2009-05-24

Cine Qua Non

Uma das principais características da modernidade talvez seja o paradoxo de os projectos e sonhos de uma vida estarem ao alcance de cada um. À distância de uns cliques. Se por um lado é cada vez mais fácil, e até mais barato, disponibilizar textos, imagens, música a mil e uma pessoas. Conhecidas e desconhecidas. Por outro é cada vez maior a pressão, senão mesmo competição. Ou seja, encontramo-nos hoje a viver uma absurda contradição: o fácil está mais difícil.

É exactamente por isso que os projectos jovens dos jovens são e têm que ser sempre motivo de atenção e destaque. Revistas como a Bíblia ou a Callema têm sempre que ser referidas e relembradas. Para não desaparecerem no fundo baú do depois-logo-vejo-isso.
É exactamente por isso que o surgimento de uma nova revista tem que ser motivo de destaque. Cine Qua Non - é a jovem revista com nome de gente grande. Aqui fica ela à distância de um clique... http://www.cinequanon.pt


Ter uma publicação é um desejo de há muito tempo. Construir uma publicação como esta, numa nova era da sua possível reprodutibilidade digital, é consumar esse mesmo sonho mais antigo somado à forte vontade de reunir alunos de estudos artísticos.
Reunir artistas. Reunir as artes.
Das universidades, dos teatros, dos estúdios, dos ateliês, das salas de espectáculos, das salas de aula vêm alunos de mestrado e doutoramento, professores e artistas que aqui se reúnem na escrita.
Unidos pelas artes, aliando a teoria à prática, cá dentro ou lá fora,do palco ou do público, manifestam as suas ideias, as suas dúvidas,as suas certezas e incertezas. As suas inovações. Criações. Explicações. Interrogações.

Interrogada várias vezes sobre o título escolhido, sinto-me na obrigação de o explicar. O título tem uma história que se inicia o ano passado em Amesterdão com uma loja de cinema com o mesmo nome, passa por um título de um filme para um projecto
académico e, ganhando uma considerável e agradável saudade e afeição, fixa-se aqui. Cine Qua Non pode assim ser facilmente confundida, logo à partida, com uma revista dedicada ao cinema. Isso é um risco assumido, mas desde já, e para que não restem dúvidas, fica o esclarecimento.

Ana Luísa Valdeira da Silva in editorial

2009-05-07

Quiz XXXIII

Tomando em linha de conta o pioneirismo de Obama no uso de certos meios e técnicas, questiono-me qual seria o equivalente português de um apanhado "casual" como o de Obama? Sócrates a pedir um Bitoque? Teríamos Sócrates numa mesa de esplanada discutindo o Benfica, tomando imperiais e comendo caracóis?

Muito mais que um simples hamburger...


Que cada vez mais exista uma parte cénica associada à política, sendo esta deveras importante, todos nós já sabíamos. Que a campanha de Obama mostrou muita criatividade e desbravou caminho a muitas tecnicas em "marketing" eleitoral, utilizando por exemplo com muito proveito as novas tecnologias, também era algo que tinha sido constatado.

Agora, numa altura em que com a recessão, é necessário incutir confiança e segurança à população, a sucessão de mensagens sublimes que uma aparente e casual paragem numa casa de hamburgers, pode possuir é algo extremamente interessante. E nisto Obama e a sua equipa têm se revelado mestres. Ainda que escreva com base em suposições, façamos portanto um pequeno exercício de dissecação dos factos.

O simples facto de ter sido escolhido uma pequena casa de hamburgueres e não uma grande cadeia do género certamente não se deveu a uma questão casual, geográfica ou de gosto. Obama pretendeu assim dar um sinal de confiança aos pequenos comerciantes e gestores de pequenos negócios, precisamente aqueles que mais têm sentido esta crise. Por outro lado, para os eleitor comum, Obama passa a imagem de um homem americano comum e mundano. Um homem perfeitamente normal que tem as mesmas preocupações e deveres. Podemos ainda acrescentar que ao preferir uma pequena casa de hamburger a uma grande cadeia, Obama consegue se precaver contra alguma conotação negativa que essas empresas têm na opinião pública (ou evitar a óbvia colagem publicitária que seria feita). Além disso mostra que prefere as pessoas às grandes corporações, demarcando-se da anterior administração.

Ao aguardar na fila, para além de querer descer do pedestal em que é colocado pelo cargo que ocupa, Obama passa uma mensagem aos cidadãos que podemos interpretar de calma e paciência.

Ao querer pagar e ao renegar quaisquer benefícios advindos do facto de ser quem é, Obama para além de passar a mensagem de confiança, passa uma mensagem de incentivo e estímulo à economia, afinal algo que não abunda muito nos dias que correm. O Presidente mostra ao seu eleitorado que é um deles e está disposto a fazer os mesmos sacrifícios que o comum americano.

Mais rebuscado, mas igualmente muito interessante, foi o "!Hola!" que lançou à empregada de origem hispânica que trabalhava no dito local. Não é à toa que este grupo étnico se tem assumido cada vez mais importante para os candidatos e para os políticos nos EUA. Com uma quota actual de 11% de hispânicos, estima-se que em 2025, este grupo representará cerca de o dobro. Daí a premência da discussão nos EUA em tornar ou não oficial o espanhol. Tendo tido o forte apoio da maioria hispânica, o Presidente pretendeu assim com este pequeno gesto, incluir a mesma tornando a parte de um todo assim como demostrar o seu agradecimento.

Nota final para uma imagem que consegui ver na peça da rtp sobre o assunto. O facto de Biden e Obama levarem os sacos de hamburgers para o restante staff. Isto vem novamente passar a ideia da necessidade de meter mãos à obra, sendo isto extensível do mero cidadão ao presidente.

Obama ainda está em estado de graça. Aliás, não obstante os importantes passos tomados, a cena final com a euforia da população perante a sua presença é sintomática dessa aprovação.

Olhando agora à repercussão que esta notícias teve, creio que não é descabido pensar que afinal, esta visita pode não ter sido tão casual como isso. Ao fim de contas acaba por ser apenas uma reciclagem de velhas técnicas astutas de indução sublime de mensagens em política. E se há pessoa que tem tido o dom de efectuar as mesmas com exactidão, essa pessoa tem sido Obama.

post scriptum: Não é de admirar que outros líderes políticos com funções governativas, comecem a ser "apanhados" em situações casuais, mostrando uma faceta de cidadão comum, mostrando uma ligação intrínseca ao eleitorado e população.

2009-05-05

Ponte Europa - Gestores Portugueses

Fico perturbado com notícias destas, derrapagem absurda de 40 milhões de euros na construção da Ponte Europa (Rainha Santa Isabel) em Coimbra. O total da obra ascende aos 70 milhões de euros. 
Há dias li na revista sábado que os primeiros portugueses a serem alvo de protecção num caso de epidemia, para além do Presidente da República e do Governo, seriam os gestores das empresas públicas porque o país não pode parar... 
Eu tenho os meus impostos em dia para isto... Somos um país pobre e não é por acaso. 

2009-05-04

Special Goal by Mourinho


Uma questão de estilo. Nem a feijões muda a sua atitude!

Goste-se ou deteste-se eis Mourinho no seu melhor!

2009-05-03

O Triunfo dos Porcos


"Portugal figura hoje pela primeira vez na lista de países com "casos prováveis" de gripe A (H1N1 ) do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) , que contabiliza 49 casos confirmados e 14 prováveis a nível europeu."

in Expresso

2009-04-30

antecipando o dia...mas não é como o natal? ;)

"No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...

Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."

Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas..."

Eugénio de Andrade

2009-04-23

Desbobina em Mute

Da Capital do Móvel...

Link: Nacional 2-3 Paços de Ferreira



...[por um dia] os reis da Madeira!

(momento irracional do post) Eu já estive no Jamor por duas vezes. E vocês?

2009-04-18

It's Politics, Stupid!

"Não vou ser candidato"
"Ao fim de 10 anos de trabalho no Parlamento Europeu, não faz muito sentido que quem foi na última eleição em quinto, seja agora oitavo"
"Não aceito a lei da paridade como justificação. Não é suficiente para atribuir ao PSD-Madeira esse lugar"
Sérgio Marques dixit


"(...)"Já está resolvido. O candidato ao Parlamento Europeu, no mesmo 8º lugar, é o senhor dr. Nuno Teixeira".
"Não quer um, vai outro. A única pessoa importante neste partido sou eu".
"Não, ele disse-me agora antes de começar a Comissão Política. Não aceita, também não peço nada a ninguém. Surpreendeu-me pela maneira de ser dele (Sérgio Marques). Não o julgava capaz disto"(...)"

AJJ dixit


A surpreendente recusa de Sérgio Marques de integrar as listas do PSD às europeias em 8ºlugar [nas últimas eleições foi eleito em 5º], depois de ter sabido via Comunicação Social que era este o lugar que lhe era destinado, conforme tem sido aventado nos órgãos de comunicação sociais e na blogosfera madeirense, merece uma leitura algo mais profunda do que à primeira vista possa parecer.

Sérgio Marques é reconhecidamente, e num puro exercício de sondagem sem qualquer tipo de rigor científico, um dos nomes laranjas cujo trabalho e capacidade de iniciativa não é posta em causa dentro das hostes laranjas regionais, tendo o eleitorado opositor geralmente uma uma boa imagem da sua prestação política.

O facto de estar há 2 mandatos exilado na Europa, logo longe quer da vida política regional, quer do desgaste de imagem que a mesma produz, aliado à boa publicitação do seu trabalho - é dos deputados laranjas que mais investe nesta área, em especial na área das novas tecnologias - dos primeiros a estar na blogosfera, usa redes sociais para contactar eleitores [Facebook no caso], etc. - faz com que a imagem tida dele seja em geral positiva, não havendo grandes máculas sobre a sua imagem.

Numa primeira leitura simplista, face às palavras caústicas de Alberto João Jardim confrontado com a recusa, poderíamos considerar que Sérgio Marques tenha assinado a sua certidão de óbito político, pelo menos no seio do PSD-M, devido à "heresia"de ter ousado enfrentar o líder. Uma pessoa menos atenta à vida política na Madeira, pode achar que estou a exagerar, mas convém recordar que Jardim nunca foi grande adepto de debate interno ou de muitos desvios à ortodoxia da sua palavra.

Por outro lado, outra leitura possível, poderá indiciar esta recusa como uma simples tomada de posição por parte do deputado, que não tendo satisfeito as suas ambições, resolveu tomar uma atitude de força no calor do momento.

Há no entanto diversas nuances que me fazem explorar um outro prisma. Sérgio Marques, como qualquer político, tem as suas ambições e era público [em entrevista recente] que veria com bons olhos a ideia de poder no período pós-Jardim. Por outro lado, temos de considerar o facto de o poder e a alternância do mesmo, ser motivado, pelo menos em Portugal, não por uma vitória da oposição, mas sim pela erosão governativa do partido no poder. Tendo em mente estas duas premissas, num exercício de pura especulação, poderíamos ser levados a pensar que os factos que nortearam esta abrupta decisão poderiam ter mente uma estratégia com horizontes mais latos.

Isto porque com esta decisão e a aparente proscrição (a nível regional), o mais engraçado nesta situação é o facto de Sérgio Marques poder vir a obter a médio-longo prazo enormes ganhos políticos com esta medida, beneficiando com isso o PSD-M. Confusos?

Num cenário de liderança pós-Jardim, Sérgio Marques com esta recusa e pelo facto de perante os olhos da opinião pública, ter afrontado Jardim, pode constituir para o partido uma possível alternativa ou alternativa de reserva, isto quando o jardinismo (ou o que restar dele) deixar de ser a matriz agregadora do partido ou o eleitorado madeirense já não ser sensível ao peculiar estilo de retórica e mensagem.

Em termos de calculismo político, esta poderia ser considerada uma manobra arriscada - sabendo-se que o manancial de apoio do jardinismo é bem grande, a gratidão dos madeirenses é (irracionalmente e inexplicavelmente) devota e o aproveitar da sua imagem e memória, que após a sua retirada serão concerteza explorados e darão votos ao partido laranja pelo menos durante algum tempo.
Mas dado que nada é eterno, quando a alternância estiver na eminência, Marques estaria salvaguardado, aparecendo aos olhos do eleitorado laranja, como uma opção recta e imaculada (vinda fora do sistema), que soube se manter à parte, seja do possível lavar de roupa que previsivelmente se seguirá no interior do partido (e que já aparentemente já decorre - os indícios são muitos), seja das conotações menos claras com o período jardinista.
Marques funcionaria assim como o às de trunfo, num cenário de iminente alternância num contexto eleitoral difícil.

Claro que esta análise tem muitos "ses" e face ao publicamente propalado, não creio que tenha havido este tipo de visão política a longo prazo - estão escritas muitas determinantes não controláveis. Aliás, as próprias ambições a curto-prazo do candidato, ficariam algo lesadas, podendo a sua imagem pública ser afectada (como deverá previsivelmente ficar).
No entanto, não deixa de ser engraçado como uma medida que aparentemente é uma mera tomada de força, poderia no entanto se revestir de uma medida com extrema astúcia e argúcia. Será a análise assim tão descabida e fictional?

2009-04-17

Espelho meu...


"(...)"É uma lei nazificante, de iniciativa fascista e que pretende calar a imprensa de vários quadrantes políticos e não apenas o ‘Jornal da Madeira’", referiu à chegada ao Aeroporto Internacional da Madeira.
Para João Jardim, "é uma lei que é um braço de ferro do ministro nazificante com a liberdade de imprensa em Portugal".

"Isto ainda vai dar muita luta mas há uma coisa que vos garanto. O ‘Jornal da Madeira’ vai sair nem que a gente vá todos presos", disse.

"A autonomia chegou a um momento que precisa de mártires para dar os saltos seguintes e, eu, aos 66 anos já não me divirto muito cá fora, já posso ser preso político, já posso fazer o papel de mártir"(...)"

in público.pt

As declarações de uma pessoa que sempre prezou pelo pluralismo e pela diversidade de debate e de opiniões. De uma pessoa que era um reconhecido opositor ao anterior regime. Da pessoa que sempre primou pelo respeito à memória da revolução de Abril. Do verdadeiro democrata no sentido liberal do termo (defensor do primado do direito e da defesa das minorias). Do paladino da liberdade que recebeu oficialmente aquele baluarte sul africano dos direitos humanos e defensor máximo da reconciliação entre os povos de diferentes raças e credos chamado Pieter W. Botha...

2009-04-08

um alerta para o planeta

Este conjunto de conferências pretende suscitar uma reflexão aprofundada sobre alguns dos temas determinantes do futuro da humanidade e do nosso planeta. Convidaram-se personalidades que, pela importância das suas contribuições, têm marcado o debate das questões relacionadas com o desenvolvimento sustentável.
Esta iniciativa da Caixa Geral de Depósitos insere-se no programa de sustentabilidade que tem vindo a desenvolver – em que se inclui o Caixa Carbono Zero 2010.
Ambiente, Direitos Humanos, Desenvolvimento Sustentável e a sua ligação à Sociedade da Informação, Cidades pensadas como pólos agregadores para os seus habitantes, são temas de actualidade irrecusável e correspondem a grandes preocupações do mundo actual.

Culturgest

Ontem realizou-se a primeira com António Gonçalves Henriques, Viriato Soromenho Marques e Nuno Lacasta. E além de estarmos perante uma muito boa casa para um tema que em Portugal continua fora do mainstream, a qualidade das intervenções foi excelente. A forma como o painel avançou pelo tema foi muito coerente e abrilhantou ainda mais a conferência. Sinal menos apenas para o moderador.

Primeiramente António Gonçalves Henriques fez uma abordagem inicial do que são alterações climáticas. De seguida Viriato Soromenho Marques, que orador excepcional, avançou com mais dados sobre este assunto e pegou na ideia de como o desenvolvimento sustentável é exequível com a ideia de desenvolvimento económico e redução das dissemetrias sociais. Finalmente Nuno Lacasta, que faz parte da task-force para a discussão do pós-Quioto apresentou as principais ideias e práticas governativas que estão a ser executadas e planeadas na UE.

Nas próximas terças feiras teremos mais conferências dedicadas aos temas dos Direitos Humanos, dia 14; Desenvolvimento Sustentável e Sociedade da Informação, dia 21 e Arquitectura Sustentável, dia 28.

obs: Entrada gratuita e beberete.

2009-04-02

"Plise táke cáre óf your bilóginggs"

sempre me orgulhei da diferença entre um português a falar inglês a comparar com um espanhol (tema especialmente sensivel no meu caso)... mas o metro de lisboa fez-me repensar seriamente o assunto.

2009-03-31

Música do Mundo

Um amigo e colega de doutoramento acabou de lançar o seu primeiro CD.
Aqui fica uma amostra do CD e o endereço do sitio no myspace para quem tiver curiosidade de ouvir mais: http://www.myspace.com/misturapura


Boa Mich! Continua assim.
Bjocas

2009-03-15

Há pouco tempo li algures que um Português integrara a short-list para a orquestra sinfónica Youtube, numa das primeiras coisificações da web 2.0, desta vez na vida real. Entretanto passou já a data de divulgação dos seleccionados mas ainda não consegui perceber se lá conseguimos mais uma daquelas pequenas vitórias de utilidade e motivo de orgulho duvidáveis por que de vez em quando nos vangloriamos de sorriso aberto.
É no entanto pela natureza daquela orquestra que a dita foi aqui evocada. Um projecto musical verdadeiramente transnacional, com base em videos online, pode muito bem ser estandarte do que é a realidade cultural hoje e da mudança de paradigma no que toca à criação e autoria. Muito bem. Não será, porém, o único. E foi este segundo exemplo que me trouxe aqui.

Alguém algures compreendeu o Youtube como uma biblioteca áudio virtualmente infindável e decidiu criar música a partir daquela matéria-prima. O resultado são faixas de música em que todos os elementos são exclusivamente retirados de videos do youtube e editados/montados. Cada faixa tem, naturalmente, uma vertente visual indissociável, composta simplesmente pelos excertos dos videos de onde são retirados os clips (não fosse esta a sua génese).

Este projecto musical verdadeiramente transnacional, com base em videos online, que pode muito bem ser estandarte do que é a realidade cultural hoje e da mudança de paradigma no que toca à criação e autoria chama-se Thru You e está aqui.

Edit: parece que o violinista Tiago Santos sempre entrou para a orquestra do Youtube. Não deveríamos estar a ser um país cheio de fãs incondicionais de violino?

2009-03-10

Digno de um Portugal-Angola...


Recebido por e-mail

Será esta a génese ou o corolário da expressão "Tudo ao molhO e fé em Deus" / versão Jaime Pacheco..? Literalmente molho...

2009-03-09

Estamos parados há demasiado tempo. Tive de chamar as autoridades, numa demonstração gratuita de alguma nostalgia e relativização por distanciamento temporal.

2009-02-18

Quiz XXXII

"Italiana pode engravidar de marido em coma

Pela primeira vez em Itália, uma mulher ganha o direito a ser inseminada com o sémen retirado do marido, depois deste ter entrado em coma irreversível.

Uma italiana de 32 anos será inseminada, dentro de um mês, com o esperma extraído do marido, depois deste ter entrado em coma irreversível devido a um tumor cerebral (...).O caso, que veio a público uma semana após a morte de Eluana Englaro (que faleceu na semana passada depois de ter passado 17 anos em estado de coma), introduz um novo debate bioético na Itália e já motivou críticas por parte da Igreja Católica.

Alguns membros do Vaticano condenam a pretensão do casal, alegando que "um filho deve ser fruto de um acto de amor e não de uma experiência de laboratório". O ginecologista Antinori refuta as acusações da Igreja, dizendo tratar-se de "um acto de vida e de amor".

Além de controverso nas posições tomadas sobre a procriação in vitro e a clonagem humana, o médico italiano tornou-se famoso por ajudar várias mulheres na menopausa a engravidarem.

Em Itália, a lei de reprodução assistida permite o recurso a esta técnica apenas em caso de esterilidade. Situações como a deste casal levantam a questão da ilegalidade. Mas Severino Antinori contraria a tese, afirmando que o procedimento acontece "no limite da lei" e de acordo com uma ordem judicial."

in Expresso

Considero a posição do Vaticano paradoxal e incoerente perante o patrão. Confusos?
Então vejamos, se Maria, segundo as escrituras, concebeu virgem, sem dúvida Deus é o pai e percursor da inseminação artificial...

2009-02-17

darkest side of politics

Este caso do BPN tem posto a nú inúmeros factos e ligações que em nada prestigiam a política ou o regime. Apanhado no meio desta embrulhada toda, surge Dias Loureiro, em tempos homem forte do aparelho laranja e personagem ministeriável em vários governos.

Numa primeira fase negou e contradisse as declarações do vice-presidente do Banco de Portugal. Ouvido em Comissão de Inquérito, negou qualquer conhecimento de envolvimento do BPN [do qual era administrador] em qualquer negócio ilícito. No entanto, documentos tornados públicos este fim de semana, mostram a assinatura do dito autorizando os ditos negócios.


A ideonidade do orgão, do qual faz parte e goza com isso de imunidade, fica assim posta em causa. Se numa primeira fase face às graves acusações, a medida correcta seria o abandono do cargo [ele não pode ser destituído e o sempre zeloso Cavaco chegou mesmo a reiterar confiança no mesmo], face ao agora apurado é óbvio que Dias Loureiro não tem condições nenhumas para continuar no conselho.

Aliás ao manter-se no mesmo, aparenta quer continuar a gozar de imunidade, o que transmite ao país uma imagem de impunidade que não pode ser tolerada num normal estado de direito.