Aquele que era considerado o ser mais raro do mundo morreu.
Lonesome George, uma tartaruga gigante das Galápagos, o último sobrevivente da subespécie "chelonoidis nigra abingdonii" morreu.
Ainda jovem. Com a redonda idade de 100 anos. De enfarte cardíaco. Na flor da idade, dizem os biólogos.
Pior do que isso, "Jorge Solitário" - o persona de engate que metodicamente tinha criado (dizem que as miúdas não resistem a um bom sotaque espanhol...) - morreu sozinho. Pobre Jorge.
Vindo dum sítio com Pinta, da ilha com o mesmo nome situada no arquipélago das Galápagos, muitos esforços tinham sido feitos para Jorge juntar os trapinhos. Desde há décadas que tudo e mais alguma coisa era feito. Suponho que no início com saídas a 4 com algum casal amigo. Numa fase muito mais avançada, imagino que recorrendo a agências de encontros. Ou pior, em desespero, já nos últimos anos, investigadores que se diziam amigos, oferecendo 10.000$ a quem encontrasse uma parceira compatível. Ao nível que estes supostos amigos chegaram. A oferecer dinheiro? O Jorge não precisava destas ajudas. Considerava-se viril o suficiente. Tanta pressão no rapaz... Como se não tivessem confiança no Jorge.
Houvesse ao menos algum Santo António que naturalmente valesse a George.
Esta mudança de nome não é em vão. A verdade é que Jorge na maioria das vezes era simplesmente George. O fleumático e muito british George. Muito distante. Muito senhor de si. Frio. De coração de pedra. Sem querer se imiscuir com a dita plebe.
Pese no seu íntimo, desejasse ter o "salero" de um Jorge. Ser um galã como um Jorge. Confiante. Seguro. Quente. Uma espécie de Lucky Luck do amor. Disparando e partindo corações com o seu seis balas.
Mas não. O pobre do George recusou sempre as parceiras que lhe impuseram. Suponho que por princípio. Então tem um homem um esquema já preparado e estão sempre a lhe chatear com parceiras impostas?
Não admira que o rapaz andasse sobre forte pressão e não conseguisse "manejar o pacote" - entenda-se conseguir que alguma Rosarito ou alguma Guadalupe chocasse os ovos.
Em 2008 e após muito custo lá aceitou sair com a primeira. Não era das suas, dizia com laivos de alguma xenofobia. Não o fazia por mal. Ele no fundo era bom rapaz e convém ter em conta que os silogismos de Darwin, são um quase-dogma que nunca é questionado.
No entanto e ainda que fazendo um grande frete, conseguiu gerar 13 ovos, número que talvez prevendo o insucesso e má vontade de tal cruzamento, acabou por redundar em nenhum ovo viável.
Bola. Nada. Niente.
E com Guadalupe, uma morena com carapaça violão, uma latina bem quente que já achava bem mais aprazível, novo falhanço numa segunda tentativa. 5 Disparos. Todos com pólvora seca.
Alerta, alerta! O sinal vermelho de alarme soou então na cabeça do até aí impassível George.
Agora já não era tanto uma questão de querer ou não querer. Parecia que não conseguia. E para ele passara a ser uma questão de honra. Via-se realmente sozinho.
Ansioso e porventura pressionado, George volta-se para escapes fácil. Como um Dalton, passando por zonas bem pardas. Ou melhor, mesmo escuras.
Álcool, muito álcool. Jogo, estoirando balúrdios em corridas de cavalos marinhos. E para compor o ramalhete, muitos psicotrópicos e estimulantes, que não pelo contrário não lhe melhoraram a situação, acabando por o arrastar para uma espiral ainda mais depressiva. Que em última instância acabou por fazer ceder seu frágil coração.
No entanto, creio que esta não será a forma como George gostará de ser recordado. Creio que gostaria de passar à posteridade, visto não como um Dalton, mas sim como um Lucky Luck. Um Jorge Luck. Alguém que desaparece no horizonte, sozinho é certo, mas fiel aos seus princípios. Mesmo com todos os defeitos, com a consciência que sempre viveu de acordo com o que achava justo. Levando consigo toda a honra de uma subespécie.
"(...)I'm a poor lonesome cowboy But it doesn't bother me 'Cause this poor lonesome cowboy Prefers a horse for company Got nothing against women But I wave them all goodbye My horse and me keep riding We don't like being tied(...)"
Artigo 41.º Liberdade de consciência, de religião e de culto
(...) 4. As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto. (...)
Sem negar a herança cultural e a preponderância que a Igreja Católica tem na sociedade portuguesa, não é o nosso país um que à semelhança de tantos outros na Europa Ocidental, se auto-define como laico e não confessional?
Assim sendo, se há que cortar feriados - medida que na verdade é terá uma eficácia e uma vantagens económica algo dúbia - o lógico seria cortar alguns do feriados de índole confessional que existem no calendário. Pensei eu. Mas não.
Porquê manter feriados religiosos como o dia da Assunção, o dia do Corpo de Deus ou o dia de Nossa Senhora da Conceição? Designações que ditas desta forma nem são perceptíveis pela maioria dos cidadãos, isto se não associar o 15 de Agosto, uma 5ªfeira normalmente em Junho ou o 8 de Dezembro - o que indicia o quão irrelevantes eles significam nos dias de hoje.
Quando o próprio regime não estima nem cuida da sua própria memória e do seu passado, isso transparece um sinal nada abonatório, que em última instância faz pressupor que o seu futuro não será nada risonho.
Natal com bacalhau? O bacalhau do português que se preza chama-se atum!
Sim, porque o bacalhau tem que vir da Noruega, da Mongólia e da Terra Nova, ao passo que o atum está aqui mesmo à mão de semear; é nosso. Vai-se ali à Cruz Quebrada, ou à Trafaria, e pimba! Adiante: o Natal do bom português é regado com atum. Em cinco postas de se lhe tirar o anzol! Venha saboreá-lo na noite em que o teleósteo de cinco patas é mais nobre – a noite da consoada. Isto é ponto assente.
O Cabaret Maxime abre as suas portas – aliás, escancara as suas portas – para receber todos os aventureiros que rejeitam a peúga e o bacalhau de sempre, que isso da consoada em família é para meninos. O verdadeiro espírito natalício do séc XXI passa por largar a família, as peúgas, o bacalhau, o Malato e a Popota, e mergulhar nos prazeres da lasca, da posta, do tinto e do branco, e – obviamente – do atum!
A pensar nisso – sempre à frente do seu cardume – os Corações de Atum, banda revelação de 2010, recebem todos os amigos – e até os inimigos, pois é Natal – no presépio do Maxime, depois da meia-noite!
Venha ver o que é bom para a gripe. Compareça – traga as amigas, claro – e nataleça! A não perder...
É nesta fase que o creme é transformado em manteiga. A ação mecânica de se bater o creme faz com que os glóbulos de gordura se agrupem liberando o leitelho (soro da manteiga)."
Newton de Alencar - "Manual do produtor de queijos, requeijão, manteiga, iorgurte e doces de leite" [encontrado numa estante de um qualquer café lisboeta]
Por vezes fico com a impressão que certas receitas milagrosas, provêm dos sítios mais insuspeitos.
[Harry Callahan] "I know what you're thinking. "Did he fire six shots or only five?" Well, to tell you the truth, in all this excitement I kind of lost track myself. But being as this is a .44 Magnum, the most powerful handgun in the world, and would blow your head clean off, you've got to ask yourself one question: Do I feel lucky? Well, do ya, punk?"
Ou conseguirá Mani suster todo este ímpeto com a sua brigada Hanseática constituída por Apfelsin e Pino, o porco e o chimpanzé estónios [porém nascidos em Amsterdão]?
Não perca. Muito mais que um simples jogo, toda a ética futurológica no reino animal pode ficar definida hoje. Como se uma bola de cristal se tratasse. Ou neste caso um balde de ração.
Pumbaa: Hey, Timon, ever wonder what those sparkly dots are up there? Timon: Pumbaa, I don't wonder; I know. Pumbaa: Oh. What are they? Timon: They're fireflies. Fireflies that, uh... got stuck up on that big bluish-black thing. Pumbaa: Oh, gee. I always thought they were balls of gas burning billions of miles away. Timon: Pumbaa, with you, everything's gas.