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2011-06-17

aganaktismenoi


"(...)This is democracy in action. The views of the unemployed and the university professor are given equal time, discussed with equal vigour and put to the vote for adoption. The outraged have reclaimed the square from commercial activities and transformed it into a real space of public interaction. The usual late-evening TV viewing time has instead become a time for being with others and discussing the common good. If democracy is the power of the "demos", in other words the rule of those who have no particular qualification for ruling, whether of wealth, power or knowledge, this is the closest we have come to democratic practice in recent European history.

Syntagma's highly articulate debates have discredited the banal mantra that most issues of public policy are too technical for ordinary people and must be left to experts. The realisation that the demos has more collective nous than any leader, a constitutive belief of the classical agora, is now returning to Athens. The outraged have shown that parliamentary democracy must be supplemented with its more direct version. It is a timely reminder as the belief in political representation is coming under pressure throughout Europe (...)"

Costas Douzinas in Guardian

Ler artigo completo aqui.


2010-05-04

Hoje adicionei um cão na minha rede de amigos no Facebook*


"É engraçado ver como o uso das palavras se vai transformando. A amizade tem-se no imaginário cultural como uma coisa que se adquire, que se trabalha. No Facebook carrega-se num botão e é-se amigo de alguém. As palavras vão ganhando contextos e contornos diferentes" João Cardoso in publico.pt


Definitivamente com a proximidade fornecida pelas redes sociais e a web 2.0, há que repensar certos conceitos. Entre os quais o de amizade, em especial o de amigo. Conheço pessoas que adicionam tudo e mais alguma coisa. Outras que não. Outras que utilizam as redes como meio de maior aquisição do dito capital social. Outras que simplesmente usam as redes como mero escape recreacional. O que acaba por ser comum nestes exemplos é verificar a diversidade significados que se atribui à palavra amizade ou ao acto de se tornar amigo numa rede social na internet.

Será que esta mutação não é assim tão linear e este post pode aparentar ser algo alarmista - dirão que as pessoas conseguiram sempre discernir entre as ditas amizades reais e as virtuais, ou não fará de todo sentido pensar que com a evolução tecnológica, certos conceitos tidos como plenamente aceites, não possam vir a ser postos em causa?

É que até já existe o termo "desamigar".


*E ainda tenho convites do Torneio de PES de Santarém (sic), de estalagens rurais, farmácias e lojas de flores da minha esquina.

2010-03-29

2010-03-15

a ironia e a lógica eucaliptal



imagem: Banksy


Defina ironia: Um partido que insiste na tese da "asfixia democrática" e da "falta de liberdade de expressão" no país, mas que não se coíbe de aprovar sanções graves a militantes como a expulsão a militantes que integrem listas concorrentes ao partido ou a figuras por ele apoiadas, assim como sanciona igualmente críticas internas ditas nos 60 dias anteriores a eleições.

Por muito que seja necessária coesão e por muito que uma organização partidária obedeça a vínculos norteados pela lealdade (embora este PSD seja um partido deveras "sui generis", estando muito fraccionado e admitindo no seu seio uma vasta amplitude de convicções ideológicas, que estão ligadas entre si por ténues ligações), o papel dos partidos e organizações políticas, enquanto sustentáculo do regime democrático português, ficam gravemente feridos, com esta imposição de uma autêntica lei da rolha que impede a concretização do objectivo máximo que deveria nortear uma organização desta natureza: ser um espaço de debate e discussão.

Receio que, com a institucionalização de práticas deste género - que informalmente sempre existiram - se dê cada vez mais força ao descrédito já existente por parte da sociedade nestas organizações, fechando estas à generalidade da sociedade, numa autêntica lógica eucaliptal.

Em situações extremas, poderia significar o rejeitar de uma lógica ou matriz democrática - com todas as imperfeições que tem, é na verdade o menos imperfeito dos sistemas - assim como legitimar por parte da sociedade, de soluções mais musculadas que facilmente poderia redundar numa consequente limitação efectiva de liberdade. "History repeats itself". Faz-vos lembrar algo?



2010-03-05

num elogio (d)à Loucura



"(...)Alberto João Jardim disse ainda que defendeu a realização deste congresso por achar "que é preciso o PSD esclarecer muita coisa sobre a sua natureza: é um partido de esquerda, de centro ou de direita? Temos de esclarecer, para mim é de centro. É uma social democracia de tendência socialista, como as nórdicas, ou é de tendência de centro de raiz mais social cristã baseada no personalismo da doutrina social de Igreja católica? Federalista europeu ou de primado nacional? Quer a regionalização do continente ou não? Aceita maior autonomia para Açores e Madeira? Admite rever a Constituição ou quer ser situacionista? Estas questões têm de ser discutidas dentro do PSD, porque a confusão que vai dentro do partido sob o ponto de vista doutrinário é total”.

in público.pt

Num dos raros momentos de concordância (dado o meu distanciamento ideológico), torna-se engraçado constatar que Jardim, muitas vezes catalogado (e com razão) de desbocado e inconsequente pelos seus próprios pares partidários, acaba por ser dos poucos que diz que há muito era visível: mais que discutir líderes, sem uma definição ideológica, o PSD nunca poderá almejar vir a ser uma verdadeira alternativa, prolongando o habitual paradigma de alternância (já algo gasto e decadente olhando às recentes notícias surgidas nos media, algo que começa a transparecer para o público - basta olhar a notícias recentes ou ler as conclusões recente estudo de André Freire, José Manuel Viegas e Filipa Seiceira - corporizado num livro recentemente lançado, que adquiri ontem) , ficando o dito partido refém que o outro partido de poder caia em desgraça. Apenas sugere razão a quem indica que em Portugal, não se ganham eleições. O outro lado é que as perde.


2009-12-29

Brinquinho do Alberto vs Harpa de Nero



imagem D*Face



in publico.pt


Já agora, se porventura não fosse incómodo, que tal procurar um modelo alternativo de desenvolvimento e governação?

Olhando ao recente Orçamento da Região Autónoma da Madeira para 2010, onde mais uma vez as despesas afectas a infraestruturas nada sustentáveis [e na maior parte das vezes com claros propósitos eleitoralistas - nem falo da parte das receitas extraordinárias previstas], são uma parte de leão do mesmo, não sei até que ponto as consequências futuras da prossecução desta autêntica política suicida, não hipotecarão o futuro das gerações vindouras.

O círculo aparenta estar a apertar-se [recorde-se exemplo de notícia da entrega de escolas e equipamentos de saúde como garantias bancárias para conseguir empréstimos para pagar despesas correntes] e as claras insuficiências deste modelo são cada vez mais notórias. Já aqui escrevi que em política, o comum eleitor tende a não ter uma perspectiva a médio-longo prazo, recompensando politicamente muito a existência de obra, ou seja algo em termos palpáveis e visíveis - como o são betão e cimento. Os alertas para as consequências do arrastar deste tipo de modelo, já há muito eram conhecidos [existem estudos efectuados para o GR desde o início da década por parte de consultores], pelo que apenas se pode deduzir que apenas os ganhos políticos e a lógica da auto perpetuação política apenas estarão a justificar a insistência neste modelo.

Tendo em conta isto e prevendo-se o pior, já aqui dei conta que será engraçado saber como será retratado e relembrado este período, pelos próprios madeirenses daqui a 10 anos.

Já agora e em jeito de conclusão, não resisto a arriscar uma profecia qual Nostradamus. Não passarão muitos anos até introduzirem portagens na Via Litoral. Já esteve mais longe.

2009-08-05

Receita


"In these days, we see that a strong welfare state, together with free education and healthcare, has acted as a buffer that stabilises the economy"

Kristin Halvorsen, ministra das finanças norueguesa, citada pelo Guardian, numa peça onde indica a verdadeira receita que permitiu enfrentar positivamente a crise. Ao contrário da cartilha neoliberal que fez nas últimas décadas escola, onde o enfraquecimento do Estado foi uma constante, eis o exemplo [já muito propalado] de como é passível conciliar elevadas deduções e elevados encargos sociais, com elevada competitividade e rápido desempenho económico. Uma questão de cultura? Não só, pese seja prepoderante [comparar os nossos 48 anos de ditadura, tradição de rupturas ou a falsa universalidade e alcance do nosso Estado [exemplo SNS] com a cultura de diálogo, seja entre parceiros sociais, seja político desde sempre imperante nos países nórdicos]. No entanto, note-se que é cada vez mais premente uma efectiva aposta na Educação [ao invés das experiências ocorridas nestes últimos 30 anos], assim como a manutenção da aposta na qualificação da mão de obra disponível.

2009-06-24

Jovens e a Política II


Nesta segunda parte [ver aqui 1ªparte "Jovens e a Política" - ou em alternativa, ver 2 entradas abaixo], focarei-me essencialmente na resposta às questões lançadas, assim como analisarei a questão das juventudes partidárias.

Creio ser interessante ter em conta um estudo "Os Jovens e a Política" [do Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica Portuguesa, da autoria de Pedro Magalhães e Jesus Sanz Moral], lançado em Janeiro 2008, onde caracteriza em traços gerais a atitude da juventude em relação a formas de participação política por vias convencionais e não convencionais. Em traços gerais, há que separar a juventude até aos 18 anos e os jovens adultos dos 18 anos até aos 29 anos.

O primeiro grupo caracteriza-se por uma baixíssima taxa de interesse seja por vias convencionais de participação política (partidos, comícios, etc), seja por não convencionais (petições, manifestações ilegais, etc.), embora fosse previsível que este último grupo colhe mais adesão que o primeiro. No contexto europeu e fruto da nossa mentalidade e posição mais reactiva e expectante [a baixa auto-estima nacional em muito contribui para isto], estamos nesta faixa etária nas últimas posições, quando comparados a nível europeu. Curiosamente, o grupo dos jovens adultos, pese a baixa participação,já apresenta taxas bem mais elevadas [e medianas a nível europeu], bem parecidas com o escalão etário seguinte, destacando-se no entanto a apetência para formas de participação não convencional em detrimento das formas de participação convencional.

Estes dados, e tomando em linha de conta que a consolidação democrática foi alicerçada sob o formalismo e estrutura dos partidos, permitem um leitura no sentido que estas estruturas por vezes fechadas, necessitam de adoptar novas estratégias e tipos de abertura, para poder englobar estas franjas etárias de população. Obviamente, há participação fora do contexto partidário, mas é notória a primazia que este tem sobre os demais (e nóveis na minha opinião) movimentos cívicos ou formas organizadas de intervenção cívica que existam ou venham a se formar.
Tomando em linha de conta, esta primazia partidária, convém analisar a posição e estatuto das chamdas juventudes partidárias. Antes de mais, tenho de fazer uma declaração de interesses: tal como Vicente Jorge Silva, tenho uma imagem nada idealista das jotas. Reconheço a sua função como formadora de quadros e admiro a capacidade de compromisso que assumem numa idade onde essa característica por vezes escasseia.

Mas a verdade é que noto muito vezes apenas a reprodução de muitos dos malefícios que os partidos possuem: viveiros de carreirismo, que servem muitas vezes como interlocutores das casas-mãe para fazer ou dizer [ou atacar] aquilo que o partido eticamente não pode efectuar. Servem muitas vezes para dar aquele toque de irreverência às campanhas eleitorais [os gritos "futeboleiros" da JSD no discurso de Manuela Ferreira Leite roçaram o risível]. Para além de, por vezes silenciarem a capacidade de expressão individual dos militantes, sob o signo do unamismo e do discurso único, transformando os mesmos em autênticas cassetes.

Obviamente e dado que desconheço o funcionamento interno destas organizações [existem jotinhas aqui no blog que poderiam responder a isso melhor que eu - assim como participantes a quem peço que deixem a sua opinião, até para estimular debate e troca de opiniões], dou o benefício da dúvida sobre se estas organizações serão as ideais, como espaços de participação e inclusão dos jovens em termos cívicos.

Mas a verdade é que, olhando aos resultados do estudo assim como às sucessivas altas taxas de abstenção nesta faixa etária, a generalidade dos jovens não se revê neste sistema formal partidário. Aliás, as causas defendidas pelos mesmos estão em mutação, dado que os interesses são invarialmente outros. Estas últimas europeias, tiveram o condão de mostrar que um partido sueco cuja única causa é a abolição dos direitos de propriedade, o Partido Pirata, conseguiu eleger um eurodeputado. Aliás, já há uma formação similar portuguesa (PPP).

A política está igualmente em mutação. O tempo das ideologias e das fortes clivagens ideológicas deu lugar a um tempo onde o slogan e a imagem assumiram uma enorme preponderância. A divisão esquerda - direita já não é tão vincada e hoje em dia, o aparecimento de causas é um factor que concorre com a preponderância e primazia dos partidos, ainda que estas sejam efémeras. Partidos com uma maior dificuldade em construir pontes e a se abrir a estas novas causas e bandeiras, terão muitas poucas hipóteses de almejar a algo mais que a mera sobrevivência [isso já é visível em muitos partidos].

Creio que para finalizar, hoje em dia, a participação dos jovens tende assim a se efectuar mais por canais alternativos aos convencionais, nomeadamente os por via partidária - ainda que estes tenham de facto muito mais visibilidade. No entanto, estas vias alternativas, levantaram novos desafios aos partidos, que terão que se abrir à sociedade e deixar de lado as tendências unificadoras e agregadoras que muitas esmagam o debate interno, passando a se preocupar com novas bandeiras, de uma geração que ao contrário dos pais, é bem mais informada e preparada, porém tem muito mais insegurança e instabilidade profissional (que se reflecte a nível pessoal), não vislumbrando em muitos casos, sequer um futuro. É a geração dos estágios não pagos e dos empregos nas autênticas linhas de produção do séc. XXI que são os "call-center". A resposta tem de ser dada nestas matérias e nesta área. Para que esta geração e as vindouras, possam ser enquadrados e incluídos a dar o seu contributo para uma sociedade melhor.

2009-01-23

É assim que se vê que a crise é mesmo grave...

É irónico como aquele que era considerado o especulador-mor da nossa praça, tem aparecido nos últimos tempos como uma virgem ofendida, clamando por uma responsabilização dos especuladores [não é alheio ter sido das pessoas que mais perdeu dinheiro nos últimos meses].

Hoje no Público, Joe Berardo com a sua simplicidade desarmante, admite que esta crise teve o condão de o fazer repensar, obrigando-o a ter que reaprender a lidar com o novo paradigma. Muitos poderão considerar esta declaração, como reflexo das suas perdas. Vindas do Soros português [versão recauchutada], creio que isto é demostrativo do alcance da crise.

2008-12-03

Uma questão de paradigmas...

"(...) José Manuel Castanheira da Costa, professor do ainda Departamento de Matemática e Engenharia, já foi reitor da Universidade da Madeira e volta a estar disponível para cargo, embora defenda menos poderes para os reitores. A campanha eleitoral para o conselho geral começa amanhã, mas Castanheira da Costa não esconde que quer uma universidade aberta à sociedade civil.
Quer o sangue novo das pessoas ligadas aos negócios, à economia, que tragam ideias, que façam 'lobby' e possam dar sugestões sobre a organização da universidade. O saber dos académicos é necessário para a estrutura científica, mas Castanheira da Costa lembra que o mito do académico como um homem culto, que domina várias ciências e está informado acabou há muito, o último desta linha talvez tenha sido Kepler no século XVII. "Um académico nem sempre é um homem culto". É uma pessoa especializada, que dedicou e dedica muito tempo a uma determinada área do conhecimento. Por isso, o antigo reitor prefere homens de negócios e políticos no lugar dos seis externos em vez de académicos de outras universidades. Para quebrar o circuito fechado, o isolamento.(...)"


O DN-Madeira trouxe na semana que passou, uma entrevista com Pedro Castanheira, antigo reitor da UMa (Universidade da Madeira) e candidato ao Conselho Geral daquela universidade, juntamente com outras duas candidaturas (na edição de ontem veio uma entrevista com outro candidato - Domingos Rodrigues).
Tem havido nos últimos tempos muita celeuma em volta desta universidade, algo que veio piorar o (já de si mau) nome e reputação da instituição.
O objectivo deste "post" não é discutir a guerra de bastidores que aparenta ocorrer na UMa [aliás nem estou por dentro do móbil em discussão]. Chamou-me a atenção este excerto.

Não deixa de ser interessante que numa altura em que o paradigma científico está a passar dum período em que a especialização se tornou extrema (paradigma moderno) para um período em que o contexto e teorias do caos são tidas em conta (paradigma pós-moderno), este candidato opte por ficar agarrado ao primeiro, optando pela perpetuação do mito economicista (que a economia domina tudo).
Creio que a melhor opção seria uma solução intermédia e creio que a ideia de uma instituição aberta à sociedade civil é um bom passo. No entanto cingir-se apenas a isto e não aproveitar a massa crítica endógena existente dentro da instituição e do sistema académico, creio que é um erro que poderá não trazer grandes frutos e em última instância, poderá facilitar e permeabilizar a universidade face a influências externas, pondo em causa a sua missão e objectivo.