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2011-07-01

já nem vale a pena comentar. Feliz Dia da Região.


Curral das Freiras - foto roubada daqui



"A partir do momento em que há casamentos gay, por que razão não pode haver pessoas que pensem a favor da independência?"

"Caracteriza-se a Demência quando, em um indivíduo que teve o desenvolvimento intelectual saudável, ocorre a perda ou diminuição da capacidade cognitiva, de forma parcial ou completa, permanente ou momentânea e esporádica. Dentre as causas potencialmente reversíveis estão disfunções metabólicas, endócrinas e hidroeletrolíticas, quadros infecciosos, déficits nutricionais e distúrbios psiquiátricos, como a depressão (pseudodemência depressiva).(...)"


via Wikipédia.

2010-04-12

Os partidos enquanto espaços de discussão.


quadro via Ultraperiferias



"(...)Um partido que é dialogante, aberto à pluralidade de opiniões, e à sociedade civil, defensor da moderação e da convivência pacífica entre homens de credos e raças diferentes, herdeiro da tradição universalista portuguesa que é estruturalmente avessa a qualquer tipo de xenofobia(...)" in sítio do PSD

Irónico que numas eleições directas quatripartidas, na Madeira em 11 concelhias, Rangel (escolha do Líder Supremo) tenha obtido o pleno em 8 concelhias (!?!). Bem ao estilo disto. É a pluralidade dos partidos políticos no seu melhor.

2010-03-30

constantando o óbvio (sem necessitar de ser espião secreto)


imagem via Pensar Custa




"James Bond: [looking at the tattoo on Magdas back] What is that?
Magda: Thats my little octopussy".





2010-03-05

num elogio (d)à Loucura



"(...)Alberto João Jardim disse ainda que defendeu a realização deste congresso por achar "que é preciso o PSD esclarecer muita coisa sobre a sua natureza: é um partido de esquerda, de centro ou de direita? Temos de esclarecer, para mim é de centro. É uma social democracia de tendência socialista, como as nórdicas, ou é de tendência de centro de raiz mais social cristã baseada no personalismo da doutrina social de Igreja católica? Federalista europeu ou de primado nacional? Quer a regionalização do continente ou não? Aceita maior autonomia para Açores e Madeira? Admite rever a Constituição ou quer ser situacionista? Estas questões têm de ser discutidas dentro do PSD, porque a confusão que vai dentro do partido sob o ponto de vista doutrinário é total”.

in público.pt

Num dos raros momentos de concordância (dado o meu distanciamento ideológico), torna-se engraçado constatar que Jardim, muitas vezes catalogado (e com razão) de desbocado e inconsequente pelos seus próprios pares partidários, acaba por ser dos poucos que diz que há muito era visível: mais que discutir líderes, sem uma definição ideológica, o PSD nunca poderá almejar vir a ser uma verdadeira alternativa, prolongando o habitual paradigma de alternância (já algo gasto e decadente olhando às recentes notícias surgidas nos media, algo que começa a transparecer para o público - basta olhar a notícias recentes ou ler as conclusões recente estudo de André Freire, José Manuel Viegas e Filipa Seiceira - corporizado num livro recentemente lançado, que adquiri ontem) , ficando o dito partido refém que o outro partido de poder caia em desgraça. Apenas sugere razão a quem indica que em Portugal, não se ganham eleições. O outro lado é que as perde.


2009-12-29

Brinquinho do Alberto vs Harpa de Nero



imagem D*Face



in publico.pt


Já agora, se porventura não fosse incómodo, que tal procurar um modelo alternativo de desenvolvimento e governação?

Olhando ao recente Orçamento da Região Autónoma da Madeira para 2010, onde mais uma vez as despesas afectas a infraestruturas nada sustentáveis [e na maior parte das vezes com claros propósitos eleitoralistas - nem falo da parte das receitas extraordinárias previstas], são uma parte de leão do mesmo, não sei até que ponto as consequências futuras da prossecução desta autêntica política suicida, não hipotecarão o futuro das gerações vindouras.

O círculo aparenta estar a apertar-se [recorde-se exemplo de notícia da entrega de escolas e equipamentos de saúde como garantias bancárias para conseguir empréstimos para pagar despesas correntes] e as claras insuficiências deste modelo são cada vez mais notórias. Já aqui escrevi que em política, o comum eleitor tende a não ter uma perspectiva a médio-longo prazo, recompensando politicamente muito a existência de obra, ou seja algo em termos palpáveis e visíveis - como o são betão e cimento. Os alertas para as consequências do arrastar deste tipo de modelo, já há muito eram conhecidos [existem estudos efectuados para o GR desde o início da década por parte de consultores], pelo que apenas se pode deduzir que apenas os ganhos políticos e a lógica da auto perpetuação política apenas estarão a justificar a insistência neste modelo.

Tendo em conta isto e prevendo-se o pior, já aqui dei conta que será engraçado saber como será retratado e relembrado este período, pelos próprios madeirenses daqui a 10 anos.

Já agora e em jeito de conclusão, não resisto a arriscar uma profecia qual Nostradamus. Não passarão muitos anos até introduzirem portagens na Via Litoral. Já esteve mais longe.

2009-11-17

A política da Terra Queimada






"Aperta-se o cerco à freguesia de Gaula. Depois da sede da Junta de Freguesia de Gaula ter mudado de instalações dez dias após as eleições autárquicas que colocou o movimento de cidadãos 'Juntos pelo Povo' (JPP) na presidência da Junta de Freguesia local, agora é o Governo Regional que decide cancelar duas obras que estavam previstas para Gaula(...)"

in DN-Madeira


Pese as devidas diferenças, a fazer lembrar o bloqueio de Berlim. A política da terra queimada no seu melhor.






2009-09-10

Pequeno apontamento acerca do "Fuck Them"


Com duas palavras apenas, AJJ lançou bases para uma alternativa ao fleumático Oxford English Spelling. Estará na calha um Berardo English Spelling?

Pelo estilo e falta de decoro apresentados, devo dizer que adequava-se muito bem.

post scriptum: incrível como esta reacção passou quase incólume aos olhos da CS nacional. É aprova que muitos dos dislates de AJJ são vistos e entendidos à distância, como uma questão de estilo ou pior uma questão cultural olhando às características da ilha. E isso é grave.

2009-04-18

It's Politics, Stupid!

"Não vou ser candidato"
"Ao fim de 10 anos de trabalho no Parlamento Europeu, não faz muito sentido que quem foi na última eleição em quinto, seja agora oitavo"
"Não aceito a lei da paridade como justificação. Não é suficiente para atribuir ao PSD-Madeira esse lugar"
Sérgio Marques dixit


"(...)"Já está resolvido. O candidato ao Parlamento Europeu, no mesmo 8º lugar, é o senhor dr. Nuno Teixeira".
"Não quer um, vai outro. A única pessoa importante neste partido sou eu".
"Não, ele disse-me agora antes de começar a Comissão Política. Não aceita, também não peço nada a ninguém. Surpreendeu-me pela maneira de ser dele (Sérgio Marques). Não o julgava capaz disto"(...)"

AJJ dixit


A surpreendente recusa de Sérgio Marques de integrar as listas do PSD às europeias em 8ºlugar [nas últimas eleições foi eleito em 5º], depois de ter sabido via Comunicação Social que era este o lugar que lhe era destinado, conforme tem sido aventado nos órgãos de comunicação sociais e na blogosfera madeirense, merece uma leitura algo mais profunda do que à primeira vista possa parecer.

Sérgio Marques é reconhecidamente, e num puro exercício de sondagem sem qualquer tipo de rigor científico, um dos nomes laranjas cujo trabalho e capacidade de iniciativa não é posta em causa dentro das hostes laranjas regionais, tendo o eleitorado opositor geralmente uma uma boa imagem da sua prestação política.

O facto de estar há 2 mandatos exilado na Europa, logo longe quer da vida política regional, quer do desgaste de imagem que a mesma produz, aliado à boa publicitação do seu trabalho - é dos deputados laranjas que mais investe nesta área, em especial na área das novas tecnologias - dos primeiros a estar na blogosfera, usa redes sociais para contactar eleitores [Facebook no caso], etc. - faz com que a imagem tida dele seja em geral positiva, não havendo grandes máculas sobre a sua imagem.

Numa primeira leitura simplista, face às palavras caústicas de Alberto João Jardim confrontado com a recusa, poderíamos considerar que Sérgio Marques tenha assinado a sua certidão de óbito político, pelo menos no seio do PSD-M, devido à "heresia"de ter ousado enfrentar o líder. Uma pessoa menos atenta à vida política na Madeira, pode achar que estou a exagerar, mas convém recordar que Jardim nunca foi grande adepto de debate interno ou de muitos desvios à ortodoxia da sua palavra.

Por outro lado, outra leitura possível, poderá indiciar esta recusa como uma simples tomada de posição por parte do deputado, que não tendo satisfeito as suas ambições, resolveu tomar uma atitude de força no calor do momento.

Há no entanto diversas nuances que me fazem explorar um outro prisma. Sérgio Marques, como qualquer político, tem as suas ambições e era público [em entrevista recente] que veria com bons olhos a ideia de poder no período pós-Jardim. Por outro lado, temos de considerar o facto de o poder e a alternância do mesmo, ser motivado, pelo menos em Portugal, não por uma vitória da oposição, mas sim pela erosão governativa do partido no poder. Tendo em mente estas duas premissas, num exercício de pura especulação, poderíamos ser levados a pensar que os factos que nortearam esta abrupta decisão poderiam ter mente uma estratégia com horizontes mais latos.

Isto porque com esta decisão e a aparente proscrição (a nível regional), o mais engraçado nesta situação é o facto de Sérgio Marques poder vir a obter a médio-longo prazo enormes ganhos políticos com esta medida, beneficiando com isso o PSD-M. Confusos?

Num cenário de liderança pós-Jardim, Sérgio Marques com esta recusa e pelo facto de perante os olhos da opinião pública, ter afrontado Jardim, pode constituir para o partido uma possível alternativa ou alternativa de reserva, isto quando o jardinismo (ou o que restar dele) deixar de ser a matriz agregadora do partido ou o eleitorado madeirense já não ser sensível ao peculiar estilo de retórica e mensagem.

Em termos de calculismo político, esta poderia ser considerada uma manobra arriscada - sabendo-se que o manancial de apoio do jardinismo é bem grande, a gratidão dos madeirenses é (irracionalmente e inexplicavelmente) devota e o aproveitar da sua imagem e memória, que após a sua retirada serão concerteza explorados e darão votos ao partido laranja pelo menos durante algum tempo.
Mas dado que nada é eterno, quando a alternância estiver na eminência, Marques estaria salvaguardado, aparecendo aos olhos do eleitorado laranja, como uma opção recta e imaculada (vinda fora do sistema), que soube se manter à parte, seja do possível lavar de roupa que previsivelmente se seguirá no interior do partido (e que já aparentemente já decorre - os indícios são muitos), seja das conotações menos claras com o período jardinista.
Marques funcionaria assim como o às de trunfo, num cenário de iminente alternância num contexto eleitoral difícil.

Claro que esta análise tem muitos "ses" e face ao publicamente propalado, não creio que tenha havido este tipo de visão política a longo prazo - estão escritas muitas determinantes não controláveis. Aliás, as próprias ambições a curto-prazo do candidato, ficariam algo lesadas, podendo a sua imagem pública ser afectada (como deverá previsivelmente ficar).
No entanto, não deixa de ser engraçado como uma medida que aparentemente é uma mera tomada de força, poderia no entanto se revestir de uma medida com extrema astúcia e argúcia. Será a análise assim tão descabida e fictional?

2009-04-17

Espelho meu...


"(...)"É uma lei nazificante, de iniciativa fascista e que pretende calar a imprensa de vários quadrantes políticos e não apenas o ‘Jornal da Madeira’", referiu à chegada ao Aeroporto Internacional da Madeira.
Para João Jardim, "é uma lei que é um braço de ferro do ministro nazificante com a liberdade de imprensa em Portugal".

"Isto ainda vai dar muita luta mas há uma coisa que vos garanto. O ‘Jornal da Madeira’ vai sair nem que a gente vá todos presos", disse.

"A autonomia chegou a um momento que precisa de mártires para dar os saltos seguintes e, eu, aos 66 anos já não me divirto muito cá fora, já posso ser preso político, já posso fazer o papel de mártir"(...)"

in público.pt

As declarações de uma pessoa que sempre prezou pelo pluralismo e pela diversidade de debate e de opiniões. De uma pessoa que era um reconhecido opositor ao anterior regime. Da pessoa que sempre primou pelo respeito à memória da revolução de Abril. Do verdadeiro democrata no sentido liberal do termo (defensor do primado do direito e da defesa das minorias). Do paladino da liberdade que recebeu oficialmente aquele baluarte sul africano dos direitos humanos e defensor máximo da reconciliação entre os povos de diferentes raças e credos chamado Pieter W. Botha...

2009-02-16

A propósito da Venezuela, notas sobre o referendo...


"(...)Outro facto que ressalvou desta entrevista, foi a (demais conhecida) veia populista de AJJ. Nem falo pela postura de apelar directamente portugueses, falando com desdém da restante classe política, estabelecendo assim uma ligação de simpatia - explorando um sentimento comum ao português médio.
Falo da sua insistência na mudança, por referendo, de regras contidas na Lei Geral do país. Diz que não entende o porquê de estas não serem passíveis de mudança. Creio que não é necessário explicar a diferença entre a democracia representativa e a directa - Benjamin Constant no início do séc. XIX faz uma excelente analogia entre " A Liberdade dos Antigos comparada com a dos Modernos". Nem explicar o fim trágico que a República de Weimar teve e o autêntico plebiscito que levou Hitler ao poder. Ou demonstrar como o argumento da Lei das Finanças Regionais e o apelo ao voto de protesto contra Lisboa, inquinou e afastou qualquer tentativa de discussão de programa de governo (desconheci se o PSD-M apresentou algum), afinal o que estava em jogo nas regionais de 2007.(...)"

in desbobina [16-01-2009)

Chavéz mais 10 anos. Por cá Alberto João Jardim (AJJ), Mesquita Machado, Fernando Ruas, Valentim Loureiro e outros tantos caciques há bem mais de 20 ou 30 anos...nem me dou ao trabalho de referir a ironia da questão, nem aos similares métodos de captação de votos que são empregues.
Importa sim chamar a atenção para uma ideia defendida por AJJ, aquando da [espécie de] entrevista de Mário Crespo [que escrevi na altura aqui neste espaço - ler excerto em cima]. Queria alterar a constituição de modo a poder referendar príncipios contidos na Constituição da República Portuguesa (CRP). O ocorrido na Venezuela, serve apenas para exemplificar um de malefícios que daí poderiam redundar.

Mas não nos fiquemos por aqui. Permitam-me uma pequena nota antes da reflexão propriamente dita. Leio muitos clamores na imprensa e em comentários, contra este referendo de Chávez, quer criticando a validade do mesmo, quer criticando a insistência por parte do dito líder no assunto [é já uma segunda consulta popular sobre o tema].
Então que dizer do Não irlandês ao Tratado? Não estará em vista um segundo referendo? Não haverão, por parte da Comissão, inúmeros apoios, benesses e clausulas "opting-out" tendo em vista a captação do Sim irlandês? No fundo o princípio não será o mesmo?

Olhando ao escrito, importa antes mais, reflectir sobre o referendo enquanto mecanismo de consulta popular. Tenho para comigo que o mesmo é um poderoso instrumento de averiguação da vontade popular, transportando a decisão de um nível superior para um nível ao alcance real dos cidadãos.
No entanto, há que ter em conta que a aplicação do mesmo tem de respeitar certas premissas.

Em primeiro lugar, sou mais apologista do uso deste em matérias e questões locais ou municipais, isto porque cognitivamente e identitariamente as questões efectuadas estarão á partida ao alcance do eleitor comum [que recorde-se, por norma, apenas possuí um enfoque a curto prazo muito focado na sua perspectiva individual e dos seus que o rodeiam].

Em segundo lugar, as próprias questões que são submetidas a referendo têm de ser bem ponderadas e estruturadas para que possam ser compreendidas pelo eleitor. Isto, porque se este não perceber bem o alcance do que é referendado, corre-se o risco do mesmo poder ser aproveitado por certos sectores damagogicamente, ou ser instrumentalizado para a obtenção de algum fim [daí o cuidado com as perguntas, que paradoxalmente acabam por se tornar inteligíveis para o eleitor comum].

Acredito e aceito plenamente o referendo nacional em matérias de costumes. Acredito que a sua banalização enquanto instrumento de consulta popular em questões locais ou municipais, daria um importante acréscimo à natureza democrática da gestão municipal - para além do óbvio ganho em termos de aproximação eleitor-eleito, quer pelo "empowerment" cívico que se geraria.
Mas olhando ao que escrevi em cima, ao contrário do sr. Jardim, considero negativa a ideia de referendar normas constitucionais [no caso da regionalização torna-se um imperativo constitucional - vide artigos 255º a 262º]. Isto porque os eleitores comuns não iriam entender o alcance do que era proposto a referendo. O risco de instrumentalização e de manietação dos reais alcances do que era proposto seriam enormes, tal como se verificou na Venezuela.

2009-02-14

Mário Crespo: Um ex bom jornalista...

1972, Mário Crespo (à esquerda) e o capitão (agora major) Mário Tomé



Na foto, substitua-se Mário Tomé por Alberto João Jardim -não tenho pachorra para fazer montagens- e essa será porventura a melhor metáfora imagética da entrevista da sic...



A propósito de um post abaixo publicado no desbobina, Mário Crespo assaltou-me o pensamento. O indivíduo está demasiado interveniente políticamente em relação ao que a matriz ética e deontológica do jornalismo o deveria permitir... E fá-lo, por um lado, catapultando ou servindo de rampa para certas figuras, como a abominável e cúmplice entrevista a João Jardim, e por outro lado, atacando inequívocamente Sócrates e os seus pares em artigos de opinião.

Pondo de parte o facto de eu próprio ser um acérrimo crítico de Sócrates e portanto até concordar em muitos pontos do artigo de Crespo, a verdade é que o referido artigo vem pôr a nú o jornalista e, com isso, certas atitudes e falta de profissionalismo recentes têm agora um enquadramento político evidente.

Lembro-me perfeitamente do clima de subserviência e adulação militar com que conduziu (ou melhor, com que foi conduzido) a entrevista a Jardim e, principalmente, aquelas constantes palmadinhas nas costas entre ambos. Agora parece-me evidente que Mário Crespo nada teve de ingénuo ao não colocar as questões verdadeiramente pertinentes na mesa...

2009-02-09

O legado


"(...)uma linguagem sectária e um estilo trauliteiro ao estilo de Alberto João Jardim".

Luis Fazenda comentando as polémicas declarações de Augusto Santos Silva.

À parte de qualquer consideração sobre o teor das declarações, é curioso notar nesta frase o verdadeiro legado de AJJ após anos e anos de declarações desbocadas...

2009-01-27

A birra


Leio no Ultraperiferias da autoria de Luís Filipe Malheiro [pessoa próxima das cúpulas dirigentes do PSD-M]:

"Entretanto, e em consequência de diversas decisões tomadas pelo representante da República, a última das quais relacionada com o recurso para o Tribunal Constitucional da alteração à Lei orgânica da Assembleia Legislativa, que aumentava as verbas a atribuir aos partidos – documento que foi declarado inconstitucional, abrindo uma enorme dificuldade na gestão do processo por parte da maioria – a que se juntam outras ”omissões”, particularmente no “exercício do seu papel de ponte entre a Região e a Presidência da República”, estou em condições de garantir que Alberto João Jardim deverá comunicar nessa reunião da Comissão Política do PSD que Monteiro Dinis deixou de merecer a sua confiança política, e que tal posição será (ou foi?) comunicada a Cavaco Silva (...)"

Parece que a patética insistência num decreto que ultrapassa os limites moralmente aceitáveis, olhando à situação que que se vive, continua a dar que falar sem que o PSD-M dê uma explicação fundamentada sobre isso.

Monteiro Dinis, para espanto de todos, resolveu começar a exercer "de facto" as suas funções e neste caso, face à ilegalidade perpetuada [mais uma], a única opção passível era enviar o documento para o Tribunal Constitucional.

E o que recomenda AJJ nesta situação?

Faz mais uma birra e resolve retirar a confiança política ao representante, prevendo-se que volte a sua retórica colérica contra este num futuro breve. Enfim, nada que já não tenhamos visto. Mais uma demonstração do espírito democrático e do sentido de estado de AJJ.

2009-01-16

Embuste

Creio que é a melhor palavra que tenho para caracterizar a entrevista que Alberto João Jardim concedeu na passada segunda, no novo programa de Mário Crespo.
E digo isto, face às honras publicitárias prévias que o programa teve.
Olhando ao referido, de repente assistia-se à elevação de Mário Crespo - curiosamente alguém que ultimamente ora é conotado com o partido do poder [vide crónica de sábado do jornal Público do crítico Eduardo Cintra Torres], ora é conotado com o partido social democrata [já foi convidado para sessões da universidade da JSD, como vi escrito em muitos blogues] - a um patamar semelhante à escala portuguesa de um Larry King ou de um Dan Rather no seu "60 Minutes"!

Tinha para comigo, que Crespo era um jornalista que se preparava bem para este tipo de entrevista e olhando que do outro lado estaria o meu conterrâneo Alberto João Jardim (AJJ), resolvi ver o dito programa.

Há que referir que a escolha não é inocente. AJJ, além de por vezes ser politicamente incorrecto e não ter decoro em dizer o que lhe vai na alma, tinha recentemente dado um prazo de clarificação a Manuela Ferreira Leite, a impopular - olhando às mais recentes sondagens - líder dos sociais democratas, deixando a percepção entrelinhas que uma possível candidatura à liderança nacional poderia ser possível. Considerando-se a actual situação do maior partido da oposição a nível nacional e tendo em conta que com este entrevistado, as declarações bombásticas poderiam aparecer do nada, nada melhor que este entrevistado como chamariz de audiências, podendo ainda Crespo vir a demonstrar que a fama que recaía sobre si não era descabida.

Nada mais falso. Creio que a grande supresa desta entrevista, foi o carácter quase amador com que o jornalista preparou a mesma. Bem sei que o ênfase dado à mesma incidia sobre a questão da liderança nacional do PSD - e a necessidade de conseguir uma disponibilidade de AJJ para a mesma, mas reduzir toda uma entrevista a este tema, passando depois para aquestão da revisão constitucional, passando por cima de quase toda a temática regional - à excepção da Lei das Finanças Regionais, denota uma falta de preparação de bradar aos céus.

Depois, sabendo-se que todo o entrevistado gosta de ter um certo controlo sobre a entrevista e o rumo que a mesma está a ter, Crespo ingenuamente deixou-se guiar, esgotada a temática acerca da liderança do PSD nacional, por AJJ de uma forma que transformou o programa num palanque autêntico, não dispondo de armas - por aparente falta de preparação - para efectuar perguntas interessantes que obrigassem AJJ a ter que rebater.

Não se pense que AJJ saiu bem na foto. Mesmo sabendo que no rectângulo, não dispõe do capital de apoio que tem na ilha - muito longe disso, enfim consequência de guerrilhas passadas - AJJ tinha aqui uma oportunidade para se "imacular" transmitindo assim uma imagem de opção credível para o resto do país.

Bem sei que o "timming" político não é considerado o melhor e neste momento, a liderança do PSD não deverá ser um dos cargos partidários mais apetecidos do país, mas o facto de deixar vincado que apenas avança sem oposição, apenas ajuda a consolidar a imagem de homem autoritário, que no rectângulo têm de si. Isto para não falar, nas forças de bloqueio que no interior do partido, o têm impedido de avançar (!?!) - enfim o habitual inimigo invisível.

Os portugueses por norma, devido à baixa confiança da sua sociedade, gostam de lideranças fortes com o seu q.b. de determinação - vide o elogio dado a Sócrates no início do seu mandato. No entanto, os 48 anos de ditadura ainda estão frescos na memória e a veiculação e insistência apenas nesse aspecto - a roçar o autoritarismo - ainda para mais com todo o historial de dislates de AJJ, nada de positivo traz.

Digo isto, porque AJJ demonstrou nesta entrevista, ser uma pessoa avessa à diversidade e à discussão ideológica dentro do partido - esquecendo-se que nada é imutável e que a adaptação a novos paradigmas é imperativa - não considerando avançar contra mais candidatos. Ou seja, esperando que haja consenso à sua volta e que a eleição seja apenas uma mera formalidade.

Politicamente, o PSD, partido com uma imensa vocação de poder, atravessa uma enorme crise, e isto em parte porque o PS ocupou parte do seu espaço natural ao centro. Aceito que provavelmente uma liderança forte, seria necessária para voltar a unir o partido - que para além de reunir diferentes sensibilidades, umas em contradição com outras como AJJ bem indicou, carece de uma certa fundamentação e adequação ideológica, ao contrário do que acontece com o PS.

No entanto, esta união, nunca pode acontecer assim, num quadro de mera aclamação. Terá imperativamente de haver uma clarificação ideológica do que é este PSD e para tal terá que haver debate e discussão, o que pode não se coadunar com os calendários eleitorais vizinhos, nem com os interesses pessoais de muitas facções no partido - entre as quais o PSD-M.

Outro facto que ressalvou desta entrevista, foi a (demais conhecida) veia populista de AJJ. Nem falo pela postura de apelar directamente portugueses, falando com desdém da restante classe política, estabelecendo assim uma ligação de simpatia - explorando um sentimento comum ao português médio.
Falo da sua insistência na mudança, por referendo, de regras contidas na Lei Geral do país. Diz que não entende o porquê de estas não serem passíveis de mudança. Creio que não é necessário explicar a diferença entre a democracia representativa e a directa - Benjamin Constant no início do séc. XIX faz uma excelente analogia entre " A Liberdade dos Antigos comparada com a dos Modernos". Nem explicar o fim trágico que a República de Weimar teve e o autêntico plebiscito que levou Hitler ao poder. Ou demonstrar como o argumento da Lei das Finanças Regionais e o apelo ao voto de protesto contra Lisboa, inquinou e afastou qualquer tentativa de discussão de programa de governo (desconheci se o PSD-M apresentou algum), afinal o que estava em jogo nas regionais de 2007.

A maneira como passou por cima da questão do endividamento das Sociedades de Desenvolvimento, dizendo-se adepto de uma escola orçamentista que preconiza o investimento criando condições para o retorno, sem que Crespo fizesse alguma contraposição indicando os flops por demais conhecidos, foi a meu ver caricato. Ou o desconhecimento do nome Passos Coelho.

No fundo, a aparente sentimento de atrapalhação que Crespo muitas vezes demonstrou aliado à sua falta de preparação - e nisso creio que os madeirenses tiveram muito mais noção disso que os restantes portugueses, dado que a entrevista teve um enfoque muito nacional - acaba por condicionar muito esta entrevista.

Ainda que AJJ apontasse algumas falhas que até eu e muitos que não sendo necessariamente da sua área política, apontam - a excessiva dependência dos partidos (a questão da partidocracia), a necessidade de renovação de quadros, a necessidade de redefinição ideológica do maior partido da oposição (e um dos dois partidos de poder em Portugal) com a constituição de uma verdadeira alternativa diferente, não considerei que esta entrevista trouxesse nada de novo.

Para Crespo esta foi uma saída em falso e terá que corrigir muitos aspectos para a próxima. Calculo que aos olhos da opinião pública nacional, a sua prestação não tenha sido assim tão má, mas conhecendo-se a realidade madeirense, mesmo descontando que o ênfase da entrevista teria que ser nacional, não se pode reduzir a preparação a um ou dois aspectos, descurando muitos outros - que para azar do entrevistador, pelo decorrer da entrevista, até faziam sentido ser muito mais explorados.

Para AJJ, para além de ter deixado vincado que não é alternativa sem largo apoio, ter deixado vincado que a participação e debate não são primordiais em relação ao "ganhar eleições" - nem que para isso se sacrifique um dos pilares da cultura democrática, ter eleito Sócrates como inimigo público nº1 - numa obsessão que daria azo a um outro longo "post", acaba por repetir os mesmos argumentos já algo gastos que tem vindo sempre a proferir. Prova foi que o único facto novo que poderia ter algum impacto - a afirmação de que estaria disponível para líder nacional do PSD, porventura o "leitmotiv" de toda a entrevista - ao não ser proferido e sendo inclusivé negado, fez com que a repercussão da mesma nos meios nacionais fosse meramente residual.

Sabendo que o discurso habitual já não "cola" e quando todas estas incidências se conjugam, face à expectativa criada, creio que fica justificada a minha escolha de título, ao fim ao cabo o sentimento que prevaleceu no fim, face às prévias expectativas criadas pelo programa.

O Aurélio Pereira da política...

"Ele é um homem muito inteligente, muito perspicaz, muito indutivo. Ele tem todas as qualidades para, a partir dos 40, ser um grande político."

Alberto João Jardim, em reacção à eleição de Cristiano Ronaldo, numa avaliação à olheiro antevendo o futuro...teremos um novo delfim na calha?

Post scriptum: o que vale é que nessa noite, todos os disparates eram tolerados...então o aproveitamento político, chamando a si os louros, pela aplicação da política regional no sector do desporto, é de bradar aos céus, sabendo-se que a sua formação na sua parte de leão é feita fora da região, de onde saiu bem cedo...Esquece-se AJJ que Cristiano, nunca beneficiou verdadeiramente desses "investimentos", aplicados em abundânciamuito mais tarde, em termos infraestruturais ou esbanjados nas equipas principais no recrutamento de "carradas" de jogadores exteriores.

2008-12-05

Marionetas e o Arco

Alberto João Jardim numa vez referiu-se ao CDS-PP e ao MPT como as outras forças políticas da região que poderiam constituir o chamado Arco Autonómico e propunha ao seu sucessor o estabelecimento de pontes com estes partidos em caso de necessidade.

Na Rússia, pese a esmagadora maioria obtida pelo partido no poder - Rússia Unida - existem na oposição forças políticas que são pró-governo, não passando de meras marionetas do partido do poder, algo que acaba por em causa a qualidade da já de si "musculada" democracia russa.

Ao olhar à celeuma e aos episódios na qual tem estado envolvido João Isidoro nos últimos dias, não sei porquê este modo de actuação na actual Rússia veio de repente à minha cabeça...