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2007-03-24

Civil War...


Em 16-12-2006* questionei-me que género de Portas teríamos desta vez. Julgo que a aura de salvador esbateu-se muito depois do polémico Conselho Nacional realizado em Óbidos no passado domingo...

O PP sempre foi um partido muito dependente do carisma dos seus líderes, indo progressivamente se esvaziando a nível ideológico, isto desde a saída de Freitas do Amaral. O elevado ascendente que os seus líderes têm na própria estrutura e no idealizar de matrizes é muito nocivo, pois acaba por não haver um fio condutor comum, não permitindo uma evolução progressiva...

É claramente um partido de interesses e desde a saída de Portas e o ascender de Ribeiro e Castro à liderança, encontra-se fraccionado entre uma ala democrata-cristã algo conservadora que detém a liderança e uma ala liberal algo esvaída de conteúdo de onde provêm os deputados do grupo parlamentar (a maioria)...

O choque era inevitável...Será que, após várias vezes ao longo da sua existência ter sido profetizado e anunciado a sua morte, este partido irá resistir a mais este choque?

Haverá cisão à vista?


P.S. Será que teremos um Portas Gangsta desta vez?**
**(ler Inimigo Público desta última sexta-feira...ehehe)

2006-12-16

Brumas de Alcácer-Quibir...



Paulo Portas, no já longíquo ano de 1993, a declarar e a jurar que nunca seria seduzido pelo poder...
Tal como no futebol, o que é verdade hoje, amanhã já não o pode ser...

Isto a propósito das movimentações que estão a ser feitas de forma a preparar caminho para mais um regresso triunfal de Portas à liderança do partido...E mais uma vez depois de um período de reflexão, onde habilmente assumindo a capa de opinion-maker, prepara o regresso passando a imagem de homem com sentido cívico...Se existe personalidade que nos últimos anos soube interpretar de melhor maneira a táctica de dar um passo atrás para avançar outros dois, esse homem é Paulo Portas*...

Ainda quinta-feira, a ala portista (favor carregar no O, para não haver confusões clubísticas) do partido lançou mais um sinal, quando Nuno Melo referiu que sentia falta da presença do D.Sebastião do PP à frente dos destinos do partido, numa crítica velada à falta de carisma e "appeal" de Ribeiro e Castro...

Depois do Portas "anti-sistema" dos tempos de arauto do Independente, do Portas Messias que foi consagrado em Braga (depois de ter minado a anterior direcção do partido), do Portas na primeira tentativa de AD e a famosa Vichysoisse, do Portas (versão Paulinho das Feiras) mostrando um lado mais popularocho, do Portas defensor dos reformados e dos antigos combatentes (com trabalho feito nesta última área reconheça-se), do Portas versão Homem de Estado (ministro da Defesa e depois do Mar, numa cerimónia que ficará nos anais da história como das mais absurdas que houve) e finalmente do Portas rosto do partido sexy e liberal, que género de Portas teremos agora?...

Goste-se do estilo ou não, podendo por exemplo criticar a excessiva preferência pela imagem em detrimento do conteúdo, mas a verdade é que este homem é das personalidade que mais se soube reinventar na cena política nacional nos últimos tempos. Um autêntico Maquiavel no sentido mais lato...

Ao invés, Manuel Monteiro continua a sua longa travessia no deserto, após a saída do PP, não tendo ainda encontrado um estilo e o protagonismo que tanto anseia...Eis um exemplo de uma personalidade que não soube interpretar o recua-avançar que Portas tão bem sabe fazer...
Com a agravante que Paulo Portas aparenta ser a sua besta negra. Ainda hoje, Manuel Monteiro disse à comunicação social, no final de uma reunião do seu micro-partido: "Paulo Portas lidera um grupo que jamais deixará de utilizar o CDS a seu bel-prazer para servir os seus interesses"(o que aliás não deixa de ser verdade, mas a maneira ressabiada como é dita leva a pensar que os traumas ainda lá estão...)

*Cavaco e a sua longa transformação de tecnocrata em homem com sentido de estado e conciliador que o conduziu a Belém também é de realçar...