2011-03-01

Berlin hat sie alle



Dá para me questionar o que ainda ando a fazer em Portugal.


2011-02-21

Doin' Time



Brian Jones, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Jim Morrison ou Kurt Cobain.

Todos membros do afamado clube dos 27. Aquele selecto clube de grandes vultos musicais que viram a sua criatividade interrompida, aos 27 anos, em mortes que tanto tiveram de trágicas como ocorreram na sua maioria em estranhas circunstâncias. Para além de terem sucumbido no auge da sua produção criativa - quase não tendo espaço ou tempo para errar (ou na gíria popular "tendo tido tempo para fazer merda"), as condições em que ocorreram as suas mortes, conferem a todos estes artistas, uma aura quase mitificadora, elevando-os ao estatuto de ícones. Ícones de gerações diferentes. Ícones que com a morte, atingiram um patamar inatacável, apagando-se ou diminuindo-se ao mínimo, qualquer falha ou crítica que se lhes pudesse apontar.

Há quem prossiga toda uma vida em busca de glória e fama. Há quem simplesmente, quem com a melhor das intenções, queira deixar uma marca. E há quem simplesmente esteja alheado de tudo isto, prosseguindo a sua habitual vida casa-trabalho-casa (quando o há), copos ao fim de semana (por vezes durante a semana), como se nada disto interessasse. Bola, reality tv e séries para alhear o pessoal.

A um dia dos 28, com os 30 ali mesmo ao virar da esquina, não deixo de pensar nisso. Não porque queira fama e glória, mas porque entendo que cabe a cada um gizar o seu próprio destino. Assim como avaliar se a sua acção tem sido compatível até agora, com o potencial/propósitos que sabe que pode atingir. E cabe a si, meramente a si, dar o impulso/contributo que ache necessário. Para atingir a sua felicidade, num instinto que em última análise será sempre egoísta, mas que o fará contribuir para o bem comum. O bem geral. Porque o ciclo virtuoso (não confundir com vicioso) de uma sociedade apenas é possível tendo em conta esta última vertente.

Sim, sou um idealista, que tem cada vez mais levado com choques de realismo (à quem lhe chame realidade) como se descargas, de um qualquer aparelho de fibrilação fossem. E não quero ser o tipo do bar. Aquele que anos depois se gaba de quase ter feito algo. Mas não fez, por uma qualquer razão que irá hiperbolizar, para desculpabilizar em definitivo (chamo-lhe camuflar), uma falta de acção que deveria ter partido de si. Também nunca gostei de rotinas. Mas a verdade é que é tão fácil cair nas mesmas. Aliás, cada vez mais me convenço que as rotinas são necessárias. Em última instância, meramente por uma questão de sanidade mental. Provavelmente a acompanhar este texto, teria que aqui estar uma música de National ou de alguma outra (muito boa) banda semelhante que falasse da angústia de uma classe média e de uma geração que cresceu cheia de expectativas, mas que neste momento se encontra apertada. Ponto parágrafo neste breve apontamento.

Retornando ao texto, durante muito tempo, pensei que Bradley Nowell, vocalista de Sublime, tinha morrido aos 27 anos de overdose de heroína. Engano meu. Morreu aos 28. Não que fosse um autor muito versado, não que Sublime seja uma banda que musicalmente seja excepcional, mas o seu contributo, a sua influência em tantas outras bandas, o seu estatuto quase icónico entre as comunidades skater e surfer entre outras (assim como a minha estima pessoal pela mesma e inexistência de referências à banda neste excelente blog), motivaram a que levassem a redigir umas breves linhas (que já não são assim tão breves quanto isso) acerca da mesma.

Sublime, para quem não conhece, é uma das bandas, que a par de Green Day (Dookie - o primeiro CD que comprei com as minhas poupanças aos 12 anos) ou Offspring (recordo com especial carinho o álbum Smash), mais contribuiu para o reavivar do punk, em termos mainstream, durante a década de 90, nos EUA. Oriundos da Califórnia do Sul, acompanhando uma explosão de bandas oriundas desse mesmo estado, ao que se convencionou chamar punk californiano, numa terceira grande onda de bandas deste género, muito ligadas à comunidade skater e surfer (em contraponto à toada mais musculada ocorrida em NY por esta altura, muito mais ligada à corrente hardcore), entre as quais destacamos NOFX, Pennywise, Lagwagon, Mad Caddies entre muitas outras.

Para além de nítidas influências do punk de bandas anteriores como Bad Religion, Black Flag ou mesmo Ramones, houve uma fusão de estilos com sonoridades Ska, Dub e Reggae e é neste contexto que bandas como No Doubt (cuja vocalista Gwen Stefani - para muitos a rainha do Ska - nasceu na mesma cidade e andou no mesmo liceu de Bradley, sendo amiga do mesmo) ou Sublime aparecem, misturando todas estas sonoridades, numa toada mais alegre e muito peace and love, drug-friendly em muitos dos casos, tornando extremamente apelativa para toda uma geração, em especial após o desaparecimento de Kurt Cobain e ao refrear de toda a onda grunge que se seguiu.

Bradley, que curiosamente nasceu a 22 de Fevereiro - igualmente meu dia de anos - junta-se aos outros dois elementos de Sublime - Bud Gaugh e Eric Wilson - e fortemente influenciado por música jamaicana, introduz elementos ska e reggae ao repertório do duo, que até aí ouvia e tocava exclusivamente punk. Após um rápido sucesso inicial local - fruto de uma fama granjeada por concertos cheios de peripécias, a banda opta por criar uma pequena editora de raiz, a Skunk Records, lançando o 40 oz. to Freedom (para mim, um dos melhores álbuns da banda a par do homónimo e já póstumo Sublime), conseguindo apenas alguma rotação e notoriedade, quando uma rádio de LA, pega num dos hinos do álbum "Date Rape" e começa a passar o single várias vezes.

Nessa altura, e como ocorreu a muitos artistas no início da década de 90, já Bradley tinha iniciado a sua relação com heroína, algo que segundo o pai se devem à necessidade de obter um escape criativo. Aliás, numa banda abertamente drug friendly, esta dependência e toda a parafernália relacionada com o tema, deram origem a muitas músicas que rapidamente se tornaram hinos como Smoke Two Joints, Pawn Shop, Garden Groove. Em maio de 1996, e a meio de uma tournée (sempre as tournées) que realizavam pela Califórnia, Bradley é encontrado morto num quarto de hotel com uma overdose de heroína.

Isto tudo ocorre, semanas depois da banda ter acabado as gravações do seu primeiro álbum já numa editora de renome, álbum que ficará com o nome da banda e que venderá 17 milhões de cópias.

O terceiro single é este Doin' Time, um tema que podemos classificar de lounge/dub, que fala da impossibilidade de mudança de vida de um homem, entre outros aspectos, usando como pano de fundo, o tema Summertime de George Gershwin da ópera "Porgy and Bess". Pretendo assim, com este (longo) texto, efectuar uma segunda homenagem. Nascido no final de séc XIX, Gershwin é simplesmente um dos mais profícuos autores/compositores musical de peças, operetas, árias, musicais etc. A sua obra é vasta e foi/tem sido vastamente usada em músicas de jazz, no teatro, em tv, e por uma multiplicidade de diferentes bandas musicais, entre as quais Sublime.

Uma banda que face à sua heterogeneidade e amplitude musical (esta música é exemplo), que face a um som que se pode classificar de alegre, marcou toda uma geração e à qual deixo aqui a minha homenagem, numa altura em que sei que irei ser um gajo mais ou menos. Resta-me apontar aos 33 anos. Creio que até lá terei tempo para preparar a fundação de uma religião ;-)


Aires Gouveia


[texto produzido, no passado dia 21-02, para a rubrica "Guest Box" no (excelente) blog musical xukebox.blogspot.com. Publicado a 26-02, nesse mesmo espaço. Obrigada Mariana pelo trabalho desenvolvido com o dito blog]



2011-02-05

um ano depois, eis-nos de volta ao local do crime


O PROJECTO 10 chegou ao fim com a edição do seu #10 - online desde o passado dia 26 de Dezembro -, dedicado ao tema Reconhecimento. Foi todo um ano dedicado a 10 temas - Identidade, Sagrado, Ruptura, Futebol, Pólis, Ilha, Extremismo, República, Anos 90, Reconhecimento -, retratados sob 5 perspectivas diferentes: Sociedade e Mundo, Ciências Sociais, Arquitectura e Design, Artes e Entretenimento e Espaço-Criação. Foi toda uma equipa que se juntou e reuniu cerca de 100 convidados para levar até si obras originais, opiniões e experiências. Foram crónicas, contos, música, poesia, esquissos, ilustração, entrevistas, fotografias, projectos, pintura, teatro, e cinema, coligidos num site para chegar a mais leitores.

«E porque "o PROJECTO10 é apenas isso, um projecto para 2010», nesta hora de adeus socorro-me daquelas últimas palavras do primeiro editorial - que parecem agora escritas há mil anos -, e relembro-me que «A identidade do PROJECTO10 não se resume a palavras. A estas palavras. Nem às próximas que aqui escreverei. Nem às imagens que o povoam. Nem às músicas que nele ecoam. PROJECTO10 constrói-se, como qualquer sonho, com o trabalho incansável e extraordinário de muitos. De muitos amigos. De amigos que acreditaram que era possível criar este projecto. E foi. A todos eles, um grande obrigado. Este é o vosso/nosso PROJECTO10."» in Editorial #10

Combinamos um brinde às 10?

2011-01-20


"Ask not, what your country can do for you.

Ask what, you can do for your country."

2010-12-24

Num Natal diferente, vou rejeitar este ano a peúga.


Natal com bacalhau? O bacalhau do português que se preza chama-se atum!

Sim, porque o bacalhau tem que vir da Noruega, da Mongólia e da Terra Nova, ao passo que o atum está aqui mesmo à mão de semear; é nosso. Vai-se ali à Cruz Quebrada, ou à Trafaria, e pimba! Adiante: o Natal do bom português é regado com atum. Em cinco postas de se lhe tirar o anzol! Venha saboreá-lo na noite em que o teleósteo de cinco patas é mais nobre – a noite da consoada. Isto é ponto assente.

O Cabaret Maxime abre as suas portas – aliás, escancara as suas portas – para receber todos os aventureiros que rejeitam a peúga e o bacalhau de sempre, que isso da consoada em família é para meninos. O verdadeiro espírito natalício do séc XXI passa por largar a família, as peúgas, o bacalhau, o Malato e a Popota, e mergulhar nos prazeres da lasca, da posta, do tinto e do branco, e – obviamente – do atum!

A pensar nisso – sempre à frente do seu cardume – os Corações de Atum, banda revelação de 2010, recebem todos os amigos – e até os inimigos, pois é Natal – no presépio do Maxime, depois da meia-noite!

Venha ver o que é bom para a gripe. Compareça – traga as amigas, claro – e nataleça!
A não perder...


mais info aqui

Cabaret Maxime
Abertura de Portas: 00.30
Início Espectáculo: 01.00
Bilhetes: 10 euros



2010-12-23

por vezes a vida real parece um gag de comédia





imagem daqui

ao telefone.

- Boa tarde, estou a ter o prazer de falar com Luís Machado*?

- Não, é o filho.

- Correcto. Então importa-se de me indicar o seu nome?

- Luís Machado.



*nome fictício

2010-12-22

Invertendo o ângulo



reverse graffiti - retirado daqui


Se continuarmos a olhar a política como o palco de uns tais "eles" - em vez do lugar de um "nós" onde caibam todos -, não há mudança possível.
Sim: seremos cúmplices da crise se sob as desculpas habituais de "eles são todos iguais", "isto não há volta a dar-lhe", "é só cada um por si", acabarmos por encolher os ombros, ficar em casa, não escolher.


Jacinto Lucas Pires
Público 21.12.2010 p.37



2010-10-25

yellowing a dois tempos



diana mini F+ - redscale film ISO 100
(foto própria)



Com o solísticio de Inverno aí à porta* devidamente acompanhado de baixas temperaturas, nada melhor como recordar o Verão.



*post escrito a dois tempos (escrevo no dia 20-12-2010), acompanhando o longo ocaso porque passou este espaço.

2010-10-15

A Voz do Povo e a República. Hoje nos ecrãs, 8#PROJECTO10


...ou em alternativa, lançamento no Botequim da Graça, Largo da Graça nº79 pelas 20h.

Fica feito o convite.

10 cumprimentos
projecto10.pt






2010-10-10

Nos ecrãs no próximo dia 15.

PROJECTO10 #19 from PROJECTO10 on Vimeo.


Feito a partir de fotografias de Joshua Benoliel para a revista Ilustração Portugueza. Fonte: revistaantigaportuguesa.blogspot.com/​

A música é uma versão de Air, Suite No. 3 in D major, BWV 1068 (Air on the G String) de Johann Sebastian Bach.



slumdog millionaire with a million dollar baby dream





Womenboxing in India by Andy Spyra



2010-10-08

Inspirando o PEC

imagem Ji Lee




"Como bater o creme.

É nesta fase que o creme é transformado em manteiga. A ação mecânica de se bater o creme faz com que os glóbulos de gordura se agrupem liberando o leitelho (soro da manteiga)."

Newton de Alencar - "Manual do produtor de queijos, requeijão, manteiga, iorgurte e doces de leite" [encontrado numa estante de um qualquer café lisboeta]


Por vezes fico com a impressão que certas receitas milagrosas, provêm dos sítios mais insuspeitos.



training my good cop, bad cop routine


via pensarcusta



[Harry Callahan] "I know what you're thinking. "Did he fire six shots or only five?" Well, to tell you the truth, in all this excitement I kind of lost track myself. But being as this is a .44 Magnum, the most powerful handgun in the world, and would blow your head clean off, you've got to ask yourself one question: Do I feel lucky? Well, do ya, punk?"


Pseudo-Compassionate Break-Up [the machine version]

2010-10-07

Em jeito de lembrete




ilustração Rúben Nobre






"Da República centenária poderemos extrair vários ensinamentos. Entre eles, destaca-se um: não é da crispação que nascem as soluções para os problemas. Impõe-se, pois, que exista um compromisso político de coesão nacional"

Cavaco Silva no último 5 de Outubro




[publicado em simultâneo no blogprojecto10]

irreverência juvenil





"It is dangerous to be right in matters on which the established authorities are wrong"

Voltaire

por vezes esqueço-me que são de vénus



toca e foge



A fanfarra já anda na rua. Com o seu Q qualidade - tendo em conta isto. Já na segunda edição. À quarta às 22:40 (por volta disso) ou então noutra altura por aqui.