2013-02-22

30

 (artwork by Greg Gossel)



Ageing is inevitable

....but growing up is optional!









2013-01-28

cousteau style

If you gonna go underneath the water, you gonna need to go with some style.



If you gonna go underneath the water, you gonna need to go with some style.

Bill Murray's Life Aquatic style by Greg Gossel.
 Check out more of his work in here and here.






2013-01-24

2013-01-13

O cão que matou o homem; o homem que matou o cão

Nos últimos dias, para além de que a Pepa quer uma mala Chanel, as notícias e redes sociais enfatizam o caso do cão que matou tragicamente uma criança de 18 meses. Um pit bull, uma das raças consideradas potencialmente perigosas. Potencialmente. Somos todos potencialmnete perigosos, não é essa novidade alguma.
O senhor João Pereira Coutinho, cronista do fantástico "Correio da manhã", por si só um jornal de renome e credibilidade sem fim e que lhe deve proporcionar um acordar fantástico todas as manhãs da semana de trabalho só de pensar nas fabulásticas crónicas que irá escrever enquanto "voz da razão" tal como intitula a sua crónica (humilde, o senhor) diz que " ... E uma petição pública com 30 mil beneméritos já pede clemência para o cão. Segundo eles, o ‘pitbull’ de Beja desfez uma criança de 18 meses porque lá teve os seus motivos. Não devemos dar ao Zico (nome da besta) uma ‘segunda oportunidade’? Francamente, acho que sim. E aconselho o juiz do caso a enviar o Zico para estadias prolongadas (e salteadas) em casa de cada um dos subscritores da petição. Desde que, obviamente, os subscritores sejam obrigados a lidar com a besta sem açaimes, correntes ou tranquilizantes. E se a besta, em novo acto selvagem, acabar por matar um deles, paciência. É porque lá teve os seus motivos." Ora, sem querer ferir susceptibilidades, este senhor sim é uma besta. Percebe pouco ou nada de animais e portanto muito menos conhece o comportamento humano, tendo em conta que grande parte desse comportamento é não-verbal como o dos animais.
A crucificação de um cão em prol de um mal geral resolve a questao? Pergunto à voz da razão. Instituir a pena de morte nos cães sem consideração de uma reabilitação do mesmo faz de nós, humanos, seres pensantes, inteligentes, com capacidade de raciocínio e de lógica? Pergunto à voz da razão. A resolução rápida do problema que é o mesmo que dizer "atirar areia para os olhos das pessoas como quem diz que o problema ficou resolvido mas que no fundo está tudo igual só que temos menos uma criança e um cão no Mundo" faz desaparecer o problema? Pergunto à voz da razão. Se assinar uma petição contra a pena de morte tenho de levar os reclusos para casa (claro que para estadias prolongadas e salteadas como as batatas)? Pergunto à voz da razão.
A resolução do problema passa por uma alteração das condições de aquisição de cães de raças consideradas potencialmente perigosas para que situações trágicas como esta não aconteçam. O dono de um cão destas raças não deve ter o mesmo perfil que o dono de um caniche. Porque a dentada de um caniche não mata. E continuam muitas pessoas a pensar que educar os cães é retirar-lhes personalidade, que são giros quando refilam, que não os tiram do sofá porque rosnam, não lhes mexem na comida porque temem. E quando essa personalidade levar a um acto mais violento? Aí já depende do cão e não do dono? Nesta situação em específico não tenho conhecimento de qual foi a educação passada ao cão portanto não me pronuncio sobre esse aspecto. Mas o problema não é só deste cão. É de nós. A verdade é que estas raças são usadas muitas vezes como armas de protecção e de provocação, não como animais de companhia que são.
Mas afinal, quantas vítimas existe nesta história? Eu diria x. A maior vítima, a criança, os pais e familiares da criança, o cão, os donos do cão. Uns vítimas de um ataque, outros vítimas de uma despreocupação social relativamente à posse de animais e educação dos mesmos.
Esta não é uma análise despreocuada ou inconsciente, pelo contrário. O que aconteceu é muito grave; exactamente por isso é que é necessário tomar medidas urgentes relativamente à posse de animais de raças potencialemnte perigosas. Não são peluches.
Posto isto, só queria dizer à "voz da razão" que é exactamente devido a opiniões de meia dúzia de linhas escritas enquanto obrava, que estamos na situação que estamos. Por intervirmos e não prevenirmos. A leveza com que manda o cão (ou a besta como lhe chama; neste texto a besta é outra) para casa das pessoas mostra que não tem consciência nenhuma do problema em mesa. Não sei se sabe, mas existem treinadores de cães; é verdade. E até a Psicologia canina, veja só! Mas devem ser tudo tretas...

P.s. - Um abraço de força à família da criança.



2012-12-17

RTP



Hoje deparei-me com algo que considero um pouco surreal.

No final do Zoom África, programa informativo da RTP dedicado ao continente africano, em especial aos países lusófonos, ao efectuarem a revista de imprensa diária, ao focarem a página "online" do Jornal de Angola,

deparamo-nos com esta notícia em grande destaque no ecrã - um grande título: "PORTUGAL PARAÍSO DE PEDÓFILOS" (algo quase impossível de fugir no enquadramento de imagem).
Face a isto, o que aconteceu é que a "pivot" simplesmente ignorou esse grande destaque (quase constrangida, tentando de forma inglória fugir a tal chamada de atenção), dando relevância a outras notícias que estavam em rodapé.

Claro que não vou discutir critérios de escolha ou de qualidade informativa da própria estação.
Mas tendo em conta todo o contexto que a empresa vive, sendo um orgão informativo público que aparentemente irá ser alienado, havendo uma intenção já firmada de aquisição (de parte?!?) da RTP por um grupo luso-angolano baseado numa (obscura) off-shore no Panamá.
Tendo em conta os sucessivos editoriais bem baixos que pessoalmente qualificaria de "ressabiados" (feitos quase sempre numa lógica de "vendetta"), não me surpreende que o título desta notícia esteja ao nível de um pasquim qualquer, o que obviamente aceito e não é a razão pela qual escrevo aqui.

Irrita-me muito mais esta espécie de auto-censura por parte da RTP, no que interpreto como uma tentativa em não querer causar qualquer tipo de fricção com um possível comprador - que segundo e crê, tem boas relações com o Estado angolano, do qual o Jornal de Angola é o órgão oficial.

Fazendo novamente a ressalva que a RTP é soberana no seu critério jornalístico, não deixo de comentar que a mesma, se enveredar por um caminho onde tenta fugir a focos de clara fricção com futuros compradores, ao persistir nesta espécie de auto-censura, presta um muito mau serviço ao país. Para além de suscitar dúvida sobre a independência do seu serviço informativo. Espero sinceramente que não tenha sido este o caso.

Já agora sobre a notícia em questão. À parte de considerações na matéria em questão, acho engraçado quando o Jornal de Angola, se "arvora" em paladino da luta contra a desigualdade.

Eis excertos da notícia.

"(...)Desde 2008 que milhares de crianças são abusadas na maior das impunidades, o que faz de Portugal um verdadeiro paraíso para os pedófilos(...)A crise em Portugal atirou com centenas de milhares de famílias para a pobreza extrema. O país é hoje o mais desigual da União Europeia. As medidas de protecção à infância não funcionam ou simplesmente são ignoradas pelos poderes públicos. Por isso aumentam diariamente os casos de abusos sexuais e maus-tratos de menores."

(in Jornal de Angola)

2012-11-16

Marchar , marchar!

A revolta, a desesperança, o desespero, o rancor, a tristeza são sentimentos estampados nas caras das pessoas com quem me cruzo nos transportes, no supermercado, na rua e até em concertos de rock. Os olhares são de ódio, de inveja, de insegurança, de infelicidade. Mas maioritariamente de desilusão. Oiço menos risos e gargalhadas, menos espontaneidade, menos descontração; até sinto falta de ouvir grupos a planear jantares, festas ou viagens; a planear simplesmente. Tornamo- nos numa sociedade de “nãos”. Não a planos, não a risos, não a festa, não a viagens, não a filhos. Não a tudo que possa ter uma componente finaceira. Passa a ser tudo decidido pelo seu valor quantitativo. O qualitativo fica para depois, para depois da austeridade. Até o humor negro parece estar de greve.
As imagens que no dia de ontem de alguma forma todos tivemos acesso acentuou ainda mais todos estes sentimentos.
Estudos sociológicos falam-nos dos comportamentos de grupo e da violência que pode despertar de forma imprevisível. Certo. Fala-nos também que violência gera mais violência. Certo. Em todo o mundo observamos episódios como os que assistimos ontem. Ataques mútuos e inconscientes em direcções erradas e sem qualquer impacto ou intenção positivos. Ataques que trazem mais desordem, mais tristeza, mais desespero.
É devastante que nesta altura do campeonato em que as manifestações assumem um caracter decisivo na união e força de uma sociedade, haja espaço para comportamentos disruptivos com objectivo nenhum para além da desordem e da violência. Uma violência directa, assumida. É devastante que a resposta a essa violência seja uma violência também indiferenciada.
Andamos todos em luta contra as forças erradas. Há uma enorme falta de respeito pelo trabalho das forças policiais e pelos manifestantes. Vergonha! Vergonha é o que sinto! E revolta-me discursos apoiantes de qualquer um dos lados! Revolta-me discursos de que as forças policiais apenas violentaram manifestantes. Não viram as centenas de pedras na escadaria da Assembleia da República? Por quanto tempo as forças policiais foram provocadas e agredidas sem puderem virar costas à situação? Quanto tempo foram agredidos verbalmente? Insultados? Rebaixados? Serão pessoas que estão por trás dos capacetes e bastões? Terão sentimentos, será que sentem dor? E eles? Como podem "entrar a abrir e varrer manifestantes" de forma indiferente? Contra pessoas que estão paradas e sem atitude agressiva? Contra idosos? E agridem uma vez, e outra, e outra…? Não é deles a função de manter a paz social? Que pessoas são essas? Será essa a única forma de acabar aquele cenário? Terá sido uma resposta dada na mesma moeda?
Uma verdade é certa: estamos todos em luta. Somos todos responsáveis; irracionais quando temos de ser, sentimentais quando nos magoam, violentos quando nos atingem.
Que ninguém se esqueça da verdadeira luta. Uma luta que não é das forças policiais contra os manifestantes nem dos manifestantes contra as forças policiais.
Para quando uma manifestação de todos?

2012-11-02

o anjo da pena torta

 imagem by desbobina


 
"futebol e escrita. linha, ir à linha, escrever à linha. bola e palavras.
história. estórias. palavras sobre bola. com historia.
nasce assim uma nova casa, um novo projecto, com palavras, história e bola.
bola na linha.
"

bolanalinha.tumblr.com
o novo projecto de João Tibério (JJT).



 

2012-10-22

Repita por favor:


image by aventuralx



"(...)Um país não é uma empresa.
Portugal não é uma empresa.
Portugal não é uma sociedade anónima, nem uma SA, nem uma SGPS.
Repita por favor: um país não é uma empresa e tentar governar o país como se fosse uma empresa dá asneira.
Mesmo
que a empresa seja a mais bem gerida do mundo.
Um país é um país. As regras são outras. Os métodos são outros. Os procedimentos são outros. As pessoas certas são outras.
Repita: as pessoas certas são outras.
A escolha de pessoas devem obedecer a outros critérios. Porque um país não é uma empresa, não é uma burocracia, não é uma empresa de marketing, não é uma consultora, não é um think tank, não é um blogue dos nossos, não é uma secção partidária, nem um 'grupo geracional' vindo de uma 'jota' qualquer que toma o poder.
O modo como as coisas no país funcionam é outro.
O modo como as coisas não funcionam é outro.
A ciência é outra. O ruído é outro.
O sucesso tem regras diferentes. O fracasso tem regras diferentes.
Há coisas parecidas por analogia mas não por homologia.
Repita se faz favor: um país não é uma empresa. (...)"

 
José Pacheco Pereira (crónica publicada no Público - edição impressa 20-10-2012)

2012-10-18

hoje como ontem

(imagem by Desbobina)


Temos a enorme sorte de contar com Vítor Gaspar"

António Borges (via Público)

 


De repente, parece que estamos de volta a 1926. É só comparar com o que se dizia na altura de António de Oliveira Salazar.

2012-10-16

Limite



Acabei há minutos de chegar a casa, vindo do cerco ao Parlamento, onde estive nas últimas horas.

Pelo que aconteceu - que incrivelmente pelo que vejo, foi parcamente referenciado pelos media formais (de repente questiono-me o porquê de termos três canais de cabo noticiosos) - com tudo o que aconteceu, o protesto passou para outro patamar. Houve fogueira, semáforos deitados ao chão, carga policial com algum pânico na descida...

O cidadão comum neste momento está algo radicalizado e atingiu um limite de saturação. Eu pelo menos confesso que atingi.

Por muito que tente ver mais além, já não dá mais. 


Desculpem o desabafo.







2012-10-12

leituras (por João Tibério)



ele lê o jornal toda a santa-noite.
acorda cedo, naquele-cedo-que-nem-traz-sol, e lê mais uns blogs.
vai à rua e compra umas revistas. lê-as de fio-a-pavio.
passa no café e ouve as notícias da rádio. frescas como o pão da padaria em frente.
pouco depois, já no gabinete, vê o noticiário e até escuta o vox-populi. é conhecido por estar sempre informado. por conhecer todas as fontes, todos os dados, todos os pormenores.
tudo.
ele gosta disso. de ter sempre a resposta na ponta da língua.

hoje o filho perguntou-lhe: como será o amanhã?
amanhã?
não, pai. o amanhã.

silêncio.

um soco no estômago.
e uma lágrima rebelde a cair.

só sabia que não tinha resposta. só sabia que não havia futuro.


(brilhante rascunho de  João Tibério)




2012-10-04

Hands up!











Resume bem a via que tem sido prosseguida.






2012-10-01



E agora Tozé?





Eric Hobsbawn, um dos mais influentes historiadores do último século, morreu esta manhã, em Londres. 
Hobsbawm escreveu várias obras que o tornaram uma referência mundial, entre as quais se destacam quatro livros marcantes sobre a História europeia de 1789 a 1991 – “A Era das Revoluções” (1962), "A Era do Capital" (1975), "A Era do Império" (1987) e "A Era dos Extremos" (1994). A sua autobiografia, “Tempos Interessantes: Uma Vida no Século XX”, foi publicada em 2002.

Hobsbawm era igualmente um grande apreciador de jazz. Escreveu durante cerca de 10 anos, uma coluna mensal no New Statesman, assinando com o nome Francis Newton, um trompetista (igualmente comunista como ele) que tocou "Strange Fruit" de Billie Holiday. 

No dia mundial da música, fica aqui a pequena homenagem.