo ter uma posição a uma só voz, procurando assim contornar a sua natural erosão em termos de influência no cenário geopolítico mundial, demonstra nesta matéria uma grande divisão e um manifesto desinteresse face aos esforços efectuados - note-se o desinteresse mostrado por Sarkozy na visita do presidente turco esta semana em Paris.

Ainda que haja diferença cultural, considero positiva a entrada da Turquia pelo sinal que seria dado ao mundo islâmico - o seu percurso laico é quase exemplar e pode constituir um bom ponto de partida para países na zona, quer por outro lado, pela influência que a mesma exerce, seja pela sua imensa diáspora, seja no chamado crescente turco que recorde-se se prolonga até aos confins da Ásia Central - onde Estados fracos saídos da desagregação da ex-URSS, têm sido autênticos viveiros de terroristas.

2007-07-23


O AKP (partido islâmico moderado) ganhou com maioria absoluta as eleições na Turquia...Segundo consta foram duas semanas de intenso debate entre os islâmicos moderados e os republicanos laicos, que apenas reforçou e fortaleceu (segundo vários analistas) a democracia neste país...
Sendo a plena democratização um dos requisitos para a adesão à UE, será que os Turcos poderão alimentar esperanças numa adesão a longo prazo...

2007-07-03

Radicalização...


Sendo membro associado da comunidade desde 1963, só em 1999 foi reconhecido o seu estatuto de candidato a integrar a UE.

O facto de ser um país esmagadoramente mulçumano, com tradições diferentes da matriz judaico-cristã na qual assenta a comunidade europeia, juntamente com o facto de ter a maior parte do seu território na Ásia Menor , junto desse grande foco de instabilidade que é o Médio Oriente, tem criado vários impasses nas negociações tendo em vista o seu ingresso na União.

País laicizado à força por Ataturk, depois da queda do Império Otomano e derrota na IªGuerra Mundial, que instaurou uma série de reformas, mantendo contudo o país sob forte pendor e influência dos militares, a Turquia teve antes de 1999 de travar a dura batalha para provar as acusações de falta de respeito para com os direitos humanos (em parte devido à situação no Curdistão e a sua atitude para com o PKK)...

É de longe o país mulçumano que dispõem de estruturas modernas e onde a democracia se assume numa forma mais livre, comparando com as congéneres ocidentais...
Desde sempre os Turcos olham a Europa e a adesão à UE como uma janela de oportunidades e de desenvolvimento (usando o exemplo que Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia, dispuseram em meados da década de 80, e que os países do leste da Europa dispõem neste momento)...

No entanto, com o 11 de Setembro e as opções que se seguiram (estando inserida na NATO teve de fazer opções que não foram de encontro com uma vasta opinião pública mulçumana), com o extremar de posições na europa para com o Islamismo, julgo que a Turquia não foi devidamente apoiada, sendo que foi um pouco deixada ao abandono, assistindo-se a um período de radicalização da opinião pública face ao Ocidente (em parte pela recusa de grande parte dos países europeus em ter a Turquia junto a si)...

Ontem noticiou-se que apenas 27% dos turcos viam com bons olhos a adesão à UE (o ano passado, a anterior taxa era de 58%) e apenas 9% dos turcos tinha uma boa impressão dos americanos (ainda mais que paquistaneses ou palestianianos); a polémica para a recusa política e militar da eleição universal do presidente da república (é eleito pelo parlamento, e o principal candidato era um candidato com fortes tendências islâmicas), não deixa antever o melhor ...
Sarkozy já declarou que quer congelar as negociações de adesão da Turquia e dar um estatuto de parceiro privilegiado, agradando assim vastos sectores à direita que em si votaram...
Estaremos ainda a tempo de salvar e manter a Turquia como um modelo democrático para os restantes mundo islâmico?