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2012-05-05

"o joão faz anos"


Sobre a dita tira de cartoon, nem vale a pena tecer comentários sobre o teor e facciosismo da mesma - a coberto do sempre conveniente anonimato (isto para nem falar na qualidade gráfica da mesma...) - isto num jornal, pago pelo erário público, que na esmagadora maioria das vezes nem cobertura dá aos restantes partidos da oposição madeirense - isto com o beneplácito da respectiva entidade reguladora nacional.

A propósito deste caso, ainda que aqui estejamos no mero campo da especulação, duma coisa estejamos certos. Fazer jornalismo isento na região pode ser algo bem complicado. Assim como assumir um opinião divergente ao "unamismo" imperante. Questionando certas situações. Que muitas vezes podem trazer implicações pessoais negativas às pessoas que o fazem. O que num meio pequeno podem ter um efeito devastador. Ostracizante mesmo. 

E mesmo poderia dizer sobre a questão de tentar ou não efectuar uma oposição construtiva na ilha. Aliás, há dias, numa pequena passagem que fiz pela ilha, comentava isso com alguém que está do outro lado da barricada face ao poder vigente na ilha. "Fazer oposição na ilha e num meio pequeno pode revelar-se muito complicado. Depende muito dos calos que são pisados."

Honra pois, a quem mesmo assim ousa fazer o seu trabalho - neste caso, como os supracitados jornalistas.

2010-06-23

os limites de RP

imagem daqui


"Há 522 anos, Bartolomeu Dias conseguiu, pela primeira vez, ultrapassar o Cabo das Tormentas, demonstrando que era possível ultrapassar o extremo Sul de África por mar, apesar de muitas tempestades e perigos.
O nome foi mudado para Cabo da Boa Esperança e é esta esperança que hoje, quase sete séculos depois, vocês vão continuar a alimentar. Na mesma cidade, apesar de todas as dificuldades e perigos, contra ventos e marés, vocês conseguirão manter bem vivo o sonho português, conseguirão dobrar todas as tormentas. E eu estarei aqui, tão longe e tão perto, a torcer, a vibrar e a festejar com vocês.
Hoje, todo o Mundo perceberá quem são os guerreiros nacionais."

Jornal A Bola, 22-06-10 pp.10


Esta é uma suposta nota de incentivo enviada por Nani aos seus colegas antes do jogo com Coreia do Norte, lida hoje n'A Bola. Depois de ter lido numa entrevista - feita por email com o Público - onde entre muitas coisas, Cristiano Ronaldo compreendia o aumento de impostos por parte do Governo, não era contra o casamento homossexual ou verificar que o mesmo tem uma concepção igualitária da sociedade, tendo todos os cidadãos os mesmos direitos e deveres, eis Nani a nos brindar, com todos os seus conhecimentos de história, uma interessante e erudita nota de motivação aos seus colegas.

Confesso que tenho muito apreço pelas capacidades dos jogadores em causa e certamente nada invalida que os jogadores em causa não possam ter tais pensamentos, mas olhando ao escrito, alguém acredita que tenham sido os mesmos a redigir tais respostas ou notas? É que as demonstrações públicas dos mesmos foram no sentido contrário - vide a futilidade e deserto de opiniões, como o mostrado em programas [intragáveis] como os Incríveis.

Nada invalida que possa haver alguém com dois dedos de testa [quero vivamente acreditar que existe], debaixo do habitual protótipo: jogador com a beldade da semana, carro de alta cilindrada, a roupa parola da moda, as experiências capilares e a irreverente tatuagem. Mas também é certo que numa era onde a informação circula a nível cada vez mais rápido e profundo, onde os jogadores estão cada vez mais expostos, há limites para o RP e para a assessoria de imagem. É que em última instância, a própria imagem do jogador acaba por sair lesada.

2010-03-13




quando o sério se torna comédia



2009-11-16

Os tortuosos caminhos de uma Vendetta







JPP (José Pacheco Pereira), concorde-se ou não , tem reconhecidamente um estilo muito próprio transparecendo muita combatividade e frontalidade na defesa dos seus argumentos. Recentemente passou a dispor de um espaço de opinião na Sic-Notícias - Ponto Contra Ponto - descrito pelo próprio sítio da SIC como "(...)Um programa de opinião sobre aquilo que nos faz ter opinião: a comunicação social. Os media, os jornais, as rádios, os blogues, os livros, a televisão(...)", capitalizando ainda mais a sua já extensa presença mediática.

Ontem, pese os propósitos do programa - sendo de louvar a intenção de dar uma outra perspectiva face à constante uniformização dos conteúdos informativos, foi evidente registar a "vendetta" pessoal que JPP fez, onde num programa de 14 minutos, dedicou o primeiro terço do programa a rebater as críticas e acusações apontadas pelos diversos meios à sua autêntica cruzada. Aliás, é visível que por muito nobres sejam os seus propósitos - pelo menos apregoa os mesmos dessa maneira, JPP acaba por usar o espaço não para essa intenção inicial, mas meramente como extensão para replicar as suas ideias e argumentos e ataques políticos [aliás visíveis noutros canais de exposição de JPP e que lhe granjeiam tantos ódios].

JPP acaba por sim por reproduzir tudo aquilo que critica. A satisfação com que finalizou o programa antevendo semanas interessantes para a comunicação social e a natural relação daí deduzida com todo o "elán" mediático existente nesta altura, é claramente indiciadora disso. Por outro lado, a sua constante presença em diversos meios e em tudo o que é debates, [com grande repercussão mediática] acaba paradoxalmente e em última instância por levar a uma uniformização de opinião, algo que JPP indica querer reverter.

É pena. Esperava um programa que reflectisse sobre o estado da comunicação social e não se limitasse a apontar de um patamar fictício de superioridade moral as falhas, induzindo uma agenda escondida.
Chego à conclusão que talvez isso não seja possível.



2009-10-02

A Mudança no Público e a CS


José Manuel Fernandes deixou hoje o cargo de director do Jornal Público.

Pode ser que este jornal, que me habituei a considerar como meu - pese o I me tenha cativado nos últimos tempos, volte a patentear a qualidade mas acima de tudo a isenção que desde o início mostrou.

Apenas acrescentar que nada tenho contra a pessoa a questão, mas é um facto que pretendendo o Público ser um orgão isento e imparcial, na verdade o que transparecia para o comum leitor é que o jornal de há uns tempos a esta parte falhava efectivamente neste propósito, a começar especialmente pelo seu director, a quem se pedia um pouco mais de contenção, pese toda a liberdade que dispunha para exprimir as suas ideias nos seus editoriais.

Toda esta temática, levanta muitas outras interessantes questões como: não deveriam os jornais seguir o modelo anglo-saxónico de pronunciamento sobre as suas preferências políticas e ideológicas, especialmente em tempo de eleições? É que se analisarmos bem, nunca será possível alcançar uma verdadeira imparcialidade, dado que os jornalistas transpõem para o papel a notícia, utilizando os seus próprios filtros, algo que advém de toda a vivência vivida, ideais defendidos, etc.
Uma outra questão é a questão da agenda escondida por parte dos grupos empresariais que detém os órgãos de comunicação - algo que é cada vez mais concentrado, havendo uma grande Justificar completamenteinteracção entre os diferentes meios dentro de cada grupo. Não é surpresa para ninguém que a OPA vetada à Sonae pode ter tido influência em todo o clima de perseguição movido ao anterior governo cessante. Ou que outros grupos, igualmente tentam influenciar a opinião pública através dos seus orgãos de comunicação. E aqui a questão do controlo de informação e o soltar da mesma em alturas chave é algo que demonstra o que estou a explicar.

A outra questão que finalmente aqui levanto [aliás já aqui explanada], é a crescente "tablonização" dos meios de comunicação, sentindo-se isso na opção da imagem sobre o conteúdo, na inversão de todo o processo à lógica economicista com redução de custos, avanço galopante da publicidade [a redução do número de tiragens e consequente decréscimo do valor de mercado publicitário a isso obriga no caso dos jornais de papel]. Até que ponto a qualidade de informação é mantida e preservada pelo próprio meio? Deverá apenas o mercado ditar aquilo que quer receber?

2009-09-10

Pequeno apontamento acerca do "Fuck Them"


Com duas palavras apenas, AJJ lançou bases para uma alternativa ao fleumático Oxford English Spelling. Estará na calha um Berardo English Spelling?

Pelo estilo e falta de decoro apresentados, devo dizer que adequava-se muito bem.

post scriptum: incrível como esta reacção passou quase incólume aos olhos da CS nacional. É aprova que muitos dos dislates de AJJ são vistos e entendidos à distância, como uma questão de estilo ou pior uma questão cultural olhando às características da ilha. E isso é grave.

2008-06-01

Massa com Salmão

Numa época em que cada vez mais se vive um espírito de "carneirismo", em que a comunicação social, jornais, revistas colaboram em todo esse complot, é altura de dizer "Chega!". Chega de falta de cultura, chega de desocupação, chega.
Não importa o preço dos combustíveis, as prestações aos bancos, a escola dos miúdos. Não importa o aumento dos produtos alimentícios, os cuidados emergentes com o ambiente, o aumento da criminalidade ou simplesmente a falta de civismo.
O que importa realmente é a selecção. De forma irónica, num dia em que se devia estar a transmitir princípios, sonhos, histórias, pois é o dia da criança, todos os canais estão entupidos com o percurso da selecção, de quantos minutos dormiu Ronaldo na viagem de avião ou qual é a ementa que lhes espera.
Não que tenha algo contra a futebol. Tenho sim contra a mediatização que se faz em torno de algo tão simples como 22 jogadores e uma bola em campo. Acredito num espírito positivo e de apreciação a algo especial como é o Euro. Mas chega.
Chega de exageros, chega de reportagens repetitivas e sem teor informativo nenhum.
Foram mais de 7h de selecção. Cabe a nós a oportunidade de "desmediatizar" e de impôr limites a tudo isto. Somos nós que damos audiência, temos de ser nós a mostrar que queremos e merecemos muito mais do que um dia monopolizado por coisas que abordadas assim, perdem todo o interesse. Sejamos fanáticos ou não, isto não é saudável. Chega.