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2009-07-08

Como motivar o eleitor a votar? II


Na senda do anteriormente escrito [consultar 1º texto por AQUI ou ler dois posts abaixo deste], como incentivar a uma maior e mais consciente participação por parte dos eleitores?

Sou mais apologista do sistema de incentivos à participação. Obviamente não me refiro a questões monetárias ou algo do género (geraria dependências e fomentaria caciquismos), mas sim por exemplo, à atribuições de benesses de índole cívica, como taxas de IMI mais baixas consoante a maior participação ou outro tipo de medidas do género.

Obviamente que isto levanta desde já uma grande questão: Como garantir uma participação voluntária, sã e racional e não meramente à caça do benefício?
Existirá sempre esta possibilidade, mas também há que ter em conta que não existem sistemas perfeitos. No fundo é uma questão de avaliar se o que verdadeiramente interessa é uma participação mais abrangente ou por outro lado, é pretendido uma mais qualificada [de que em abono da verdade, não existem garantias para tal].

A questão da participação não se esgota meramente no acto em si, mas sim na qualidade da mesma. Aliás, há a percepção que se por um lado as sociedades actuais proporcionam um envolvimento maior dos cidadãos em organizações - criando e estimulando o envolvimento do mesmo na sociedade, por outro é visível que a qualidade da participação é bem pior. Ou seja, as pessoas envolvem-se em organizações, mas pardoxalmente [ou talvez não] tendem a ter uma atitude meramente passiva [em Portugal isso é bem visível].

Voltando ao tema, a motivação para a participação pode também decorrer do tipo de envolvimento que o sistema proporciona ao cidadão comum passivo. Não obstante todos os incentivos e cada vez maiores mecanismos à participação dos cidadãos, muitos tendem a ver isso, como algo que não é para si e deve ser deixado para outros. Preferem ser conduzidos que escolher o seu próprio caminho. Isto pode dever-se a inúmeras razões, mas aponto uma que creio ser forte: as pessoas não acreditam que possam fazer a diferença ou que o seu contributo possa dar origem a alguma mudança. Já aqui escrevi que o visão do eleitor reduz-se a uma perspectiva a curto-prazo focando os seus próprios interesses.

Assim todas as outras questões tendem a ser consideradas pelo eleitor comum, como algo que deve ser deixado para as elites no poder. Como se a política não tivesse como propósito, ser direccionada para o cidadão e como se este não pudesse efectuar nada para inverter este ciclo vicioso, aceitando tal facto como consumado.

Daí que importe verificar e ter em conta a questão da governança local e a relação com os eleitores.
Tenho vindo a acompanhar nos últimos tempos [de há um ano e meio a esta parte] o fenómenos dos orçamentos participativos em unidades administrativas territoriais (municípios e freguesias). Aliás, o tema tem estado na berra, desde que Lisboa lançou o seu orçamento participativo e tornou-se na primeira capital europeia a fazê-lo [sobre os OP está um texto na forja na minha cabeça há já largo tempo dada a dimensão e abrangência do tema]. Para o texto que escrevo, importa referir que sendo uma temática com várias abordagens, não existe uma definição uniforme de OP.

No entanto é aceite que trata-se de um processo que visa dar maior transparência à dminsitração pública local, aproximando os cidadãos da mesma, através da participação dos mesmos na discussão e decisão sobre gastos públicos, muito além do simples acto de votar. Ou seja, ao mesmo tempo que se fiscaliza e define as prioridades da administração, há igualmente um gradual envolver e efeito pedagógico sobre os cidadãos que toranam-se mais interventivos e mais cientes das reais barreiras e prioridades a tomar. E um dos grandes factores desmobilizadores que podem ocorrer após uma primeira experiência falhada é a ausência de feedback perante as propostas apresentadas. Ou seja, o cidadão ver que o seu contributo, ainda que diminuto, não foi levado em linha de conta.

Na definição que deixei, deixei ímplicito esta dualidade entre democracia participativa e democracia representativa. E obviamente estou ciente das diferenças entre as duas. - Benjamin Constant ainda no início do século XIX deixou bem vincado o porquê essa diferença - procurar discurso "Sobre a Liberdade dos Antigos Comparada com a dos Modernos".

Mas há que ter em conta que o bem comum deve essencialmente orientar-se para as necessidades dos cidadãos e deve sempre tentar englobar os interesses dos mesmos nas tomadas de decisão. Ou seja, para que a democracia representativa funcione bem, necessita de levar em linha de conta certos princípios da democracia participativa, não desperdiçando o enorme manancial e contributo que a sociedade civil pode dar.

Assim, pequenas experiências como esta, podem a meu ver [desde que bem estruturadas, explicadas, divulgadas, conduzidas e avaliadas] fazer imenso pelo acréscimo do nível de participação e envolvimento do cidadão comum, primeiro num base local, algo que depois é efectivamente transposto para um estádio superior, capacitando efectivamente os cidadãos e promovendo uma efectiva elevação da qualidade da democracia existente.

2008-07-07

Bomba-relógio


Volvidos 20 anos da tragédia do Chiado, um novo incêndio de grandes proporções volta a afectar um zona nobre de Lisboa. Segundo informações recolhidas, o mesmo terá começado num prédio devoluto situado numa rua contígua à Av. da Liberdade.

Olhando ao estado do parque habitacional da cidade (basta ver o estado de alguns edifícios existentes nas suas zonas mais emblemáticas) era algo que mais dia menos dia era previsível acontecer. E estimam-se que existam outros 75.000 "bombas-relógio" devolutos na cidade.

Vítima de sucessivas políticas municipais de curta visão, feitas de um modo sectorial e privilegiando a excessiva burocratização da máquina camarária (basta ver a quantidade de programas e empresas municipais criados), privilegiando certos interesses ao invés de se apostar numa efectiva requalificação e reabilitação do cada vez mais depauperado e abandonado centro da cidade (em 20 anos o concelho perdeu 32% da sua população com especial incidência para as freguesias situadas no centro), Lisboa tem adiado sucessivamente um verdadeiro e profundo debate acerca do tema. Basta olhar-se ao feito nas nossas congéneres ibéricas Barcelona e Madrid, e aí notamos o quão atrasado está a adopção de medidas integradas que permitam retirar o máximo de proveito de todas as capacidades que a nossa capital dispõe, olhando a cidade não apenas como um espaço físico em si, mas sim olhando também ao seu enorme capital social e às suas capacidades como espaço de troca e de intercâmbio de ideias e experiências.

Pena é que haja a necessidade de se bater realmente no fundo (seja através de cataclismos como é este caso, seja pela esgotada capacidade de endividamento da CML), para que haja um definitivo despertar de consciência.
Mas enquanto isso não é plenamente interiorizado, na cidade, muitas outras bombas lentamente fazem tic-tac, tic-tac, tic-tac...
P.S. Referir que pese o nosso "compagnon de route" deste espaço Bob viva a poucas centenas de metros da área afectada, a gerência deste espaço, garante que o mesmo se encontra bem e de boa saúde encontrando-se, na altura do respectivo contacto, a vislumbrar da sua janela o sucedido, envergando a sua tradicional túnica branca e mais a coroa de folhas de louro, enquanto dava azo à sua veia criativa e compunha mais uma ária para Harpa...(ehe)

2007-06-28

Quiz XVII

Revi na TV na terça feira passada o Die Hard 2 (que teve em Portugal o título de "Assalto ao Aeroporto"), onde recordamos Bruce Willis num dos papéis que mais o celebrizou,assumindo a pele do polícia Jonh McClane, que pela segunda vez tem que lutar contra tudo e todos, para poder salvar a sua mulher que se encontra a bordo de um avião...Isto numa altura em que estreou nos cinemas a 4ªsequela desta série...

No dito filme, parte da acção passa-se num terminal ainda em construção do aeroporto de Dulles em Washington D.C. ...Lembrei-me assim de repente que em Lisboa, estão a proceder à construção do terminal 2 ...

Será que teremos uma versão tuga do Yupi Cayie Motherfucker com os nossos GNR's da extinta BT na primeira linha?

2007-06-12

Já cheira a febra e a sardinha assada no ar...

A noite onde todos os estratos populares se misturam na capital, a noite onde existem animação permanente por toda a cidade, a noita da febra, do coirato, da cerveja quente e da sardinha assada...das encostas do castelo e alfama até à bica...

..a noite onde os pintarolas são reis e senhores...

ahhh...é noite de santos populares meus amigos...

2007-05-31

Génios do Marketing Político...


humm...gostaria de conhecer o génio que arranjou o slogan para a campanha de Fernando Negrão para a CML...

"Lisboa a sério" é reconhecer o péssimo trabalho que as equipas camarárias deste mesmo partido realizaram em anos anteriores...

E já tendo sido usado este discurso de ruptura na última camapnaha autárquica (Carmona desmarcou-se completamente de Santana), julgo que a escolha não foi a mais feliz...

Aparentemente passa a ideia de que os outros anos não foram a valer e só agora é que o trabalho a sério irá começar...do género, vá estivemos no "reinanço" convosco, somos uns "gandas malucos", agora é que vamos começar com seriedade...e de repente só me lembro da imagem voluntariosa de Carmona de mangas arregaçadas nos cartazes da última campanha...

2007-05-26

Anúncio...

Sendo 17 os bloguistas que compõem este espaço e havendo 17 pelouros em disputa na CML, tomei a liberdade de recolher e enviar 4000 assinaturas para validar a nossa candidatura...



Seremos a 13ªlista concorrente?