"Há 522 anos, Bartolomeu Dias conseguiu, pela primeira vez, ultrapassar o Cabo das Tormentas, demonstrando que era possível ultrapassar o extremo Sul de África por mar, apesar de muitas tempestades e perigos. O nome foi mudado para Cabo da Boa Esperança e é esta esperança que hoje, quase sete séculos depois, vocês vão continuar a alimentar. Na mesma cidade, apesar de todas as dificuldades e perigos, contra ventos e marés, vocês conseguirão manter bem vivo o sonho português, conseguirão dobrar todas as tormentas. E eu estarei aqui, tão longe e tão perto, a torcer, a vibrar e a festejar com vocês. Hoje, todo o Mundo perceberá quem são os guerreiros nacionais."
Jornal A Bola, 22-06-10 pp.10
Esta é uma suposta nota de incentivo enviada por Nani aos seus colegas antes do jogo com Coreia do Norte, lida hoje n'A Bola. Depois de ter lido numa entrevista - feita por email com o Público - onde entre muitas coisas, Cristiano Ronaldo compreendia o aumento de impostos por parte do Governo, não era contra o casamento homossexual ou verificar que o mesmo tem uma concepção igualitária da sociedade, tendo todos os cidadãos os mesmos direitos e deveres, eis Nani a nos brindar, com todos os seus conhecimentos de história, uma interessante e erudita nota de motivação aos seus colegas.
Confesso que tenho muito apreço pelas capacidades dos jogadores em causa e certamente nada invalida que os jogadores em causa não possam ter tais pensamentos, mas olhando ao escrito, alguém acredita que tenham sido os mesmos a redigir tais respostas ou notas? É que as demonstrações públicas dos mesmos foram no sentido contrário - vide a futilidade e deserto de opiniões, como o mostrado em programas [intragáveis] como os Incríveis.
Nada invalida que possa haver alguém com dois dedos de testa [quero vivamente acreditar que existe], debaixo do habitual protótipo: jogador com a beldade da semana, carro de alta cilindrada, a roupa parola da moda, as experiências capilares e a irreverente tatuagem. Mas também é certo que numa era onde a informação circula a nível cada vez mais rápido e profundo, onde os jogadores estão cada vez mais expostos, há limites para o RP e para a assessoria de imagem. É que em última instância, a própria imagem do jogador acaba por sair lesada.
Confesso que à primeira vista, ouvir esta proposta sem a devida contextualização, provocaria um normal gracejo.
No entanto e a meu ver, há que ter em conta que o alcance da medida é mais vasto. Há efectivamente uma necessidade de recuperar e reabilitar estes espaços que proliferam por todo o magnífico anfiteatro funchalense - afinal de contas o verdadeiro cerne da questão. Mas mais que capitalizar todo o potencial turístico dos mesmos - muitos situados fora dos normais circuitos turísticos da cidade, urge recuperar os mesmos como espaços agregadores de convívio e reunião. Se observarmos bem, a maioria dos mesmos (retirando algumas excepções), situam-se em zonas residenciais desprovidas na esmagadora maioria das vezes de equipamentos e espaços públicos de reunião.
Olhando sob este prisma, urge assim recuperar e adaptar aqueles espaços, tornando os mesmos atractivos. Daí que sob este prisma e a nível teórico, a proposta até acaba por ser interessante, se bem que eu desconheço se a nível técnico a mesma é viável. Se em termos de CR estamos conversados e nem vou acrescentar muito ao já dito (olhando ao já escrito sobre o tema aqui e aqui), importa reter outras oportunidades que a proposta poderia gerar
A criação de espaços anexos de divulgação de actividades tradicionais - mas não numa lógica já muito gasta e arcaica tal como é feita, mas também não resvalando para um estilo "novo-riquista-bacoco" às vezes em voga na ilha - como a instalação de workshops ao vivo sobre tais actividades com posterior espaços de venda, era algo que não era de descurar. Instalações artísticas ao ar livre ou exposições em espaços, seriam igualmente uma boas maneiras de rentabilizar os espaços.
Para além dos evidentes ganhos turísticos, vejo nesta proposta potencial para dinamização de espaços públicos de reunião ou a transformação em espaços plenos para agendamento de actividades de ar livre, isto verificando que se situam em zonas que nada mais têm que o dito equipamento. Estimulando a sociedade civil a ocupar e a estimular tais espaços, seria uma possível via de humanizar e dinamizar esses magníficos espaços, gerando visíveis ganhos positivos quer a nível económico, quer a nível social a nível de identificação com o espaço e integração.
Acrescentando em jeito de remate, que caso esta medida fosse avante, considerava a criação de uma espécie de roteiro de miradouros, interligando as diferentes valências existentes nos mesmos e gerando assim uma alternativa aos circuitos turísticos habituais.
Post Scriptum: para quem acha despropositada a existência da estátua, recordo que Ronaldinho Gaúcho aquando da sua primeira eleição FIFA World Player, teve uma estátua em sua homenagem em Chapecó, em Santa Catarina. [usei o pretérito, porque infelizmente em 2006, quando a canarinha foi eliminada pelos bleus, a mesma foi queimada..]
"Ele é um homem muito inteligente, muito perspicaz, muito indutivo. Ele tem todas as qualidades para, a partir dos 40, ser um grande político."
Alberto João Jardim, em reacção à eleição de Cristiano Ronaldo, numa avaliação à olheiro antevendo o futuro...teremos um novo delfim na calha?
Post scriptum: o que vale é que nessa noite, todos os disparates eram tolerados...então o aproveitamento político, chamando a si os louros, pela aplicação da política regional no sector do desporto, é de bradar aos céus, sabendo-se que a sua formação na sua parte de leão é feita fora da região, de onde saiu bem cedo...Esquece-se AJJ que Cristiano, nunca beneficiou verdadeiramente desses "investimentos", aplicados em abundânciamuito mais tarde, em termos infraestruturais ou esbanjados nas equipas principais no recrutamento de "carradas" de jogadores exteriores.
A linha é bem ténue e no que toca a Cristiano Ronaldo, as opiniões dividem-se. É lhe reconhecida uma grande força mental que lhe permite ultrapassar situações algo complicadas, olhando à imensa pressão que o rodeia.
Exemplos não faltam, desde os primeiros tempos conturbados de adaptação a Lisboa, passando pela rápida ascensão no Manchester United onde herdou o mítico número 7 de jogadores como Cantona ou Best, quer pela complicadíssima situação ocorrida no Mundial'06 que motivou a expulsão de Rooney e virou a esmagadora maioria da Inglaterra contra si, quer pelo conturbado último defeso com assédios de Madrid, uma lesão limitadora e um chorrilho de namoradas que lhe foi atribuído.
Cristiano conseguiu ultrapassar quase todas estas situações e manteve a sua bitola exibicional e o seu enfoque (reconhecido aliás) no trabalho. No entanto tudo isto deixou marcas.
Não é à toa que, sendo ele uma das imagens/marcas mais poderosas e valiosas no mundo do desporto (a sua versatilidade desportiva faz com que possa ser adaptável a vários tipos de marcas de diferentes sectores), este não tenha muita receptividade no mercado inglês. Aliás noutro contexto, mesmo em Portugal, olhando a vários comentários colocados em orgãos de CS, houve muitos leitores que comentavam preferir a humildade de Messi face à excessiva arrogância de Cristiano.
Não os critico e inclusivé até eu já aqui alertei para o facto do Cristiano ter que rever pequenos aspectos. Mas creio ser excessivo. Ao ver a entrega de prémios de ontem e mesmo descontando toda a parte cénica e artificial da cerimónia e das declarações da praxe, creio que foi possível ver a verdadeira humildade do Cristiano. A maneira como falou da família e de todo o suporte emocional, desportivo que tem na sua rede de amigos, conselheiros e colegas é reveladora disso.
Isso foi ainda mais visível no telefonema em directo para o Prós e Contras, onde uma (matriacal) Fátima Campos Ferreira falava embevecida para o nosso menino de ouro (ontem claramente tinha o país a seus pés).
Isto faz-me pensar que a fronteira entre o que designamos de auto-confiança e o que designamos de arrogância é afinal de contas muito ténue. O Cristiano de ontem, demonstrou ser um homem que não tem vergonha do que foi, das suas humildes origens, nem procurou ser aquilo que não é. Aliás a postura que demonstra no programa em questão, sempre bem disposto e nada formal, fez-me lembrar uma pose típica de madeirense, estando este por norma, sempre pronto para festa (por vezes é positivo,por vezes é negativo - dava origem a um outro longo post).
A par de toda a confiança, há que referir que possui também uma invulgar (para os nossos medianos parâmetros) capacidade de superação de desafios e estabelecimento de novas metas, assim como uma ética de trabalho invejável.
Eu que, com toda esta lengalenga do Real e de todos estes "fait-divers" extra futebol, já começava a duvidar da suas capacidades humanas, creio que com a postura e a simplicidade que ontem demonstrou, voltei a acreditar neste jogador, que a meu ver tem tudo para ficar na galeria do Olimpo futebolístico na categoria dos imortais. E para tal, não serão apenas as capacidades físicas a contar. As humanas e as atitudes tomadas são deveras importantes. Ou não fosse o futebol um jogo de emoções!
Saiba gerir a sua carreira e mantenha a sua impressionante ética de trabalho e capacidade de superação!
Post scriptum: Excelente vídeo da Nike que demonstra bem a dualidade de sentimentos que Ronaldo desperta. Via Cantinho do Mundo.
Creio que de tudo um pouco já foi dito. Apenas registar que, como português e madeirense, senti um grande orgulho neste prémio e tomei o mesmo como meu. É porventura estúpido, mas creio que este sentimento era comum à generalidade dos portugueses (ontem seria certamente o genro ideal que todas as portuguesas queriam para as suas filhas), sentindo os madeirenses um orgulho especial em ver um filho da terra chegar aonde chegou (se bem que para isso tivesse de ter saído da ilha bem novo)! Obrigado Ronaldo!
Post scriptum: coloquei a etiqueta de "Qualidade" para os dotes futebolísticos do Cristiano, mas olhando à gala, dá para verificar que a sra. Van der Vaart possui imensos dotes que também merecem o dito rótulo...Longa vida à Sylvie!
Agora que o madeirense Cristiano Ronaldo já tem a Bola de Ouro (que juntou à Bota de Ouro e provavelmente irá juntar ao prémio FIFA para Melhor Jogador em 2008 a atribuir a 12 de Janeiro em Zurique), às tantas é uma boa altura (aproveitando a onda mediática e à boa maneira americana) para um colaborador deste espaço pôr em tribunal uma acção contra o dito por o mesmo ter-lhe partido um braço num treino, isto há mais de 12 anos atrás...Como o desbobinador em questão era Guarda-Redes (e para mal dos pecados no Nacional da Madeira, pese o mesmo seja adepto do rival, tenha sido visto em Valência a apoiar o Maior das Ilhas, tendo sido prendadocomo recompensa pela viagem, pelo capitão Bruno à saída do treino com uma...maçã), quem sabe se o mesmo não viu interrompido o seu sonho de levar um frango em plena final da Champions, naquela fatídica manhã/tarde/noite (Tiago risca o que não interessa, pois não sei em que altura do dia foi e para conferir um "élan" mais dramático à história, esta frase fica bem), que em pleno campo do Pomar, ficou determinado quem seria o elemento bafejado pela sorte e atingiria o topo do Olimpo futebolístico. Ficou escrito nos astros que seria Ronaldo.
Valha a consolação de que, ao invés de ter recebido uma coroa de louro* pelos feitos deportivos, o nosso pequeno "Jorge Campos" madeirense, recebeu uma tala de gesso, o que olhando com mais pormenor, acaba por ter maior valor que a simples coroa de louros.
*Claro que há pequenos detalhes como reconhecimento, um chorudo salário de 200.000€ semanais, royalties de imagem e outras "pequenas coisas anexas". Mas o que é isto comparado a uma tala de gesso e o carinho das enfermeiras...Pensando bem, imagino neste momento a inveja que Cristiano deve estar a sentir.
Post Scriptum: Cristiano Ronaldo foi realmente o melhor jogador da época que findou e merece o prémio. Creio que terá que rever a sua postura fora do campo, mas isso seriam contas para outro rosário (e post). Fica aqui expressa a satisfação e orgulho (como português e madeirense) por vê-lo chegar aonde chegou.
Post Post Scriptum: Nunca pensei vir a dizer isto, mas a partir de hoje, eu e mais alguns aqui já podem referir que numa dada altura, já defrontaram um Bola de Ouro (ok, no meu caso num jogo de infantis em que ele tinha 8 anos (eu 10 anos) e ainda era minorca, corria muito e ainda estava no Andorinha - curiosamente num jogo em que fui capitão do" galáctico" Juventude Atlântico Clube ;)