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2010-07-24

2010-03-05

num elogio (d)à Loucura



"(...)Alberto João Jardim disse ainda que defendeu a realização deste congresso por achar "que é preciso o PSD esclarecer muita coisa sobre a sua natureza: é um partido de esquerda, de centro ou de direita? Temos de esclarecer, para mim é de centro. É uma social democracia de tendência socialista, como as nórdicas, ou é de tendência de centro de raiz mais social cristã baseada no personalismo da doutrina social de Igreja católica? Federalista europeu ou de primado nacional? Quer a regionalização do continente ou não? Aceita maior autonomia para Açores e Madeira? Admite rever a Constituição ou quer ser situacionista? Estas questões têm de ser discutidas dentro do PSD, porque a confusão que vai dentro do partido sob o ponto de vista doutrinário é total”.

in público.pt

Num dos raros momentos de concordância (dado o meu distanciamento ideológico), torna-se engraçado constatar que Jardim, muitas vezes catalogado (e com razão) de desbocado e inconsequente pelos seus próprios pares partidários, acaba por ser dos poucos que diz que há muito era visível: mais que discutir líderes, sem uma definição ideológica, o PSD nunca poderá almejar vir a ser uma verdadeira alternativa, prolongando o habitual paradigma de alternância (já algo gasto e decadente olhando às recentes notícias surgidas nos media, algo que começa a transparecer para o público - basta olhar a notícias recentes ou ler as conclusões recente estudo de André Freire, José Manuel Viegas e Filipa Seiceira - corporizado num livro recentemente lançado, que adquiri ontem) , ficando o dito partido refém que o outro partido de poder caia em desgraça. Apenas sugere razão a quem indica que em Portugal, não se ganham eleições. O outro lado é que as perde.


2009-10-30

Uma União de excepções?




A UE aceitou as exigências do governo checo, levantando nova excepção na aplicação da já controversa Carta de Direitos Fundamentais, um documento anexo ao Tratado de Lisboa, á República Checa.

Tendo em conta que já existem diversas excepções negociadas - Reino Unido, Irlanda, Polónia, Dinamarca enumerando meramente algumas - a questão que se levanta é: com a ânsia de atingirmos uma suposta unidade, não estaremos a caminhar para uma autêntica União de excepções?

É que esta decisão, que claramente serve para salvar a face ao eurocéptico presidente checo que assim sai também "vitorioso" perante a sua opinião pública, aparece na senda de outras, onde face a certos percalços que foram aparecendo, efectuaram-se concessões, que em certas alturas desvirtuaram e atrasaram imenso o trilho preconizado - relembremos por exemplo as consequências da cadeira vazia de De Gaulle e as consequências que daí advieram para a então CEE (pensada numa matriz federalista, adquiriu uma componente intergovernamental).

Esta situação vem demonstrar que embora estejamos já num nível muito avançado de integração, a lógica nacional tem ainda imensa preponderância, o que numa Europa (leia-se União) que nos últimos anos registou um crescimento exponencial, pode representar um obstáculo extra, dada a multiplicidade de interesses nacionais divergentes que tornam muito difícil vir a ter um discurso comum.

A aprovação deste tratado [mesmo que muitos não concordem com muita da sua matriz ideológica] é algo que é muito premente e necessário, face à indefinição ainda vivida, numa altura em que as consequências do anterior alargamento ainda se fazem sentir. A governabilidade da União enquanto estrutura e a própria credibilidade enquanto unidade de voz própria no Mundo dependem desta agilização. Mas não deixa de ser um paradoxo, que a mesma esteja a ser conseguida sob um vasto rol de excepcionalidades que são facultadas aos seus Estados-Membros. Não haverá o risco de abertura de nova caixa de Pandora que volte a pôr em risco todo este imenso edifício? Como conter ou compensar os países que já aprovaram o Tratado? Não estará a UE a enviar um mau sinal, persistindo em premiar quem mais entraves põe?

Porventura a beleza desta construção advirá daí, desta capacidade de diálogo e mutação, dirão alguns. Mas não deixam de ser questões que mais cedo ou mais tarde muito provavelmente serão levantadas. As dimensões nacionais existentes certamente não deixarão que isso passe em claro. Parte da resposta passará por uma conveniente pedagogia junto das opiniões públicas. A construção europeia tem de sair dos gabinetes das elites decisoras e tem de descer ao nível do eleitor comum. Este tem de sentir que esta é uma conquista dele. E enquanto este trabalho não for feito, enquanto este trabalho não for sentido como conveniente, muitos destes problemas subsistirão. Essa é a dura realidade.

2009-08-05

Receita


"In these days, we see that a strong welfare state, together with free education and healthcare, has acted as a buffer that stabilises the economy"

Kristin Halvorsen, ministra das finanças norueguesa, citada pelo Guardian, numa peça onde indica a verdadeira receita que permitiu enfrentar positivamente a crise. Ao contrário da cartilha neoliberal que fez nas últimas décadas escola, onde o enfraquecimento do Estado foi uma constante, eis o exemplo [já muito propalado] de como é passível conciliar elevadas deduções e elevados encargos sociais, com elevada competitividade e rápido desempenho económico. Uma questão de cultura? Não só, pese seja prepoderante [comparar os nossos 48 anos de ditadura, tradição de rupturas ou a falsa universalidade e alcance do nosso Estado [exemplo SNS] com a cultura de diálogo, seja entre parceiros sociais, seja político desde sempre imperante nos países nórdicos]. No entanto, note-se que é cada vez mais premente uma efectiva aposta na Educação [ao invés das experiências ocorridas nestes últimos 30 anos], assim como a manutenção da aposta na qualificação da mão de obra disponível.

2009-08-03

constatando o óbvio


"A government watchdog* is to investigate whether companies are exploiting thousands of graduates by employing them on unpaid, long-term internships during the recession (...)"

via Guardian


*Low Pay Commission [breve nota: não deixa de ser engraçado, que sendo um país com uma lei laboral e um sistema de protecção social mais flexível que o nosso - o que pode dar azo a alguma precariedade, o Reino Unido possui efectivamente uma espécie de entidade de fiscalização, estudo, e supervisão sobre a questão da precariedade e sobre as empresas de trabalho temporário e demais entidades ligadas ao sector. Em Portugal, pese os 2 milhões de precários, o mais perto que temos é uma espécie de provedor para as empresas de trabalho temporário...]

2009-02-16

Afinal é humano!


2009-02-09

O legado


"(...)uma linguagem sectária e um estilo trauliteiro ao estilo de Alberto João Jardim".

Luis Fazenda comentando as polémicas declarações de Augusto Santos Silva.

À parte de qualquer consideração sobre o teor das declarações, é curioso notar nesta frase o verdadeiro legado de AJJ após anos e anos de declarações desbocadas...

2009-01-29

Bem vindo ao reino da contra-informação II


Confirmou-se o jogo do ping pong informativo na caso Freeport.

A grande novidade é que face à grande variedade de casos e polémicas actualmente a decorrer a nível nacional [Freeport, avaliação de professores, escândalo BPN, escândalo BPP, escândalo Somague/financiamento partidário, caso Portucale, escândalo Casino de Lisboa, Bragaparques, etc.], este jogo divide-se por vários tabuleiros, atingindo quase todos os partidos políticos.

Ataque contra Ataque. Nunca o lema do futsal fez tanto sentido.

Quanto ao tema em questão? É tudo uma questão de "flavour of the day" [e muitas vezes de cor partidária].

Esta é a grande verdade!